quarta-feira, 20 de março de 2013

CADA VEZ MAIS ÓRFÃOS...

O cantor Emilio Santiago morreu hoje no Rio de Janeiro, aos 66 anos de idade. Internado no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Samaritano, em Botafogo, desde o dia 7 de março devido ao um acidente vascular cerebral, o cantor não resistiu e faleceu ás 6:30 dessa manhã.

Vencedor de diversos festivais de música, Emílio iniciou a carreira na década de 70 e gravou grandes sucessos como "Saygon", "Lembra de mim" e "Verdade chinesa". O último disco do cantor foi "Só danço samba (ao vivo)", lançado em 2012, junto com um DVD. A série "Aquarela brasileira", responsável por aumentar consideravelmente sua popularidade no país, teve mais seis volumes, o último deles lançado em 1995. Um de seus mais importantes trabalhos, "Feito para ouvir", de 1977, foi reeditado pela Dubas Musica em 2009. Outro relançamento em sua carreira aconteceu em 1989 com "Brasileiríssimas", seu segundo disco, originalmente de 1976.



Entre seus maiores sucessos estão "Saigon", "Verdade Chinesa", "Lembra de mim", "Vai e vem", "Tudo que se quer" e "Flor de lis". Seu último disco saiu em 2012, uma versão ao vivo de "Só danço samba", de 2010 – que,  por sua vez, foi o primeiro trabalho do selo Santiago Music. O álbum é uma homenagem ao  "rei dos bailes" Ed Lincoln, trazendo canções que fizeram sucesso nos clubes do Rio de Janeiro nos anos 60, além de músicas atuais de artistas como Mart'nália, Jorge Aragão e Dona Ivone Lara. Ao todo, sua discografia conta com 30 álbuns e 4 DVDs.

Desaparece um pouco com Emilio Santiago a tradição de cantores populares com vozes potentes, harmoniosas e de repertório eclético, cada vez mais raras no cenário da nossa MPB. Nossa aquarela brasileira perde uma de suas mais vibrantes cores. Uma pena...


segunda-feira, 11 de março de 2013

INSUPERÁVEL CHICO...

O álbum Meus Caros Amigos (era assim que se chamava na época) marca sem dúvida a plenitude poético-musical de Chico Buarque de Hollanda. Gravado em 1976 reúne em suas dez faixas o melhor da produção do compositor em temas desenvolvidos para teatro e cinema, além da antológica "O Que Será", onde Chico divide os vocais com Milton Nascimento.



Apoiado por um time dos melhores instrumentistas brasileiros, o disco é de uma qualidade ímpar, talvez nunca mais reprisado pelo compositor. "Mulheres de Atenas" (feita para a peça "Lisa, a Mulher Libertadora" de Augusto Boal, "Vai Trabalhar Vagabundo" - do filme homônimo de Hugo Carvana -, "Passaredo" e "A Noiva da Cidade" temas do filme do mesmo nome dirigido por Alex Vianny, por exemplo, mostram um Chico Buarque maduro, explorado novas sonoridades, sem se afastar de seu estilo de cronista contestador  e observador do comportamento humano. Uma obra prima que merece sempre ser revisitada.

sábado, 9 de março de 2013

O BELLINI...

Faz tempo que a gente não fala aqui de um dos meus hobbies favoritos: coquetéis. E  a bola da vez é o famoso Bellini, criado no não menos incensado Harry´s Bar de Veneza. A rigor, nada mais que uma mistura de vinho espumante (prosecco)e suco de pêssego . Mas que feito por mãos habilidosas nos levam ao êxtase. Como toda bebida clássica, há sempre uma grande e interessante história por trás. E com o Bellini não foi diferente.

Giuseppe Cipriani era bartender no Hotel Europa, em Veneza, tendo como um de seus clientes regulares Harry Pikcering, um abastado jovem americano que se hospedava por um longo período no hotel. Ambos tornaram-se próximos.

Durante a Grande Depressão americana de 1930, Harry se viu em apuros financeiros e forçado a pedir uma soma de dinheiro emprestado ao seu confidente e amigo do outro lado do balcão, a fim de saldar suas dívidas no hotel, prometendo quitar a dívida com o amigo ao retornar da América.

Meses depois, já tendo dado o dinheiro do empréstimo como perdido, Giuseppe foi surpreendido com o retorno do jovem Harry que não só devolvera o dinheiro que tomou emprestado, mas ainda ofereceu sociedade na abertura de um bar em Veneza. Ele entraria com o dinheiro, e Giuseppe com trabalho. A única condição seria que o bar teria seu nome. Em maio de 1931 foi inaugurado o Harry's Bar, na San Marco, 1323 em Veneza.

O Harry's original tinha um pequeno salão de 5 por 9 metros, e um ambiente simples, confortável e acolhedor que logo prosperou. Os anos passaram, e à exemplo Jacopo Bellini, Giuseppe também foi sucedido por seu filho, Arrigo Cipriani, que deu novo impulso para os negócios que hoje, além de mais um andar na casa original de Veneza, possui endereços em Porto Cervo, Londres, Hong Kong, Nova York, Los Angeles, Miami e Las Vegas. De um salão de 54 metros quadrados, a família Cipriani hoje está na 4ª. Geração à frente de um conglomerado que compreende meios de hospedagem sofisticados como clubes, restaurantes, bares, resorts, e serviços de eventos em diversos endereços pelo mundo.

Nomes famosos passaram pelo balcão e mesas do Harry's Bar, em Veneza, onde em 1945 Giuseppe Cipriani criou o famoso coquetel, batizando-o com o nome Bellini três anos depois. A lista de ilustres frequentadores de fato é enorme: Ernest Hemingway, Arturo Toscanini, Charles Chaplin, Winston Churchill, Sumerset Maughan, Marcelo Mastrianni, Humphrey Bogart, Lauren Bacall, Pablo Picasso e Truman Capote, entre tantos outros.Além dos famosos que frequentaram o Harry's e apreciaram seus Bellinis, outras curiosidades em torno desse mítico coquetel faz dele uma bebida ainda mais especial.

Segundo diferentes fontes, o nome Bellini foi dado ao coquetel em homenagem a dois diferentes pintores venesianos renascentistas. Uma fonte indica Jacopo Bellini (nascido por volta de 1400 e morto em 1470). Outras fontes indicam o pintor Giovanni Bellini (1436-1516) como inspiração para o nome do coquetel. Pouco importa de fato quem está correto, a confusão parece mais interessante que o acerto.

(consulta de texto Carlos Alberto Barbosa/foto reprodução)