domingo, 18 de novembro de 2012

TIPOS URBANOS DA GRANDE CIDADE...

Depois de séculos voltei a ler quadrinhos, mais precisamente graphic novels. E nada melhor que o mestre na especialidade, Will Eisner.

"Nova York, a vida na grande cidade" é uma coletânea de tipos e situações urbanas protagonizados por personagens singulares. As histórias reunidas neste livro registram momentos às vezes irônicos, às vezes trágicos, da vida dos habitantes da metrópole, revelando muito mais do que "um acúmulo de grandes edifícios, grandes populações e grandes áreas".


"Nova York: A grande cidade" e "Caderno de tipos urbanos" são compostos de vinhetas que registram, a partir do cenário da cidade, aspectos do dia a dia de seus habitantes.Esses breves vislumbres iluminam com delicadeza desde as situações mais cotidianas até as reviravoltas mais trágicas.

O olhar agudo que se revela nas vinhetas ganha em "O edifício" e "Pessoas invisíveis" aspecto mais sombrio. Nessas histórias, que são sobretudo biografias de personagens solitários e esquecidos, Will Eisner põe em xeque o isolamento e a indiferença impostos pela metrópole.

Verdadeira obra-prima dos quadrinhos, "Nova York" é um registro impressionante não só da sensibilidade de seu autor mas da vida que se esconde por trás de toda grande cidade".

 (reprodução de texto Cia. das Letras)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

MEMÓRIAS...

Greenville, estado da Carolina do Sul, EUA, doze anos atrás. Noite invernal, um frio de rachar os ossos. Saio de casa na vã esperança de achar um boteco aberto aquela hora da noite a fim de tomar uns grogues. Inútil, na brancura da paisagem , somente os flocos de neve me fazem companhia. Quase desistindo encontro um bar com fachada de madeira, numa viela do centro da cidade. Há uma grande janela de vidro e, através dela, posso ver um trio de piano-baixo-bateria, liderados por uma bela crooner loira, que se esforça para atrair a atenção da parca clientela desatenta.

Não é tarde, cerca de 11 horas da noite e faço menção de entrar. Um negro alto, magro  e bem vestido me impede, não estão aceitando novos clientes devido ao adiantado da hora. A noitada aqui acaba pelo jeito cedo. Fico então alguns minutos do lado de fora, exposto à intempérie, apreciando os últimos números do quarteto.



Compadecida talvez da minha inesperada audiência, a loira resolve oferecer a última música da noite "àquele rapaz ali do lado de fora, que insistiu em nos ouvir, apesar deste tempo de merda". A música era "What a Difference a Day Makes", grande sucesso de Nina Simone, que assim passou a fazer parte da minha história. Apenas mais uma lembrança de rostos e lugares do passado.