segunda-feira, 30 de julho de 2012

"O CIÚME", POR GUILHERME DE ALMEIDA...

"Minha melhor lembrança é aquele instante no qual
Pela primeira vez, me entrou pela retina
Tua silhueta, provocante e fina
Como um punhal

Depois, passaste a ser unicamente aquela
Que a gente se habitua a achar apenas bela
E que é quase banal

E agora que tenho em minhas mãos e sei
Que os teus nervos se enfeixam todos em meus dedos
E os teus sentidos são cinco brinquedos
Com que brinquei

Agora que não mais me és inédita
Agora que eu compreendo que tal como te vira outrora
Nunca mais te verei

Agora que de ti, por muito que me dês
Já não podes dar a impressão que me deste
A primeira impressão que me fizeste
Louco, talvez

Tenho ciúme de quem não te conhece ainda
E, cedo ou tarde te verá, pálida e linda,
Pela primeira vez..."

( reprodução "Evening Toilet", de Mistilav Pavlov)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

DIAMANTES ENFERRUJADOS...

Sou fã de carteirinha de Joan Baez, para mim uma das maiores vozes da canção americana. Guardadas as devidas proporções (é uma cantora eminentemente folk) eu a coloco no mesmo panteão de Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Billie Holyday, minha santíssima trindade das vozes femininas americanas. Ok, posso incluir também Janis Joplin, Anita O´Day, mas aí é uma discussão paralela.



A canção "Diamonds and Rust" foi composta em 1975 e remete-se ao relacionamento de Joan Baez com Bob Dylan, dez anos antes. Há várias referencias na letra da canção que falam de um "telefonema de uma cabine no Meio-Oeste", de um "fantasma do passado" ou de uma "noite num hotel ordinário da Washington Square" (Greenwich Village, Nova Iorque).


Apesar da cantora mais tarde ter desmentido esta versão dizendo que havia sido composta a música para o marido, David Harris, que se encontrava na prisão, todos sabiam a quem de fato se referia Joan Baez."Diamonds and Rust" no meu entender é uma das melhores canções folk de todos os tempos e se ajusta à perfeição à voz e interpretação de Joan Baez.

(foto reprodução)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O SOM DO CHICAGO...

Uma de minhas bandas favoritas o período 1968-1971. O grupo foi formado em 1967 na cidade homônima. A primeira formação do grupo, inicialmente chamado de The Big Thing, incluía Walter Paraider no saxofone, Lee Loughnane no trompete, Terry Kath na guitarra e voz, Danny Seraphine na bateria, James Pankow no trombone e Robert Lamm no órgão e voz. No começo, a banda não tinha baixista, mas, em Dezembro de 1967, o baixista e vocalista Peter Cetera juntou-se a eles, vindo da banda rival "The Exceptions"

Em 1969, foi editado o seu álbum de estréia, "Chicago Transit Authority", que vendeu mais de 2 000 000 de cópias e colocou quatro singles nas paradas musicais, fato que se repetiria ao longo da sua carreira e nos álbuns seguintes, cada um deles com uma ligeira variação na capa, na qual, ao lado do logotipo da banda, era acrescentada a numeração do respectivo disco. A música do Chicago era uma mistura de estilos, desde o rock até a música pop,incorporando elementos do jazz e da música clássica. Mas, depois do tema de Cetera "If You Leave Me Now" se tornar disco de ouro e chegar ao primeiro lugar das paradas em 1976, o grupo começou a compor mais baladas românticas.



No vídeo acima, a faixa "I´m a Man", de 1970,  a pegada forte  do rock do Chicago e a guitarra pulsativa de Terry Kath que tinha entre seus maiores fãs ninguém menos que...Jimi Hendrix !

terça-feira, 3 de julho de 2012

'MADAME BOVARY", DE GUSTAVO FLAUBERT...

" Entrementes, as chamas se acalmaram, seja porque a própria provisão se tivesse esgotado ou porque a acumulação fosse por demais considerável. 


O amor pouco a pouco apagou-se com a ausência, o pesar foi abafado pelo hábito; e aquele luminosidade de incêndio que tingia de púrpura seu céu pálido cobriu-se com maiores sombras e apagou-se gradualmente.


No entorpecimento de sua consciência, tomou mesmo a repugnância pelo marido como aspirações pelo amante, os ardores do ódio como reaquecimento da ternura; mas, como a tempestade continuava soprando e como a paixão se consumiu até as cinzas e como não chegou nenhum socorro, como nenhum sol apareceu, foi noite completa em toda parte e ela permaneceu perdida num frio que a trespassava."

Madame Bovary - Gustave Flaubert - Pag. 119

(Descaradamente "apropriado" do Facebook do brother Cezar Fittipaldi/foto reprodução)