sexta-feira, 27 de abril de 2012

O KIR ROYALE...

Já foi um dos meus drinques favoritos - ok, vá lá, coquetel - mas hoje raramente peço por dois motivos: um, soa até meio gay; dois, dificilmente acho alguém que saiba fazer o mix perfeito, o que faz toda a diferença. Já bebi muito kir royale (alguns preferem a grafia royal...) como aperitivo antes das refeições ou mesmo no fim de tarde, quando era mais chegado às libações etílicas.

Consta que foi inventado por Félix Kir, um prefeito da cidade francesa de Dijon, como medida de incentivo a venda de dois produtos de sua região, o creme de cassis e o vinho branco tipo Burgundy. Originalmente a receita se fazia com vinho tinto mas durante o período da 2a. Guerra Mundial (1939-1945) o estoque de vinho tinto da região foi confiscado pelos soldados alemães. Após o conflito, adotou-se também o espumante (champagne) como também alternativa ao drinque e assim foi como sepopularizou.

A receita é muito simples e aqui vai a proporção que acho ideal: Numa taça tipo flüte coloque uns 15 ml de creme de cassis, adicione uns 90 ml de bom champagne tipo brüt ou o espumante de sua preferência e está feita a festa. Uma variação interessante é colocar umas duas ou três blueberries (ok, mirtilo para os francófilos...), dá um sabor diferente e um charme especial ao seu drinque.
Tim, tim...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

COMENDO UMA "FRANCESINHA"...

"Já comeu uma francesinha ?" A pergunta feita assim à queima roupa me pegou de surpresa e fiquei bem constrangido, confesso. Afinal, eu visitava uma amiga angolana cuja mãe, uma senhora de origem portuguesa já de alguma idade, estava sentada bem à minha frente, aparententemente pouco interessada nas minhas eventuais aventuras amorosas. Antes que eu me refizesse do susto e, se dando conta de meu mal estar, a senhora se pôs a explicar.


"Francesinha" é o nome de um sanduíche muito famoso lá pelas bandas do Norte de Portugal, principalmente na cidade do Porto. Consta de pão de forma com recheio de linguiça, salsicha, presunto, um bife de carne de gado ou lombo de porco assado e fatiado, encimado por uma porção generosa de queijo derretido. Como guarnição, pode vir acompanhado de um molho feito de tomate, cerveja e pimentões, dois ovos estrelados por cima e batatas fritas.

Diz-se que o acepipe teve origem ainda na invasão napoleônica a Portugal quando o soldados franceses juntavam duas fatias de pão e preenchiam com toda a espécie de carne encontrada e queijo. A contribuição portuguesa veio com a adição do tal molho. Outros atribuem o crédito a um tal Daniel David Silva, empregado do restaurante A Regaleira, ainda nos anos 50, após ter trabalhado em Paris e se inspirado no sanduíche croque- monsieur francês. Hoje, a francesinha se tornou uma verdadeira instituição na cidade do Porto, dando margem ao aparecimento de recheios de várias versões como cogumelos, frango, bacalhau, atum, vegetais, etc.

Isso posto e devidamente esclarecido, dediquei-me então à agradabilíssima tarefa de "traçar convenientemente uma francesinha", comme il fault. Pas mal, pas mal...

(foto reprodução)