sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

ELEGIA À BAIXA GASTRONOMIA...

Há uns bons anos que deixei de ir a restaurantes estrelados, desses que depois de duas horas de congestionamento de trânsito, paga-se uma nota pelo estacionamento, espera-se uma hora em pé ou mais por um lugar numa mesa apertada para comer porções mínimas de uma comida estranha que aparenta ser um monumento ao movimento expressionista e cujas porções são tão pequenas, suficientes somente para alimentar um canário belga.

Muitas vezes saí desses lugares me sentindo depenado no meu rico dinheirinho, com uma vontade enorme de parar numa trattoria ou num rodízio de carnes para matar realmente a fome. Alguns mais deslumbrados com a cultura da haute cuisine (seja lá o que isso signifique) me dirão que, antes de mais nada, isso é o preço (salgado, diga-se) a pagar por uma "experiência gastronômica". Pois bem, que fiquem com ela.

A verdade é que hoje em dia come-se mal. E paga-se muito. Esquecem os senhores restauranteurs que o que interessa, ao fim e ao cabo, é a satisfação do seu cliente e não atender à sua vaidade pessoal ou ao ego inflamado dos "chefs", que é como se chamam hoje os cozinheiros de antigamente. Descontado o trivial variado do dia a dia, comer, antes de mais nada, requer atração pela aventura, requer entrega total, abandono.

Cozinheiros existem em qualquer lugar, variam somente o gosto e a matéria prima. Já vi neguinho metido a gastrônomo recuar horrorizado frente a uma maniçoba paraense, um pato no tucupi, picadinho de muçuã (pequena tartaruga amazônica).

Ou a um barreado paranaense, uma moqueca baiana nadando em azeite de dendê, um sarapatel bem salteado na pimenta, ou até a uma prosaica sopa paraguaia (prato típico do Mato Grosso, que na verdade é uma torta). Ora, ora, dirão alguns, isso aí também já é exagero, comida de degredados ...

Ah, é ? E o que dirão os de estômagos mais sensíveris ao saber que no Japão, por exemplo, se come sashimi feito com o peixe ainda vivo ? Ou no Laos que se serve barata (não batata) frita ? Na Argélia se serve gafanhotos na brasa, um must ao cair da tarde. No Alasca, território americano, remember..., os nativos lambem os beiços com intestinos cru de foca. Na Noruega, língua e bochecha de bacalhau é a pedida. No México, fritada de grilos. Sem falar no Vietnã, onde se come qualquer coisa que ande, nade, voe ou rasteje. E a coisa por aí vai...

Portugal, nosso avôzinho, é um manancial de surpresas quando o assunto é "boa mesa". Dispense as obviedades à base de bacalhau ou as sardinhas na brasa, batatas ao murro e quejandos. Delicie-se com o menos trivial jaquinzinhos e pitingas (pequenos peixes fritos que se comem inteiros, com cabeça e tudo e às bateladas, a exemplo da pratiqueira paraense...), os pipis - nada mais que fígados e moelas de galinha com um molho pra lá de especial -, ou as bifanas, pão com bife de porco.

Segundo o jornalista e escritor Ruy Castro - meu consultor gastronômico ao escrever este post no seu artigo "Viagens ao redor do estômago" - há "algo de transcendental no porco português que não se consegue explicar".

E ele segue sugerindo pezinhos de porco à coentrada (pé de porco cozido ao molho de coentro, incluindo as unhas do bicho, ressalte-se), sandes de coirato (sanduíche de pão com couro de porco grelhado em chapa quente).

Ou os túbaros de porco (testículos do animal guisados e servidos em pires, cortados aos cubos). Ainda segundo Ruy Castro, há outras opções além do porco nas tascas portuguesas. Uma seria as caracoletas, aqueles caracóis comuns de jardim, servidos com palitinhos para cutucar o bicho.

Mas, o autor recomenda cuidado ao pedir um prato em Portugal. Bobó de camarão é um perigo, bobó em terras lusas significa boquete. E moqueca pode ser confundido com queca, isto é, "dar uma rapidinha". Portanto, todo cuidado é pouco devido às dificuldades naturais da língua ( se me permitem o trocadlho infame...).

Hoje em dia prefiro a simplicidade de restaurantes comuns feito para gente comum, como eu e você. Nada de lugares da moda, onde vão para ver e serem vistos, ou tirar uma de descolados. Assim, quando quero massas vou a uma trattoria, pizza a uma pizzaria, carne somente em grills ou churrascarias, peixes e crustáceos em especializados em frutos do mar e por aí vai. Claro, existem os "temáticos", mas desses passo longe. Só não me dou bem com restaurante japonês. Lugar onde a comida vem crua e o guardanapo cozido não é para meu bico....

Bon apéttit...!

(fotos reprodução)

sábado, 21 de janeiro de 2012

O NÉCTAR DA DEUSA...

Conheci a beberagem quando morei nos sul dos EUA, há priscas eras atrás. É uma espécie de licor feito originalmente de uma mistura de bourbon, baunilha, limão, canela, alho, cerejas, suco de laranja e mel.

Um coquetel infernal, servido aos incautos numa graduação alcoólica de 50 % em volume.

Reza a lenda que foi criado por um barman chamado Martin Wilkes Heron, em 1874 numa tal McCauley´s Tavern localizada no French Quartier, New Orleans. Com o passar dos anos e caindo no gosto popular, a bebida hoje é apresentada em várias versões mais palatáveis e com menos graduação alcoólica.

Serve como base para alguns coquetéis americanos populares como o Alabama Slammer, ou o Scarlett O´Hara, este último uma clara alusão ao lançamento do filme E o Vento Levou (Gone With Wind), em 1939.

Dizem que era o drink favorito de Janis Joplin, pelo menos nos seus primeiros anos de bebedeira. Tomava hectolitros, antes, durante e após suas apresentações. Talvez por ser um grande fã de Janis Joplin isso tenha me chamado a atenção.

Mas não me caiu muito bem ao gosto. Talvez por que não seja muito chegado a licores ou o tal Conforto Sulista tenha um sabor muito exótico para o meu paladar, não me "confortando" tanto assim.

Mas há quem aprecie. Eu, não.

(fotos reprodução)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

QUEM SE LEMBRA DE....

Marie Laforêt... ?

Nascida com o nome de Maïténa Marie Brigitte Doumenach, em 05 de outubro de 1939 em Soulac-sur-Mer, Maïténa ingressou no mundo artístico em 1959, quando foi levada às pressas para uma rádio para substituir a irmã num concurso de novos talentos chamado "Naissance d'une étoile" e ganhou.

No mesmo ano o diretor Louis Malle estava procurando uma jovem para atuar no seu novo projeto, "Liberté". E como Marie se enquadrava perfeitamente no perfil da personagem que estava procurando, ele a escalou para o papel, mas complicações nos bastidores fizeram com que ela desistisse do filme por outro chamado "O Sol Por Testemunha" (Plein Soleil). A película foi a primeira adaptação do livro "O Talentoso Ripley", da escritora Patricia Highsmith e ainda hoje é considerada a melhor versão da obra.

Como a sua performance anterior havia sido muito elogiada, ela foi convidada para estrelar o filme "Saint Tropez Blues". No longa ela interpretou a canção que deu título ao filme. Logo os produtores perceberam que ela tinha talento também para a música. Seu primeiro hit "Les Vendanges de l'Amour", foi um sucesso na época porque suas canções elaboradas por grandes letristas como André Popp e Pierre Cour representavam uma espécie de alternativa ao rock que havia invadido a França desde o final da década de 50.



Suas canções tinham um tom intimista e arranjos sofisticados que criavam uma variedade de sons ora medievais e barrocos, ora modernos, mas sua gravadora queria que suas canções fossem mais simples e alegres para torná-la uma artista pop como seu contemporâneo Johnny Hallyday. Ela tinha potencial para isso e foi assim que Marie Laforet enveredou pelo Folk Rock no final da década de 60.

Para se adaptar as novas tendências,começou interpretando algumas canções do Bob Dylan (aliás foi ela quem o popularizou na França ao cantar Blowin 'in the Wind, em francês) e Simon e Garfunkel. Mas, apesar de ela ter se ajustado ao novo gênero foi com as canções dos compositores Francis Lai, Michel Jourdan e André Popp que ela entrou para a história, dando um tom próprio para cada composição. Jourdam disse uma vez que quando Laforet cantava uma de suas músicas parecia que cada palavra tinha sido feita para ela e aquilo a ufanava.

Em 1978, não podendo mais conciliar sua estética pessoal com as exigências da sua gravadora, decidiu se afastar da carreira musical e mudar-se para Genebra, onde vive até hoje. No mesmo ano, ela inaugurou uma Galeria de Arte na mesma cidade. Na vida pessoal Marie Laforet é mãe da também atriz Lisa Azuelos.

(Texto Luziangela Lima/Foto reprodução)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A ERA DE OURO DOS FESTIVAIS DA CANÇÃO...

A coroação da MPB.

"Houve um momento em que o Brasil inteiro cantava. Nas escolas, nas ruas, campos e construções. Geraldo Vandré ainda não havia sequer rascunhado os versos em que falaria de flores, mas o país caminhava, dançando conforme a música. Eram sambas, marchinhas, bossas, modas de viola. Até iê-iê-iê se assoviava.

Nem o golpe militar de 1964, que mal havia mostrado todos os dentes, parecia capaz de estancar o ânimo dos brasileiros para a cantoria. As melodias ocupavam bares, teatros, o rádio e a televisão. Nas grandes cidades, onde a força da TV já se impunha, o povo se dividia entre “disparados” e “bandidos”, os fiéis torcedores daquilo que realmente importava: “A Banda” ou “Disparada”. Qual canção merecia vencer? Era outubro de 1966, e o júri convocado pela TV Record, temendo uma tragédia, decidiu pelo empate.



Venceu Chico Buarque de Holanda com “A Banda”, cantada por Nara Leão. Venceram também Geraldo Vandré e Théo de Barros com “Disparada”, interpretada por Jair Rodrigues. Mais que uma disputa, foi uma festa – e com trilha sonora da melhor qualidade. A cultura dos festivais da canção se consolidava naquela final, tão eletrizante quanto justa. Começava ali um novo ciclo da música brasileira, cujo apogeu criativo se daria no ano seguinte.

Em 1967 entrou em vigor a Lei de Segurança Nacional, em que a ditadura militar apertava o cerco sobre o país – entre os crimes previstos estava o de “guerra psicológica”, no qual poderiam ser enquadrados aqueles que discordassem publicamente do governo. Mesmo assim, uma safra raríssima de compositores e intérpretes não se intimidou.



Foi à TV em outubro defender com sangue, suor e lágrimas um repertório capaz de mudar o país. “Ponteio”, “Domingo no Parque”, “Roda Viva” e “Alegria, Alegria” foram as quatro primeiras colocadas em um festival que chegou ao fim com Roberto Carlos na quinta posição.

Ainda hoje, a força daquele momento reverbera nas canções que o tempo não cala. Mas, se parece inimaginável que Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil e Edu Lobo possam competir entre si, o fato é que 40 anos atrás isso aconteceu. Foi exatamente assim que nasceu a MPB.

Da TV para o disco

É verdade que a sigla para “música popular brasileira” já existia àquela altura. Ela batizava inclusive o grupo que acompanhou Chico Buarque em “Roda Viva” e outras canções, o MPB-4. Só que as três letrinhas serviam para abreviar um baita nomão, que soma dez sílabas e que era usado indistintamente para todo tipo de música cantada no país, da chula dos pampas ao baião nordestino. Tudo o que não fosse erudito era música popular brasileira.

A chegada da geração de compositores da qual hoje fez parte até um ministro da Cultura, Gilberto Gil, deu outro significado àquela sigla. Produto de seu tempo, a MPB se depurou intuitivamente a partir da convergência dos vários elementos sonoros que perpassavam todo o cancioneiro nacional. Até que virou um gênero autônomo.

Ao contrário de significar qualquer coisa, a MPB tornou-se, na segunda metade dos anos 60, um estilo bem definido em termos de música e letra. Uma sonoridade tão identificada com a cultura popular que pôde tomar esse nome emprestado. Tão além do regional que fez sucesso em todo o país. Era música. Era popular. Era brasileira. E foi legitimada junto ao público graças ao sucesso das canções apresentadas nos festivais de 1966 e 1967.

Com eles, em vez de chegar ao público pelo rádio, a música entrava na casa das pessoas pela TV, e só depois pelo disco. Junto com cada nova canção vinha a imagem de uma época: Elis Regina com seus braços ensandecidos subindo e descendo enquanto ela cantava “Arrastão”; os Mutantes em figurino psicodélico.


Sérgio Ricardo e sua famosa “violada” no auditório. Aquilo era excitante, transgressor.

Mesmo que o termo tenha ficado datado, a forma da MPB urdida naqueles festivais dura até hoje. Que outra nomenclatura poderia servir à obra de Djavan, à de Lenine ou à de Chico César? O que eles fazem, ainda que a partir de influências distintas, é MPB, e deriva em grande parte daquele som que se cristalizou nos bastidores da TV Record em fins dos anos 60. Disso não há dúvida.

O que pouca gente sabe, contudo, é que quem nos presenteou com a invenção da MPB foi Solano Ribeiro, o homem por trás dos festivais e que com eles se confunde. Sua vida está contada na autobiografia "Prepare seu Coração". O livro explica, entre outras coisas, como a TV foi fundamental para que o Brasil conhecesse o melhor de sua música. Mais ou menos o oposto do que ocorre hoje.

O maior Ibope

A televisão abriu espaço para a música porque ela dava audiência, como já havia ficado claro em programas como Brasil 60, apresentado por Bibi Ferreira na Excelsior, e O Fino da Bossa, com Elis Regina, na Record – o maior sucesso da TV naquela época. Mas o casamento, mesmo por interesse, foi feliz. A música, da velha à jovem guarda, conseguiu ocupar seu espaço na telinha. Isso ficaria ainda mais evidente quando o produtor Solano Ribeiro, que trabalhava na Excelsior, teve a idéia de reproduzir a fórmula já consagrada na Itália pelo Festival de San Remo, do qual Roberto Carlos havia sido vencedor, em 1968, com “Canzone per Te”.

Ao contrário do italiano, o festival de Solano não teria qualquer participação das gravadoras ou editoras de música. “Minha estratégia era colocar no mercado uma porção de músicas, cantores, cantoras e conjuntos musicais, e as gravadoras que se servissem, de acordo com a sua agilidade e competência”, recorda Solano. Bastou essa sacada para renovar radicalmente a música brasileira.

O festival era a grande oportunidade para que novos talentos pudessem “se vender”. Mas sua contribuição para a música foi bem maior. A TV, querendo ou não, virou a plataforma de lançamento da tropicália, que jamais teria feito o barulho que fez se ficasse longe das câmeras. Por mais que Caetano e Gil tenham entrado para a história como criadores daquele movimento, o tropicalismo não existiria sem algumas das cabeças que trabalhavam nos bastidores dos festivais, entre elas o próprio Solano Ribeiro, além dos maestros Júlio Medaglia e Rogério Duprat.

Foi Solano quem deu um empurrãozinho para que Caetano compusesse “Alegria, Alegria”, como ele mesmo recorda: “Eu tinha uma visão clara da música no Brasil e no mundo. O rock dos Beatles e dos Rolling Stones estava aí. Por outro lado, vi que a música brasileira precisava sair do binômio mar/campo. A juventude estava ligada no mundo urbano, até nas cidades do interior do Brasil, onde havia vida universitária. Percebi que a música precisava de temática urbana”, diz. “Em um encontro com Caetano, falei para ele que era preciso inventar uma nova estética.



Dias depois o Guilherme Araújo, que o empresariava, apareceu e disse: ‘Meu querido, você não acredita. O Caetano fez uma música sensacional, coerente com tudo o que você disse. O nome é "Alegria, Alegria’”. O refrão, que indaga “Por que não? Por que não?” foi o ponto de partida para o que viria depois. Mas o choque que a canção representou começava logo nos primeiros acordes, escritos pelo maestro Júlio Medaglia. “A grande surpresa no arranjo de ‘Alegria, Alegria’ era o fato de ser uma marcha-rancho bem convencional tocada por instrumentos eletrônicos”, explica o maestro. “Quando o Caetano entrou com aquelas guitarras elétricas, o público vaiou imediatamente. Só que no decorrer da música ele convenceu – e acabou aplaudido.”

O mesmo não aconteceu no festival do ano seguinte, quando Caetano apresentou “É Proibido Proibir” e foi vaiado do começo ao fim. “O Caetano foi vanguarda”, afirma Júlio Medaglia. “Sua postura no festival de 1968 representou uma tomada de posição importantíssima. O tropicalismo significava uma abertura para todos os tipos de linguagens, de idéias e de componentes não-musicais que integrariam a música brasileira a partir dali.

E a ala mais reacionária, inclusive dos estudantes, estranhou aquilo tudo. Esse reacionarismo fora do comum deu ainda mais força para o movimento, a ponto de o Caetano encerrar sua apresentação com aquele discurso tão contundente, resumido na frase ‘"e vocês forem para política como são para estética nós estamos feitos!’”

Ainda que as grandes controvérsias, inclusive no palco, tenham eclodido no festival de 1968, que durou dois meses, entre novembro e dezembro, o de 1967 permanece cotado como o mais importante do ponto de vista musical. As canções nele apresentadas continuam no gosto popular, e a audiência da Record ainda é a maior de todos os tempos: com 97 pontos no Ibope, a final entrou para o Guiness Book e nunca mais foi superada.

A participação de Solano Ribeiro e Júlio Medaglia na definição do que viria a ser a MPB não se limitou a encorajar Caetano Veloso para que hasteasse a bandeira tropicalista. Junto com os demais jurados dos festivais, coube a eles fazer a triagem do que merecia espaço na TV e o que deveria ficar de fora. A pré-seleção das canções inscritas foi feita na edícula da casa em que Júlio Medaglia morava com os pais, num pequeno espaço transformado em estúdio. “Naquele quartinho é que nós fazíamos as análises. Ninguém sabia que a gente estava lá. O assédio em relação ao júri do festival era tão grande que só dessa forma nós podíamos trabalhar sossegados”, afirma Júlio, recordando que seu pai costumava servir caipirinhas para animar os trabalhos.

Os jurados eram, entre outros, Décio Pignatari, Augusto de Campos, Roberto Corte Real, César Camargo Mariano e Amílton Godoy, “gente de primeiríssima qualidade”, como diz o maestro. Com milhares de canções para ouvir, essa turma teve o mérito de fazer uma seleção inquestionável. Claro que muita gente chiou por ter sido descartada – e a Record, considerando o apelo dos que se diziam injustiçados, fez um festival só com os desclassificados. Um dia após as canções dos “sem festival” terem sido apresentadas, o Jornal da Tarde estampou na capa a manchete definitiva: “O júri tinha razão”. Quase 40 anos depois, o veredicto continua valendo."

(texto Celso Masson/Aventuras na História/vídeos reprodução)

sábado, 7 de janeiro de 2012

NA PEGADA DO VELHO BLUESEIRO...

Dois posts atrás eu abordei a canção "The Whiter Shade of Pale" do Procol Harum e pesquisando na internet achei esta versão com o Joe Cocker. Se o crédito está correto, trata-se de um show na Alemanha em 1980, época que Cocker voltava à ativa depois de anos de problemas com drogas e álcool, que inclusive prejudicaram seriamente sua carreira.



Na pegada de suas raízes fincadas no blues e soul britânicos, a versão acima apresentada ainda demonstra a dificuldade na época de Joe Cocker de alcançar as notas mais altas, tarefa esta endereçada ao excelente trio de backing vocals que seguram a onda sem dificuldades adicionais. Um momento histórico daquele que se consagrara uma década antes em Woodstock com a versão de "With a Little Help Of My Friends" dos Beatles. Nada mal, nada mal...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

OS SEXALESCENTES...

"Se estivermos atentos, podemos notar que está aparecendo uma nova
franja social: a das pessoas que andam à volta dos sessenta anos de idade, os sexalescentes : é a geração que rejeita a palavra"sexagenário", porque simplesmente não está nos seus planos deixar-se envelhecer.

Trata-se de uma verdadeira novidade demográfica - parecida com a que,em meados do século XX, se deu com a consciência da idade da adolescência, que deu identidade a uma massa de jovens oprimidos em corpos desenvolvidos, que até então não sabiam onde meter-se nem como vestir-se.

Este novo grupo humano, que hoje ronda os sessenta, teve uma vida razoavelmente satisfatória. São homens e mulheres independentes que trabalham há muitos anos e que conseguiram mudar o significado tétrico que tantos autores deram durante décadas ao conceito de trabalho. Que procuraram e encontraram,há muito, a atividade de que mais gostavam e que com ela ganharam a vida. Talvez seja por isso que se sentem realizados...

Alguns nem sonham em aposentar-se. E os que já se aposentaram, gozam plenamente cada dia, sem medo do ócio ou da solidão, crescem por dentro, quer num, quer na outra. Desfrutam a situação, porque, depois de anos de trabalho, criação dos filhos, preocupações, fracassos e sucessos, sabem bem olhar para o mar, sem pensar em mais nada, ou seguir o voo de um pássaro da janela de um 5.º andar...

Algumas coisas podem dar-se por adquiridas. Ao contrário dos jovens, os sexalescentes conhecem e pesam todos os riscos. Ninguém se põe a chorar quando perde: apenas reflete, toma nota, e parte para outra ...Os maiores partilham a devoção pela juventude e as suas formas superlativas, quase insolentes de beleza ; mas não se sentem em retirada.

Competem de outra forma, cultivam o seu próprio estilo. Os homens não invejam a aparência das jovens estrelas do desporto ou dos que ostentam um Armani, nem as mulheres sonham em ter as formas perfeitas de uma modelo. Em vez disso, conhecem a importância de um olhar cúmplice, de uma frase inteligente ou de um sorriso iluminadopela experiência.

Hoje, as pessoas na década dos sessenta ostentam uma idade que não tem
nome. Antes seriam velhos, e agora já não o são. Hoje têm boa saúde, física e mental, recordam a juventude, mas sem nostalgias, porque a juventude ela própria também está cheia de nostalgias e de problemas.Celebram o sol em cada manhã e sorriem para si próprios ...

Talvez por alguma secreta razão, que só sabem e saberão os que chegam aos 60 no século XXI ..."

(foto/texto reprodução)