segunda-feira, 25 de julho de 2011

DITOS CHISTOSOS...(*)

Sou fã incondicional da frase de efeito que, quando colocadas no momento e de maneira apropriada, podem vir carregadas com uma carga letal de humor, ironia ou crítica.

Ao longo dos anos tenho colecionado várias, inclusive as utilizo com alguma freqüencia, dependendo do local e do interlocutor, pois a idéia é divertir procurando ser espirituoso e não partir para a ofensa.
Aqui vão algumas, pinçadas a esmo e de memória:

"O whisky é o melhor amigo do homem. O whisky é o cachorro engarrafado".
(Vinicius de Moraes)

"Se me derem o supérfluo, dispenso o essencial"

(Oscar Wilde, o mestre da frase de efeito)

"Uma mulher me levou à bebida. E eu nem tive tempo de agradecê-la"

(W.C. Fields, ator americano e alcóolatra incorrigível)

"Se não fosse as azeitonas de seu martini, já teria morrido de inanição há muito tempo"
(Mae West, atriz, a respeito de W.C. Fields)

"Um homem que não gosta de crianças e animais, não pode ser de todo mau..."
(W.C. Fields)

"Nunca se esqueça de perdoar seus inimigos. Nada os aborrece tanto..."
(
Oscar Wilde
)

"A fé é a crença ilógica na ocorrência do improvável..."
(
H.L. Mencken, jornalista e iconoclasta americano)

"Antes à tarde do que nunca..
."
(Zózimo Barroso do Amaral, colunista social, a respeito das infidelidades vespertinas)

"
Chato é aquele cidadão que te priva da solidão, sem te fazer companhia..."
(Anônimo)

"Meus pais quando se casaram eram duas crianças. Ele tinha 18 anos, ela 16 e eu três"

(Billie Holliday, na abertura de sua autobiografia.)

"Desculpe, mamãe. Irei no próximo..."
(
Liza Minelli desculpando-se com a mãe, Judy Garland, por faltar a um de seus casamentos)

(*) Postado originalmente no www.comparsasdoblog.blogspot.com

segunda-feira, 18 de julho de 2011

SABOROSA DISPUTA....

O Pisco Sour

O Pisco Sour (pronuncia-se "sáuer") é o mais tradicional drinque peruano, muito embora sua origem seja também requisitada pelo Chile. É uma verdadeira instituição nacional, assim como a caipirinha no Brasil.

Sua origem, e motivo da disputa com o Chile segundo alguns estudiosos da matéria, remonta ao século 16 quando os espanhóis introduziram os primeiros vinhedos no Peru. No século seguinte, o rei de Espanha proibiu a produção de vinho nas suas colônias, o que forçou os peruanos a buscar outra fonte de álcool derivado da uva.

A primeira aparição de algo parecido com o atual Pisco Sour se deu na Plaza de Toros de Acho, em Lima, durante o século XVIII no vice-reinado do Peru. mas nessa época a beberagem era misturada com limões e recebia o nome de Punche (versão espanhola para o inglês Punch).

Segundo alguns pesquisadores, o drinque nasceu no Morris Bar em Lima, por volta do início do século XX. Seu criador teria sido Victor Vaughn Morris, bartender e proprietário do bar. Natural de Berkeley, na Califórnia, ele teria criado o coquetel como uma variação do Whisky Sour. Por volta de 1930, o coquetel adquirira tal popularidade que era encontrado com facilidade até nos bares do Norte da Califórnia, devido ao Morri´s Bar ter sido um ponto de encontro regular para cidadãos de língua inglesa, que ajudaram a disseminar a bebida mundo afora.

Outra versão, essa bem menos difundida, dá conta de um tal Elliot Stubb, comissário inglês de um navio a vela de nome Sunshine, que desembarcou no porto de Iquique em 1872, cidade que anteriormente pertencera ao Chile. Ali, Stubb estabeleceu um bar onde criou vários aperitivos e drinques, entre eles o Pisco Sour.

Mas, pendengas e polêmicas à parte, o que é este tal de Pisco Sour, considerado um dos drinques clássicos do universo masculino? Nada mais que uma perfeita e bem balanceada mistura de pisco (aguardente de uva), xarope de açúcar, clara de ovo, suco de limão e algumas gotas de angostura (que dá o sabor amargo, ou o sour que nomeia o coquetel...). Vamos à receita mais comum:

Ingredientes:
1 dose de suco de limão
1 dose xarope de açúcar
3 doses de pisco
1/2 clara de ovo
Gelo, o quanto baste
3 a 4 quatro gotas de angostura

Como fazer:
Num liquidificador coloque todos os ingredientes e bata até o gelo se dissolver por completo. Sirva num copo gelado e finalize com as gotas de angostura.

Salute...!

(foto reprodução)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

MULHERES, "SALVEM OS HOMENS ! "...

O texto abaixo me foi encaminhado como de autoria da atriz Fernanda Montenegro, uma das glórias deste país do teatro, cinema e TV. Não sei se procede a origem, mas como é muito bem elaborado e transborda de perspicácia e inteligência, não há por que não passá-lo adiante:

"O modo de vida, os novos costumes, e o desrespeito à natureza tem afetado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está o macho da espécie humana. Tive apenas um exemplar em casa que mantive com muito zelo e dedicação, num casamento que durou 56 anos de muito amor e companheirismo (1952-2008) mas, na verdade, acredito que era ele quem também me mantinha firme no relacionamento.

Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha "Salvem os homens!". Tomem aqui meus poucos conhecimentos em fisiologia da masculinidade a fim de que preservemos os raros e poucos exemplares que ainda restam:

1 - Habitat
Homem não pode ser mantido em cativeiro. Se for engaiolado, fugirá ou morrerá por dentro. Não há corrente que os prenda e os que se submetem à jaula perdem o seu DNA. Você jamais terá a posse ou a propriedade de um homem, o que vai prendê-lo a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente, com dedicação, atenção, carinho e amor.

2. Alimentação correta
Ninguém vive de vento. Homem vive de carinho, comida e bebida. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ele não receber de você vai pegar de outra. Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã os mantêm viçosos, felizes e realizados durante todo o dia. Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não o deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial. Portanto não se faça de dondoca preguiçosa e fresca. Homem não gosta disso. Ele precisa de companheira autêntica, forte e resolutiva.

3. Carinho
Também faz parte de seu cardápio – homem mal tratado fica vulnerável a rapidamente interessar-se na rua por quem o trata melhor. Se você quer ter a dedicação de um companheiro completo, trate-o muito bem, caso contrário outra o fará e você só saberá quando não houver mais volta.

4. Respeite a natureza.
Você não suporta trabalho em casa? Cerveja? Futebol? Pescaria? Amigos? Liberdade? Carros? Case-se com uma Mulher. Homens são folgados. Desarrumam tudo. São durões. Não gostam de telefones. Odeiam discutir a relação. Odeiam shoppings. Enfim, se quiser viver com um homem, prepare-se para isso.

5. Não anule sua origem.
O homem sempre foi o macho provedor da família, portanto é típico valorizar negócios, trabalho, dinheiro, finanças, investimentos, empreendimentos. Entenda tudo isso e apóie.

6.Cérebro masculino não é um mito.

Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino, mas não gostam de mulheres burras. Por isso, procuram aquelas que fingem não "possuí-lo" (e algumas realmente não possuem! Também, 7 bilhões de neurônios a menos!). Então, agüente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objeto de decoração. Se você se cansou de colecionar amigos gays e homossexuais delicados, tente se relacionar com um homem de verdade.

Alguns vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você. Não fuja desses, aprenda com eles e cresça. E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com as mulheres, a inteligência não funciona como repelente para os homens. Não faça sombra sobre ele...Se você quiser ser uma grande mulher tenha um grande homem ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ele brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ele estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.

Aceite: homens também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar. A mulher sábia alimenta os potenciais do parceiro e os utiliza para motivar os próprios. Ela sabe que, preservando e cultivando o seu homem, ela estará salvando a si mesma.E minha amiga, se você acha que homem dá muito trabalho, case-se com uma mulher e aí você vai ver o que é mau humor!

Só tem homem bom quem sabe fazê-lo ser bom!Eu fiz a minha parte, por isso meu casamento foi muito bom e consegui fazer o Fernando muito feliz até o último momento que um enfisema que o levou de mim. Eu fui uma grande mulher ao lado dele, sempre.

Com carinho,Fernanda Montenegro."

Ah, grande Fernanda ...! Se TODAS fossem iguais a você...!

(foto e texto reprodução)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

ETERNAMENTE LA CARDINALE...

Claude Joséphine Rose Cardinale nasceu em abril de 1938 na Tunísia italiana, filha de mãe tunisiana e pai italiano. Em 1957, venceu um concurso de beleza instituído pela embaixada italiana, cujo prêmio incluía uma passagem para o Festival de Cinema de Veneza. Ali atraiu a atenção dos produtores italianos pelos seus traços refinados, logo recebendo convites para estrear no cinema.

Seu primeiro filme foi Goha, produção franco-tunisiana ainda em 1957. Após frequentar por dois meses o Centro Sperimentale di Cinematografia di Roma, ela assinou um contrato de sete anos com o Vides Studio. E seu primeiro sucesso internacional foi I Soliti Ignoti, em 1958. Daí passou a ter sua carreira gerenciada pelo produtor Franco Cristaldi, com quem esteve casada de 1966 a 1975.

Por toda a década de 1960, Claudia Cardinale esteve presente nos principais e mais aclamados filmes italianos e europeus como Rocco e Seus Irmãos (1960) e O Leopardo (1963), ambos de Luchino Visconti, Cartouche (Phillipe de Broca, 1963), Oito e Meio (Fellini, 19630 e até o faroeste épico Era Uma Vez no Oeste, de Sergo Leone, de 1968.

Uma coisa interessante é que no seus primeiros filmes Claudia Cardinale era dublada por outras atrizes, devido ao tom grave de sua voz - o que se tornaria mais tarde uma de suas características mais pessoais - e por não falar italiano, somente árabe, francês e um dialeto siciliano, herdado de seu pai.

Apesar do sucesso europeu, Claudia Cardinale se aventurou pouco no cinema americano. Sua lista de maiores sucessos em Hollywood incluem A Pantera Cor de Rosa (1964), Circus World (1964),e The Hell With Heroes (1968). Atuou em mais filmes de qualidade que as atrizes suass contemporâneas.



Algumas das suas atuações consideradas memoráveis são Vagas Estrela da Ursa Maior, de Visconti, onde interpreta uma sobrevivente do Holocausto judeu que desenvolve uma relação incestuosa com o irmão ou em La Storia, de Luigi Comencini com a sua interpretação de uma viúva durante a Segunda Guerra Mundial. Além desses filmes, podemos citar também La ragazza con la valigia de Valerio Lurzini e Libera de Mauro Bolognini.

Claudia Cardinale permaneceu ativa no cinema europeu até o final dos anos 80, seus últimos filmes incluem Qui comincia l'avventura (1975), Fitzcarraldo (1982), La Storia (1985) e Un homme amoureux (1987).

(fotos reprodução)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

ADEUS A BILLY BLANCO...

Quase passei batido na despedida ao grande Billy Blanco, que faleceu nesta última sexta feira no Rio de Janeiro, aos 87 anos de idade. Natural de Belém do Pará, onde nasceu em 8 de maio de 1924, William Blanco de Abrunhosa Trindade desde cedo se interessou pela música e quando começou a compor seus sambas se destacavam pelas letras elaboradas e, ao contrário da tendência na época, pela crônica social.

No final dos anos 40 mudou-se para São Paulo a fim de cursar Arquitetura no Mackenzie College, daí transferindo-se em 1948 para a Faculdade de Arquitetura e Belas Artes do Rio de Janeiro, onde acabou se graduando em 1950.

Na música, tinha um estilo próprio onde seus sambas sincopados descreviam o mundo à sua volta com muito humor, ou falando de amores e desilusões. Sua primeira composição conhecida foi "Pra Variar" e nos anos 50 e 60 seus sucessos foram gravados por Dick Farney, Lúcio Alves, João Gilberto, Dolores Duran, Silvio Caldas, Nora Ney, Jamelão, Elizeth Cardoso, Dóris Monteiro, Os Cariocas, Pery Ribeiro, Miltinho, Elis Regina e Hebe Camargo, entre outros. Seu primeiro sucesso foi "Estatutos da Gafieira", na voz de Inesita Barroso, em gravação da RCA Victor de 1954.

Entre seus parceiros estiveram Baden Powell em "Samba Triste", Tom Jobim em "Sinfonia do Rio de Janeiro" (suíte popular em ritmo de samba, de 1960) e João Gilberto em "Descendo o Morro" e "A Montanha/O Morro", onde os dois doutores do asfalto homenageiam o samba de gente simples e de favela. Foram 56 parcerias com o violonista Sebastião Tapajós e com outros compositores, num total de quinhentas músicas, sendo que trezentas já gravadas.

Jards Macalé interpreta "Pistom de gafieira", composição de Billy Blanco.

Entre seus sucessos destacam-se "Sinfonia Paulistana", "Tereza da Praia", "O Morro", "Estatuto da Gafieira", "Mocinho Bonito", "Samba Triste", "Viva meu Samba", "Samba de Morro", "Pra Variar", "Sinfonia do Rio de Janeiro" e "Canto Livre". "Sinfonia do Rio de Janeiro" é composta por dez canções, escritas em parceria com Tom Jobim, em 1960. As canções que formam a suíte são "Hino ao Sol", "Coisas do Dia", "Matei-me no Trabalho", "Zona Sul", "Arpoador", "Noites do Rio", "A Montanha", "O Morro", "Descendo o Morro" e "Samba do Amanhã".

Estava em plena atividade dedicando-se a música gospel, até sofrer um derrame e ser internado no Rio de Janeiro no segundo semestre de 2010. Apesar do quadro estável, em dezembro ainda não conseguia se comunicar oralmente. Em 8 de julho de 2011 o cantor e compositor morreu, aos 87 anos. Ele estava internado no Hospital Panamericano, na Tijuca, desde o AVC.

(Pesquisa Wikipedia/Fotos reprodução

quinta-feira, 7 de julho de 2011

VOZES DA PAULICEIA DESVAIRADA...

Sempre tive uma cisma quando críticos e jornalistas elegiam o samba de sotaque italianado de Adoniram Barbosa com o porta voz do samba paulista. Nada contra a obra do grande Adoniram, que compôs pérolas do nosso cancioneiro popular. Como não se emocionar com "Saudosa Maloca", "Trem das Onze" e "Iracema", esta última, de longe, a minha favorita ?

Mas quando se fala em samba de Sáo Paulo, minha predileção cai sobre Germano Mathias, o malandro bom caráter e de bom humor insuperável.

Nascido no bairro do Pari (SP) em junho de 1934 de pai carioca e mãe paulistana, cedo se envolveu em rodas de samba com os engraxates da Praça da República, Pça. João Mendes, Clóvis Bevilacqua e Rua Direita, onde aprendeu a se acompanhar tocando numa tampa de lata de graxa, o que se tornaria sua marca registrada por toda sua carreira.

Aos 18 anos, foi servir o Exército no quartel de Artilharia Antiaérea em Quitaúna em Osasco, onde sob o apelido de "Madureira" foi companheiro de Rolando Boldrin. Em 1951, já pertencia á Escola de Samba Rosas negras, onde tocava frigideira na bateria, logo sdepois se transferindo para a Escola de Samba Lavapés.

Apesar da voz fina e de pouca extensão, destacou-se num programa de calouros na antiga Rádio Tupi, onde foi contratado em 1955. Seu estilo diferente de cantar os sambas de maneira sincopada o fez destacar-se a ponto de gravar seu primeiro disco em 1956, onde a música "Minha nega na janela" se converteu no seu primeiro sucesso. Seu primeiro LP foi gravado no ano seguinte, 1957, sob o título "Germano Mathias, o sambista diferente". Um de seus maiores sucessos foi "Guarde a Sandália Dela", parceria com o sambista Sereno, em 1958.



Trabalhou na TV - gravou um dos primerios jingles da Kellog´s - e no cinema trabalhou nos filmes "o Preço da vitória" e "Quem Roubou o Meu Samba". Seus principais discos e sucesso foram na década de 1950 e 1960, quando se transformou num dos principais intérpretes do sambista carioca Zé Kéti.

Em 2005, completou 50 anos de carreira e até hoje, aos 77 anos, continua participando de shows e programas de TV como um dos baluartes do samba brasileiro. Evoé, Germano Mathias...!

(fotos reprodução)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

CRUZANDO OS EUA...(FINAL)

Acordamos cedo no domingo aos primeiros albores do sol, depois de nossa segunda e última noite de "feliz convívio". A paisagem que nos cerca, apesar de desolada é deslumbrante. Pela janela da Camper, enquanto tomamos nosso breakfast, divisamos o famoso Painted Desert, o deserto pintado.

Suas incríveis combinações de cinza, vermelho, rosa e laranja pintam incríveis telas naturais que se estendem desde Flagstaff até aqui, num percurso de cerca de 250 km de pura beleza natural, incluindo aí a não menos famosa Petrified Forest (Floresta Petrificada). Pena que não terei tempo para admirar este belo espetáculo natural pois o tempo urge e tenho que me por em campo.

Me despeço de Louise com um grande abraço e ternura, fora uma grande companheira de viagem. Ela então me oferta como lembrança de nosso breve interlúdio um cartãozinho com uma simpática mensagem e uma nota de 100 dólares para auxiliar nas despesas de viagem. Nada mais americano. Meu estado de penúria financeira não passara despercebido pela atenta Louise. Engulo o orgulho latino e aceito o agrado, a hora não é propícia para alimentar ego ferido ou cultivar amor próprio, a necessidade aqui fala mais alto.

Assim, por volta das nove da manhã, reabasteço novamente (19 dólares) e compro minha provisão de viagem do dia, uns saquinhos de batatas fritas e água, o que com o reforço de caixa doado pela Louise eleva minhas reservas agora a 142 dólares. Nada mal, na minha previsão reabasteço em Phoenix e ainda me restarão uns 100 dólares para passar a primeira semana. Com muito aperto vai dar, penso eu...

Mas comemorei cedo demais. Uns cento e cinquenta quilômetros depois, logo após passar Winslow, a luz do óleo se acende bruscamente junto com um forte cheiro de óleo queimado. Desligo imediatamente o motor e estaciono à margem da estrada. Dou uma checada e vejo a imensa mancha de óleo se formando debaixo do motor, confirmando as minhas piores suspeitas: a bomba de óleo fora para o saco! O valente Mazda que me trouxera até ali com galhardia, me deixava na mão pela primeira vez....

Quase entro em desespero, tão próximo do destino e isto me ocorre praticamente no meio do nada! Poucos tempo depois passa um carro da Police Patrol que via rádio me arranja um reboque até o vilarejo mais próximo. Em meia hora aparece uma caminhonete dirigida por um velho índio que me leva até um vilarejo chamado Leupp Corner, nas imediações da reserva índia Navajo. Sou deixado na porta de uma velha oficina de madeira, junto a um antigo posto de gasolina. O reboque me custou quarenta dólares, o que me deixa com míseros 102 para tentar resolver o problema.

Se eu procurava uma aventura na Historic Route 66 para contar aos meus netos, não haveria ocasião mais propícia! Um caipira enfiado num velho e sujo macacão jeans e mascando tabaco que se diz mecânico dá uma espiada, coça a cabeça, e valoriza o serviço dizendo que será difícil conseguir a tal bomba naquelas paragens. É domingo e teremos que aguardar as casa de peças abrirem em Wislow, o local mais próximo.

Impossível, penso com meus botões, tenho que estar segunda de manhã em Tucson, senão perco o emprego! Mas o caipira se mostra muito calmo e irredutível, solução à vista só amanhã. Ligar para meus parentes em Greenville é inútil, não falam inglês e conseguir uma money order (ordem e pagamento) no domingo é impraticável. Que situação a minha...! As horas começam a passar e com elas aumenta meu desespero.Tento me acalmar e uma idéia me vem à cabeça.

Leupp Corner é pouco mais que um entreposto comercial da reserva Navajo e com a quantidade de carros velhos dos índios é impossível que não tenha um ferro velho por aqui. Dou uma caminhada pelos arredores e - touché - numa viela paralela encontro um junkyard. E o coração acelera ainda mais quando diviso um Mazda 1989 enferrujado. Minha esperança é que tenham uma bomba de óleo em boas condições e que sirva no meu carro, modelo 1992.

Bato à porta da casinhola em estilo pueblo e um jovem mestiço me atende. Sim, milagrosamente tem a tal bomba de óleo que me custa 40 dólares, um roubo, mas é o preço da solução do problema naquelas circunstâncias. Minha fortuna pessoal se reduz a 62 doletas.Volto lépido e fagueiro à oficina do caipira que nessas horas já está tomando umas cervejas no bar do posto de gasolina. A muito custo consigo convencê-lo a instalar a bomba, o que ele faz com muita má vontade.

Funcionou à perfeição, depois de uma hora e meia de trabalho. Já são quase duas horas da tarde e o problema agora é acertar o preço da mão de obra. O caipira insiste em me cobrar 90 dólares, dinheiro que não tenho, mas não deixei de observar seus olhares cobiçosos para minhas duas lixadeiras que jazem na minha caixa de ferramentas no porta malas. O malandro tenta endurecer o jogo já tentando me grampear as lixadeiras.

Sem chegarmos a um acordo quanto ao preço, ele resolve ligar para a polícia e lá vem o mesmo policial que me socorrera na estrada. Explico a situação, ele intermedia a negociação muito a contra gosto do caipira e fechamos em 50 dólares, o que me deixa de saldo míseros 12 dólares no bolso para chegar em Tucson e sobreviver 15 dias!

Me arranco o mais rápido possível daquele buraco de exploradores dominicais, rumo à Flagstaff. Dali abandono a Interstate 40 e a malfadada Historic Route 66, meu rumo agora é puro sul pela I-17, 180 quilômetros até Phoenix e daí mais uns 140 pela I-10 até Tucson. Espero estar lá até as 10 da noite, a sorte é que aqui a luz do dia vai até umas 20:00 horas. O Mazda funciona redondo, vou matando a fome com pacotinhos de batatas fritas e água quente e lá por volta das cinco da tarde cruzo por Phoenix, a bela e seca capital do Arizona.

Paro logo depois num posto de gasolina e refaço minhas contas de consumo de combustível. Por segurança, abasteço com mais dez dólares e aí me restam somente dois na carteira. Acontece que no momento da saída sou interpelado por uma mulher de uns cinquenta anos, rosto crestado pelo sol, pele enrugada e os sinais inequívocos de chegada ao alcoolismo. Tem na mão quatro bilhetes de uma loteria tipo raspadinha e insiste que eu fique com eles por qualquer importância.

Tento me livrar da presença incômoda mas ela continua a insistir. Olho compadecido para aquele triste ser humano, destruído pelo vício. Puxo os meus dois últimos dois dólares- que não me adiantariam de mais nada naquela conjuntura - e estendo para ela, que me oferece os bilhetes. Nunca acreditei em loterias, sorteios ou premiações, portanto recuso a oferta. Na pressa, e com medo talvez que eu mudasse de idéia, ela pega o dinheiro e joga os bilhetes no banco dianteiro do carro. Por via das dúvidas, meio por curiosidade e já que estavam ali mesmo, começo a raspar os bilhetes.

Pois no último, acredite quem quiser, acerto três números o que me dá direito a 150 dólares!. Tem gente que a sorte bate à porta e ele saiu para procurar emprego. Foi talvez este o caso daquela pobre mulher. Com o coração aos pulos, e dando graças à Providência Divina, troco o bilhete no bar do posto de gasolina e me mando rapidamente para Tucson.

Chego lá ás 21:30, noite fechada. Perco ainda uma boa hora procurando um lugar barato para ficar. Descubro um motel, um verdadeiro pardieiro em South Tucson, na beira da Interstate 19, a 120 dólares semanais. Mas para mim, depois de todo o sufoco, parece um palácio.

Me jogo morto de cansaço e fome no velho, encaroçado e sujo colchão e apago num sono profundo. Finalmente, cheguei. E amanhã é outro dia, a aventura ainda não havia chegado ao fim...

(foto reprodução)