sábado, 30 de abril de 2011

PROPAGANDA ENGANOSA DÁ NISSO...

No Carnaval deste ano a Cervejaria Devassa, que já havia chamado a atenção do Conselho Nacional de Auto Regulamentação Publicitária - CONAR - com um comercial com Paris Hilton e que foi tirado de circulação na Tv, resolveu "inovar" mais uma vez.

Desta feita, veiculou um comercial com a nossa "Doris Day", a eterna adolescente Sandy, que projeta uma imagem de pureza angelical, retidão de principios e o exemplo bem acabado da politicamente correta. A surpresa era Sandy insinuando que bebia cerveja e que todo mundo tinha seu "lado devasso".

Bem feita e bem posicionada, a campanha publicitária despertou o interesse da mídia e das revistas de fofocas que se ocupam com vidas de celebridades. Mas no mundo dos comuns mortais potenciais consumidores da marca, o efeito foi o contrário. Sandy soava falsa e pouco convincente para este público, pois é sabido a aversão da cantora por bebidas alcóolicas. Pelo menos publicamente.



Deu no que deu. A indignação do povão foi geral e deu margem a protestos e gozações como a de uma tal "Devassa do Pará" que, ofensas pessoais e palavreado pesado à parte, se constituiu num sucesso instantâneo no You Tube, com mais de um milhão de acessos até agora. Se a cervejaria queria despertar a atenção para sua campanha, conseguiu. Mas se foi com o efeito desejado, só o tempo vai dizer.

(vídeo reprodução)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

'NINGUÉM TE CONHECE QUANDO ESTÁS NA PIOR..."

"Nobody Knows You When You Are Down and Out" é um blues tradicional composto por Jimmy Cox em 1923 e gravado no mesmo ano por Bessie Smith, a primeira grande dama do blues, e era uma de suas canções prediletas. Teve várias versões e regravações ao longo dos anos, algumas muito boas - por exemplo as de B.B. King, Alberta Hunter ou Nina Simone e outras execráveis, como a da Carla Bruni, que soa tão falsa quanto uma nota de três reais.

E quando a gente pensa que já ouviu todas (ou quase todas...) versões desta música, eis que se surpreende com uma desconhecida. Foi o que ocorreu ao descobrir esta gravação feita em 1964 por Janis Joplin, acompanhada por Jorma Kaukonen, futuro guitarrista do Jefferson Airplane e Margareta Kaukonen, que usou uma máquina de escrever como instrumento de percussão. Esta gravação faz parte de uma coleção de sete blues jamais lançada comercialmente. Mas um álbum pirata foi lançado anos mais tarde, conhecido como The Typewriter Tape, se tornando um objeto de culto entre os fãs da cantora.



Nesta faixa, Joplin mostra ainda suas fortes influências do blues tradicional(como grande admiradora de Bessie Smith) e da música folk, que foi como começou sua carreira. Reparem na voz anasalada com pesado sotaque texano e na levada musical, típica dos cantores folk e do bluegrass.

Arriscando uma tradução livre:

"Uma vez tive a vida de um milionário,
Gastando meu dinheiro, eu não me importava...
Levava meus amigos para nos divertirmos
Comprando bebida contrabadeada, champanha e vinho.

Então comecei a cair tão baixo
Que não tinha mais amigos nem onde ir
Então se um dia eu tiver em mãos um dolar novamente
Eu vou segurá-lo com unhas e dentes

Ninguém te conhece quando você está na pior.
E no seu bolso nem um centavo
E amigos não se tem nenhum

Mas quando eu me restabelecer de novo
Vou encontrar meu velho amigo perdido
É estranho dizer, sem dúvida
Ninguém te conhece quando estás na pior

Quero dizer, quando você está na pior,
Sem um centavo, sem amigos
Eu caí tanto
Que ninguém me quer perto de suas portas
Sem dúvida, ninguém pode te usar quando estás na pior."

Uma raridade. E uma surpresa agradabilíssima...

(video reprodução)

sábado, 23 de abril de 2011

UM MATA FOME DE RESPEITO...

Embora saiba cozinhar até com alguma propriedade, não tenho muita paciência para comidas elaboradas demais, ou aquelas receitas complicadíssimas que levam horas para se encontrar os ingredientes e outras tantas na beira do fogão. Gosto mais de comidas simples, descomplicadas, práticas, mas não menos gostosas. Uma hora e meia é o máximo que me permito e acredito ser civilizado para se preparar qualquer prato. Mais do que isso é para profissionais ou para adeptos do masoquismo.

Na última corrida de Formula Vee em Interlagos preparei um mata fome que foi sucesso pelos que provaram e aprovaram. Trata-se da minha versão pessoal da açorda italiana, uma torta facílima de ser feita até por quem não tem a menor inclinação culinária e ideal para aqueles momentos que se quer um lanche ou comida rápida.

Ingredientes:

2 pães de forma sem casca
200 gramas de presunto cru
200 gramas de queijo mussarela ou prato em fatias
50 gramas de queijo ralado
1/2 litro de leite
Três tomates maduros sem pele e sementes, cortados em fatias finas
Um pacote de creme de cebola
Uma lata de creme de leite
Uma colher de sopa generosa de alho amassado
Uma pitada de sal, orégano e manjericão fresco cortado miudinho

Modo de fazer:

Unte bem com manteiga uma forma metálica ou refratário retangular.
Numa vasilha, misture o leite, o alho e a pitada de sal. Passe rapidamente os dois lados das fatias de pão nesta mistura e coloque-as lado a lado, até fazer a primeira camada no refratário ou forma. Por cima, deite a primeira camada de fatias de queijo mussarela ou prato, adicionando um pouco de orégano. Repita todo o processo com as fatias de pão, usando como topo da camada agora o presunto. Mais uma camada de pão, depois as fatias de tomate com um pouco de manjericão fresco por cima. Termine com a última camada de pão para fechar a torta.

Misture à parte meio pacote do creme de cebola, o queijo ralado e a lata de creme de leite, até atingir uma consistência pastosa. Espalhe essa mistura generosamente no topo da torta e nas laterais, decore com umas rodelas finas de tomate, polvilhe um pouco de salsinha e leve ao forno quente por uns 20 minutos ou até dourar. Sirva quente.

Experimente, é fácil e vale a pena...

(fotos reprodução)

terça-feira, 5 de abril de 2011

SEBASTIÃO, O TAPAJÓS...

Um dos grandes presentes que a vida me deu foi a oportunidade de presenciar, e às vezes, até ser amigo, de grandes músicos brasileiros.

Principalmente aqueles pouco conhecidos da mídia tradicional e que se furtam a fazer um trabalho feijão-com-arroz ou se submeter à ditadura dos "produtores culturais" que nos impingem um bando de porcarias goela abaixo, em nome do tal "mercado".

O paraense Sebastião Tapajós é um deles, que considero um dos maiores virtuoses do violão no Brasil, muito embora ainda pouco reconhecido por aqui pelo grande público.

Nascido em Santarém, Pará, em 16 de abril de 1944, Sebastião Tapajós começou ainda criança a estudar violão. Em 1964, foi estudar na Europa. Formou-se pelo Conservatório Nacional de Música de Lisboa, em Portugal.

Na Espanha, estudou guitarra com Emilio Pujol e cursou o Instituto de Cultura Hispânica. Realizou recitais nesses dois países. Regressando ao Brasil, recebeu a cadeira de violão clássico do Conservatório Carlos Gomes de Belém, onde lecionou até julho de 1967.

Ao longo de sua carreira, o artista já tocou com nomes conhecidos da MPB como Hermeto Pascoal, Jane Duboc, Zimbo Trio, Waldir Azevedo, Paulo Moura, Sivuca, Mauricio Einhorn e Joel do Bandolim. No plano internacional, Gerry Mulligan, Astor Piazzola, Oscar Peterson, Paquito D’Rivera foram alguns. Em 1998, compôs a trilha sonora do longa-metragem paraense "Lendas Amazônicas".


Tapajós é hoje um músico consagrado na Europa, onde se apresentou um sem-número de vezes durante as últimas décadas, particularmente na Alemanha e já lançou mais de cinqüenta discos. Tendo uma sólida carreira internacional, o violonista vem realizando todos os anos pelo menos duas turnês internacionais. Todos os seus discos têm sido relançados em CD em vários países.

Em 2005, estreou, ao lado da bailarina Carmen Del Rio, o espetáculo "O Violão e a Bailarina", no Shopping da Gávea, no Rio de Janeiro. O show contou com a participação especial de Ney Conceição. Além de sua obra como instrumentista, é autor de várias canções, em parceria com Marilena Amaral, Paulinho Tapajós, Billy Blanco, Antonio Carlos Maranhão, Avelino V. do Vale e outros compositores.

Constam da relação dos intérpretes de suas canções artistas como Emílio Santiago, Miltinho, Pery Ribeiro, Jane Duboc, Maria Creuza, Fafá de Belém, Nilson Chaves, Ana Lengruber e Cristina Caetano, entre outros.

Sebastião Tapajós vive hoje em Santarém, sua cidade natal.

(foto/vídeo reprodução

sexta-feira, 1 de abril de 2011

COMIDA DE BOTECO...

As Buffalo Wings

Embora já não seja frequentador há muitos anos de botecos, ainda aprecio bastante a comida que servem nesses botequins da vida para acompanhar uma breja (ou qualquer outro "spirit") e que venha à feição. Desde os tradicionais bolinhos de bacalhau, os inevitáveis tira gostos à base de iscas de filé (bem pelo menos oficialmente...), batatinhas, franguinhos à passarinho, e etc, etc...

Mas há uma que me cai muito bem e que combina às mil maravilhas com uma cerveja ou chope bem gelados, bebidas de boteco por excelência: as buffalo wings. Pode ser que o nome mude de lugar para lugar, ou até mesmo a receita, mas a essencia permanece a mesma.

Reza a lenda que a receita apareceu no Anchor Bar em Buffalo, estado de Nova Iorque, quando Teresa Belissimo, esposa do proprietário, teve que improvisar um acompanhamento para os amigos do filho que chegaram muito tarde para uma comemoração em seu estabelecimento. A saída foi fritar o que sobrara, no caso asas de frango que, na época, eram aproveitadas apenas para sopas ou caldos de galinha.

Complementando, jogou as asas em molho de pimenta caiena, e serviu acompanhadas de palitos de salsão e molho blue cheese. Foi um sucesso imediato. Logo as chicken wings - como inicialmente ficaram conhecidas - eram oferecidas grátis no balcão do Anchor Bar aos seus frequentadores, mas com o aumento do número de pedidos passou a fazer parte natural do cardápio. O sucesso das asas de frango temperadas extrapolou os limites de Buffalo e, a partir dos anos 80, expandiu-se por todos os EUA. Hoje é parte da cultura nacional americana.

A rigor, não há nada excepcional na receita: lave bem 1 kg de asas de frango cortadas ao meio em vinagre ou limão. Não adicione nenhum tempero, além do sal a gosto. Coloque óleo numa panela funda suficiente para cobrir as asas quando em fritura. Quando estas estiverem bem fritas e douradas, retire e reserve.


Derreta 2 colheres de manteiga e misture com 1/2 xícara de chá de molho de pimenta de sua preferencia. Misture e em seguida, num refratário grande, coloque as asas de frango, adicione a mistura da manteiga e pimenta, tampe com um prato, sacudindo bem para que o molho penetre nas asinhas. Sirva com molho Blue Cheese, palitinhos de cenoura crua ou salsão.

Ideal para aqueles encontros em casa da turma para assistir um jogo de futebol ou o GP de Formula Um. Divirtam-se, vale a pena ...

(foto reprodução)