quarta-feira, 30 de março de 2011

O TEXAS BLUES...

Sou fã ardoroso do blues e dele não faço distinção, mas existem sempre aqueles que adoram rótulos, como uma maneira de demonstrar profundidade de conhecimento. No caso em questão, alguns "especialistas" costumam dividir o blues em três grandes vertentes: o Delta, o Chicago e o Texas Blues. É certo que há diferenças básicas entre essas três, digamos escolas, algumas mais acústicas, outras mais eletrificadas.

O que se convencionou chamar de Texas Blues é uma espécie de variação do blues original. Alguns consideram como um sub-gênero, pois tem um suingue todo especial e difere dos outros estilos pelo uso mais frequente dos solos de slide guitar como ponte melódica e diferentes melodias oriundas tanto do blues como do jazz.

Historicamente, o Texas Blues começa a aparecer no início do Século XX, no meio dos negros norte americanos que trabalhavam nos campos de petróleo ou exploração de madeira. Um dos primeiros criadores do estilo foi Blind Lemon Johnson que na década de 1920, inovou ao usar improvisações como as de jazz e um acorde único para o acompanhamento da guitarra. Johnson foi fundamental ao definir o campo de ação do estilo e serviu de base e referencia para os bluesmen que vieram depois, como Lightning Hopkins e T-Bone Walker.

Nos anos 30, durante a Grande Depressão americana, muitos bluesmen mudaram-se para as cidades do Texas, principalmente Galveston, Houston e Dallas. E foi nesses centros urbanos que apareceu uma nova onda de músicos que iriam desenvolver sobremaneira o estilo Texas Blues, como o cantor gospel e slide guitar Blind Willie Johnson e a lendária vocalista Big Mama Thornton, entre eles.



T-Bone Walker fixou-se em Los Angeles nos anos 40, onde influenciado pelo R&B, registrou no seu trabalho os primeiros sons de guitara elétrica nas gravações do blues moderno, e que seria depois aperfeiçoado em Chicago por artistas do calibre de Muddy Waters.

A base do R&B texano estava em Houston onde gravadoras como a Duke/Peacock se firmou nos anos 50 como a plataforma para artistas que mais tarde fariam o blues elétrico do Texas, incluindo aí Johnny Copeland, Albert Collins ou mesmo Freddie King que, embora tenha se mudado cedo para Chicago, era texano de nascimento. Hide Way, por exemplo, sua música instrumental (1961) foi gravada por vários artistas, entre eles, Eric Clapton.

No final da década de 1960 e no começo dos anos 70, o Texas blues elétrico começou a prosperar, influenciado pela música country e pelo blues-rock, particularmente nos clubes de Austin. O estilo frequentemente apresentava instrumentos como teclados e de sopro, mas tinha uma ênfase especial nos solos de guitarra.



Os mais destacados artistas que então surgiam eram os irmãos Johnny e Edgar Winter que combinaram estilos tradicionais e do sul dos EUA. Nos anos 70, Jimmy Vaughan formou a banda The Fabulous Tunderbirds e na década de 1980, o seu irmão Steve Ray Vaughan apareceu no mainstream com seu jeito virtuoso de tocar guitarra, assim como fez a banda ZZ Top com a sua marca de Southern Rock.

(videos reprodução)

quinta-feira, 24 de março de 2011

O ADEUS DE UMA DIVA...

E Elizabeth Taylor se foi, no último dia 23, aos 79 anos, de insuficiência cardíaca congestiva. Um dos maiores mitos e a encarnação perfeita das "divas do cinema" que permearam nosso imaginário nos anos 50 e 60.

Filha dos americanos, Francis Leen Taylor e Sara Viola Rosemond Warmbrodt, mudaram-se para os EUA em 1939. Elizabeth começou a carreira cinematográfica ainda criança, quando foi descoberta aos dez anos.

Contratada pela Universal Pictures filmou There's One Born Every Minute, mas não teve o contrato renovado. Revelou enorme talento participando de filmes infanto-juvenis, como na estreia em 1943 num pequeno papel da série Lassie. A partir de então, apaixonou-se pela profissão e permanecer no estúdio tornou-se o maior sonho.

Evoluindo como atriz talentosa e respeitada pela crítica, nos anos 50 filmaria dramas, como A Place In The Sun (no Brasil, Um Lugar ao Sol), com o ator Montgomery Clift, Assim Caminha a Humanidade, Com Rock Hudson, ambos atores homossexuais e dos quais se tornou grande amiga. Nessa década faria ainda A Última Vez Que Vi Paris, ao lado de Van Johnson e Donna Reed.

Liz, como foi mais conhecida, foi reverenciada como uma das mulheres mais bonitas de todos os tempos. Suas marcas registradas eram os traços delicados e olhos de cor azul-violeta, emoldurados por sobrancelhas espessas de cor negra. Celebridade cercada por intenso glamour e diva eterna dos anos de ouro do cinema norte-americano, ficou famosa também pelos inúmeros casamentos (oito ao todo). Seu primeiro casamento foi em 1950, mas durou apenas 1 ano.


O mais famoso foi com o ator britânico Richard Burton, notório pelo alcoolismo, com quem se casou duas vezes e fez duplas em vários filmes nos anos 60, como o antológico Cleópatra, o dramático Quem tem medo de Virgínia Woolf?, adaptação de texto do dramaturgo Edward Albee pelo qual ela ganhou seu segundo Oscar, Os Farsantes e A Megera Domada, versão cinematográfica da célebre peça de Shakespeare.


Vencedora duas vezes do Oscar de Melhor Atriz, o primeiro em 1960 pelo papel da call girl de Disque Butterfield 8 . Nessa década, com o reconhecimento do prêmio máximo do cinema mundial, consagrou-se como a mais bem paga atriz do mundo.

Teve dois filhos com Michael Wilding: Michael Howard Taylor Wilding, nascido em 1953, e Christopher Edward Taylor Wilding, nascido em 1955. Com Michael Todd teve uma filha em 1957, chamada Isabel Francisca Taylor Todd. Em 1975 adotou uma menina alemã juntamente com seu marido, Richard Burton, chamada Maria Taylor Burton.

Foi amiga do cantor pop Michael Jackson que dedicou-lhe vários de seus trabalhos, inclusive a canção "Liberian Girl". Em 1997 a atriz passou por uma delicada cirurgia para remover um tumor do cérebro. No passado, a estrela também já teve problemas com o vício em álcool e drogas. Foi pioneira no desenvolvimento de ações filantrópicas, levantando fundos para as campanhas contra a AIDS a partir da década de 80, logo após a morte de Rock Hudson.

A despeito de ter nascido fora dos EUA, em 2001 recebeu do presidente americano Bill Clinton a segunda mais importante medalha de reconhecimento a um cidadão norte-americano: a Presidential Citizens Medal, oferecida pelos seus vários trabalhos filantrópicos. Nessa época se agravaram os problemas de saúde, ganhando peso e sendo levada a internações recorrentes em hospitais.

Liz Taylor tratou vários problemas de saúde ao longo dos anos, incluindo as questões relativas à insuficiência cardíaca crônica. Em 2009, foi submetida a uma cirurgia para substituir uma válvula defeituosa no coração Ela usava uma cadeira de rodas havia mais de cinco anos para lidar com sua dor crônica.

Em fevereiro de 2011, apareceram novos sintomas relacionados à sua insuficiência cardíaca, o que a levou a ser internada no Centro Médico Cedars-Sinai em Los Angeles para tratamento, onde morreu na manhã do dia 23 de março após uma cirurgia, aos 79 anos de idade.

(foto e vídeos reprodução)

segunda-feira, 21 de março de 2011

CUBA NEM TANTO LIBRE...

Afinal, o que há por baixo da propaganda oficial e da simpatia de muitas cabeças ilustradas do Ocidente que ainda apóiam de maneira incondicional o regime dos irmãos Castro, que domina Cuba desde a vitória da Revolução em 1959 ?

A "Trilogia Suja de Havana", livro de estréia de Pedro Juan Gutiérrez, pode dar algumas indicações. Misto de ex-soldado, cortador de cana, pugilista, instrutor de natação e caiaque, jornalista, locutor de rádio, escritor e poeta, Pedro Juan é no momento o maior expoente cubano daquilo que se convencionou chamar de romance-verdade.

Pelas páginas dos contos que compõe esta "Trilogia", lançada em 1998 na Espanha e aqui no Brasil em 2000, transita seu alter ego, também chamado de Pedro Juan, num universo povoado de prostitutas, jogadores, pequenos meliantes, golpistas e traficantes que tecem um mosaico da vida marginal passada entre os cortiços dos bairros de Habana Vieja e Centro Habana, bem longe das benesses dos funcionários públicos oficiais.

Enfim, são os sobreviventes da utopia cubana tentando se manter à tona em meio à crise dos anos 90, a pior por que Cuba já passou depois da retirada do apoio econômico da Rússia, após a queda do Muro de Berlim em 1989 e ao aumento da bloqueio econômico, orquestrado pelos EUA.

Comparado pelo seu estilo cru e direto a Henry Miller ou um Charles Bukowski do Caribe, "Trilogia Suja de Havana" é, antes de tudo, um livro sobre a resistência de um povo faminto, que vaga pelas ruas de Havana, sem dinheiro, emprego, comida ou a menor esperança no futuro, temperado em meio a doses cavalares de rum, maconha e sexo, muito sexo.

"Este é meu ofício: revirador de merda.
A arte só serve para alguma coisa se for irreverente, atormentada, cheia de pesadelos e desespero".

"Sexo é um intercâmbio de líquidos, de fluidos, de saliva, hálitos e cheiros fortes, urina, sêmen, merda, suor, micróbios, bactérias. Ou não é. Se é só ternura e espiritualidade etérea, se reduz a uma paródia estéril do que poderia ser. Nada".


"Quem atinge o repouso em equilíbrio está perto demais de Deus para ser artista".

Este é Pedro Juan Gutiérrez, um escritor que praticamente nasceu e viveu sob os auspícios da Revolução Cubana, mas que não tem medo de escrever sobre os deserdados e desiludidos que percorrem as ruas estreitas, os esgotos e edifícios devastadas de Centro Habana, na sua luta diária pela sobrevivência.

(fotos reprodução)

quinta-feira, 3 de março de 2011

NO FUNDO, TODA CERVEJA É CHOPE...

Dizem os especialistas e estudiosos que os sumérios, um povo que viveu na Mesopotâmia (atual Iraque) por volta de 5400 A.C. foram os primeiros a obter uma bebida a partir da fermentação de cereais. Outros já atribuem aos egipcios o que seria uma versão rudimentar da nossa conhecida cerveja. Ou do chope, melhor dizendo.

A cerveja - ou chope - já foi utilizada na Antiguidade como pagamento de trabalhadores braçais ou como produto de beleza, uma vez que as mulheres lhe atribuiam propriedades para o rejuvenescimento da pele. Atravessou os tempos e já na Idade Média foi fabricada e desenvolvida nos mosteiros, onde os monges católicos lhe deram o sabor e aroma que hoje é conhecida.

Em 1839, na cidade tcheca de Pilsen, os mestres cervejeiros descobriram o chope (ou a cerveja...) de baixa fermentação, que resultou numa bebida clara, de sabor suave e de maior duração para o consumo.

No Brasil, o chope chegou junto com a familia real portuguesa, em 1808. Mas o primeiro anúncio público de um chope foi no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, em 27 de outubro de 1836.

E falava sobre o Chopp Barbante cujo método rudimentar de fabricação produzia grande quantidade de gás carbônico. Daí o uso de um barbante para segurar a rolha e impedir que esta saltasse fora...

E quais são as matérias primas essencias para se produzir um bom chope ?

1 - Água: é o principal componente em quantidade e sendo de baixa salinidade, confere maior qualidade ao chope.

2 - Malte: é obtido da germinação do grão da cevada, especialmente selecionada para produção do chope.

3 - Lúpulo: é uma planta importada dos EUA ou Europa, cujas folhas possuem resinas amargas e óleos essenciais, que caracterizam o sabor do bom chope.

4 - Fermento: é o microorganismo ou levedura, que transforma o amido do malte em álcool na fermentação do chope. Cada cervejaria possui seu próprio processo de fermentação e que a diferencia das demais.

Afinal, qual é a diferença entre cerveja e chope? É a pasteurização, nada mais que o aquecimento do chope envasado, até uma temperatura de 60 graus centígrados, a fim de conferir estabilidade e maior durabilidade do produto. Traduzindo, cerveja é um chope que foi pasteurizado.

E quando sua esposa ou namorada começar a implicar com sua cervejinha - ou chope - de fim de semana, desfie alguns argumentos incontestáveis:

- A cerveja (ou chope) é uam das bebidas de menor teor alcoólico do mundo, somente de 3 a 4% ; e além disso a oxidação do etanol da cerveja ocorre rapidamente
- Devido a presença de ácidos orgânicos, nucléicos e voláteis da fermentação, a cerveja tem uma ação diurética superior à da água.
- Se consumida com moderação (hum...dificil essa...!), a cerveja ajuda alto o nível de HDL - o colesterol bom - e diminui a hipertensão arterial.
- A cerveja contém um teor importante de vitaminas do Grupo B e fosfatos. Além disso, aumenta a produção de ácidos no estômago, estimulando o fluxo de sangue e facilitando a digestão.

Por último, mas não menos importante: está provado, cerveja não dá barriga. Quem provoca são os inevitáveis salgadinhos, linguicinhas, churrascos, etc, etc, que a acompanham...

Bom proveito !

(foto reprodução/consulta Chopp SP)

quarta-feira, 2 de março de 2011

MAIS UMA ARTE DO MAURICIO...

Mauricio Morais é mais um dos grandes amigos virtuais que esta vida de blogueiro me trouxe e dos quais muito me orgulho. Mestre do design gráfico automotivo, radicado na Paraíba por opção - é goiano de nascimento, Mauricio nunca deixou de prestigiar minhas investidas na internet, tendo criado as testeiras do Blog do Mestre Joca e agora dá sua colaboração aqui no Pasquineiras.


É inacreditável a sensibilidade e talento do Mauricio para captar a ambientação dos blogs, é realmente impressionante, justifica a sua fama. Achei um must, e é mais uma que sou devedor ao Grande Mauricio Morais, entre tantas outras.

Achei esta testeira o máximo. E vocês...?

(Ilustração Mauricio Morais)