segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

TODO CUIDADO É POUCO...

Uma das maiores ferramentas utilitárias e de comunicação já inventadas pelo gênio humano, a internet pode se tornar uma arma letal quando usada com propósitos menos nobres. A garantia de anonimato ou a possibilidade de veicular qualquer assunto sem poder ser censurado, tem levado muitas vezes a excessos cometidos por gente sem escrúpulos onde assuntos, comentários ou vídeos postados fora de contexto que, não raro, tem colocado por terra reputações e nomes muitas vezes duramente conquistados.



É o caso do vídeo acima, que corre a internet desde junho de 2008, no qual supostamente a atriz global Paula Burlamaqui tem um ataque de nervos frente uma câmera durante uma entrevista, acabando por tirar inteiramente a roupa. Nada mais falso....

A cena é um trecho do filme "As Procuradas", rodado em 2004 em Florianópolis, onde Paula Burlamaqui interpreta uma garota de programa e irmã de uma outra prostituta, que some misteriosamente. Ângela, uma diretora de documentários, vivida por Rita Guedes, reúne depoimentos de algumas garotas de programa. Entre elas encontra Viviane (Larissa Bracher), e a irmã da garota desaparecida, vivida por Paula Burlamaqui.

O perfil profissional da atriz Paula Burlamaqui serve á perfeição para especulações dessa espécie. Já interpretou uma lésbica na novela globa "A Favorita" e algumas declarações sobre sua vida pessoal dão margem a este tipo de interpretação errônea.

Em se tratando de internet, todo cuidado é pouco.

(video reprodução)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

'NEL SOLE", POR AL BANO...

É curioso lembrar que, ao contrário do que hoje ocorre quando a música americana invadiu de vez nossos meios de comunicação, já tivemos o direito de ouvir nas nossas rádios (ok, eram AM, mas que diferença faz...?) canções francesas, italianas, portuguesas e até, quem diria, africanas - quem se lembra do "Pata, Pata" da sul africana Miriam Makeba ?

No inicio dos anos 60 aconteceu um boom da música italiana no Brasil, efeito talvez da internacionalização do Festival de San Remo que, na época, revelava novos valores e catapultava carreiras meio adormecidas do show business mundial. E um dos grandes talentos revelados num desses festivais foi o de Albano Carrisi, ou simplesmente Al Bano, como ficou conhecido no Brasil.



Revelado em 1966 no Festival della Rose, estourou a boca do balão em 1968 emplacando logo dois sucessos, "La Siepe" e "Nel Sole", sendo que esta última vendeu na Itália 600.000 cópias em menos de três meses de seu lançamento e um milhão até julho do mesmo ano.

Tenor de amplos recursos vocais na melhor tradição dos cantores italianos, Al Bano foi vítima no Brasil da amargura que grassava no cenário artístico nacional, efeito da grossa ditadura que se estabelecera no Brasil.

Reduzido aqui à estatura de um "Wanderley Cardoso" italiano, num período que a crítica musical brasileira não admitia nada que não tivesse um componente politico ou mensagem subliminar nas músicas, Al Bano não desfrutou no Brasil o mesmo prestígio que lhe granjearia outros países da Europa.

Casou-se em 1970 com Romina Power, filha do ator norte americano Tyrone Pwer, com quem construiu uma sólida carreira por quase trinta anos, até se divorciarem em 1999.

Senhoras e senhores, com vocês, Al Bano Carrisi...

(foto reprodução)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

'UM PIANO DENTRO DA NOITE...'

Há alguns anos atrás,vivi seis meses em Tucson, sul do Arizona, experiências que dividi com os leitores no meu ex-blog Diários do Auto Exilio. E um dos tópicos mais requisitados foi exatamente o intitulado "Um piano dentro da noite", que reproduzo aqui a pedidos e devidamente revisitado.

"O lugar se chama Silver Spur, não fica muito longe de casa e parece ser uma imitação daqueles saloon bar do Velho Oeste. A qualidade dos frequentadores deste lugar está longe do recomendável. Estou sentado numa mesa quase de fundo, de frente para a porta, enxugando o segundo copo de uma bebida diabólica, feita de tequila e cerveja Corona que vem borbulhando como um Alka-Seltzer. A título de aperitivo, vez por outra rebato este o coquetel infame mordiscando umas rodelas de pimenta jalapeño, que vêm empanadas numa farinha grossa.

Uma mistura explosiva.

Todo cuidado é pouco, aqui é zona de fronteira e nunca se sabe. O ar condicionado sopra uma brisa fresca e suave, quase silencioso, aliviando a canícula da tarde que corre solta lá fora. O ambiente é aconchegante, salão à meia luz, neste quase inicio de noite. Há poucos frequeses, a maioria escornada no balcão.

Gosto de bares ao cair da tarde. É aquele momento em que todas as promessas futuras se tornam possíveis e os fracassos da noite anterior são esquecidos. É quando barman e garçons ainda estão descansados e disponíveis e se tornam mais atenciosos, acolhedores. E ainda não é hora daquela turba de notívagos ensandecidos, que atiram em nossas caras suas falsas alegrias, suas gargalhadas indecentes. Aqui há somente silenciosos freqüentadores regulares imersos em seus pensamentos, olhares perdidos no fundo de seus copos.

Há um piano ao fundo onde uma mulher alta e esguia desfila seus dedos ágeis, cantando baixinho velhos standards da música americana. A voz é agradável e rouca, como convém a uma fumante inveterada. Veste um longo vestido vermelho bem colado ao corpo, que dá um bom constraste com sua pele clara e cabelos louros. Sobre o piano repousa um copo old fashioned onde nadam alguns cubos de gelo no que presumo ser uísque.

Estou naquele momento perigoso onde, sob o efeito do álcool, todas as conversas parecem agradáveis e as mulheres se tornam fascinantes. Mesmo assim, resolvo arriscar. Chamo a garçonete, peço mais uma rodada e, me sentindo generoso, junto uma nota de 20 dólares e escrevo umas poucas linhas num guardanapo de papel.

Dobro o papel e as 20 doletas, peço para a garçonete entregar à cantora discretamente. Ela recebe a mensagem, sorri misteriosamente e agradece com um leve movimento de cabeça. Imediatamente seus dedos passeiam pelo velho teclado e me delicio aos primeiros acordes do piano:


"Don´t go changing, trying to please me...
You never let me down before..."

A voz grave e rouca acentua as palavras, pontuando a melodia e pressinto uma possibilidade no ar. Terminada a canção, mando mais outro torpedo de agradecimento, desta vez acompanhado de mais um uisque. Afinal, mesmo numa birosca desclassificada como esta é preciso manter uma certa classe.

Finda a breve apresentação, para minha surpresa a loira vem até a minha mesa. Seu andar é ondulante, as longas pernas parecem flutuar pelo salão, na mão o copo de bebida. Convido-a para sentar, ela acende um cigarro com gestos previamente estudados, olhar insinuante.

Toma um gole da bebida, arrematando com uma longa tragada, expelindo a fumaça para cima em anéis azulados. Não consegue esconder a curiosidade com aquele estranho, capaz de pequenas gentilezas num local pouco chegado a gestos de cortesia.

Katlyn é canadense e está no deserto há um ano e meio. Ganha a vida como garçonete e faz uns bicos ao piano do Silver Spur nas noites de folga. Gosta de conversar, faz muito charme e eu me faço de bom ouvinte. Mulheres adoram homens que fingem saber ouvir. Já eu, cínico e calejado, tento adivinhar quanto vai me custar aquela noite, se bem conduzidas as negociações.

Katlyn não é feia nem bonita, apenas um rosto regular de uma mulher que beira talvez os quarenta anos. O corpo alto e esguio, se devidamente tratado, encerra mil promessas. Seu rosto traduz as angústias e amarguras que transmite na voz quando canta as ilusões perdidas e os amores fracassados, a dor dos desiludidos e a desesperança dos desesperados.

Por trás daquela figura insinua-se um drama qualquer. O marginal - no sentido do outsider, do anti-convencional - alguém já disse, tem sempre uma história interessante para contar. Katlyn não foge à regra, demonstra no falar e nos maneirismos toda a pinta de uma mulher que viveu todas e, o mais importante, sobreviveu a elas. Mas nas atuais circunstâncias, há mais de trinta dias solitário no deserto, não dá para ser muito exigente. O jeito é arriscar.

Ficamos ali até o Silver Spur fechar, por volta de umas onze da noite. Pago a conta e gentilmente me ofereço para acompanhá-la até sua casa. Ela se faz um pouco de rogada, faz o velho jogo da sedução, papel que desempenha com perfeição, mas no fim acaba aceitando. Ajeita um longo xale sobre os ombros e saímos caminhando noite adentro.

Ela mora ali perto, numa pequena vila de seis casas geminadas, lugarzinho até bem agradável.Tomamos o último drinque convencional e finalmente nos entregamos ao que realmente viemos fazer, passando quase o resto da noite revirando entre os lençóis. Não se preocupem, eu os pouparei dos detalhes. Inclusive os mais sórdidos.

Acordo na manhã seguinte com o sol já alto e uma dor de cabeça abominável. Tomo uma chuveirada fria para espantar o calor, preparo um café forte para rebater a ressaca enquanto no rádio da cozinha Sinatra, The Old Blue Eyes, canta sua solidão. Katlyn continua dormindo inocentemente estendida na cama, o corpo bem delineado coberto pelo lençol barato, o rosto manchado pela maquiagem desfeita, marcas deixadas pela refrega da noite passada.

No ambiente, há um cheiro acre de cerveja derramada e de cinzeiros cheios de pontas de cigarros. Certas ilusões noturnas não resistem bem às primeiras luzes da manhã. Como previamente combinado, coloco uma nota de cem dólares debaixo de um vasinho barato de flores murchas e escrevo com batom uma mensagem carinhosa no espelho do banheiro.

Saio para a rua, vou caminhando na manhã clara, quente e radiosa. Os carros desfilam pelas ruas, as pessoas passam apressadamente seguindo suas vidas. Todos indiferentes a mim que sigo lépido e fagueiro, assoviando pela rua um velho samba canção. Sou um romântico incurável..."

(video reproduçã
o)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

QUEM SE LEMBRA DE...

Capucine...?

Um dos mais belos rostos que já passaram frente às lentes das câmeras de cinema, a francesa Capucine (nascida Germaine Lefebvre em 1928, em Toulon) estreou no cinema em 1949, aos 21 anos numa breve participação no filme Rendez-vous de Juillet, após um inicio promissor da carreira de modelo.

Frequentou a Escola de Belas Artes de Paris e se graduou em Linguas Estrangeiras. Aos 17 anos foi descoberta por um fotógrafo quando fazia um passeio de carruagem e logo estava engajada no mundo da moda, desfilando para casas tradicionais como Givenchy e Christian Dior.Nesta época adotou o nome artístico de Capucine, que em francês designa a flor da capuchinha e foi colega de trabalho de Audrey Hepburn, amizade que manteve até o fim da vida.

Ainda nas filmagens de Rendez-vouz de Juillett, conheceu Pierre Trabaud com quem viria a se casar em 1950 mas de quem se separaria seis meses depois. Nunca mais se casou novamente. Mulher de espírito independente e personalidade não-conformista, Capucine se transformou numa das principais modelos francesas dos anos 50.

Em 1957 foi descoberta pelo produtor Charles K. Feldman que a levou para Los Angeles a fim de estudar interpretação com Gregory Ratoff. No ano seguinte assinou contrato com a Columbia Studios e estreou seu primeiro papel em inglês em Song Without End (1960), pelo qual foi indicada ao Globo de Ouro.



Daí por diante, estrelou mais seis filmes ( North to Alaska, The Triumph of Michel Strogoff) até meados da década de 60. Entre eles, The Lion (1962) e The 7th Dawn (1964) com o ator William Holden, com quem manteve um affair de dois anos, período em que o ator esteve casado com Brenda Marshall. O sucesso mundial viria em 1963 ao dividir a tela com Peter Sellers em "A Pantera Cor de Rosa" e em "O que que há Gatinha ?", este último de 1965.

Desde 1962, Capucine havia se mudado apra a Suiça mas continuou fazendo filmes na Europa até sua morte. Seu último grande papel foi em "Satyricon" de Fellini, em 1971. Na sua filmografia constam 36 filmes e 17 participações em produções para a TV. Nos últimos anos de vida sofria de agudas crises de depressão e algumas tentativas de suicidio foram registradas. Morreu em 17 de maio de 1990, aos 59 anos, ao jogar-se do oitavo andar do prédio em que vivia em Lausanne na companhia de seus gatos.

Mais uma curiosidade sobre Capucine: em 1952 passou duas semanas a bordo de um navio de cruzeiro, fazendo desfiles de moda. Dividia o camarote com uma jovem dançarina de 17 anos do night club do navio. Seu nome: Brigitte Bardot.

(foto reprodução)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O "RETIRO" DE PAULINHO DA VIOLA...

O carioca Paulo César Batista de Faria (Rio, novembro de 1942), conhecido popularmente como Paulinho da Viola, é um dos mais completos e significativos cantores e compositores brasileiros de samba e choro. Dono de um estilo elegante e conciso, Paulinho estreou no disco em 1965 com o LP Rosa de Ouro, mas desde muito cedo impressionou por sua parceria com grandes nomes do samba carioca, entre eles o mestre Cartola, Candeia e Elton Medeiros.



Músico por profissão, marceneiro por hobby, grande jogador de sinuca, respeitado pelos grandes do taco, tem ainda uma grande virtude: é Vasco doente. Paulinho da Viola dispensa apresentações. No vídeo acima, ele canta "Retiro", para mim um primor de concisão e uma das mais completas músicas da nossa MPB.

É ouvir e amar. Paulinho da Viola não tem tradução.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

CAIPIBEER, CAIPIBREJA, O QUE É ISSO...?

O nome pode mudar, a receita também mas o resultado acaba sendo o mesmo. Provei a beberagem algum tempo atrás em São Luis do Maranhão, num daqueles bares próximos ao centro histórico.

As mulheres gostam pois elimina o sabor amargo da cerveja e os puristas torcem o nariz, mas esses fazem caras e bocas para tudo. Cervejeiros inveterados a evitam pois é um perigo no final da noite.

Do que estamos falando?

Da caipirinha de cerveja, caipibeer ou caipibreja como chamam alguns. Particularmente, gostei, dá para beber desreocupado numa noite bem quente, sem obviamente incorrer nos excessos dos habituados às "louras geladas".

Vamos à receita que aprendi e que preparo com alguma propriedade:

- Um copo de 300 ml (aproximados)
- Um limão
- Duas colheres de açucar
- Vodka (de boa procedencia, é claro).
- Uma cerveja pilsen

Modo de preparo:


Esprema o suco do limão inteiro no copo, adicione as duas colheres de açucar Adicione agora a vodka (uns 50 ml) e mexa bem. Despeje vagarosamente a cerveja no copo até a borda e mexa mais um pouco. Se quiser, adorne o copo com um enfeite de sua preferencia e sirva.

Opcionalmente, há quem use gelo (dois cubos no máximo) e outros cachaça em lugar da vodka. Há também quem prefira amassar o limão cortado em quatro partes e retirando a parte branca do miolo, como na caipirinha tradicional. Uma boa pedida é o sal na borda do copo. No fim, variações sobre um mesmo tema.

Experimentem, não vão se arrepender. Salute...!

(foto reprodução)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

ME VOY PA'LA PACHANGA...!

Quando cheguei em Belém do Pará em janeiro de 1971, tinha 17 anos. Criado no Planalto Central, fiquei encantado pela riqueza e exotismo da região amazônica, naquela época muito menos influenciada pelo americanismo que já invadia a cultura brasileira. Mesmo assim, pela proximidade geográfica, não havia como a cultura popular paraense deixar de se influenciar pelas cúmbias colombianas, a salsa e os ritmos caribenhos ou o zouk surinamês, por exemplo.

Ouvia-se merengues e salsas (o pai das comerciais lambadas e calipsos) nas rádios belemenses o dia inteiro, com a mesma naturalidade que hoje ouvimos as porcarias norte-americananas que as multinacionais do disco nos impingem ouvidos adentro. Mas ao lado dos bois-bumbás, pássaros e quadrilhas, o que mais me atraía eram as "festas de terreiro", isto é, verdadeiros bailes realizados na rua, ao som dos hoje afamados "sonoros".

O processo era simples: os moradores e uma determinada rua ou vila, fechavam o perímetro com cercas de palha, improvisava-se uma bilheteria. Na rua, arranjava-se as mesas para o serviço de comidas e bebidas e alugava-se o "sonoro" - uma aparelhagem de som que despejava milhares de decibéis sobre os pobres ouvidos dos presentes e que anteciparam em muito os "trios elétricos" baianos.

A "festa de terreiro" era a versão paraense da carioquíssima gafieira. Só se adentrava a pista de dança - o asfalto da rua, obviamente - quem era bom e se garantia no bailado. Era um verdadeiro desafio enfrentar aquelas morenas de pele sedosa e cabelos negros, cheirando a patchouli, que pareciam guardar um furacão nos quadris e pernas. Caboclo que quisesse se dar bem no fim da noite com o mulherio, primeiro tinha que mostrar a que veio ao ritmo de bolerões, merengues e salsas.


Uma das maiores pedidas nessas festas era a La Pachanga, composição do cubano Eduardo Davidson em meados da década de 50, e o grande desafio para bailadores de terreiros que tinham que se haver com passos adaptados como o "bate estaca" ou o "cavalinho manco".

Anos depois, já em Havana, fui descobrir que a expressão Me Voy Pa' La Pachanga, significava ir para uma festa, uma balada, sair para se divertir à larga, etc. Gozado foi ouvir novamente La Pachanga, cantada no rádio por Célia Cruz, sentado num boteco miserável no cruzamento das ruas San Lázaro com Perseverancia, nas entranhas do bairro de Habana Vieja, traçando um puro cubano, enquanto me aguentava com um copo de rum vagabundo e gosto de óleo diesel.

Afinal, não se pode ter tudo na vida...

(foto reprodução)