quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

QUEM SE LEMBRA DE...

...Annie Girardot ?

Um dos mais famosos e respeitados nomes do cinema francês dos anos 60, Annie Suzanne Girardot nasceu em Paris em 1931 e fez seu debut profissional em 1954, integrando o famoso grupo teatral Comédie Française, onde permaneceu até 1957. Neste período, ocasionalmente, fez alguns trabalhos no rádio, TV e night-clubs parisienses. Sua estréia no cinema se deu em 1955 no pouco notado filme "Trieze a Table" e em seus primeiros papéis Annie Girardot interpretava mulheres destruidas, donas de passado duvidoso em filmes noir.

Até aí, Annie não causara nenhum impacto até ser escalada para fazer "Rocco e Seus Irmãos", dirigida por Luchino Visconti, em 1960. Durante as filmagens conheceu Renato Salvatori, com quem passou a viver até a morte do ator em 1988. Ao longo dos anos 60, Annie foi protagonista de muitos filmes italianos e dirigida por grandes nomes como Roger Vadim, Claude Lelouch e Mario Monicelli, por exemplo. Seu nome foi guindado ao mesmo panteão de atores da estatura de Yves Montand, Catherine Deneuve, Michel Piccoli e até mesmo Brigitte Bardot.


Annie Girardot em "Viver Por Viver", de Claude Lelouch, 1967.

Na sua carreira fez mais de 100 filmes, recebendo vários prêmios entre eles dois César, o Oscar do cinema francês. Em 2000, apresentou os primeiros sintomas do Mal de Alzheimer, mas a ssumiu a doença apenas em 2006. Hoje vive reclusa numa clinica especializada para portadores da doença, ao lado do irmão que sofre do mesmo mal.

(foto reprodução)

sábado, 15 de janeiro de 2011

PISANDO NAS NUVENS...

Ao contrário das mulheres que têm verdadeira compulsão para entupir os armários da casa com sapatos, os homens tendem a manter somente alguns pares que atendam às suas necesidades básicas. E olha que de acordo com uma dessas pesquisas que rolaram por aí, sem maiores avais científicos, sapatos e relógios são os dois itens mais cobiçados do vestuário masculino.

Considerando que hoje um par de sapatos de boa procedencia representa um desembolso considerável de grana, o que comprar para se ter uma coleção razoável de pisantes que cubram a totalidade das nossas necessidades básicas diárias e as eventuais exceções? Hummm...neste capítulo é aconselhável que sejamos clássicos, puristas, tradicionais e conservadores, mesmo sob um viés modernista. A menos que se queira gastar uma fábula todo mês para atender modismos momentâneos, coisa que a indústria fashionable é pródiga em inventar.

Segundo os especialistas mais sensatos da área, alguns pares de diferentes tipos de sapatos são suficientes para atender á toda necessidade masculina. Vamos aos conselhos e dicas, então, considerando os modelos mais modernos e atualmente disponíveis nas lojas, dividindo em dois grupos: os formais e os casuais.


1 - Oxford : o sapato clássico por excelência, é o nosso muito bem conhecido "social". Surgiu por volta de 1640 na Inglaterra quando os sapatos deixaram de ser exclusivos da aristocracia e se tornaram mais populares. Foi o primeiro modelo de sapato a usar furos e cadarços, sendo largamente adotado pelos estudandtes da Universidade de Oxford, o que acabou designando o tipo de sapato. Ao longo das décadas foram aparecendo algumas variações, mas basicamente é preto e indicado para uso com terno em ocasiões formais como reuniões de negócios, casamentos, etc.

2 - Derby : a rigor, uma variação do Oxford Clássico mas menos formal. Apareceu no fim do século 19 e é semelhante ao Oxford. Sua principal diferença é a localização dos furos situada nas abas laterais e costuradas sobre o corpo do sapato. Isto permite que se adapte com mais facilidade a todas alturas do peito do pé. É o menos formal dos sapatos clássicos. Muito versátil e funciona com terno, blazer e calça sem gravata, e também com calças de alfaitaria e camisa. Dependendo do modelo, pode ser usado com jeans.

3 - Monk : como o próprio nome denuncia, tem suas raízes nos sapatos dos monges e usados desde o século 15. A versão mais moderna data de 1930 e em termos de formalidade situa-se situa-se entre um oxford e mais do que um derby. Fácil de reconhecer o estilo pela falta de cadarços, e a obrigatória fivela metálica lateral junto ao peito do pé. É adequado para ternos e combos como calça de alfaiataria e camisa social.

4 - Brogue : em termos de estilo não pode ser considerado um tipo de sapato. Suas formas o aproximam muito de um Oxford tradicional, a não ser pelo pespontado que apresentam em todo o corpo do sapato e pelas cores informais, normalmente, marrom, tabaco, ocre, etc. Para alguns puristas, dependendo da extensão dos pespontados, podem classificar-se em "brogue", "semi-brogue", ou "full-brogue". Ideal para vestuário informal, naturalmente.

5 - Mocassim : um dos mais clássicos e confortáveis calçados masculinos. Na sua origem o nome deriva dos índios algonquinos, originários da fronteira dos Estados Unidos com o Canadá, dado aos seus sapatos de couro costurados a mão com pontos largos ao redor do peito do pé e sobre os dedos. Na década de 60, a marca italiana Gucci lançou um modelo com fivela de metal e uma faixa verde e vermelha, que foram copiados no mundo inteiro.

Há uma versão feita para dirigir automóveis chamada "driver" que se tornou um clássico. Caracteriza-se pela flexibilidade e solado com gomos que impede que o calçado escorregue em contado com os pedais do carro. Já o docksides ou "boat shoes", é um tipo de mocassim criado para uso dosr velejadores e ganhou a preferencia do público e as ruas nos anos 80. Tem amarração por cadarços e acabamento com fio na lateral que passa por ilhoses.

Seja qual for o tipo de mocassim, ele é um calçado casual e esportivo que deve ser usado com bermuda e calça jeans. Evite o uso de meias, seria uma tremenda gafe.

6 - Loafer: originário de um modelo usado por noruegueses na década de 30, os americanos criaram os "weejuns" (pronuncia-se "uídjans"), uma corruptela de "Norwegian", um dos tipos de loafers mais comuns. Seu diferencial é uma faixa de couro com um losango vazado na parte que cobre o peito do pé. Se tornou muito popular entre os universitários americanos na década de 50 e por isso foi considerado um dos ícones do estilo college. Na Europa e nos Estados Unidos é muito comum seu uso com bermudas, mas no Brasil é pouco comum esta combinação. É um sapato casual que vai bem com calça jeans ou de sarja com camisa pólo.


7 - Side Gore : no fundo, uma variação do loafer. Sua característica principal são as bandas largas de elástico nas laterais do calçado, o que dispensa o emprego de fivela, velcro, zíper ou cadarço. Há várias versões deste modelo, desde os mais urbanos até as versões de cano médio para o estilo country (em que o elástico é coberto por uma espécie de fole de couro filetado). Dependendo do modelo, como os de couro preto ou marrom, sem adornos e de bico alongado, os "side gore" podem ser usados tanto com calça e blazer ou jeans.

8 - Sapatênis: para especialistas mais conservadores, o sapatênis é o mais polêmico dos calçados. Uma espécie de "mezzo mussarela, mezzo calabresa". Eles surgiram na onda do "casual friday", ou seja, aquela invenção de empresas americanas em que os funcionários podiam dispensar terno e gravata às sextas feiras. Um tipo híbrido por excelência, caracteriza-se por ser menos esportivo que um tênis e nem tão formal quanto um sapato.

Alheios à crítica especializada de moda que os acha definitivamente cafonas, consumidores fazem deles um sucesso de vendas. Hoje muitas marcas estão procurando dar uma guinada no design do sapatênis, oferecendo novas versões mais "aceitáveis". Os modelos inspirados no tradicional Oxford conseguiram os melhores resultados.

Enfim, as opções acima são apenas algumas sugestões entre uma enorme gama em que se transformou a indústria de calçados no mundo. Vai depender apenas do seu estilo de vida e do seu saldo bancário.

(fotos reprodução/consulta de texto Ricardo Oliveros)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O VELHO JACK...

Não sou chegado a modismos, ainda mais no tocante a bebidas alcóolicas. As poucas preferencias que mantenho na área são obra da experimentação e depuração ao longo dos anos. Portanto, longe de mim posar de "especialista" ou "entendido" (ôpa, ôpa...!) em algum assunto. Parto sempre do velho princípio de que é preferível saber um pouco sobre muito do que muito sobre pouco. Na pior das hipóteses, o papo fica mais interessante.

É o caso do bom e velho Jack Daniels. Quando foi moda há alguns anos atrás, alguns especialistas em scotch wiskhy torceram o nariz e botaram a boca no trombone. Bobagem, apenas preconceito gerado pela ignorância ou má vontade com o uísque americano. Mas gritaram com uma certa razão, por causa da confusão montada por esses apreciadores de araque.

A rigor, o Jack Daniel´s não é um bourbon como é regularmente conhecido por aqui. Esta nomenclatura aplica-se somente aos uísques produzidos no estado americano do Kentucky. Fabricado na minúscula cidade de Lynchburg, no Tennessee, desde 1866 pelo destilador que lhe cedeu o nome, transformou-se ao longo dos anos num dos uísques mais vendidos do mundo. Sua famosa garrafa quadrada com o rótulo preto é um dos mais conhecidos ícones da cultura americana até hoje.

Fabricado com uma mistura de milho, centeio, malte de cevada e água isenta de ferro, tampouco é um rye ou canadian whisky. Na classificação dos destilados é enquadrado como tennessee whisky, pois as grandes diferenças de temperatura entre inverno e verão do Tennessee, aliado ao seu elaborado e cuidadoso processo de fabricação conferem ao Jack Daniels seu sabor e coloração amadeirada incomparáveis.

Há alguns anos atrás tive a oportunidade de visitar a fábrica num tour guiado e conferir seu processo de elaboração: após a mistura de seus ingredientes, o uísque é suavizado num processo chamado de charcoal mellowing, isto é, destilado lentamente em gigantescos recipientes, passando através de uma camada de três metros de carvão de bordo.



Este processo leva em média dez dias, proporcionando ao uisque durante essa destilação, a incorporação da essencia do carvão, a fim de refinar a bebida. Daí é armazenado em barris de carvalho para que "respire", ou seja amadurecido enquanto o excesso de álcool seja volatizado por evaporação, podendo causar perdas de até 30% do seu volume original ao fim do processo.

O Jack Daniel´s é "amadurecido" em barris de carvalho novos e utilizado somente uma vez para este fim, e não "envelhecido" como no processo tradicional de fabricação dos uísques. Somente a experimentação é que vai determinar o momento em que o uísque adquire o sabor, cor e qualidade que se espera de um Jack Daniel´s. Todo esse cuidado já garantiu várias medalhas de ouro ao redor do mundo, garantindo à marca de Lynchburg o reconhecimento como uma dos melhores uísques já fabricados.

Importante, o Jack Daniel´s deve ser servido em copo pequeno e bebido à maneira cowboy, isto é, um rápido shot (de virada). Mas alguns descoladinhos desavisados inventaram de bebê-lo on the rocks ou - sacrilégio - adicionando um pouco de água, hábitos herdados dos (maus) bebedores de scotch wiskhy.

No meu caso, gosto do Jack Daniel´s puro. Às vezes, faço uma concessão num Manhattan para fazer companhia a um charuto Bolívar Royal Corona de boa procedência ou mesmo um nacional Alonso Menendez Double Corona. Como música de fundo, Ballads, do John Coltrane Quartet. A companhia é por sua conta...E o paraíso não deve estar muito longe disso.

(fotos reprodução)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

CELEBRAÇÃO EM BIG SUR...(1969)

O Big Sur Folk Festival era uma série de eventos musicais voltados para música folk americana e promovidos na área externa do Esalen Institute, entidade não governamental voltada para os estudos experimentais, e localizada no cenário paradisíaco de Big Sur, norte da Califórnia.

Realizados entre 1964 e 1971, esses festivais reuniam nomes famosos da folk song americana, também ilustres desconhecidos e estrelas em plena ascensão para uma platéia universitária típica dos anos 60, berço da cultura beatnik e do Flower Power, que mais tarde desaguariam nos firmes protestos e conflitos públicos contra a guerra do Vietnã e na defesa dos direitos civis dos negros.

Realizado em setembro, um mês depois do gigantesco Woodstock, o Big Sur Folk Festival apresentava naquela edição, a nata daquela geração como o trio Crosby, Stills e Nash (o quarto integrante, Neil Young recusara-se participar do evento...), a canadense Joni Mitchell, Joan baes - primeira dama da canção folk americana-, John Sebastian (líder do Lovin´Spoonful e que havia sido convidado anteriormente para o lugar de Neil Young) e os poucos conhecidos Dorothy Combs Morrison, Mimi Fariña, Carol Ann Cisneros, Julie Payne e Chris Ethridge ao lado de outros ainda menos votados.



O Big Sur Festival de 1969 gerou também um filme-documentário lançado somente em 1971, produzido e dirigido por cinestas semi-amadores que mais tarde se consagrariam como roteiristas, produtores e diretores de Hollywod e na indústria da TV americana. No vídeo acima, o registro da interpretação conjunta de "Everybody Get Together", um dos hinos da geração Flower Power, por Joni Mitchell, Cosby, Stills e Nash e ainda uma palinha de John Sebastian.

O filme é um registro raro e fiel daquela geração e a comprovação de que os ídolos, ao contrário dos nossos sonhos, também envelhecem...

(fotos reprodução)