quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

UMA PALIDEZ NA BRANCURA...

"A Whiter Shade of Pale" estourou nas paradas de sucesso de 1967 como o maior hit da banda britânica Procol Harum - cujo nome já dá margem a discussões. Uns afirmam ter sido tirado de um gato birmanês pertencente ao produtor da banda. Outros atribuem a uma derivação do termo latino procol his (além dessas coisas).

Mas, polêmicas à parte, o que interessa é que a canção foi a primeira (ou uma das primeiras) a incorporar elementos da música sinfônica, dando a partida para o que mais tarde se identificou como classic rock ou symphonic rock - apesar da banda também ter se dedicado ao blues e ao R&B e ao soul.



A Whiter Shade of Pale" marcou época num período marcado pela psicodelia de The Doors (Light My Fire), Beatles (Sargeant Pepper's) e Jefferson Airplane (Somebody to Love), por exemplo e catapultou a carreira da banda que passou a abrir os shows de ninguém menos que... Jimi Hendrix. É uma das músicas mais gravadas e tocadas em todos os tempos.

sábado, 24 de dezembro de 2011

FIM DE ANO...

Como e natural em todo fim de ano, pululam na caixa postal os mais variados votos de Feliz Natal, Ano Novo, etc. Ha de todos os tipos, criativos ou mais conservadores, alegres ou mais formais, moderninhos ou quadradinhos. O formato não interessa, o que vem ao caso e que alguem se lembrou da gente neste periodo de congracamento cristão. Aqui vai minha contribuicão, no fundo mais uma reflexão sobre nossa relacão com o Divino, enviada por Selma Barbosa de Oliveira, psicoterapeuta e uma pessoa proxima e muito querida.

Isso, certamente, é o que Deus quer.


"Pára de ficar rezando e de bater no peito! O que eu quero é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Pára de ir a certos templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo ergueste e que acreditais serem a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias e no coração das pessoas. Eu nunca te disse que há algo maligno em ti ou que és um pecador, ou que tua sexualidade é algo mau. O sexo é um presente para expressares teu amor, tua alegria.


Pára de ficar lendo supostas escrituras que mais têm a ver com ignorância e miséria humanas do que com minha grandeza e bondade. Hás de ler-me num amanhecer, numa paisagem, no olhar de amigos, no teu filhinho. Sim, me encontrarás em um bom livro, numa poesia, numa obra de arte e, quem sabe, em um mendigo, num enfermo, num injustiçado, numa folha seca.

Ter medo de mim? Eu não te julgo, nem te critico, não me irrito, nem te incomodo nem castigo. Amor eu sou, puro amor. Teu modo de me louvar é confiar em mim. Pára de me pedir perdão. Se Eu te fiz, eu te enchi de paixões, delimitações e prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências e fragilidades.

Como posso te castigar por ser como és, se eu sou quem te fez? Meu nome é Compaixão. Crês que eu seria capaz de criar um lugar para punir filhos meus, pelo resto da eternidade, só porque não deram conta de se comportarem bem? Que tipo de Deus poderia fazer isso? Que idéia é essa?

Respeita teu próximo e não faças a ele o que não queres para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção à tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia. Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.

Esta vida é o único tesouro que há; o único de que precisas para me homenagear, aproveitando a vida. Eu te fiz livre, isto é, relativamente responsável. Não há prêmios nem castigos. Ninguém preenche um placar. Ninguém leva um registro. Tu és condicionalmente livre para fazer de sua vida uma dávida ou uma ameaça, um céu ou um inferno.

Vive como se esta vida fosse a única oportunidade de existir, de aproveitar, de amar. Assim, terás aproveitado bem da oportunidade que te dei, sendo correto e vivendo feliz. Só irei te perguntar se gostaste; se te divertiste e do que mais gostaste; o bem que fizeste, o que aprendeste e se valeu a pena. Quero que Me sintas em ti, ao beijar tua amada, ao agasalhar tua filhinha, ao acariciar teu cachorro, ao nadar no mar.


Pára de me louvar! Aborreço-me quando me pedem desculpa. Canso-me quando me agradecem, me louvam. Tu te sentes grato? Basta isto. Cuida de ti, de tua saúde, de tuas relações, do ambiente. Expressa tua alegria! Este é o jeito, o único, de me louvar. Entendeste? Para que mais? Procura-me dentro de ti, nos outros, nas coisas e, sobretudo,nas relações que vives. Aí é que estou, sempre estarei, abraçado contigo".

BARUCH SPINOZA - Filósofo

domingo, 27 de novembro de 2011

VITTORIO DE SICA, EM GRANDE ESTILO....

O filme "Jardim dos Finzi-Continis" foi realizado em 1971, inspirado em livro homônimo de Giorgio Bassani, publicado em 1962. Muitos consideram como a obra prima do diretor e roteirista italiano Vittorio de Sica. A história versa sobre a rica familia judia italiana Finzi-Contini, residente em Ferrara durante o nascimento e crescimento do fascismo de Mussolini e sua perseguição aos judeus italianos.

Narrado na primeira pessoa, o filme descreve inicialmente as relações da comunidade judia de Ferrara e seus vários níveis sociais, onde desponta a majestosa propriedade dos ricos Finzi-Contini e o mistério que cerca os seus filhos, que nunca vão à escola, a menos para os exames finais. Continua com a tentativa frustrada do autor em manter um romance com Micól, a bela filha herdeira da rica familia judia.

Tanto livro e filme são importantes pois registram e denunciam a perseguição e morte de 183 judeus italianos de Ferrara, incluindo aí os remanescentes da familia Finzi Contini, deportados para um campo de concentração na Alemanha.



Apesar do tema árido, o filme é de uma incrivel plasticidade, todo fotografado em tons pastéis e bem diferente do neo-realismo típico de De Sica, reforçado ainda pelas belas figuras de Dominique Sanda e do astro alemão ascendente na época, Helmut Berger.

Um filme que não perdeu sua atualidade e merece sempre uma revisita.

(foto reprodução)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O TREM DO SOUL....

Descobri o programa Soul Train através de uma velha fita VHS (quem se lembra ?), lá por 1975/76. O programa nasceu em 1971 e ficou no ar por quase ininterruptos 35 anos, até 2006. Criado por Don Cornelius, que foi seu único apresentador e produtor executivo, Soul Train destacava-se por ser um dos primeiros e mais importantes programas de TV unicamente voltados para a juventude negra frequentadora das high schools americanas.

Pelo seu palco desfilaram os maiores nomes do soul, R&B, funk, gospel, jazz e nos seus últimos anos disco e hip hop. Nas décadas de 70 e 80 - Soul Train foi indiscutivelmente uma grande influência e porta voz da juventude negra americana, lançando modismos no vestir, no vocabulário e nos estilos de dança.



Acima uma pequena demonstração de Soul Train nos seus melhores dias, com a apresentação da banda de funk/soul Tower Of Power e seu grande hit So Very Hard To Go, em 1973. Vejam só a moçada se esbaldando sob o comando do vocalista Lenny Williams. Do catso....

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O WOODSTOCK BRASILEIRO...

"Nelson Rodrigues diria o seguinte: “Dez anos, amigos, não são dez dias!” Portanto, todos os descontos devem ser dados a “Ritmo Alucinante” (1975), filme-registro do longínquo festival de rock realizado no campo do Botafogo, sob o patrocínio dos cigarros Hollywood, em fevereiro de 1975.

Quase dez anos exatos antes do primeiro Rock in Rio (janeiro de 85) colocar milhares de pessoas assistindo a dezenas de shows nacionais e estrangeiros, o modesto festival de 75 não poderia ser mais improvisado: somente artistas nacionais, um espaço pequeno encravado na Zona Sul do Rio, e uma sensação de heroísmo no ar, do tempo em que Rita Lee dizia que “roqueiro brasileiro tinha cara de bandido”.


Bandidos ou não, lá estavam a própria Rita, na flor dos 27 anos – com o grupo Tutti Frutti –, a banda Vímana (de Ritchie, Lobão e Lulu Santos, quase imberbes), Erasmo Carlos, Celly Campello, O Peso e, finalizando, Raul Seixas, em uma performance espetacular.

As lendas que envolvem a preparação e execução do projeto são inúmeras. Nos quatro sábados em que durou o espetáculo aconteceu de quase tudo: um desabamento no palco, uma chuva torrencial e, principalmente, o longo e heróico discurso de Raul a favor da Sociedade Alternativa, em pleno governo autoritário do general Ernesto Geisel.

Grande parte disso foi registrada no filme e está pronta a ser apreciada. Uma óbvia inspiração de “Woodstock” – o documentário de Michael Wadleigh, feito seis anos antes – é evidente, e a chuva deve ter contribuído ainda mais para que o ouriço fosse lembrado. Mas não se iludam: o que “Ritmo Alucinante” mostra é a luta comovente de jovens do terceiro mundo, em um país fechado e paranóico, na tentativa de respirarem vida e criarem uma cultura única, de referências globais mas com o sabor de coisa local, bem brasileira.

Essa questão acentua-se nas entrevistas que permeiam os números musicais, quando Scarlet Moon (futura esposa de um dos músicos presentes, Lulu Santos), conversa com os artistas e busca contextualizá-los para o espectador. Erasmo Carlos, por exemplo, surge reclamando da censura, de chapéu negro e cabelos compridos, sentado no meio do campo da Rua General Severiano. Logo depois Celly Campello está ao lado dele, ainda com um ar jovial de boa moça, contando um pouco da sua carreira para uma atenta (e também muito mocinha) Scarlet.

A parte principal é ocupada pelas apresentações: Rita Lee aparece como um Ziggy Stardust renascido, inclusive nos trejeitos; o Peso e Vímana estão na sintonia do público; e Celly e Erasmo não ficam mal em roupagem setentista. Mas quase tudo parece uma preparação para Raul Seixas – quando o filme termina apoteótico.

Somente por adendo, algumas fontes citam que o Terço e os Mutantes (de Sérgio Dias) se apresentaram, mas eles não são mostrados – ao menos não na antiqüíssima versão lançada em Vhs que possuo. Uma boa razão para isso pode ter sido a chuva, que espantou técnicos e público do local no segundo sábado de shows – e que quase fez com que a continuação na semana seguinte fosse cancelada.

Dirigido por Marcelo França, realizado com duas câmeras (uma fixa e outra em movimento) e imagem muito granulada, “Ritmo Alucinante” talvez seja o mais importante registro do rock brasileiro nos anos 70. Depois maiores e menores festivais vieram até que, em 1985, o país entrasse definitivamente na rota mundial deles. Só que os tempos eram outros e não coube ao cinema, mas à televisão, registrar o momento histórico.

E sob a perspectiva de 2011, quando o Brasil exporta seu know-how na realização de mega-eventos e até os Rolling Stones se apresentam em plena Praia de Copacabana, vale a pena lembrarmos da época em que – no bairro vizinho, Botafogo – tudo foi tão mais difícil e incerto. Graças ao faro documental de alguns, a história começava a ser contada, para deleite dos sortudos presentes e das futuras gerações."

(
Texto de Andrea Ormond, publicado originalmente em Estranho Encontro)

(fotos reprodução)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

SOL DE PRIMAVERA, CHEIRO DE MATO



Nada demais, não. Só uma maravilhosa manhã de primavera, e uma imensa alegria por sentir feliz e confortável comigo mesmo. Uma pequena celebração à vida, "Cheiro de Mato", com a Fátima Guedes. Só isso...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

COMFORT FOOD...

Mais uma vez o conceito vem dos EUA: comfort food, que numa tradução livre pode ser resumida como "comida confortável". Nada mais é que aquele tipo de comida preparada tradicionalmente, com um enorme apelo nostálgico ou sentimental. Ou algo que nos remeta a um dado de uma cultura específica.

O conceito é antigo, remonta ao final dos anos 70 e vem de encontro aos modismos da chamada "haute cuisine" e a ditadura de celebrados chefs. Também serve de contraponto para a sensaboria do fast food, ou a cultura da comidinha light que grassou no mundo nas últimas décadas.

Pois, basicamente, a comfort food é aquela comida farta, saborosa, facilmente comestível, agradável à visão e de consistência macia. Se você pensou naquela feita pela mamãe ou vovó nos doces anos da infância, bingo ! acertou em cheio. Comfort food é isso aí, na sua melhor versão.

Mas como quase tudo na vida se resume a business, já há algum tempo alguns renomados chefs de cuisine, principalmente americanos, tem pesquisado as raizes da cozinha local e investido mais neste nicho de mercado, apresentando a comfort food sob uma roupagem mais elaborada onde se ressalta maior cuidado na preparação, a apresentação dos pratos tradicionais e a utilização de ingredientes orgânicos frescos. Mas, (com o perdão do trocadilho infame) como não existem refeições grátis, a preços bem mais elevados.

Mas nem tudo são flores no campo da comfort food. Americanos tem tempo, dinheiro e disposição para pesquisar essas coisas e algumas mais recentes a apontam como uma das grandes vilãs da síndrome de obesidade que acomete atualmente os americanos. Mas, teorias e pesquisas à parte, quem resiste a um bom arroz com feijão soltinho e bem temperado, uma boa canja de galinha, carne de sol com mandioca (ou aipim, ou macacheira, depende da região...), frango com polenta (ou quiabo, que adoro...!), macarrão ao alho e óleo, ao sugo, a bolonhesa, seja lá o que for ? E o que falar de uma baba de moça, um quindim, pudim de leite, bombas de chocolate ? E por aí vai...

E você, qual é a comida que o conforta ?

(foto reprodução)

domingo, 2 de outubro de 2011

FELLINI NA SUA MELHOR FORMA...

"Noites de Cabíria" (1957) é um filme extraordinariamente belo e humano. Se tivesse sido o único filme realizado por Fellini, seria suficiente para provar sua genialidade. É uma obra-prima do início ao fim e um dos melhores filmes já produzidos em todos os tempos.

Além de contar com a magistral direção de Fellini, o papel principal é interpretado pela fabulosa Giulietta Masina, na época esposa de Fellini. Ela dá um show de interpretação. Com seus olhos graúdos e suas expressões faciais, ela consegue transmitir tanta emoção que não precisaria dizer uma só palavra.

Cabiria é uma prostituta que leva uma vida simples em sua casa de um quarto nos arredores de Roma na era pós-guerra. Um dia, quando ela passeia toda feliz com um namorado, às margens do Tibre, este a ataca a a joga no rio, fugindo em seguida com sua bolsa contendo 40.000 liras. Ela é salva por alguns garotos locais e, ao recobrar a consciência, corre para sua modesta casa sem querer aceitar a idéia de que seu namorado a tenha realmente roubado.

Ingênua, ela sonha com o amor perfeito e acredita na bondade das pessoas. Embora tenha seu mundo de fantasias, ela se apercebe da necessidade de voltar 'à vida' que a sustenta. Assim, ela volta à Via Veneto, onde os clientes são de uma melhor classe. Lá, ela presencia uma briga entre o ator de cinema italiano, Alberto Lazzari, e sua bela namorada.

Quando esta vai embora, ela é convidada a entrar no carro de Lazzari e, quando se dá conta, verifica que se encontra na mansão do ator. Em sua ingenuidade, ela logo pensa que ele vai passar a cuidar dela. Entretanto, pouco depois, a namorada de Lazzari chega à mansão e ela é obrigada a passar a noite trancada no banheiro, com o cachorro dele, olhando o casal através do buraco da fechadura.

No dia seguinte, ela se junta a um grupo de prostitutas e cafetões, numa romaria aos subúrbios de Roma, onde dizem que o rosto de Nossa Senhora tem aparecido. Depois, perambulando pelas ruas, ela vai ter a um show de variedades. Lá, é hipnotizada por um mágico que a faz acreditar que ela se encontra em companhia de um homem que a ama profundamente e que vai cuidar dela pro resto de sua vida. Entretanto, ao sair do estado de hipnose, é ridicularizada pelos presentes e se sente mais uma vez enganada.

Um dia, Cabíria conhece Oscar, um contador, que lhe declara amor com tanta veemência que ela não pode recusar seus avanços. Ele passa a cortejá-la de tal forma que ela se convence do seu verdadeiro amor. A ingênua Cabíria abre seu coração, contando-lhe todo o seu passado, depois do que ele lhe propõe casamento. Ela, então, vende tudo o que tem, inclusive sua casa, fecha sua conta bancária e pega um ônibus para se encontrar com Oscar. Os dois caminham através de um bosque, onde Oscar se transforma num outro homem, que a enganou apenas com o intuito de roubar tudo o que ela tinha.



Ao sair, sozinha, do bosque, ela caminha por uma estrada, completamente desolada e arruinada. Entretanto, quando um grupo de alegres adolescentes, a caminho de um festival, a encontram, vê-se um sorriso de esperança iluminar seu rosto, pois, acima de tudo, ela é uma eterna otimista. "

(fotos reprodução/sinopse 70 Anos de Cinema)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

ARDENCIA QUE CURA...

Material recebido via internet de fonte confiável, mas como sempre, nunca se sabe se corresponde à realidade. Por via das dúvidas, fica como registro ou curiosidade:

"Os benefícios da pimenta.

Quem coloca a pimenta no dia-a-dia está levando, além de tempero, uma série de medicamentos naturais: analgésico, antiinflamatório, xarope, vitaminas, benefícios que os povos primitivos descobriram há milhares de anos que agora estão sendo comprovados pela ciência. A pimenta do reino faz bem à saúde e seu consumo é essencial para quem tem enxaqueca. Essa afirmação pode cair como uma surpresa para muitas pessoas que, até hoje, acham que o condimento ardido deve ser evitado.

A pimenta traz consigo alguns mitos, como por exemplo o de que provoca gastrite, úlcera, pressão alta e até hemorróidas. Nada disso é verdade. Por incrível que pareça, as pesquisas científicas mostram justamente o oposto! A substância química que dá à pimenta o seu caráter ardido é exatamente aquela que possui as propriedades benéficas à saúde.

No caso da pimenta-do-reino, o nome da substância é piperina. Na pimenta vermelha, é a capsaicina. Surpresa! Elas provocam a liberação de endorfinas - verdadeiras morfinas internas, analgésicos naturais extremamente potentes que o nosso cérebro fabrica!

O mecanismo é simples: Assim que você ingere um alimento apimentado, a capsaicina ou a piperina ativam receptores sensíveis na língua e na boca. Esses receptores transmitem ao cérebro uma mensagem primitiva e genérica, de que a sua boca estaria pegando fogo. Tal informação, gera, imediatamente, uma resposta do cérebro no sentido de salvá-lo desse fogo: você começa a salivar, sua face transpira e seu nariz fica úmido, tudo isso no intuito de refrescá-lo.

Além disso, embora a pimenta não tenha provocado nenhum dano físico real, seu cérebro, enganado pela informação que sua boca estava pegando fogo, inicia, de pronto, a fabricação de endorfinas, que permanecem um bom tempo no seu organismo, provocando uma sensação de bem-estar, uma euforia, um tipo de barato, um estado alterado de consciência muito agradável, causado pelo verdadeiro banho de morfina interna do cérebro. E tudo isso sem nenhuma gota de álcool!

Quanto mais ardida a pimenta, mais endorfina é produzida! E quanto mais endorfina, menos dor e menos enxaqueca. E tem mais: as substâncias picantes das pimentas (capsaicina e piperina) melhoram a digestão, estimulando as secreções do estômago. Possuem efeito carminativo (antiflatulência) e estimulam a circulação no estômago, favorecendo a cicatrização de feridas (úlceras), desde que, é claro, outras medidas alimentares e de estilo de vida sejam aplicadas conjuntamente.

Existem cada vez mais estudos demonstrando a potente ação antioxidante (antienvelhecimento) da capsaicina e piperina. Pesquisadores do mundo todo não param de descobrir que a pimenta, tanto do gênero piper (pimenta-do-reino) como do capsicum (pimenta vermelha), tem qualidades farmacológicas importantes. Além dos princípios ativos capsaicina e piperina, o condimento é muito rico em vitaminas A, E e C, ácido fólico, zinco e potássio. Tem, por isso, fortes propriedades antioxidantes e protetores do DNA celular. Também contém bioflavonóides, pigmentos vegetais que previnem o câncer.

Graças a essas vantagens, a planta já está classificada como alimento funcional, o que significa que, além de seus nutrientes, possui componentes que promovem e preservam a saúde. Hoje ela é usada como matéria-prima para vários remédios que aliviam dores musculares e reumatismo, desordens gastrintestinais e na prevenção de arteriosclerose. Apesar disso, muitas pessoas ainda têm receio de consumi-la, pois acreditam que possa causar mais mal do que bem. Se você é uma delas, saiba que diversos estudos recentes têm revelado que a pimenta não é um veneno
nem mesmo para quem tem hemorróidas, gastrite ou hipertensão

DOENÇAS QUE A PIMENTA CURA E PREVINE

Baixa imunidade - A pimenta tem sido aplicada em diversas partes do mundo no combate à aids com resultados promissores.

Câncer - Pesquisas nos Estados Unidos apontam a capacidade da capsaicina de inibir o crescimento de células de tumor maligno na próstata, sem causar toxicidade. Outro grupo de cientistas tratou seres humanos portadores de tumores pancreáticos malignos com doses desse mesmo princípio ativo. Depois de algum tempo constataram que houve redução de 50% dos tumores, sem afetação das células pancreáticas saudáveis ou efeitos colaterais. Já em Taiwan os médicos observaram a morte de células cancerosas do esôfago.

Depressão - A ingestão da iguaria aumenta a liberação de noradrenalina e adrenalina, responsáveis pelo nosso estado de alerta, que está associado também à melhora do ânimo em pessoas deprimidas.

Enxaqueca- Provoca a liberação de endorfinas, analgésicos naturais potentes, que atenuam a dor.

Esquistossomose
- A cubebina, extraída de um tipo de pimenta asiática, foi usada em uma substância semi-sintética por cientistas da Universidade de Franca e da Universidade de São Paulo. Depois do tratamento (que tem baixa toxicidade e, por isso, é mais seguro), a doença em cobaias foi eliminada.

Feridas abertas - É anti-séptica, analgésica, cicatrizante e anti-hemorrágica quando o seu pó é colocado diretamente sobre a pele machucada.

Gripes e resfriados - Tanto para o tratamento quanto para a prevenção dessas doenças, é comum recomendar a ingestão de uma pequena pimenta malagueta por dia, como se fosse uma pílula.

Hemorróidas - A capsaicina tem poder cicatrizante e já existem remédios com pimenta para uso tópico.

Infecções - O alimento combate as bactérias, já que tem poder bacteriostático e bactericida, e não prejudica o sistema de defesa. Pelo contrário, até estimula a recuperação imunológica.

Males do coração - A pimenta caiena tem sido apontada como capaz de interromper um ataque cardíaco em 30 segundos. Ela contém componentes anticoagulantes que ajudam na desobstrução dos vasos sanguíneos e ativam a circulação arterial.

Obesidade - Consumida nas refeições, ela estimula o organismo a diminuir o apetite nas seguintes. Um estudo revelou que a pimenta derrete os estoques de energia acumulados em forma de gordura corporal. Além disso, aumenta a temperatura (termogênese) e, para dissipá-la, o organismo gasta mais calorias. As pesquisas indicam que cada grama queima 45 calorias.
Pressão alta - Como tem propriedades vasodilatadoras, ajuda a regularizar a pressão arterial.

A ser verdade, é muito bom, né?

(fotos/texto reprodução)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

"TERRA DOS HOMENS"

O escritor francês Antoine de Saint Exupéry é tido por muitos críticos brasileiros como um autor menor, discriminado talvez por sua mais conhecida obra, "O Pequeno Príncipe", alçado por conveniência ou ignorância como a leitura predileta das candidatas a miss (isso antigamente, pois atualmente tenho cá minhas dúvidas se as tais candidatas ao menos sabem ler...). Mas "Terra dos Homens", publicado originalmente em 1939, pode ser visto tanto como um livro de memórias como um profundo mergulho na alma humana.

Ali, Exupéry - filho de um conde francês - tanto descreve suas primeiras impressões e paixão pela aviação como também descarna a alma e sentimento humanos. Pioneiro da aviação comercial do início do século passado - onde também descreve essa sua experiência nos livros O Aviador (1926), Correio do Sul (1929) e Vôo Noturno (1931), falar sobre Saint Exupéry é sempre um prazer renovado, é como beber água cristalina de uma fonte inesgotável.

Em Terra dos Homens, o autor se revela filósofo de verve extensa, mergulhando o leitor na análise do Homem que precisa ser desvendado: "Não compreendo mais essas populações dos trens de subúrbio, esses homens que pensam quue são homens e que entretanto estão reduzidos por uma pressão que eles mesmos não sentem, como formigas, ao uso que deles se faz. Como eles enchem, quando estão livres, seus absurdos pequenos domingos? " (Página 127)

Ou, quando relata-nos a universalidade dos homens: "É preciso, para tentar distinguir o essencial, esquecer por um momento as divisões que, uma vez admitidas, arrastam todo um Alcorão de verdades intocáveis, e o fanatismo conseqüente. Podem-se classificar os homens em homens de direita e homens de esquerda, em corcundas e não corcundas, em fascistas e democratas, e essas distinções são inatacáveis. Mas a verdade é o que simplifica o mundo, e não o que gera o caos, pois a verdade é o que exprime o universal". Página 147.

Terra dos Homens, obra essencial do príncipe do deserto, é mais que necessária, é ainda atual e se insere bem nos dias conturbados que vivemos. Mais que um escritor citado por alguma miss encantada com O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint Exupéry é um poeta que desvenda o Homem e suas vicissitudes, um escritor que relata com apuro poético o invólucro da alma humana.

(fotos reprodução/excerto SHVOONG.com)


domingo, 11 de setembro de 2011

O MEU 11 DE SETEMBRO...

Ok, hoje fazem exatos dez anos do atentado ao World Trade Center, episódio mundialmente conhecido como o "11 de setembro" e que mudou as relações entre os países de Oriente e Ocidente e a ordem mundial desde então.

Eu estava lá, digo, nos EUA, mais precisamente morando em Savannah, estado da Geórgia, e trabalhava na época na fábrica de jatos corporativos Gulfstream. Reproduzo abaixo o que escrevi nos "Diários do Auto Exilio" sobre aquela ocasião:

"É terça feira, cerca de umas onze horas da manhã, hora local. Saio do banho e começo a me arrumar para ir à companhia. Estou decidido, hoje peço demissão, não tem acordo. Ligo a televisão baixinho enquanto me visto e a imagem que vejo apavora: um avião se choca contra a Torre do World Trade Center em Nova Iorque. Catso, que terrível acidente, penso eu...! Segundos depois outro avião explode em chamas contra outra torre ! PQP, não pode ser acidente, coincidência demais, mesmo por que ali não é rota de aviões comerciais....!

Aumento o volume e não consigo entender direito a voz embargada do apresentador da CNN, mas deu para depreender que falava da possibilidade de um ataque terrorista contra a América. As imagens se repetem várias vezes, me deixando atordoado. O telefone toca, é Rita minha prima me ligando de Boca Ratón dando conta da tragédia. Na TV as torres ardem em fumaça e fogo. Agora imagens terríveis de gente que se lançou do alto em completo desespero, a polícia isolando a área, populares correndo feito baratas tontas, enquanto pedaços de material incandescente caem do céu.

Poeira, fumaça negra, gritos, ordens lançadas a esmo. Imagens tremidas de cinegrafistas e repórteres assustados com a amplidão da tragédia. Duas horas depois as torres caem por terra. Rostos desesperados em choro convulsivo, ainda incrédulos com o ocorrido, enquanto repórteres entram a todo momento ao vivo, dando conta do drama pessoal de cada um.

O impossível acontecera, a poderosa América está sob ataque e no seu próprio solo! Mas, a rigor, também não deveria ser assim tão novidade. Semanas atrás o país ficara em estado de alerta com inúmeras cartas contendo Anthrax sendo enviadas a alguns congressistas, o que podia ser entendido como a primeira tentativa de uma ação terrorista, mas jamais provada.

Fico ali um bom tempo parado tentando compreender as conseqüencias deste ataque, mas é terrivelmente recente, não dá para avaliar nada. No momento, tudo é especulação. Tento ligar para a companhia, o telefone não atende. Resolvo ir até lá e o que vejo são ruas quase desertas, lojas de porta fechadas e muitas casas já hasteiam a bandeira americana e a confederada (aquela vermelha com um X em azul e treze estrelas).

Há uma sensação de perda e incredulidade no rosto das poucas pessoas que cruzo no caminho. Ligo o rádio e o inevitável hino americano, o Star Spangled Banner,está lá tocado a plenos pulmões enquanto o locutor vocifera e conclama a população a uma vigília patriótica.

E como sempre, como sói acontecer por essas bandas, começa o movimento para arrecadação de donativos (em espécie, por favor...) e montagens de fundos para atendimento das vítimas do ataque ao World Trade Center. O que me espanta nessas horas é a imensa capacidade de organização e a adesão em massa do povo americano frente às tragédias domésticas.

Sou parado duas vezes em barreiras militares no acesso à pista do aeroporto, mas logo liberado.
A companhia se encontra fechada, pelo menos nos hangares; na porta, bandeiras hasteadas a meio pau em sinal de luto. Digito o código de entrada no teclado exterior da porta e me dirijo ao Human Resources. A mocinha encarregada está aos prantos, olhos vermelhos pregados na TV. Solicito um formulário de pedido de demissão e ela me olha como seu eu fosse um monstro insensível diante de situação de tal gravidade.

Dou tratos à bola, preencho meu formulário e peço que ela registre a entrada. Com furor nos olhos ela pela minha patente insensibilidade, recebe e autentica o papel, esperando algum gesto ou palavra de solidariedade. Faço de conta que não é comigo, dou meia volta, pego meu carro e me mando. Regressando para casa é que me dou conta que acabara de testemunhar um dos piores fatos da história ocidental recente. Olhando para fora pela janela do carro, excetuando pelo pouco movimento, o dia parece seguir na sua normalidade.

Pura ilusão. Eu acabara de ver a mais poderosa nação da terra mergulhada no terror, perdida, aparvalhada. Um gigante amendrontado e de joelhos. E, a partir daí, o mundo não seria mais o mesmo..."

(Foto reprodução)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

'GRACIAS A LA VIDA...'



Certas coisas não precisam de explicação, falam por si mesmas. Roman Amphitheatre. Xantem, Alemanha, 5 de junho de 1988. No palco, duas lendas vivas: a argentina Mercedes Sosa e a americana Joan Baez - expressão máxima da canção de protesto americana dos anos 60. A música, "Gracias a la Vida", criação imortal da chilena Violeta Parra e uma de minhas favoritas de todos os tempos.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

QUEM SE LEMBRA DE....

... Maria Schneider ?

Em 1972, um drama romântico italiano dirigido por Bernardo Bertolucci explodiu nas telas e gerou a maior polêmica cinematográfica da época.

O "Último Tango em Paris" abordava o relacionamento doentio e altamente sexual entre um viúvo de meia idade (Marlon Brando, magnífico) e uma jovem parisiense Jeanne, interpretada pela estrela francesa em ascensão Maria Schneider, onde o ápice se configurava numa cena de sodomia com o uso providencial de um tablete de manteiga.

Proibido em vários países pela alta carga emocional e sexual, o filme serviu para catapultar internacionalmente o nome e o rostinho cândido de Maria Schneider, logo elevada ao posto de novo sex-symbol da década. Apesar do sucesso mundial imediato, o papel no filme "Último Tango em Paris" trouxe mais dissabores pessoais do que reconhecimento.

Perseguida nas ruas, alvo de insultos por toda parte por uma burguesia hipócrita e raivosa, mais tarde Maria Schneider revelou que a tal cena fora idéia de Marlon Brando que a convencera que "era apenas mais uma cena de filme" mas na qual ele atuara de verdade, provocando-lhe lágrimas e dores reais.



Após o filme, Maria Schneider mergulhou pesado no mundos das drogas e em 1974 declarou-se bissexual, chegando a abandonar o set de filmagem de Calígula para se internar de vontade própria num sanatório para doentes mentais em Roma para estar perto de sua namorada da época, a fotógrafa Joan Townsend.

O restante dos anos 70 Maria Schneider atravessou em crises de overdose e uma tentativa de suicídio. Mas no início da década de 80 encontrou alguém - que ela nunca revelou ser homem ou mulher - que lhe trouxe paz e serenidade. Apesar dos anos turbulentos, Maria Schneider atuou em mais de 50 filmes e produções para TV entre 1969 e 2008. Foi também uma ferrenha defensora dos papéis femininos no cinema, principalmente para atrizes acima de 40 anos.

Por muitos anos foi vice presidente da La Roue Tourne, uma entidade assistencial voltada para antigos atores/atrizes franceses desempregados. Foi condecorada em julho de 2010 com a medalaha de Chevalier, Orde des Arts e des Lettres pelo Ministro da Cultura e Comunicação da França, Frédéric Mitterand, que fora seu protagonista no filme de Jacques Rivette Merry-Go-Round, lançado em 1977.

Maria Schneider morreu de câncer em 3 de fevereiro de 2011. Tinha 58 anos e suas cinzas foram espalhadas aos pés da Rock of the Virgin, em Biarritz, conforme sua vontade.

(foto reprodução)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

DISCOTECA BÁSICA....

Dèjá Vu - Crosby, Stills, Nash and Young

"O casamento de Crosby, Stills, Nash and Young ocorre no final de 1969 após terem se divorciado de outras bandas. A princípio a banda surgiu como um trio formado por David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash.

Mas em 1969 o grupo desejou ter um quarto integrante e a primeira escolha John Sebastian do Loving Spoonful, recusou o convite. Neil Young foi escolhido para ocupar o lugar antes oferecido a Sebastian e a tempo de participar do maior de festival de rock de todos os tempos, o Woodstock.

O quarteto é conhecido por seus arranjos vocais contrastantes, letras bem elaboradas, estilo musical que varia entre o folk e pop melódico e relação de amor e ódio entre seus integrantes. Desde seu surgimento a banda já se separou mais de três vezes, mas Crosby, Stills, Nash e Young sempre voltaram a tocar juntos, tanto é que estão em turnê até os dias de hoje, mas neste caso, sem a presença de Neil Young.

David Crosby
Em 1964 Crosby (filho do astro americano da canção Bing Crosby) juntou-se à banda The Byrds e com eles esteve durante seus maiores sucessos, como “Turn, Turn, Turn” e “Mr. Tambourine Man” . Em 1967, após ter sua canção recusada pelo líder da banda, Roger McGuinn, David deixou o grupo. Durante o tempo em que ficou ausente dos palcos produziu o primeiro álbum de Joni Mitchell e nele consta uma música de sua autoria intitulada “Woodstock” que mais tarde seria regravada pelo CSNY.

Em 1971 após a primeira separação do quarteto lançou um disco solo chamado “If I could only remember my name” . O músico tinha sérios problemas com drogas e em 1985 foi encontrado em posse de cocaína e uma arma. Ficou nove meses na prisão após ter cumprido programa de reabilitação, dessa forma livrou-se de cinco anos de cadeia. No mesmo ano foi convidado a participar do Live Aid junto de seus parceiros musicais e recebeu liberação da justiça para fazê-lo. Seu envolvimento com drogas o levou a um transplante de fígado no ano de 1994. David Crosby tem três álbuns gravados com seu filho.

Stephen Stills
Stills foi guitarrista do Bufallo Springfield até 1968, ano em que a banda terminou. Logo após juntou-se a Crosby e os dois passaram a fazer jam sessions, iniciando o que mais tarde se tornaria um quarteto. Em 1971, durante carreira solo, teve sua canção “Love the one you’re with” na quarta posição da parada musical americana. E após um dos vários retornos do Crosby, Stills, Nash and Young o músico foi responsável por quase 100% do disco muito aclamado pelos críticos “Looking Foward” , de 1999.

Graham Nash
Nash, ex integrante do The Hollies, foi o terceiro a integrar o CSNY e deixou sua primeira banda por ter sua canção “Marrakesh Express” recusada. Como integrante do Crosby, Stills and Nash pôde gravar sua composição que se tornou o primeiro sucesso da banda, seguido por “Suite: Judy Blue Eyes” , escrita por Stills. Após a primeira separação do quarteto, Nash e Crosby lançaram um álbum juntos e seguiram em turnê durante o início dos anos 70.

Neil Young
Young também foi integrante do Bufallo Springfield porém saiu da banda em 1967 durante o Festival Pop de Monterey. E enquanto estava seguindo carreira solo foi convidado por Crosby para integrar o que agora se tornaria um quarteto. Neil Young contribuiu com o grupo com canções como “Ohio” que surgiu após a Guarda Nacional dos Estados Unidos ter matado a tiros quatro estudantes que estavam em manifesto contra a guerra. Junto de Stills lançou um álbum, “Long May you run” no ano de 1976, porém deixou Stills durante a turnê no mesmo ano. Nos anos 90, Neil Young foi consagrado o “deus do grunge” por bandas famosas no cenário musical da época, como o ainda ativo Pearl Jam.


Deja Vu – 1970

Depois do grande sucesso obtido no primeiro álbum, (Crosby, Stiils & Nash, de 1969) a expectativa dos fãs e críticos era grande diante do lançamento do segundo disco do grupo, que agora tem a integração de Neil Young (ou seja, primeiro disco como quarteto). As gravações ocorreram em dois meses e segundo Nash “800 horas de estúdio”. Talvez esta afirmação seja exagerada, mas tantos detalhes não teriam sido elaborados em menos tempo. Alguns disseram notar a influência da banda Buffalo Springfield, mas não é de se espantar , afinal dois integrantes do grupo são oriundos do Buffalo. O disco alcançou o primeiro lugar nas paradas americanas e três grandes sucessos: “Teach your children” , “Our house” e “Woodstock” .

(foto reprodução/pesquisa de texto Wikipedia)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

DITOS CHISTOSOS...(*)

Sou fã incondicional da frase de efeito que, quando colocadas no momento e de maneira apropriada, podem vir carregadas com uma carga letal de humor, ironia ou crítica.

Ao longo dos anos tenho colecionado várias, inclusive as utilizo com alguma freqüencia, dependendo do local e do interlocutor, pois a idéia é divertir procurando ser espirituoso e não partir para a ofensa.
Aqui vão algumas, pinçadas a esmo e de memória:

"O whisky é o melhor amigo do homem. O whisky é o cachorro engarrafado".
(Vinicius de Moraes)

"Se me derem o supérfluo, dispenso o essencial"

(Oscar Wilde, o mestre da frase de efeito)

"Uma mulher me levou à bebida. E eu nem tive tempo de agradecê-la"

(W.C. Fields, ator americano e alcóolatra incorrigível)

"Se não fosse as azeitonas de seu martini, já teria morrido de inanição há muito tempo"
(Mae West, atriz, a respeito de W.C. Fields)

"Um homem que não gosta de crianças e animais, não pode ser de todo mau..."
(W.C. Fields)

"Nunca se esqueça de perdoar seus inimigos. Nada os aborrece tanto..."
(
Oscar Wilde
)

"A fé é a crença ilógica na ocorrência do improvável..."
(
H.L. Mencken, jornalista e iconoclasta americano)

"Antes à tarde do que nunca..
."
(Zózimo Barroso do Amaral, colunista social, a respeito das infidelidades vespertinas)

"
Chato é aquele cidadão que te priva da solidão, sem te fazer companhia..."
(Anônimo)

"Meus pais quando se casaram eram duas crianças. Ele tinha 18 anos, ela 16 e eu três"

(Billie Holliday, na abertura de sua autobiografia.)

"Desculpe, mamãe. Irei no próximo..."
(
Liza Minelli desculpando-se com a mãe, Judy Garland, por faltar a um de seus casamentos)

(*) Postado originalmente no www.comparsasdoblog.blogspot.com

segunda-feira, 18 de julho de 2011

SABOROSA DISPUTA....

O Pisco Sour

O Pisco Sour (pronuncia-se "sáuer") é o mais tradicional drinque peruano, muito embora sua origem seja também requisitada pelo Chile. É uma verdadeira instituição nacional, assim como a caipirinha no Brasil.

Sua origem, e motivo da disputa com o Chile segundo alguns estudiosos da matéria, remonta ao século 16 quando os espanhóis introduziram os primeiros vinhedos no Peru. No século seguinte, o rei de Espanha proibiu a produção de vinho nas suas colônias, o que forçou os peruanos a buscar outra fonte de álcool derivado da uva.

A primeira aparição de algo parecido com o atual Pisco Sour se deu na Plaza de Toros de Acho, em Lima, durante o século XVIII no vice-reinado do Peru. mas nessa época a beberagem era misturada com limões e recebia o nome de Punche (versão espanhola para o inglês Punch).

Segundo alguns pesquisadores, o drinque nasceu no Morris Bar em Lima, por volta do início do século XX. Seu criador teria sido Victor Vaughn Morris, bartender e proprietário do bar. Natural de Berkeley, na Califórnia, ele teria criado o coquetel como uma variação do Whisky Sour. Por volta de 1930, o coquetel adquirira tal popularidade que era encontrado com facilidade até nos bares do Norte da Califórnia, devido ao Morri´s Bar ter sido um ponto de encontro regular para cidadãos de língua inglesa, que ajudaram a disseminar a bebida mundo afora.

Outra versão, essa bem menos difundida, dá conta de um tal Elliot Stubb, comissário inglês de um navio a vela de nome Sunshine, que desembarcou no porto de Iquique em 1872, cidade que anteriormente pertencera ao Chile. Ali, Stubb estabeleceu um bar onde criou vários aperitivos e drinques, entre eles o Pisco Sour.

Mas, pendengas e polêmicas à parte, o que é este tal de Pisco Sour, considerado um dos drinques clássicos do universo masculino? Nada mais que uma perfeita e bem balanceada mistura de pisco (aguardente de uva), xarope de açúcar, clara de ovo, suco de limão e algumas gotas de angostura (que dá o sabor amargo, ou o sour que nomeia o coquetel...). Vamos à receita mais comum:

Ingredientes:
1 dose de suco de limão
1 dose xarope de açúcar
3 doses de pisco
1/2 clara de ovo
Gelo, o quanto baste
3 a 4 quatro gotas de angostura

Como fazer:
Num liquidificador coloque todos os ingredientes e bata até o gelo se dissolver por completo. Sirva num copo gelado e finalize com as gotas de angostura.

Salute...!

(foto reprodução)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

MULHERES, "SALVEM OS HOMENS ! "...

O texto abaixo me foi encaminhado como de autoria da atriz Fernanda Montenegro, uma das glórias deste país do teatro, cinema e TV. Não sei se procede a origem, mas como é muito bem elaborado e transborda de perspicácia e inteligência, não há por que não passá-lo adiante:

"O modo de vida, os novos costumes, e o desrespeito à natureza tem afetado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está o macho da espécie humana. Tive apenas um exemplar em casa que mantive com muito zelo e dedicação, num casamento que durou 56 anos de muito amor e companheirismo (1952-2008) mas, na verdade, acredito que era ele quem também me mantinha firme no relacionamento.

Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha "Salvem os homens!". Tomem aqui meus poucos conhecimentos em fisiologia da masculinidade a fim de que preservemos os raros e poucos exemplares que ainda restam:

1 - Habitat
Homem não pode ser mantido em cativeiro. Se for engaiolado, fugirá ou morrerá por dentro. Não há corrente que os prenda e os que se submetem à jaula perdem o seu DNA. Você jamais terá a posse ou a propriedade de um homem, o que vai prendê-lo a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente, com dedicação, atenção, carinho e amor.

2. Alimentação correta
Ninguém vive de vento. Homem vive de carinho, comida e bebida. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ele não receber de você vai pegar de outra. Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã os mantêm viçosos, felizes e realizados durante todo o dia. Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não o deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial. Portanto não se faça de dondoca preguiçosa e fresca. Homem não gosta disso. Ele precisa de companheira autêntica, forte e resolutiva.

3. Carinho
Também faz parte de seu cardápio – homem mal tratado fica vulnerável a rapidamente interessar-se na rua por quem o trata melhor. Se você quer ter a dedicação de um companheiro completo, trate-o muito bem, caso contrário outra o fará e você só saberá quando não houver mais volta.

4. Respeite a natureza.
Você não suporta trabalho em casa? Cerveja? Futebol? Pescaria? Amigos? Liberdade? Carros? Case-se com uma Mulher. Homens são folgados. Desarrumam tudo. São durões. Não gostam de telefones. Odeiam discutir a relação. Odeiam shoppings. Enfim, se quiser viver com um homem, prepare-se para isso.

5. Não anule sua origem.
O homem sempre foi o macho provedor da família, portanto é típico valorizar negócios, trabalho, dinheiro, finanças, investimentos, empreendimentos. Entenda tudo isso e apóie.

6.Cérebro masculino não é um mito.

Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino, mas não gostam de mulheres burras. Por isso, procuram aquelas que fingem não "possuí-lo" (e algumas realmente não possuem! Também, 7 bilhões de neurônios a menos!). Então, agüente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objeto de decoração. Se você se cansou de colecionar amigos gays e homossexuais delicados, tente se relacionar com um homem de verdade.

Alguns vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você. Não fuja desses, aprenda com eles e cresça. E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com as mulheres, a inteligência não funciona como repelente para os homens. Não faça sombra sobre ele...Se você quiser ser uma grande mulher tenha um grande homem ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ele brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ele estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.

Aceite: homens também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar. A mulher sábia alimenta os potenciais do parceiro e os utiliza para motivar os próprios. Ela sabe que, preservando e cultivando o seu homem, ela estará salvando a si mesma.E minha amiga, se você acha que homem dá muito trabalho, case-se com uma mulher e aí você vai ver o que é mau humor!

Só tem homem bom quem sabe fazê-lo ser bom!Eu fiz a minha parte, por isso meu casamento foi muito bom e consegui fazer o Fernando muito feliz até o último momento que um enfisema que o levou de mim. Eu fui uma grande mulher ao lado dele, sempre.

Com carinho,Fernanda Montenegro."

Ah, grande Fernanda ...! Se TODAS fossem iguais a você...!

(foto e texto reprodução)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

ETERNAMENTE LA CARDINALE...

Claude Joséphine Rose Cardinale nasceu em abril de 1938 na Tunísia italiana, filha de mãe tunisiana e pai italiano. Em 1957, venceu um concurso de beleza instituído pela embaixada italiana, cujo prêmio incluía uma passagem para o Festival de Cinema de Veneza. Ali atraiu a atenção dos produtores italianos pelos seus traços refinados, logo recebendo convites para estrear no cinema.

Seu primeiro filme foi Goha, produção franco-tunisiana ainda em 1957. Após frequentar por dois meses o Centro Sperimentale di Cinematografia di Roma, ela assinou um contrato de sete anos com o Vides Studio. E seu primeiro sucesso internacional foi I Soliti Ignoti, em 1958. Daí passou a ter sua carreira gerenciada pelo produtor Franco Cristaldi, com quem esteve casada de 1966 a 1975.

Por toda a década de 1960, Claudia Cardinale esteve presente nos principais e mais aclamados filmes italianos e europeus como Rocco e Seus Irmãos (1960) e O Leopardo (1963), ambos de Luchino Visconti, Cartouche (Phillipe de Broca, 1963), Oito e Meio (Fellini, 19630 e até o faroeste épico Era Uma Vez no Oeste, de Sergo Leone, de 1968.

Uma coisa interessante é que no seus primeiros filmes Claudia Cardinale era dublada por outras atrizes, devido ao tom grave de sua voz - o que se tornaria mais tarde uma de suas características mais pessoais - e por não falar italiano, somente árabe, francês e um dialeto siciliano, herdado de seu pai.

Apesar do sucesso europeu, Claudia Cardinale se aventurou pouco no cinema americano. Sua lista de maiores sucessos em Hollywood incluem A Pantera Cor de Rosa (1964), Circus World (1964),e The Hell With Heroes (1968). Atuou em mais filmes de qualidade que as atrizes suass contemporâneas.



Algumas das suas atuações consideradas memoráveis são Vagas Estrela da Ursa Maior, de Visconti, onde interpreta uma sobrevivente do Holocausto judeu que desenvolve uma relação incestuosa com o irmão ou em La Storia, de Luigi Comencini com a sua interpretação de uma viúva durante a Segunda Guerra Mundial. Além desses filmes, podemos citar também La ragazza con la valigia de Valerio Lurzini e Libera de Mauro Bolognini.

Claudia Cardinale permaneceu ativa no cinema europeu até o final dos anos 80, seus últimos filmes incluem Qui comincia l'avventura (1975), Fitzcarraldo (1982), La Storia (1985) e Un homme amoureux (1987).

(fotos reprodução)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

ADEUS A BILLY BLANCO...

Quase passei batido na despedida ao grande Billy Blanco, que faleceu nesta última sexta feira no Rio de Janeiro, aos 87 anos de idade. Natural de Belém do Pará, onde nasceu em 8 de maio de 1924, William Blanco de Abrunhosa Trindade desde cedo se interessou pela música e quando começou a compor seus sambas se destacavam pelas letras elaboradas e, ao contrário da tendência na época, pela crônica social.

No final dos anos 40 mudou-se para São Paulo a fim de cursar Arquitetura no Mackenzie College, daí transferindo-se em 1948 para a Faculdade de Arquitetura e Belas Artes do Rio de Janeiro, onde acabou se graduando em 1950.

Na música, tinha um estilo próprio onde seus sambas sincopados descreviam o mundo à sua volta com muito humor, ou falando de amores e desilusões. Sua primeira composição conhecida foi "Pra Variar" e nos anos 50 e 60 seus sucessos foram gravados por Dick Farney, Lúcio Alves, João Gilberto, Dolores Duran, Silvio Caldas, Nora Ney, Jamelão, Elizeth Cardoso, Dóris Monteiro, Os Cariocas, Pery Ribeiro, Miltinho, Elis Regina e Hebe Camargo, entre outros. Seu primeiro sucesso foi "Estatutos da Gafieira", na voz de Inesita Barroso, em gravação da RCA Victor de 1954.

Entre seus parceiros estiveram Baden Powell em "Samba Triste", Tom Jobim em "Sinfonia do Rio de Janeiro" (suíte popular em ritmo de samba, de 1960) e João Gilberto em "Descendo o Morro" e "A Montanha/O Morro", onde os dois doutores do asfalto homenageiam o samba de gente simples e de favela. Foram 56 parcerias com o violonista Sebastião Tapajós e com outros compositores, num total de quinhentas músicas, sendo que trezentas já gravadas.

Jards Macalé interpreta "Pistom de gafieira", composição de Billy Blanco.

Entre seus sucessos destacam-se "Sinfonia Paulistana", "Tereza da Praia", "O Morro", "Estatuto da Gafieira", "Mocinho Bonito", "Samba Triste", "Viva meu Samba", "Samba de Morro", "Pra Variar", "Sinfonia do Rio de Janeiro" e "Canto Livre". "Sinfonia do Rio de Janeiro" é composta por dez canções, escritas em parceria com Tom Jobim, em 1960. As canções que formam a suíte são "Hino ao Sol", "Coisas do Dia", "Matei-me no Trabalho", "Zona Sul", "Arpoador", "Noites do Rio", "A Montanha", "O Morro", "Descendo o Morro" e "Samba do Amanhã".

Estava em plena atividade dedicando-se a música gospel, até sofrer um derrame e ser internado no Rio de Janeiro no segundo semestre de 2010. Apesar do quadro estável, em dezembro ainda não conseguia se comunicar oralmente. Em 8 de julho de 2011 o cantor e compositor morreu, aos 87 anos. Ele estava internado no Hospital Panamericano, na Tijuca, desde o AVC.

(Pesquisa Wikipedia/Fotos reprodução

quinta-feira, 7 de julho de 2011

VOZES DA PAULICEIA DESVAIRADA...

Sempre tive uma cisma quando críticos e jornalistas elegiam o samba de sotaque italianado de Adoniram Barbosa com o porta voz do samba paulista. Nada contra a obra do grande Adoniram, que compôs pérolas do nosso cancioneiro popular. Como não se emocionar com "Saudosa Maloca", "Trem das Onze" e "Iracema", esta última, de longe, a minha favorita ?

Mas quando se fala em samba de Sáo Paulo, minha predileção cai sobre Germano Mathias, o malandro bom caráter e de bom humor insuperável.

Nascido no bairro do Pari (SP) em junho de 1934 de pai carioca e mãe paulistana, cedo se envolveu em rodas de samba com os engraxates da Praça da República, Pça. João Mendes, Clóvis Bevilacqua e Rua Direita, onde aprendeu a se acompanhar tocando numa tampa de lata de graxa, o que se tornaria sua marca registrada por toda sua carreira.

Aos 18 anos, foi servir o Exército no quartel de Artilharia Antiaérea em Quitaúna em Osasco, onde sob o apelido de "Madureira" foi companheiro de Rolando Boldrin. Em 1951, já pertencia á Escola de Samba Rosas negras, onde tocava frigideira na bateria, logo sdepois se transferindo para a Escola de Samba Lavapés.

Apesar da voz fina e de pouca extensão, destacou-se num programa de calouros na antiga Rádio Tupi, onde foi contratado em 1955. Seu estilo diferente de cantar os sambas de maneira sincopada o fez destacar-se a ponto de gravar seu primeiro disco em 1956, onde a música "Minha nega na janela" se converteu no seu primeiro sucesso. Seu primeiro LP foi gravado no ano seguinte, 1957, sob o título "Germano Mathias, o sambista diferente". Um de seus maiores sucessos foi "Guarde a Sandália Dela", parceria com o sambista Sereno, em 1958.



Trabalhou na TV - gravou um dos primerios jingles da Kellog´s - e no cinema trabalhou nos filmes "o Preço da vitória" e "Quem Roubou o Meu Samba". Seus principais discos e sucesso foram na década de 1950 e 1960, quando se transformou num dos principais intérpretes do sambista carioca Zé Kéti.

Em 2005, completou 50 anos de carreira e até hoje, aos 77 anos, continua participando de shows e programas de TV como um dos baluartes do samba brasileiro. Evoé, Germano Mathias...!

(fotos reprodução)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

CRUZANDO OS EUA...(FINAL)

Acordamos cedo no domingo aos primeiros albores do sol, depois de nossa segunda e última noite de "feliz convívio". A paisagem que nos cerca, apesar de desolada é deslumbrante. Pela janela da Camper, enquanto tomamos nosso breakfast, divisamos o famoso Painted Desert, o deserto pintado.

Suas incríveis combinações de cinza, vermelho, rosa e laranja pintam incríveis telas naturais que se estendem desde Flagstaff até aqui, num percurso de cerca de 250 km de pura beleza natural, incluindo aí a não menos famosa Petrified Forest (Floresta Petrificada). Pena que não terei tempo para admirar este belo espetáculo natural pois o tempo urge e tenho que me por em campo.

Me despeço de Louise com um grande abraço e ternura, fora uma grande companheira de viagem. Ela então me oferta como lembrança de nosso breve interlúdio um cartãozinho com uma simpática mensagem e uma nota de 100 dólares para auxiliar nas despesas de viagem. Nada mais americano. Meu estado de penúria financeira não passara despercebido pela atenta Louise. Engulo o orgulho latino e aceito o agrado, a hora não é propícia para alimentar ego ferido ou cultivar amor próprio, a necessidade aqui fala mais alto.

Assim, por volta das nove da manhã, reabasteço novamente (19 dólares) e compro minha provisão de viagem do dia, uns saquinhos de batatas fritas e água, o que com o reforço de caixa doado pela Louise eleva minhas reservas agora a 142 dólares. Nada mal, na minha previsão reabasteço em Phoenix e ainda me restarão uns 100 dólares para passar a primeira semana. Com muito aperto vai dar, penso eu...

Mas comemorei cedo demais. Uns cento e cinquenta quilômetros depois, logo após passar Winslow, a luz do óleo se acende bruscamente junto com um forte cheiro de óleo queimado. Desligo imediatamente o motor e estaciono à margem da estrada. Dou uma checada e vejo a imensa mancha de óleo se formando debaixo do motor, confirmando as minhas piores suspeitas: a bomba de óleo fora para o saco! O valente Mazda que me trouxera até ali com galhardia, me deixava na mão pela primeira vez....

Quase entro em desespero, tão próximo do destino e isto me ocorre praticamente no meio do nada! Poucos tempo depois passa um carro da Police Patrol que via rádio me arranja um reboque até o vilarejo mais próximo. Em meia hora aparece uma caminhonete dirigida por um velho índio que me leva até um vilarejo chamado Leupp Corner, nas imediações da reserva índia Navajo. Sou deixado na porta de uma velha oficina de madeira, junto a um antigo posto de gasolina. O reboque me custou quarenta dólares, o que me deixa com míseros 102 para tentar resolver o problema.

Se eu procurava uma aventura na Historic Route 66 para contar aos meus netos, não haveria ocasião mais propícia! Um caipira enfiado num velho e sujo macacão jeans e mascando tabaco que se diz mecânico dá uma espiada, coça a cabeça, e valoriza o serviço dizendo que será difícil conseguir a tal bomba naquelas paragens. É domingo e teremos que aguardar as casa de peças abrirem em Wislow, o local mais próximo.

Impossível, penso com meus botões, tenho que estar segunda de manhã em Tucson, senão perco o emprego! Mas o caipira se mostra muito calmo e irredutível, solução à vista só amanhã. Ligar para meus parentes em Greenville é inútil, não falam inglês e conseguir uma money order (ordem e pagamento) no domingo é impraticável. Que situação a minha...! As horas começam a passar e com elas aumenta meu desespero.Tento me acalmar e uma idéia me vem à cabeça.

Leupp Corner é pouco mais que um entreposto comercial da reserva Navajo e com a quantidade de carros velhos dos índios é impossível que não tenha um ferro velho por aqui. Dou uma caminhada pelos arredores e - touché - numa viela paralela encontro um junkyard. E o coração acelera ainda mais quando diviso um Mazda 1989 enferrujado. Minha esperança é que tenham uma bomba de óleo em boas condições e que sirva no meu carro, modelo 1992.

Bato à porta da casinhola em estilo pueblo e um jovem mestiço me atende. Sim, milagrosamente tem a tal bomba de óleo que me custa 40 dólares, um roubo, mas é o preço da solução do problema naquelas circunstâncias. Minha fortuna pessoal se reduz a 62 doletas.Volto lépido e fagueiro à oficina do caipira que nessas horas já está tomando umas cervejas no bar do posto de gasolina. A muito custo consigo convencê-lo a instalar a bomba, o que ele faz com muita má vontade.

Funcionou à perfeição, depois de uma hora e meia de trabalho. Já são quase duas horas da tarde e o problema agora é acertar o preço da mão de obra. O caipira insiste em me cobrar 90 dólares, dinheiro que não tenho, mas não deixei de observar seus olhares cobiçosos para minhas duas lixadeiras que jazem na minha caixa de ferramentas no porta malas. O malandro tenta endurecer o jogo já tentando me grampear as lixadeiras.

Sem chegarmos a um acordo quanto ao preço, ele resolve ligar para a polícia e lá vem o mesmo policial que me socorrera na estrada. Explico a situação, ele intermedia a negociação muito a contra gosto do caipira e fechamos em 50 dólares, o que me deixa de saldo míseros 12 dólares no bolso para chegar em Tucson e sobreviver 15 dias!

Me arranco o mais rápido possível daquele buraco de exploradores dominicais, rumo à Flagstaff. Dali abandono a Interstate 40 e a malfadada Historic Route 66, meu rumo agora é puro sul pela I-17, 180 quilômetros até Phoenix e daí mais uns 140 pela I-10 até Tucson. Espero estar lá até as 10 da noite, a sorte é que aqui a luz do dia vai até umas 20:00 horas. O Mazda funciona redondo, vou matando a fome com pacotinhos de batatas fritas e água quente e lá por volta das cinco da tarde cruzo por Phoenix, a bela e seca capital do Arizona.

Paro logo depois num posto de gasolina e refaço minhas contas de consumo de combustível. Por segurança, abasteço com mais dez dólares e aí me restam somente dois na carteira. Acontece que no momento da saída sou interpelado por uma mulher de uns cinquenta anos, rosto crestado pelo sol, pele enrugada e os sinais inequívocos de chegada ao alcoolismo. Tem na mão quatro bilhetes de uma loteria tipo raspadinha e insiste que eu fique com eles por qualquer importância.

Tento me livrar da presença incômoda mas ela continua a insistir. Olho compadecido para aquele triste ser humano, destruído pelo vício. Puxo os meus dois últimos dois dólares- que não me adiantariam de mais nada naquela conjuntura - e estendo para ela, que me oferece os bilhetes. Nunca acreditei em loterias, sorteios ou premiações, portanto recuso a oferta. Na pressa, e com medo talvez que eu mudasse de idéia, ela pega o dinheiro e joga os bilhetes no banco dianteiro do carro. Por via das dúvidas, meio por curiosidade e já que estavam ali mesmo, começo a raspar os bilhetes.

Pois no último, acredite quem quiser, acerto três números o que me dá direito a 150 dólares!. Tem gente que a sorte bate à porta e ele saiu para procurar emprego. Foi talvez este o caso daquela pobre mulher. Com o coração aos pulos, e dando graças à Providência Divina, troco o bilhete no bar do posto de gasolina e me mando rapidamente para Tucson.

Chego lá ás 21:30, noite fechada. Perco ainda uma boa hora procurando um lugar barato para ficar. Descubro um motel, um verdadeiro pardieiro em South Tucson, na beira da Interstate 19, a 120 dólares semanais. Mas para mim, depois de todo o sufoco, parece um palácio.

Me jogo morto de cansaço e fome no velho, encaroçado e sujo colchão e apago num sono profundo. Finalmente, cheguei. E amanhã é outro dia, a aventura ainda não havia chegado ao fim...

(foto reprodução)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

CRUZANDO OS EUA...(4)

Sábado, acordamos no final da manhã com o sol forte invadindo o interior da Camper. Foi só o tempo de fazer a higiene pessoal, engolir um rápido café e botar novamente os carros na estrada. Louise inicialmente planejava descer até Roswell, aquela cidadezinha perdida no sul do Novo México onde dizem que caiu um OVNI com alguns ocupantes alienígenas, em julho de 1947. Mas parece que a noite passada a fez mudar de planos e ela resolve seguir até o Arizona, onde pretende fotografar o Painted Desert (Deserto Pintado), um parque natural na região fronteiriça ao Novo México.

Temos então coisa de uns 600 km pela frente até a fronteira com o Arizona. Reabasteço o Mazda (US$ 1,61 o galão, um abuso!) e almoço um magro sanduíche frio acompanhado de um horroroso refrigerante chamado Mountain Dew, uma porcaria feita de essência de cereja. Minhas parcas finanças são então drenadas em mais 28 dólares, me deixando agora restrito a somente US$ 72. Uma ninharia, eu sei, mas é o que tenho.

Perdi ao skylane do Texas na noite passada mas não deve ser muito diferente do que vejo agora, grandes extensões de terra e finalmente gado pastando um capim ralo. À distância, pelos longos chifres, parecem ser Texas longhorn, a variedade que fez a fortuna dos barões do gado no final do século 19 e a fama do Velho Oeste.

Aqui e ali também bombas de petróleo, perfurando incessantemente o solo. Mais adiante, uma termoelétrica alimentada a diesel, com seus cones característicos encimados por eternas nuvens cativas da condensação do calor. Li em algum lugar que 82% da energia gerada nos EUA é feita por termoelétricas, 12% por usinas nucleares e somente 6% por hidrelétricas, o que explica em parte a tremenda dependência deste país do petróleo importado, apesar de ser um dos maiores produtores de óleo do mundo !

Avançamos tarde adentro, ultrapassando Albuquerque e só aí me dei conta que desde o Oklahoma estávamos sobre o antigo leito da famosa Route 66, a estrada-mãe, ou aquilo que dela sobrou no que agora chamam de Historic Route 66. Construída em 1926, ligando Chicago a Los Angeles e com uma extensão total de 3.940 Km, cruzava os estados de Illinois, Missouri, Kansas, Oklahoma, Texas, Novo México, Arizona e Califórnia.

Esta era a principal rota leste-oeste e que durante os anos da Grande Depressão (1930) foi percorrida por milhares de famílias de agricultores, em busca de trabalho nos campos da Califórnia, vítimas do Dust Bowl, o que gerou até uma expressão, "okies", pois a maioria vinha do estado de Oklahoma.

Esta epopéia foi relatada pelo escritor John Steinbeck no seu livro "As Vinhas da Ira" de 1939, e celebrizada no cinema por Henry Fonda. A estrada também serviu de inspiração para uma longa série televisiva de grande sucesso nos anos 60 , Rota 66, interpretada pela dupla George Maharis e Martin Milner, que a percorriam a bordo de uma Corvette Stingray.

Mas não fui só eu que descobriu que estávamos na Route 66, Louise também. E aí começou o festival de paradas para fotografias, a compra de pequenas bugigangas de recordação, o que atrasava significativamente a viagem. O pior é que após Albuquerque nós entramos numa área de reservas indígenas, o que só complicou ainda mais minha programação pessoal. O fato é que somente chegamos na divisa do Arizona à uma da manhã de domingo, o que quase me levou ao desespero, pois ainda tinha uns bons 600 km até Tucson, meu destino final.

Por fim, acabamos dormindo mais uma vez numa rest area, desta vez em Sanders, às portas do famoso Painted Desert. Amanhã, daqui por diante, seria cada um para seu lado. Louise subiria em busca do Monument Valley em Utah, enquanto eu rumaria direto até Flagstaff e de lá para Phoenix e finalmente Tucson, se tudo corresse bem...

(fotos reprodução)

terça-feira, 28 de junho de 2011

CRUZANDO OS EUA....(3)

Apesar do susto e do imenso cansaço, acordei uma hora e meia depois com a Louise batendo no vidro da janela do Mazda. São cerca de sete e meia da noite, ainda muito claro, e em volta de nós o cenário é de completa desolação: postes quebrados, telhas de zinco, estilhaços de vidro, pedaços de madeira e destroços por todos os lados. Um clima de guerra, com carros de bombeiros, guindastes e guinchos trabalhando a todo vapor, felizmente sem vítimas fatais ou feridos graves.

Faço uma vistoria rigorosa no Mazda e miraculosamente tudo aparenta estar bem. Já na Camper da Louise algumas mossas na lataria da pick-up ficaram como lembranças do vendaval. Vamos então até a cafeteria do posto que funciona precariamente à luz de lampiões. Várias pessoas estão ali reunidas comentando os detalhes do ocorrido. Descobrimos então que estamos no coração do que aqui chamam de "tornado alley" (passagem de tornados, numa tradução livre), uma região meio difusa que sobe do Texas passa pelo centro de Oklahoma e vai se perder nos confins do Kansas e que o auge da estação dos tornados vai de maio a junho. Exatamente onde estamos, na mesma hora e canal!

Apesar da minha pressa - tenho que me apresentar na Bombardier na segunda de manhã - não há muito o que fazer. Temos que esperar o pessoal da Defesa Civil e as autoridades locais limparem a área até liberar como adequadas para o tráfego. Na beira da estrada já se alinha uma fila incalculável de carros e caminhões. Como não há muito o que fazer, aproveito para tomar um banho de água quente na Camper da Louise. Na seqüencia, compro algumas coisinhas na loja de conveniência e improviso para os dois uma massa à bolonhesa, a primeira refeição "decente" nos últimos dias. Ainda há tempo hábil para um pequeno cochilo no pequeno sofá da Camper enquanto Louise se arranja na cama maior.

Por volta das 21:00 horas, já noite fechada, finalmente liberam a estrada. Dou uma checada no Road Atlas e confiro que ainda faltam uns 250 Km até a fronteira do Texas, coisa que dá pra fazer numas três horas em condições normais. Resolvo viajar toda a noite, esperando já estar no Novo México quando chegar a manhã. É um plano meio arriscado com ameaças de outros tornados pelo caminho mas, mesmo a contragosto, Louise resolve me seguir.

Após reabastecermos a Camper, botamos novamente o pé na estrada. Vou fazendo contas, pois só me restam 90 dólares no bolso, descontando as últimas despesas. É só o suficiente para chegar a Tucson se nada de excepcional acontecer nos últimos 1.500 quilômetros da viagem. Como vou sobreviver nos próximos quinze dias é outra história.

Seguimos dentro da noite escura sem maiores sobressaltos somente parando próximo de Amarillo, Texas, para reabastecer a Camper que não faz mais de 400 quilômetros com um tanque de gasolina. Já no Mazda, vou economizando o máximo que posso, minha previsão de reabastecer é somente no Novo México. A viagem rende bem e por volta das quatro da manhã cruzamos o Texas, parando para dormir numa rest area próximo de Tucumcari, Novo México.

Para Louise, nova-iorquina de quatro costados, tudo aqui é wild and exciting, e ela resolve comemorar o fim da "grande aventura noturna" em grande estilo, abrindo uma garrafa de vinho, que divido com ela. Aí, ao longo do papo, o álcool começa a fazer efeito, lá vem as confidências, começam a surgir as fragilidades e vamos unindo nossas carências, desejos e medos e acontece o inevitável. Acabamos nos amando até com uma certa sofreguidão, descontando toda a apreensão e tensão represadas nas últimas horas. O sol nascia e terminamos por dormir abraçadinhos, como dois antigos namorados.

Lá fora o sábado amanhecia e a vida seguia seu curso normal...

(foto reprodução)

domingo, 26 de junho de 2011

CRUZANDO OS EUA...(2)

Acordei na manhã seguinte, quinta feira, já dia claro, após uma noite miserável no banco traseiro do carro. Na rest area (área de descanso) somente uma camionete Dodge Camper me faz companhia. Corro a fazer minhas abluções matinais no único banheiro disponível antes que os viajantes da Camper tomem conta do lugar. Mas, para minha surpresa, há somente um ocupante.

No caso, uma mulher que está às voltas com a bateria da camionete descarregada. Pelo jeito ela exagerou no aquecimento na noite passada e acabou com o restante tentando dar a partida. Vou em seu socorro, fazendo uma "chupeta" (não entendam mal, por favor...) utilizando os cabos corretos de bateria que tenho de reserva no Mazda . Funcionou muito bem e, por garantia, saímos juntos da rest area até o próximo posto de gasolina. Em agradecimento ela insiste em me pagar o breakfast e na penúria que ando qualquer ajuda e economia são bem vindas.

Louise Browning tem uns 30 anos, é nova-iorquina e trabalhava como assistente numa corporação financeira em Wall Street. Com o divórcio, resolveu fazer uma viagem de "auto-conhecimento". Comprou uma camionete Dodge Camper e vem cruzando os States sozinha, tirando um ano sabático enquanto vai consumindo suas economias. Nada mais americano...

Estamos em Forrest City, a uns cinquenta quilômetros depois da fronteira do Tennessee. A Interstate 40 cruza o Arkansas por 457 Km e isto quer dizer que tenho pela frente umas 5 a 6 horas atrás do volante cruzando uma paisagem monótona de imensas retas e planícies a exasperantes 55 ou 60 (88/96 km/h) milhas por hora, que é o máximo que se permite por aqui. Louise me propõe seguirmos juntos, não se sente muito segura na condução da pick-up Dodge depois do destempero desta manhã.

Sem grandes incidentes cruzamos o Arkansas, terra natal de Bill Clinton, após uma breve parada em Forth Smith para reabastecimento e almoço, por volta das 13:00 horas. Continuo contando os centavos uma vez que aqui o combustível é mais caro - 21 dólares para encher o tanque de 52 litros (US$ 1,52 o galão, um roubo!) - e o motor de 2.2oo cc de 115 HP do Mazda 626 queima um litro a cada 12 quilômetros, o que em princípio me dá uma autonomia de uns 620 Km.

Entramos no Oklahoma no meio da tarde e o Road Atlas me conta que teremos ainda 533 Km cortando o estado bem ao meio. Continua a paisagem monótona, plana e retas imensas o que só aumenta meu sono e cansaço. O carro vai literalmente no piloto automático, o rádio tocando baixinho umas músicas country e vou ali cabeceando de sono de vez em quando, os olhos grudados na traseira da Dodge Camper da Louise que segue à frente.

Foi no final da tarde que se deu a quase tragédia. Já estávamos próximos a Oklahoma City quando o tempo subitamente mudou. O horizonte à nossa frente se encheu de nuvens plúmbeas, fomos sacudidos por rajadas violentas de vento. A Dodge da Louise balançava perigosamente de um lado para o outro, enquanto eu sentia dificuldades em manter o Mazda na pista mesmo tendo diminuído a velocidade para umas 40 milhas (65 Km/h). De repente, me dei conta que não havia mais outros carros ou caminhões na auto-estrada, somente Louise e eu lutávamos contra a ventania.

Vi quando ela deu uma guinada no volante e se precipitou para a próxima saída, quase capotando a pick-up, no que a segui imediatamente, tendo enorme dificuldade em controlar o Mazda. O violento vento contrário não me deixava evoluir agora mais do que uns 40 Km/h mesmo tendo reduzido duas marchas manualmente. Com muito esforço alcançamos um posto de gasolina, todo fechado àquela altura por folhas de compensado nas janelas envidraçadas. Paramos junto às bombas de combustível e ainda pude ver a figura de uma mulher dentro da loja de conveniência nos acenando vigorosamente para que saíssemos dali.

Manobramos com dificuldade até o extenso parking lot atrás do posto onde estavam estacionadas duas carretas. A esta altura voavam em volta de nós tudo o que não estava firmemente preso: latões de lixo, restos de placas, pedaços de telhas metálicas, baldes, escovões, etc, tudo evoluindo em meio a uma poeira difusa que subia em círculos. Estacionamos entre as duas carretas, um perigo é claro, mas pelo menos conseguimos diminuir um pouco o efeito devastador da ventania.

Jamais vira em toda minha vida tal manifestação das forças da natureza. Incrédulo e aterrorizado, eu ouvia o som metálico de coisas se chocando contra a baú das carretas, um estrondo atrás do outro. No íntimo, apesar do perigo daquelas carretas desabarem sobre nós, eu me congratulava pela idéia de estacionar ali. Se estivesse em campo aberto não sei o que seria de nós.

Apesar de protegidos, o vento canalizado balançava impiedosamente os dois carros, tornando nossa posição cada vez mais desconfortável. A despeito do medo eu estava exausto, sujo, faminto e sonolento, com os nervos em frangalhos.

Decidi não mais lutar contra a natureza e deixá-la seguir seu fluxo normal. Assim, rendi-me finalmente ao cansaço e caí num sono profundo. Se tivesse que morrer ali seria pelo menos dormindo.

Isso veríamos no dia seguinte...

(fotos reprodução)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

CRUZANDO OS EUA (1)

Atendendo a pedidos, aqui vai mais um trecho extraído dos "Diários do Auto Exílio":

"Saio aos primeiros raios de uma manhã de quarta feira, meados de maio de 2000. Tinha pela frente uns 3.000 km cruzando um trecho da Carolina do Norte e os estados do Tennessee, Arkansas, Oklahoma, Texas, Novo México e finalmente o Arizona.

Como companhia apenas o valente Mazda 626 de antigas andanças e magros 200 dólares no bolso. Era tudo que tinha para cruzar os EUA e ainda me manter por uns 15 dias, até receber meu primeiro salário no novo emprego na Bombardier. Melhor cair logo na estrada, então.

Pego a estadual 25 , cruzando por Hendersonville, já na Carolina do Norte. Lugares muito queridos, tenho andado por aqui tantas vezes que essas estradas já me são tão familiares. Paradinha rápida num posto de gasolina em Asheville (NC) para um breve breakfast com sabor amargo de despedida.

Viajo com um nó na garganta; no fundo há uma sensação de insegurança. É a primeira vez que me lanço realmente no desconhecido, sem o amparo de parentes ou amigos. É um salto no escuro sem direito a rede de proteção. Se errar o pulo, me arrebento por inteiro. Mas são riscos que a gente tem que encarar, portanto nada de melodramas.

Sigo até cruzar a intersecção da Interstate 40 descendo as Smoky Mountais, parte da cadeia dos Montes Apalaches.; do outro lado já é o Tennessee. A paisagem, ainda conhecida, ajuda a combater a sensação de vazio e solidão. Aproveito para apreciar o belo panorama das montanhas e florestas, enquanto a I-40 deflete para oeste, rumo Knoxville.

Tenho agora uns 730 km pela frente, atravessando as três principais cidades do Tennessee, incluindo Nashville e Memphis, terra de Elvis, the Pelvis. É a maior extensão da I-40 num só estado, percorrendo as três Divisões (East, Middle e West), todas geologica e culturalmente bem diferentes.

A East Division, onde estou no momento, é bem influenciada ainda pela cadeia dos Apalaches e dá para notar pelo relevo, composto de pequenos montes cobertos de luxuriante vegetação. É primavera e as árvores aqui se revestem de amarelo, vermelho, branco ou lilás, com uma ou outra casa de fazenda aparecendo em meio ao colorido geral. Simplesmente maravilhoso !

A paisagem vai mudando para uma planície, estou cruzando o Cumberland Plateau, o que denuncia a mudança para a Middle Division, a umas duas horas de Nashville, onde pretendo parar para reabastecimento e almoço.

É o que faço em torno das 12:30, parando num posto de gasolina vagabundo (19 dólares para encher o tanque de gasolina) e um restaurante de beira de estrada. A grana anda curta e o caminho é longo, portanto nada de aventuras gastronômicas. Me contento com um gorduroso prato de salsichas grelhadas, purê de batatas e duas fatias de pão, a módicos 7, 50 dólares. Empurro tudo com a a juda de um copázio de chá gelado e seja lá o que Deus quiser.

De novo na estrada. Este trecho agora da I-40 é conhecido como The Music Highway, uma alusão à "terra do country" Nashville até Memphis, última morada do King Elvis Presley. Chego enfim a Memphis no início da noite, morto de cansado e pouco inclinado a conhecer as delícias etílicas e musicais da terra do country e blues.

Assim, atravesso o silencioso e escuro Rio Mississippi, entrando no estado de Arkansas, terra natal de Bill Clinton. Paro num posto de gasolina, velho conhecido de uma viagem anterior a Blytheville, somente a tempo de comer um hamburguer com fritas e me dirigir a uma rest area ali perto para passar a noite.

Balanço do dia: foram cerca de mil quilômetros e 12 horas atrás do volante, gastei em torno de 40 dólares de meus parcos 200 iniciais entre combustível, comida e cafés. Economia é a palavra de ordem, ainda tenho uns 2.200 quilômetros pela frente, vou me arrumando por aqui mesmo. Motel nem sonhar, deito no banco traseiro do carro em meio à bagagem, puxo o cobertor até as orelhas, me preparando para a longa noite.

Lá em cima tremeluzem as estrelas na noite escura e fria, indiferentes ao mundo dos homens. Amanhã é outro dia, melhor dormir agora.

(fotos reprodução)