terça-feira, 24 de agosto de 2010

QUEM SE LEMBRA DE...

...Romy Schneider ?

"Romy Schneider era filha dos atores Magda Schneider e Wolf Albach-Retty, e muito bonita desde pequena. Com uma pele rosada e olhos azuis, Romy chamava muita atenção, mas só estreou no cinema aos catorze anos, no filme Quando Voltam a Florescer os Lilases, ao lado da mãe, que controlou sua carreira até que ela se casasse pela primeira vez.

Aos 17 anos, em 1955, Schneider tornava-se famosa ao viver Sissi, a Imperatriz-adolescente da Áustria, no filme do mesmo nome. Era uma personagem bonita, irreverente e capaz de quebrar todos os protocolos da nobreza européia de forma a conquistar o jovem Imperador austríaco Francisco José e os seus súditos.
O filme conquistou as platéias do mundo todo e gerou mais duas continuações, Sissi, a Imperatriz e Sissi E Seu Destino, todos dirigidos por Ernst Marischka e interpretados por Romy, o ator Karlheinz Böhm e a mãe de Romy, Magda Schneider.

Já famosa mundialmente a atriz se recusou a continuar a viver jovens princesas inocentes e partiu para filmes mais adultos, escandalizando seus fãs em 1958 ao participar do filme Senhoritas de Uniforme, que contava a história de lesbianismo em um colégio feminino. No mesmo ano Romy filmou Christine, e se apaixonou perdidamente pelo seu galã, o então também jovem e promissor ator francês Alain Delon.



O romance durou até 1963 e o casamento dos dois foi várias vezes anunciado e outras tantas adiado. Nessa época, ela se encontrou com o diretor Luchino Visconti que mudou radicalmente sua trajetória de atriz, dando-lhe um papel sexy e digno de uma grande atriz em Boccaccio 70.

Seu primeiro casamento foi com o diretor e cenógrafo alemão Harry Meyen, pai de seu filho David. Separaram-se em 1975 e logo depois se casou com seu secretário pessoal, Daniel Biasini, com quem teve uma filha, Sarah e que acabaria também por se separar. Quando morreu, vivia há pouco mais de um mês com o produtor francês Laurent Petain.

A atriz morreu aos 43 anos de uma parada cardíaca, em seu apartamento em Paris, onde vivia com o terceiro marido, a filha e uma empregada. Ela vinha se tratando de uma profunda depressão pelo suicídio do primeiro marido e, logo depois, pela trágica morte do filho de ambos, que ao pular um portão, foi perfurado pelas setas da grade, onde passava férias, e morreu na hora, com apenas 14 anos. Alguns dias antes de falecer, Romy se submeteu a uma operação para a retirada de um rim devido a um tumor."

(texto e fotos reprodução)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

'BYE, BYE, BRASIL..."

"Bye, Bye, Brasil", apesar do título, é um filme brasileiro de 1979, dirigido por Cacá Diegues e produzido pelo ex-homem forte da Globo, Walter Clark. Foi o primeiro filme nacional cuja produção atingiu a cifra de um milhão de dólares, o que causou críticas contundentes da intelligentsia (leia-se a esquerda raivosa) brasileira, levando o diretor a cunhar a expressão "patrulhas ideológicas", que ficaria consagrada por muito anos.

O roteiro descrevia as andanças da Caravana Rólidei, uma trupe de artistas mambembes formada por Lorde Cigano (José Wilker, soberbo e no auge da atuação), Salomé (Betty Faria) e Andorinha (Principe Nabor, ex-lutador de luta livre) que percorriam as cidades miseráveis do interior deste Brasil, vendendo ilusão, sexo e circo.

A eles se juntam numa cidadezinha do Nordeste o sanfoneiro Ciço (papel do então estreante Fábio Jr, recém descoberto no seriado global "Ciranda, Cirandinha") e Dasdô (Zaira Zambelli), sua esposa grávida que acabará dando a luz em plena selva amazônica.

Sofrendo a concorrencia desleal das antenas de TV que rapidamente invadiam as pequenas cidades, promovidas pelas prefeituras, Lorde Cigano acaba descobrindo através de um motorista de caminhão, a existência da cidade de Altamira, que é por este pintada como um novo Eldorado à beira da rodovia Transamazônica.




E é para lá que se dirige a Caravana Rólidei somente para constatar que Altamira já se encontrava também contaminada pelas antenas de TV, chamadas no filme de "espinhas de peixe". Sem maiores alternativas, a trupe se desfaz e Lorde Cigano, Salomé, Ciço e Dasdô se mandam para Belém, onde tentam sobreviver de pequena cafetinagem, prostituição e eventuais truques de falsa vidência.

O filme retrata a maturidade artística de Cacá Dieques que vinha de dois bons filmes: o sucesso de bilheteria "Xica da Silva" e o suave e autoral "Chuvas de Verão". Embalado pela sensacional trilha sonora composta e cantada por Chico Buarque, "Bye, Bye, Brasil" é um filme que não envelheceu, tendo o mérito de ainda se mostrar atual.

Quem envelheceu fomos nós. Ou um outro Brasil...

(foto reprodução)

domingo, 15 de agosto de 2010

O VINIL ESTÁ DE VOLTA...

Quem me avisa é Fábio Aguiar Lopes, executivo da Vox Music e leitor habitual aqui do espaço: os discos de vinil estão de volta.

"Depois de colocar no mercado LPs do casting da gravadora Deckdisc – Fernanda Takai, Pitty, Nação Zumbi –, a Polysom vai lançar em vinil álbuns clássicos da música brasileira ou que foram sucessos de venda no país.

Em série limitada, os LPs são fabricados em 180 gramas de vinil. Até o final do ano, ainda voltam às lojas A Tábua de Esmeralda (1974), de Jorge Ben; os dois primeiros discos do grupo Secos e Molhados; os excelentes (e raros) Todos os Olhos (1973) e Estudando o Samba (1976), de Tom Zé; e Cabeça Dinossauro (1986) e Jesus Não tem Dentes no País dos Banguelas (1987), dos Titãs."
Para quem curte, um prato cheio. Acho que vou dar uma revitalizada na minha "discoteca"...

(foto reprodução)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

DISCOTECA BÁSICA...JANE MONHEIT

"Come Dream With Me" - Jane Monheit

Este é o segundo disco de Jane Monheit, inegavelmente uma das maiores revelações do jazz vocal nos últimosanos. Depois de tirar em 1998 o segundo lugar na competição vocal do Thelonious Monk Institute - diante de um júri composto por Dee Dee Bridgewater, Nenna Freelon, Diana Krall, Dianne Reeves e Joe Williams - Jane havia lançado seu primeiro disco, Never Never Land, em 2000.

Primeiro, alguns fatos: Jane Monheit tem uma voz resplandescente, absolutamente excepcional. Timbre puro em toda a extensão, agudos cristalinos, emitidos sem esforço, fraseado ágil e seguro, perfeito controle sobre a amplitude do vibrato imprimido a cada final de frase, e domínio total dos pianíssimos - tudo isso banhado por um swing sutil.

Isso nos faz às vezes pensar que finalmente nos está sendo dado escutar uma criatura cuja existência parecia improvável, senão impossível: uma vocalista que possui a técnica de uma cantora clássica combinada com a flexibilidade e o swing de uma cantora de jazz. (É bom lembrar que as tentativas anteriores de cantoras líricas abordarem o repertório jazzístico se revelaram pífias ou, na melhor das hipóteses, pouco convincentes, mesmo que no fundo sinceras.)

O perfil “clássico” da voz de Monheit foi a razão pela qual alguns críticos logo a classificaram como uma cantora “retrô”, que se abstém de radicalismos ou grandes inovações. De fato, ela pouco faz no sentido de romper com as convenções do canto jazzístico. Jane nunca quebra a porcelana nem risca a prataria; ao contrário, ela faz questão de se manter fiel a um padrão clássico de beleza. Isso não constitui, em si, um grande pecado: afinal, ainda existe muito espaço para que as cantoras desenvolvam o repertório standard com elegância e sutileza.

Os músicos pelos quais Jane se faz acompanhar também fornecem uma moldura mais do que adequada para sua voz. Em Come Dream With Me, Jane Monheit é acompanhada por instrumentistas de qualidade incontestável: o veterano Kenny Barron ao piano, Christian McBride ao contrabaixo e Gregory Hutchinson à bateria, mais participações de Michael Brecker ao sax, Tom Harrell ao trompete e Richard Bona à guitarra. No disco anterior, convém lembrar, o contrabaixista era ninguém menos que o grande Ron Carter.


Com a escolha do repertório, começamos a entrar naqueles aspectos do novo disco de Jane que podem merecer alguns reparos. Nada a censurar quanto à escolha dos standards e mesmo da versão em inglês de “Águas de março” de Tom Jobim. Porém a mistura de alguns temas pop adocicados ao repertório do disco, como “If” (inclusive com direito a dubbing da voz de Jane) e “A Case of You” (onde a interpretação de Jane lembra um bocado a suave cantora folk Jewel Kilcher), para não falar na batida “Over the Rainbow”, é de gosto um tanto duvidoso, embora o resultado não seja desagradável de ouvir.

Mas talvez o maior problema com o estágio atual da arte de Jane Monheit esteja em algo que não é culpa dela, nem precisa constituir, por enquanto, motivo de preocupação para os que acompanham sua carreira. Devido à extraordinária qualidade de sua voz - que parece ter nascido já perfeita, madura e capaz - somos levados a esperar uma igual maturidade em suas interpretações.

E, como se pode perceber escutando Come Dream With Me, ainda é cedo: é preciso deixar que a passagem do tempo some experiência musical e amadurecimento expressivo à sua música. Embora as interpretações de Monheit sejam corretas, às vezes são um tanto preciosistas. Por enquanto, Jane ocasionalmente ainda cai presa da vontade de mostrar o que é capaz de fazer com a própria voz. Ainda lhe falta aquele mergulho interior, próprio das grandes intérpretes, em busca da essência de cada tema, abaixo da superfície, por assim dizer (por mais cintilante que esta possa ser).

A musicalidade inata de Jane Monheit é tão extraordinária que podemos ficar otimistas quanto à perspectiva de seu amadurecimento como intérprete. Enquanto isso, devemos apreciar este seu Come Dream With Me exatamente como ele se coloca, isto é, como um doce de sabor sutil, preparado com genuíno carinho e cuidado, e que prenuncia (assim esperamos) sabores mais ricos e complexos.

Resenha de Valter Alnis Bezerra

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

PRAZERES DA CARNE ...(2)

No fundo, churrasco nada mais é do que a transformação da carne em alimento, pela ação do fogo. Portanto, ao contrário que se pensa, o grande artista do show é o fogo, a carne é somente o resultado das habilidades do foguista, que podem variar do sublime ao completo desastre.

Imaginemos pois um churrasco de família e amigos de fim de semana, umas 15 pessoas. Para esta quantidade de gente e o cálculo da carne como no post anterior, digamos no geral uns dois quilos de linguiça, uns quatro quilos de costela (somente a janela, ou seja, a parte central da costela, de preferencia de novilho...), duas maminhas e duas picanhas.

Uns 5 quilos de carvão já está de bom tamanho. Mas é sempre bom reservar um pouco mais para a quele "amigão" de última hora que aparece com uma picanha congelada para "dar uma força no churrasco".

Aliás, temperatura da carne é um negócio importantíssimo. Evite levar à churrasqueira carne mal descongelada, tem que ser sempe na temperatura ambiente. O fogo cria uma crosta na carne deixando-a dura por fora e crua por dentro e sabor intragável. O mesmo se dá com as carnes maturadas, embaladas a vácuo. Boa dica é tirá-las da embalagem uns 30 minutos antes de ir ao fogo, depois de lavá-las em água corrente para tirar o cheiro e aquele cor escura características dessas carnes.

Ok, o carvão já está empilhado na churrasqueira, mas só deve ser aceso quando da chegada do primeiro conviva. E à medida que o povo vai se aprochegando, sirva acepipes como azeitonas, amendoim, queijo suaves sem muito tempero, junto com as cervejitas, que é para não atrapalhar o paladar dos convidados. Pãezinhos de alho e salada de batatas nesta hora só se prestarão para embuchar o vivente, devem ser servidos junto com a carne.

Chegou a hora de pilotar a churrasqueira. Braseiro feito, evite ficar mexendo no fogo. Quem deve se movimentar é a carne, levantando e abaixando, não o carvão. Coloque as carnes as linguiças e cortes de carne menores mais embaixo e a costela, maminhas e picanhas mais acima. No espeto ou grelha, tanto faz, é questão de gosto pessoal, o que interessa é o resultado final. Mas uma grelha é sempre um bom auxiliar do assador: serve para aquelas linguicinhas, pãezinhos ou queijos, além de servir como depositário de carnes maiores que levam mais tempo para se aprontar.

Manusear o fogo é tarefa primordial do assador. Se faltar carvão, coloque algumas peças com cuidado para evitar levantar as cinzas. No caso de labaredas apareceram, levante as carnes, nada de jogar água para baixar o fogo. Uma boa dica é usar as cinzas do churrasco passado para a função e da próxima vez coloque menos carvão.

Chegamos a um ponto polêmico, a salga das carnes. A boa prática ensina que não se deve jamais salgar a carne muito antes de ir ao fogo. Grandes assadores preferem levar a carne ao fogo até que peguem cor e calor; daí as colocam numa forma ou gamela de madeira, e espalham sem exagero sal grosso ou médio por toda a superfície. Voltam então a carne ao fogo e deixam branquear o sal.

No caso das costelas - que apavoram muito foguista novato - não tem muito mistério. Asse a carne com os ossos voltados para baixo até os ossos branquearem.

Retire do fogo, salgue e então vire a parte da gordura para baixo. Se for muito larga, asse de lado também. Já o "ponto da costela" exige uma certa observação e prática com relação à cor e ao sumo da carne. Mas nada que não se aprenda rapidamente.

O segredo de um bom churrasco é também o timing do assador. Aproveite que as carnes ainda estão assando para uma cervejinha ou bate papo com os convivas, mas sempre comum olho no fogo que pode aprontar sem aviso.

Quando começar a servir - e aí arranje um voluntário para ir passando as carnes - comece com as linguicinhas bem douradas, acompanhadas de pão para "abrir os trabalhos".

Com uma boa faca, corte a carne em pedaços pequenos e médios, sirva ainda quentes em forma de fogão ou gamela de madeira, se possível com uma cumbuquinha de farinha ao lado e um vinagrete, há quem goste. Intercale carnes bem passadas e mal passadas, mas num ritmo que os convidados possam apreciar as qualidades do churrasco, sem se empanturrarem logo no início.

Costela tem de ser bem passada, maminha e picanha devem estar rosadas e com suco no momento do corte. Mesmo assim, se a carne ainda estiver bem firme, corte em fatias finas para facilitar a mastigação. É fundamental cuidar do assado até o fim, mantendo as carnes quentes e sem ressecamento.

Outros cortes podem ser incluidos sem perda da qualidade do churrasco: a maminha pode ser substituida por fraldinha ou vazio. No caso da costela, compre um entrêcote inteiro ou cortado em bistecas. Lombinho é uma boa, mas demanda atenção pois costuma ficar meio seco. E para os apreciadores de penosas, uma boa pedida é coxinha da asa de frango (drumete, no Rio de Janeiro) marinadas no shoyo, sal e orégano.

Enfim, são dicas gerais que facilitam a operação de um bom churrasco, mas que não devem ser encaradas como cláusulas pétreas. Com a prática, cada um descobre suas preferencias e ritmo, dando personalidade ao seu churrasco. Mas aí reside um perigo: se o assador se transforma num foguista de primeira, corre o risco de se transformar no churrasqueiro oficial da família e reunião dos amigos.

Mas é o preço a pagar pela competência...

(fotos e dicas Luis Minduim)