terça-feira, 27 de julho de 2010

PRAZERES DA CARNE...(1)

O primeiro homem que dominou o fogo e reuniu a familia em volta para saborear o alimento inventou o churrasco de fim de semana. Instituição quase nacional, reunir os amigos e - vá lá - parentes em volta de uma churrasqueira acompanhado de cervejitas, destilados e acepipes de boa procedência, é um dos hábitos mais corriqueiros entre os brasileiros.

Tradição vinda dos pampas gaúchos, onde os gaudérios ainda cultivam o hábito de assar uma carne num bom braseiro de chão, o churrasco logo ganhou algumas variações e adaptações - e, como sempre, os pretensiosos "especialistas"- que em nada invalidam a idéia de socializar informalmente à beira de um belo fogo, traçando umas biritas e conduzindo um bom papo.

Mas um churrasco "de fundamento" como se diz no Sul, tem que obedecer a umas poucas regras básicas para que tudo saia à perfeição. Começa na escolha dos convivas: tem que ser gente bem humorada e de bem com a vida, longe dos magrelos (as) espinhentos que vivem de dieta e só comem saladinha de rúcula e um peito magro de frango, aliás coisa de boiola. Churrasco de verdade, na sua gênese, é de carne gorda. E estamos conversados.

Mas um churra de fé começa mesmo na véspera na escolha dos cortes especiais e no açougueiro de confiança. Aqui não dá para inventar muito, se estamos falando de um churrasco BÁSICO. Se você não é churrasqueiro bagual como se diz nos pampas, daqueles que ficam por 12 horas à beira do fogo para dourar à perfeição uma costela de novilho de Angus, é melhor ficar com os cortes tradicionais.

Picanha, entrecôte, maminha, fraldinha, vazio e filé são algumas carnes bovinas de eleição. Costela de boi, cupim e paleta de cordeiro (carneiro é o macho reprodutor, não se come...) já demandam alguma habilidade e conhecimento nem sempre ao alcance de todos os mortais. Costelinhas de porco ou até mesmo um lombinho são até bemvindos desde que o cavalheiro seja bem versado na arte da marinaria.

Frango não, demora para assar, dá um trabalhão danado para mantê-lo no ponto sem sair ressecado. Penosas não foram feitas para o braseiro. Mas há quem aprecie, então, paciência. Daí vem a questão crucial, quantos quilos de carne deve-se comprar ? Gente de experiência na matéria recomenda um cálculo simples: 500 gramas para carne com osso e 350 gramas de sem osso para cada vivente. Mas aí vai depender da fome de cada um.

Ok, jovens mancebos. Lista de convidados fechada, carnes compradas, é hora de começar a armar o circo. É de bom tom que se retire as carnes do freezer na noite anterior, mantendo-as na parte inferior da geladeira para um lento descongelamento. Na manhã da data aprazada, retira-se as carnes da geladeira e as deixamos descansando para atingir devagar a temperatura ambiente.

Neste meio tempo o prezado já foi dar uma limpeza na churrasqueira, dar uma conferida nos apetrechos, reabastecer o freezer com as cervejas, disponibilizar as bebidas quentes (é, tem quem goste...) e um pouco antes da chegada dos convivas deitar fogo no carvão para fazer o braseiro.

Só este tópico daria um post aqui no blog. Cada um tem uma técnica especial e infalível para acender o fogo do churrasco e, por incrível que pareça, é um assunto que rende horas de conversa e discussões em blogs e sites especializados.

Mas vamos assumir que o fogo já está feito, as carnes preparadas e divididas em espetos e grelhas e aqui começa realmente o show. Se eu pudesse dar três conselhos a um churrasqueiro iniciante esses seriam: paciência, paciência e mais paciência. Já estive em churrascos que prometiam muito e não deram em nada exatamente pela pressa do foguista em se ver livre do trabalho.

Por outro lado, alguns que não prometiam nada se transformaram em grandes celebrações exatamente pela paciência e esforço do churrasqueiro. Outra norma importante, churrasco de responsa não tem hora marcada para iniciar ou acabar. Churrasco com hora marcada é coisa de churrascaria de rodízio. Portanto, quem estiver muito faminto que vá procurar a mais próxima ou uma pizzaria, deixe de encher o saco dos nossos convivas e favor não retornar tão cedo.

Pois bem, braseiro feito, carnes chiando na churrasqueira, cervejinha gelada na mão, é dada a hora do foguista mostrar suas habilidades. Mas isso a gente continua no próximo post.

(foto reprodução Luis Minduim)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

DISCOTECA BÁSICA: " LAY LADY LAY..."

O LP Nashville Skyline, lançado em 1969, foi o nono disco gravado em estúdio por Bob Dylan e representa uma dramática reviravolta na carreira do cantor e compositor, marcada até ali pelas suas sólidas raízes fincadas na folk music e no rock´n roll.

Bem diferente de suas obras anteriores onde usava sua típica voz rascante e anasalada para enfatizar suas letras existenciais que fizeram a cabeça de uma geração - classificadas como "canções de protesto".

Em Nashville Skyline Bob Dylan faz um mergulho intimista no universo da música country, cantando às vezes numa suavidade surpreendente. O LP marca também o rompimento definitivo de Dylan com o mito de ícone da geração beatnik, que cultuou por anos a fio com esmero e ao sabor de sua conveniência.

O álbum, de apenas 10 faixas e 27 minutos de gravação, apresenta algumas composições que fariam deste disco o mais bem sucedido comercialmente de Bob Dylan, como uma nova versão de "Girl From de North Country" em dueto com Johnny Cash, "Peggy Day", "I Threw It All Way", "Tonight I´ll Be Staying Here With You" e "Lay Lady Lay" e a sensacional "Nashville Skyline", um rag apenas instrumental.



"Lay Lady Lay" havia sido escrita em 1968 e oferecida como parte da trilha musical do filme "Midnight Cowboy", mas como foi submetida muito tarde à apreciação dos produtores foi substituída pela música título do filme, escrita por John Barry. A canção foi então lançada como single em julho de 1969, se tornando rapidamente um dos maiores sucessos populares de Bob Dylan e um clássico dos anos 60, tendo sido regravada centenas de vezes por outros cantores.

(foto reprodução)

terça-feira, 13 de julho de 2010

QUEM SE LEMBRA DE...

...Hayley Mills ?

Filha do ator inglês Sir John Mills e da autora teatral Mary Hayley Bell - sua irmã mais velha Juliet Mills também é atriz - Hayley Mills nasceu em Londres, a 18 de abril de 1946.

Foi descoberta para o cinema por J. Lee Thompson que procurava um rapaz paa o papel principal de Tiger Bay, em 1959, filme este que lhe valeu o prêmio Urso de Prata no Juri de Berlim.

O filme também chamou a atenção de Lillian Disney, esposa de Walt Disney, que a recomendou para o papel de Pollyana. O filme foi um tremendo sucesso, catapultando seu nome para o estrelato nos EUA e conquistando um Oscar Infantil especial da Academia.

Hayley Mills fez então vários filmes para Walt Disney, entre eles "The Family Trap", onde interpretava o sucesso "Let´s Get Together" , dando início a uma breve carreira de cantora teen. Na época foi indicada para o papel do filme "Lolita", de Stanley Kubrick, mas foi desencorajada pelo contrato com a Walt Disney Porductions pois sua imagem poderia ser seriamente abalada.

Até 1965, depois de seis filmes para a Walt Disney, Hayley Mills era a atriz infantil mais famosa dos EUA, apesar de ser inglesa. Retorna então para a Inglaterra para estrelar comédias romãnticas, uma tentativa de se libertar da imagem de atriz juvenil. No ano seguinte, 1966, já aos vinte anos, inicia um relacionamento com o diretor Roy Bolting, de 53 anos, casando-se em 1971 e mantendo o casamento até 1977.



Neste período, Hayley Mills dedicou-se tanto ao teatro quanto às séries de TV, mas a mágica do misto de Lolita e Pin Up, que conservara no final dos anos 60 se fora. Até meados dos anos 70 participou de filmes sem maior importância e alguns episódios de mini séries de TV. Vive hoje em Nova Iorque, e recentemente atuou em dois filmes - Mandie and the Cherokee Treasure e Foster - ambos ainda em pós produção.

(foto reprodução)

terça-feira, 6 de julho de 2010

UMA NOITE COM O MESTRE...

O ano era 1973, disso tenho certeza. Na época eu trabalhava num banco e costumava parar no saudoso Bar do Parque, ao lado do Teatro da Paz em Belém do Pará, para uma cervejinha habitual antes de me mandar para casa e encerrar o expediente.

Era uma quinta feira chuvosa e o teatro bem iluminado dava pista de algo pouco usual em exibição. Não me contive e fui até a entrada para conferir qual era a atração da noite. E para minha total surpresa, estavam anunciando uma apresentação única de ninguém menos que Charlie Byrd, o fenomenal guitarrista de jazz americano e um dos maiores entusiastas de nossa música.

Às vezes tenho a impressão que sempe andei na contramão dos gostos e preferências do pessoal da minha geração. Enquanto os amigos preferiam heavy metal ou rock progressivo, sempre me deleitei com jazz e blues, de longe os meus favoritos assim como a bossa nova e alguma coisa de MPB.

Portanto, para os poucos familiarizados com o nome, Charlie Byrd foi - morreu de câncer no pulmão em 1999, aos 74 anos - um dos mais ecléticos guitarristas de jazz dos EUA, tendo sido aluno do famoso mestre espanhol Andrés Segovia.

Seu envolvimento com a música brasileira se deu ainda em 1961, quando fez no Brasil uma temporada bancada pelo Departamento de Estado norte-americano.

Aqui descobriu a nascente bossa nova e se encantou com a música de Antonio Carlos Jobim e a batida diferente de João Gilberto. De volta aos EUA, convenceu o saxofonista de jazz Stan Getz a gravar um disco de bossa nova, mas a tarefa de recriar aquele som dentro dos parâmetros americanos se mostrou muito mais desafiador do que qualquer coisa que já haviam feito antes.

Reunindo um time de bons músicos, levaram mais de um ano para gravar o LP Jazz Samba, lançado em abril de 1962 e efetivamente o primeiro disco de bossa nova gravado na América. O novo som pegou os músicos e a crítica de jazz no contra-pé e o LP levou menos de um ano para chegar ao primeiro lugar na parada de sucesso da Billboard, desbancando ninguém menos que o grande ícone jazzístico John Coltrane.



A rigor, Charlie Byrd foi o lançador da Bossa Nova nos EUA, muito embora ainda este estilo musical ainda não tivesse esse nome, só consagrado depois do famoso concerto dos músicos brasileiros no Carnegie Hall em Nova Iorque.

Este concerto, realizado em novembro de 1962, descobriria para os americanos nomes como Antonio Carlos Jobim, João Gilberto, Bola Sete, Sérgio Ricardo, Carlinhos Lira, Agostinho dos Santos, Carmem Costa, Sérgio Mendes, Milton Banana, José Paulo, Oscar Castro Neves, Luis Bonfá, Chico Feitosa e Roberto Menescal.

Mas voltando àquela noite chuvosa de quinta feira, juntei-me aos inacreditáveis OITO espectadores que - vergonhosamente para nós brasileiros - tomaram lugar na platéia do belíssimo Teatro da Paz, para assistir a um dos mais prestigiados artistas de jazz do mundo.

E mesmo com platéia extremamente reduzida, o grande Charlie Byrd não se furtou em nos brindar com uma primorosa apresentação, onde seus dedos ágeis e técnica impecável desfilaram grandes sucessos da bossa nova e standards da música americana, ainda com direito no final a uma visitação no camarim e sessão de fotos daquela meia dúzia de gatos pingados.

Uma noite inesquecível em que guardo prazeirosamente na memória. E um baita azar daqueles que ignoraram o show e não foram.

(foto reprodução)

domingo, 4 de julho de 2010

À MESA, FINAS ARTES...

Sou de uma geração em que homens chegados à cozinha não eram vistos com bons olhos por seus pares. Ao contrário de hoje, quando ser chef de cuisine é uma profissão charmosa, midiática e em alguns casos altamente rentável, naqueles tempos só se chegava perto de um fogão aqueles que por falta de dinheiro ou estrutura familiar, tinham que cozinhar sua própria comida.

Havia exceções, é claro, como os mestres-cuca (como se chamava na época) de restaurantes ou hotéis ou daquelas grandes empresas que forneciam refeições a seus funcionários. Tenho pouca notícia de um ou outro amador que se aventurasse na cozinha, então território exclusivo das mulheres.

Na minha casa não era diferente. A filosofia era a que homem tinha que trabalhar na rua, como o provedor da casa. Tarefas de cunho doméstico eram de competência das mulheres, criadas para serem mães de família. Assim, até aos 25 anos eu não sabia esquentar água para fazer um café, quanto mais fritar um ovo.

A consolidação da revolução sexual e dos novos usos e costumes nos anos 70 contribuíram para mudar este estado de coisas. Com muitos jovens saindo de casa para viver só ou a dois, enfrentando as agruras da vida universitária em repúblicas ou mesmo a necessidade de independência daquela geração, levaram os homens ( e mulheres, por que não ...?) a vencer mais este paradigma.

Deste modo, saber "fazer uma comidinha" passou a ser até charmoso e uma vantagem considerável no tocante a conquistar corações e estômagos das liberadas garotas dos anos 70. Mas só fui aprender a cozinhar mesmo depois dos 25 anos e já casado com uma exímia cozinheira de forno e fogão, uma raridade naquela época em meio a uma geração de garotas criadas para triunfar no mercado de trabalho e não manuseando panelas, frigideiras e caçarolas.

Orientado por minha esposa comecei no trivial, mas aos poucos fui aprimorando a técnica, de acordo com minhas preferências. Não que seja um grande cozinheiro, mas aprendi a me virar direitinho com uma meia dúzia de receitas de reconhecido sucesso entre parentes e amigos. Isso me foi de particular importância nos três anos em que vivi sozinho nos EUA, país que não é muito reconhecido pela sua excelência culinária e que me fez escapar incólume dos malefícios da fast food americana.

Mas no assunto, prefiro aquelas receitas rápidas e práticas, nada de passar horas na preparação do alimento ou suando na beira do fogão. Nada como um prato básico, bonito e saboroso para impressionar a namorada. Sem querer dar uma de gourmet, vai aqui uma das minhas receitas favoritas, filé de linguado acompanhado de purê de maçã. Quem quiser, que aproveite. Vale a pena.


Linguado:
Ingredientes: um filé de linguado de aproximadamente 250 gramas (porção individual), uma colher de sobremesa de alcaparras, 50 ml de vinho branco (de boa procedência, por favor...), 3 camarões de tamanho médio bem limpos, ervas finas (sálvia, alecrim, salsinha, cebolinha francesa, cheiro verde, etc, etc...) pimenta do reino branca e sal a gosto.

Preparo: Tempere o filé de linguado com o vinho branco, o sal, a pimenta e as ervas finas. Adicione as alcaparras e os camarões, e em seguida envolva o filé em papel alumínio, fazendo uma espécie de cartucho. Leve ao forno pré-aquecido e deixe cozinhar por aproximadamente 25 a 30 minutos.

Purê de maçã:
Ingredientes: 3 maçãs verdes, 50 ml de vinho branco, 20 mil de azeite, sal e pimenta a gosto.

Preparo: descasque as maçãs e corte-as em cubos pequenos. Cozinhe com o vinho, azeite e sal até ficarem no ponto de ser amassadas, formando um purê.

Receita original do Navarra Bar e Restaurante, Shopping Tamboré, Alphaville, SP.

(foto reprodução)