segunda-feira, 22 de março de 2010

QUEM SE LEMBRA DE...

...Cy Manifold ?

Às vezes penso que só eu mesmo para lembrar de certas coisas. Deve ser coisa de aposentado que, dizem, tem tempo se sobra para essas elocubrações em torno do próprio umbigo.

Este fim de semana, assim meio sem querer, me lembrei de Cy Manifold. Para quem não sabe - e creio que aí se inclui todos os que me lêem - Manifold é (ou era..) um cantor negro natural da Guiana Inglesa e que chegou ao Brasil no início dos anos 60, juntamente com dois guianenses que fariam nome nas noites paulistas: Bobby McKay e Dave Gordon.

McKay morreu há uns treze anos atrás e teve vários discos editados no Brasil, chegando a integrar o grupo musical de César Camargo Mariano. Dave Gordon cantou até pouco tempo atrás na noite paulistana.

Cy Manifold se firmou como atração nas boates cariocas e nas paradas de sucesso do Rio Hit Parade, programa de televisão da TV Rio, produzido por Jair de Taumaturgo e de grande sucesso nos anos 60, interpretando as canções de The Platters, Ray Charles, Louis Armstrong e muito especialmente Nat King Cole. Ficou muito conhecido no Brasil pela sua gravação do "Calipso da Banana".

Com a onda crescente da Jovem Guarda e depois do Tropicalismo, Manifold sumiu da mídia, tendo por algum tempo feito uma dupla com a cantora Leny Eversong e excursionado por todo o país. Nos últimos anos de sua carreira, sobreviveu como atração das noitadas musicais da churrascaria carioca Rincão Gaúcho, localizada na Tijuca.



Prova do seu anonimato é que não se acha quase nada na internet a respeito do veteraníssimo cantor. No YouTube localizei somente esta homenagem de seu filho, o também cantor Dover Manifold, feita em 2007 em comemoração aos 50 anos de carreira de Cy Manifold.

É, certas coisas acho que só eu mesmo ainda me dou o trabalho de recordar.
Alguém aí sabe do destino de Cy Manifold?

(foto reprodução)

quarta-feira, 17 de março de 2010

WILSON EM SI-MONAL...

Nenhum artista sofreu uma perseguição política e foi inapelavelmente condenado pela ala esquerdista encravada na cultura brasileira do que Wilson Simonal. Nascido em 1938 no Rio de janeiro e filho de uma empregada doméstica, Wilson Simonal de Castro começou a cantar quando ainda era cabo do Exército Brasileiro.

Seu repertório nesta época, 1961, se baseava mais em calipsos e standards americanos como crronr dos conjuntos Dry Boys e Os Guaranis, tendo se apresentado no programa de TV "Os Brotos Comandam", apresentado por carlos Imperial. Logo estava cantando nas boas casas noturnas, como Drink e Top Club; daí para o famoso Beco das Garrafas, reduto da bossa nova, foi um pulo, levado pela dupla Luis Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli.

Cantor de inesgotáveis recursos vocais, bom músico e dotado de um excepcional senso rítmico e divisão musical, Simonal começou a fazer nome e ganhar brilho próprio, juntamente com o crescimento da Bossa Nova e em meio a uma geração de músicos, compositores e cantores que iriam compor aquilo que se convencionou chamar de MPB, Música Popular Brasileira.


Entre 1966 e 1967, apresentou o programa "Show em Si...monal", pela TV Record de São paulo, se revelando aí um grande showman com perfeito domínio das platéias. É desta época que acompanhado do excelente trio Som Três (César Camargo Mariano, Sabá e Toninho) liderou um movimento bastante suingado chamado de pilantragem, idealizado por Carlos Imperial e que juntava elementos do samba e da soul music.


A musicalidade, a simpatia e o completo domínio da platéia...

Seus grandes sucessos na época eram "Meu Limão, Meu Limoeiro", "Vesti Azul", "Mamãe Passou Açúcar em Mim", "País Tropical", "Sá Marina", entre tatnos outros. E, 1970, Simonal atingira o topo do mundo na nossa MPB. Era o artista mais aclamado e bem pago do nosso show business. Acompanhou a Seleção Brasileira de futebel na Copa do México, tendo se tornado amigo de vários jogadores tri-campeões como Jairizinho e Carlos Alberto Torres.


No auge em 1970, dividindo o palco com Sarah Vaugh...

Sua imensa capacidade de comunicar com as massas, o assédio popular e da imprensa, o tornou o preferido do governo militar que o escolheu para conduzir alguns espetáculos públicos. Isso irritou profundamnete certos setores esquerdistas da nossa imprensa alternativa, notadamente O Pasquim, que não poupava críticas corrosivas ao cantor que achava cooptado pelos militares.

Mas por trás desta perseguição stalinista havia também outra leitura, o viés preconceituoso de parte de nossa elite intelectual, que não perdoava um artista negro que usava carros e roupas importadas e era casado com uma mulher loura.

A derrocada de Simonal se deu em 1971, quando o cantor teria sido vítima de um desfalque e demitiu seu contador, o suposto culpado. Este moveu uma ação trabalhista contra o cantor. Em agosto de 1971, Simonal recrutou dois amigos (um deles seu segurança) militares para dar "uma lição" no contador. O contador foi torturado, inclusive com choques elétricos, e teve sua família ameaçada de morte. Afinal, acabou assinando a confissão de culpa no desfalque.

O que Simonal não contava era que a mulher do contador havia dado queixa à polícia pelo sequestro do marido. E quando este voltou para casa, a mulher o convenceu a entrar com outro processo contra Simonal.

Processado sob acusação de extorsão mediante sequestro do contador, Simonal levou como testemunha o mesmo policial do DOPS, que o apontou em julgamento como informante do órgão. Outra testemunha de defesa, um oficial do I Exército na época, afirmou que o réu colaborava com a unidade.

Simonal foi julgado culpado pelo sequestro eem 1972, condenado a uma pena de cinco anos e quatro meses, que cumpriu em liberdade. Nos autos, Simonal era referido como colaborador das Forças Armadas e informante do Dops. Em 1976, em acórdão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, também é referida a sua condição de colaborador do Dops.

Apesar de nunca ter sido provada nenhuma colaboração ou participação como dedo-duro aos meios de repressão militar, no meio artístico nacional jamais faltaram testemunhas de acusação contra Wilson Simonal. Poucas vozes se levantaram a seu favor..

O humorista Chico Anysio e o jornalista Nelson Motta, dentre outras personalidades, afirmam que até a presente data não apareceu uma vítima sequer das ditas delações de Simonal. O jornal O Pasquim, frente de luta contra a ditadura militar, através de pessoas como Ziraldo e Jaguar, ocupou-se de propagar as acusações que destruíram a carreira de Simonal.`Perguntado por que não havia sido checada a veracidade das informações, Ziraldo disse que não havia motivos para duvidar das fontes.

Simonal caiu em absoluto esquecimento a partir da década de 1980. "Ele dizia para mim: 'Eu não existo na história da música brasileira'", conta sua segunda mulher, Sandra Cerqueira. Tornou-se deprimido e alcoólatra, vindo a morrer de complicações decorrentes do alcoolismo em junho de 2000.

Em 2002, a pedido da família, a Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB abriu um processo para apurar a veracidade das suspeitas de colaboração do cantor com os órgãos de informação do regime militar.

Além de depoimentos de artistas e de material enviado por familiares e amigos, constou do processo um documento de janeiro de1999, assinado pelo então Secretário nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, no qual atestava que, após pesquisa realizada nos arquivos de órgãos federais, como o SNI e oCentro de Informações do Exército (CIEx), não foram encontrados registros de que Simonal tivesse sido colaborador, servidor ou prestador de serviços daquelas organizações.

Em 2003, concluído o processo, Wilson Simonal foi moralmente reabilitado pela Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em julgamento simbólico.

Desmascarados em público, e sem nunca terem provado as acusações que faziam, os detratores de Simonal ainda tentaram, dez anos após sua morte, condená-lo novamente, apresentando um documento que nunca aparecera antes, e que demonstraria as ligações íntimas de Simonal com o regime militar. Mas depois provou-se que tal documento nada mais era do que uma tentativa de Simonal para escapar de um provável processo por agressão a seu contador, invocando para isto ajuda oficial da polícia para provar sua inocência.

Segundo Ricardo Alexandre, autor do livro "Nem vem que não tem - a vida e o veneno de Wilson Simonal", há motivos para os detratores de Simonal pensarem que ele era um boneco nas mãos da direita, pois cantou músicas como "Brasil, eu fico".

Não há notícias, contudo, de uma pessoa concreta que tenha sido delatada por Simonal. Afirma o mesmo Ricardo Alexandre que está coberto de razão quem compreende que foi crucificado pela esquerda numa campanha de difamação, pois foi vítima de uma "mídia inclemente atrás das manchetes".

Em 2009, foi lançado o documentário "Simonal - Ninguém sabe o Duro Que Dei", dirigido por Cláudio Manoel(da troupeCasseta & Planeta), Micael Langer e Calvito leal

Segundo Cláudio Manuel, Simonal "pagou uma pena dura demais, desproporcional para uma surra, porque sua condenação foi até o fim da vida. Para ele, não teve "anistia".

(foto reprodução/Pesquisa de texto Wikipedia)

segunda-feira, 15 de março de 2010

FÉ CEGA, FACA AMOLADA...

Não sei o restante do pessoal, mas como garoto criado no interior me lembro do "kit de sobrevivência" que cada um de nós carregava, e cujo conteúdo ia mudando de acordo com as estações do ano e o tipo de brincadeira da época.

Me refiro àquelas capanguinhas de pano, típicas de caipiras piraporas, recheada de bolinhas de gude, fincas, barbantes, piões, tiras velhas de pneus de bicicleta, estilingues (ou baladeiras, como chamam no norte do país...), cerol, linha, e qualquer outro apetrecho que podia ser sacado a qualquer momento para fazer frente a um desafio de comprovação de habilidade. E, é claro, o indispensável canivete...

Longe de ser encarado na época uma arma de defesa, mesmo por que naquelas refregas de garotos o bom mesmo era brigar "à mão", o que comprovava o grau de macheza do candidato.

O canivete representava uma espécie de coringa dentro daquela tralha que compunha o arsenal da molecada.

E havia para todos os gostos e bolsos: de folha larga, de lâmina fina, os pontudos, os de duplo corte, os de mola, e por aí vai...

Claro que os da gente eram os mais simples, conhecidos como "pica-fumo", cabo de osso e folha larga, com aquele bico quadrado, próprio para cortar rolos de tabaco e palha de milho.

Havia ainda os de folha simples ou dupla, mas que serviam à perfeição para desbastar forquilhas para estilingues, cortar linhas e borrachas, "acertar" piões e fazer papagaios e pipas, por exemplo.

Só muito mais tarde, já adolescente, ganhei meu primeiro canivete multi-uso, também conhecido como "suíço". E embora tivesse várias vezes me tirado de enrascadas homéricas, o Victorinox era mais uma peça "cult" do que efetivamente de trabalho, como os velhos folha-larga.

A mágica do canivete se fora junto com os belos anos da infância...

(foto reprodução)

sexta-feira, 12 de março de 2010

"O LIVRO QUE INVENTOU UMA GERAÇÃO"...

"O que faz com que um livro narrando acontecimentos quase banais, ocorridos com um adolescente que não tem nada de extraordinário, transforme-se na mais acurada e sensível crônica da juventude desde o século passado?

Só os espertos que chegaram a ler O Apanhador no Campo de Centeio, do escritor americano J.D. Salinger, é que podem dizer com certeza. Prestes a completar 59 anos de publicação, a novela de Salinger é não só uma das mais marcantes obras da literatura norte-americana contemporânea. É também um marco na longa estrada que os jovens trilharam (e ainda trilham) para provar que têm direito a uma voz e uma visão de mundo próprias.

É bastante possível que você nunca tenha lido O Apanhador. No entanto, se você tem um mínimo de "antenidade" com o mundo que o cerca, muito provavelmente já leu ou ouviu alguma alusão ao livro no cinema, em jornal, revistas ou em outros livros. O fato é que este singelo romance de 1951 virou lenda ao longo dos anos, e fez de seu autor, Jerome David Salinger, um dos maiores mistérios da história recente da literatura.

A pequena revolução que O Apanhador causou no comportamento da juventude americana - e por tabela, no comportamento da juventude do mundo todo - ecooa até hoje, fazendo parte da cultura da segunda metade de nosso corrente século.

O Apanhador
narra um fim-de-semana na vida de Holden Caulfield, jovem de 17 anos vindo de uma família abastada de Nova York. Holden, estudante de um pomposo internato para rapazes, volta para casa mais cedo no inverno depois de ter levado bomba coletiva em quase todas as matérias. Na volta para casa, ao se preparar para enfrentar o inevitável esporro da família, Holden vai refletindo sobre tudo o que (pouco) viveu, repassa sua peculiar visão de mundo e tenta enxergar alguma diretriz para seu futuro.

Antes de se defrontar com os pais, procura algumas pessoas importantes para si (um professor, uma antiga namorada, sua irmãzinha) e tenta lhes explicar a confusão que passa por sua cabeça.E é só isso aí. Não há nada de mais trágico, ou dramático, na história; é só um adolescente voltando para casa.

A grande magia de O Apanhador é justamente esta: ser uma história de e para adolescentes, e não meramente um livro "recomendado para leitores em idade escolar". Foi a primeira vez na literatura americana (ou mesmo na mundial) que o universo próprio dos jovens foi estudado a fundo e exposto de maneira absolutamente natural, sem nenhuma pretensão ou didatismo.

As idéias, conceitos, bobeiras, burrices, enfim, toda a loucura de ser jovem, nunca tinham sido traduzidos de uma maneira tão profundamente sintonizada com a realidade.Vale um aparte aqui: antes de O Apanhador, simplesmente não existia esta coisa que há hoje de "cultura jovem". Pode ser difícil de acreditar, mas há meros 60 anos os jovens (e sua maneira de pensar, suas idéias próprias e suas aspirações) não eram levados a sério pelos adultos de forma alguma.

Ser jovem, nos anos pré-Elvis Presley, era apenas estar em um estágio irritante entre criança e o "homem feito", uma fase que devia passar o mais rápido possível e sem maiores dores. O que não quer dizer que os jovens não tivessem seus anseios e preocupações - que não eram infantis nem adultas - mas que eram ignoradas pelos mais velhos.

Salinger colocou em Holden Caulfield, de forma realista e convincente, tudo o que se passa na cabeça de um rapaz de 17 anos: as preocupações com o futuro, a incerteza de todo o mundo que passa por esta fase, as garotas (claro!)... Tudo de uma maneira que nunca havia sido vista antes, com liberdade de estilo, inteligência e um raro sentimento de proximidade com o universo jovem.

O mesmo sucesso que consagrou de vez o talento de Salinger (que já vinha, desde os anos 40, publicando contos em revistas) foi sem dúvida o responsável pelo rumo inesperado que sua carreira (e sua vida) tomou desde então. O Apanhador, seu primeiro romance (e único volume de material inédito) tornou-se uma coqueluche instantânea entre os jovens americanos, enlouquecidos ao finalmente conseguirem se identificar de forma tão perfeita com um herói de literatura.

Engraçado, comovente e forte, o livro é literatura de primeira: leve e ágil, próprio para gente jovem (que ainda não "tem paciência com esta coisa de literatura"). Mas com estilo totalmente próprio e marcante.Depois de vender 15 milhões de exemplares e virar uma celebridade mundial, Salinger - notoriamente tímido e agressivamente modesto em relação a seu talento - primeiro isolou-se em uma casa no topo de uma montanha, em uma cidadezinha de mil habitantes.

Depois foi diminuindo o ritmo de produção (publicou seu último conto, Hapworth 16, 1924, em 1965, na revista The New Yorker) e afinal cortou qualquer contato com a mídia. Não concedia entrevistas, não se deixava fotografar e nunca permitiu que nenhum dos seus livros fosse adaptado para o cinema (assim como o próprio Holden Caulfield, Salinger odeia cinema).

Em dezembro de 1997, o escritor, do alto de seus 78 anos, autorizou afinal o lançamento de seu quinto livro (justamente a publicação em capa dura de Hapworth 16, 1924), o primeiro em 34 anos. (Parece o My Bloody Valentine.).

A mística sobre o autor de O Apanhador não se sobrepôs ao impacto da obra em si. Holden Caulfield e suas desventuras se tornaram precursores do mito da juventude rebelde - Holden contesta os mais velhos e não quer se tornar como eles, a quem considera farsantes.

Toda a sua luta é para preservar os valores que ele acha verdadeiros e sinceros. Pode-se dizer que a figura de James Dean, o rebelde sem causa, é filhote da cruzada de Holden por sua integridade. O livro foi citado por incontáveis bocas célebres ao longo dos anos, em filmes e outros livros.

Mas nem por isto O Apanhador deixou de ser um dos livros indispensáveis (talvez o único realmente indispensável) na formação de qualquer jovem que deseja compreender melhor a si mesmo, e como o mundo o enxerga - e a seus colegas.

Eu mesmo li duas vezes: a primeira aos 12 anos, a segunda - no original em inglês, mais engraçado ainda - aos 19. E ainda vou encarar uma terceira, assim que achar um exemplar em algum sebo: o livro, editado pela Editora do Autor, anda bastante arredio. Mas quem achar, agarre na hora. É a fonte da eterna juventude".

Jerome David Salinger (nascido em Nova Iorque em primeiro de janeiro de 1919) morreu este ano, em 27 de janeiro. Tinha 91 anos.

(foto reprodução/texto editado Marco Antonio Bart)

quarta-feira, 10 de março de 2010

ETERNAS MUSAS....

Atire a primeira pedra aquele que não se apaixonou por Françoise Hardy. Sua beleza quase etérea, o corpo delgado, a suavidade no cantar, a voz pequena e quase sussurante, a levaram rapidamente a uma das rainhas do pop francês e celebridade mundial.

E olha que a parisiense Françoise começou cedo, ainda em 1961 e aos 17 anos, quando gravou seu primeiro disco, depois de abandonar o curso de Ciências Políticas na Sorbonne.

Mas logo no ano seguinte desponta para o sucesso com "Tous le garçons et les filles", que lhe abriria as portas de uma carreira internacional.

O jeito de cantar quase melancólico e o bom gosto na escolha do repertório a elegeram como uma das musas da música francesa dso anos 60.

Infelizmente no cinema, Françoise Hardy foi mal aproveitada. No auge da beleza e fama fez um papel pra lá de secundário no filme "Grand Prix" de John Frankheimer, onde mal balbuciava duas frases idiotas: "I don´t drink", "I dont´smoke"...



Acima, talvez não a melhor de suas canções, mas a que mais gosto: "Comment Te Dire Adieu", numa versão especial feita para a Casa Dior.

Em 1971, Françoise alcança grande sucesso com a música "La Question", que teve uma colaboração estreita da cantora e violonista brasileira Tuca (já falecida). Já em 1988, ela lança o disco "Dècalages" e anuncia que abandonaria a carreira, mas em 2003 gravou um dueto com Alain Lubrano na canção "Si ça fait mal", sobre o vírus da AIDS.

Apesar da anunciada retirada, em 1996 lança o álbum "Le Danger" pela editora Virgin, só retornando a gravar em 2004 o disco "Tant des belles Choses", bastante aclamado pela crítica.

Desde 1967 é casada com o compositor Jacques Dutronc com o qual teve um filho, Thom, nascido em 1973.

(foto reprodução)

segunda-feira, 8 de março de 2010

O ESTILO É O HOMEM...

Sei que tem gente que vai discordar, mas naquele período do final dos anos 60 e início dos 70, período que nos ocupamos mais aqui no blog, quem gostava de se vestir bem passava por maus pedaços.

Explico: até a moçada dos sixties romper de vez com aqueles tabus e paradigmas que norteavam o modo de vestir masculino foi uma pedreira.

E isto pelo simples fato de que a moda masculina pouco mudara em décadas, desde o ínício do século passado. O que vigorava em 1930 era praticamente o mesmo que vigia no final dos anos 50 e esta tendência adentrou os primeiros anos da década seguinte.

Por exemplo, um homem de cinquenta anos em 1966, já era considerado um velho. Era aquele senhor circunspecto enfiado num formal terno cinza ou azul, sapatos pretos e uma discreta gravata, além da barba bem escanhoada, bigode aparado e cabelos gomalinados.

Nada muito distante dos gentis senhores dos anos 30 e é esta a imagem que muitos de nós, hoje sessentões, guardamos de nossos pais.

Muito diferente de hoje quando é perfeitamente natural se ver um cinquentão de bermudas, tênis, camisetas cavadas e praticando esportes ao ar livre, ao contrário de outrora quando o máximo que se permitiam nesta idade era vestir um pijama listrado e desfrutar de um cigarro ou cachimbo, ao pé do rádio e lendo o jornal do dia.

Então, naquela época para aqueles jovens que não simpatizavam com a informalidade pé-sujo dos ripongas ou com a falsa contestação dos hippies de boutique, sobrava pouca coisa a ser feita em termos de vestuário.

Ok, ok, concordo que a imbatível dupla calça jeans (Levi´s ou Lee, obviamente...) e camiseta Hering branca salvava a pátria durante os dias úteis. Mas o que fazer quando queríamos impressionar aquela garotinha maneira que a gente tinha flertado a semana inteira e que estava de bobeira, ali na festinha de sábado á noite ?

Virtus in medium est, isto é a virtude está no meio, já apregoava São Tomás de Aquino, o santo teórico da igreja católica e com certa razão. E nem muito ao mar, nem tanto à terra ensinava a sabedoria popular portuguesa.

Daí que uma das saídas era o - depois nomeado - estilo europeu chic. Tratava-se nada mais que a combinação da hoje manjada camisa polo com uma calça de sarja (de preferência cáqui, noblesse oblige...) ou até mesmo um jeans, desde que fosse daqueles indigos mais claros (ainda não estamos falando de stone washed, isso veio depois...).

Para completar o style, um charmoso pullover de cashmere jogado displicentemente sobre os ombros (e desde que não fosse um verão senegalesco, é claro !)

O gozado da história é que o machismo herdado dos anos 50 e muito presente ainda naquela geração, não permitia grandes vôos com relação às cores de camisas.

Mas quando o assunto era a famosa polo Lacoste e seu famoso jacarezinho, a coisa mudava de figura. Tudo era permitido: rosa, vinho, verde, laranja, amarelo, lilás, verde-limão ou qualquer combinação que porventura aparecesse.

Para completar o visual, nada como uns sapatos tipo loafer (lembro que os docksides só vieram aparecer por aqui no final da década de 70...) e, máximo da transgressão, as meias combinando com a cor da camisa. Na falta dessas, umas branquinhas mais que básicas.

Pronto, estava montado o look do garotão chique, o playboyzinho da época. Para garantir o sucesso da noite, o resto era com o papo do cidadão.

Mas aí é hereditário, não se podia fazer grande coisa...

(fotos reprodução)

sexta-feira, 5 de março de 2010

E A VERSÃO ITALIANA... !



Bem, se Timi Yuro foi quase uma desconhecida e seu maior sucesso "Hurt" pouco tocado no Brasil, já a contrafação italiana "A Chi", fez bastante sucesso em 1967. A música da Itália já não tinha tanto apelo no Brasil ali pelo final da década, mas mesmo assim o desconhecido e insosso Fausto Leali conseguiu emplacar aqui (sem trocadilhos, por favor...) uma versão meio infeliz da bela "Hurt".

Fazer o que ? Gosto não se discute, mas mau gosto de lamenta...

(vídeo reprodução)

quinta-feira, 4 de março de 2010

DISCOTECA BÁSICA...TIMI YURO !

Quando jovem, eu tinha o hábito de garimpar músicas, livros ou filmes fora do grande circuito comercial. Às vezes me deparava com verdadeiras pérolas, escondidas em prateleiras empoeiradas de discotecas ou em sebos de livros. Mas, na maioria das vezes, esbarrava na mesmice e previsibilidade comuns de quem só produzia para o manjadíssimo "mainstream".

No capítulo surpresas, a cantora americana Timi Yuro foi uma delas. Pouquíssima ou nada conhecida no Brasil, (nasceu em Chicago, 1940), Timi foi a primeira cantora branca a ser reconhecida como blue-eyed soul, aquelas cantoras brancas que interpretavam tão bem o R&B e a Soul Music tanto quanto as cantoras negras.

Timi Yuro despontou para a fama em 1961, ao atingir o quarto lugar na parada do Billboard com "Hurt", uma balada R&B e antigo sucesso de Roy Hamilton, que evidenciava sua potente voz e o estilo elegante e passional de cantar, o que a levou muitas vezes a ser confundida com uma cantora negra.



Seu segundo grande sucesso foi What´s a Matter Baby (Is It Hurting You?) em 1962, que abriu caminho para uma carreira pontuada de clássicos do country music e do blues americano. A voz potente e cristalina, o domínio da técnica impecável a levaram a construir um sólido público na América, Reino Unido, sendo ainda verdadeiramente endeusada na Holanda e nas Filipinas.

Entre seus mais ardorosos fãs contabilizava-se Elvis Presley - que não perdia um show de Yuro em Las Vegas e Frank Sinatra. Timi Yuro gravou com regularidade até 1968, tendo se apresentado nos principais palcos americanos e europeus. Morreu em março de 2004, depois de detectado um câncer na garganta.

(foto reprodução)

terça-feira, 2 de março de 2010

QUEM SE LEMBRA DE...

...Lídia Brondi ?

Filha do pastor presbiteriano Jonas Resende e natural de Campinas, SP, com apenas um ano de idade muda-se com a familia para Ribeirão Preto e mais tarde, aos nove anos de idade, vai para para o Rio de Janeiro onde seu pai iria trabalhar.



Estréia na televisão em 1975 participando do seriado Márcia e seus Problemas, da TV Educativa. Convidada pelo diretor Walter Avancini ingressa narede Globo, já líder de audiência na televisão brasileira, onde estréia na telenovela O Grito, deJorge Andrade. Em 1978, ascende de fato ao estrelato entre os nomes de sua geração com a novela Dancin' Days, de Gilberto Braga onde contracena com o ator Lauro Corona, tornando-se a ninfeta mais desejada do Brasil nos anos 70.

Lídia estreou no cinema em1980 no filme Perdoa-me por Me Traíres, deBraz Chediak, baseado na obra do dramaturgo Nelson Rodrigues. Mas seu filme mais famoso é O Beijo no Asfalto, também baseado na obra de Nelson Rodrigues, dirigido por Bruno Barreto. Suas cenas de nudez nesse filme tornaram-na mais popular, ainda, com o público masculino, desde há muito seduzido pela sua beleza.

Lídia Brondi enveredaria pelo cinema ainda uma terceira vez, em 1987, quando fez Rádio Pirata, de Lael Rodrigues.

Em telenovelas, teve inúmeras participações importantes em novelas de sucesso como a Mira Maia em Baila Comigo, a Tânia Malta em Roque Santeiro e a inesquecível Solange Druprat em Vale Tudo. Sua última participação foi em Meu Bem, Meu Mal (1990) de autoria do seu sogro Cassiano gabus Mendes, após a qual abandonou a carreira artística e a vida pública.

Lídia posou para a revista Playboy pela primeira vez, em julho de 1980. Voltou à revista, desta vez realmente posando nua, em agosto de 1987 (edição 145).

Casou-se com o diretor de televisão Ricardo Waddington, em 1985 com quem teve sua única filha, Isadora. Separada em 1987, volta a se casar em1990, desta vez com o atorCássio gabus Mendes, com quem vive até hoje, e com quem contracenou na telenovela Vale Tudo, de Gilberto Braga. Encerrou sua carreira logo após o fim da novela Meu bem, Meu Mal.

Depois de deixar de atuar, Lídia Brondi passou a se dedicar à Psicologia e desenvolver um trabalho de recuperação de dependentes químicos.

Depois disto surgiram boatos de que sofria de Síndrome do Pânico, o que ela nega categoricamente: "Não tive síndrome do pânico, mas já me acostumei a ouvir as pessoas dizerem que eu pirei, que andava doente ou até mesmo havia morrido."

Contrariando as línguas venenosas, tem sido vista com frequencia em alguns eventos sociais, acompanhando o marido,Cássio Gabus Mendes.

E nem sonha em retomar a vida artística...

(fotos reprodução)