sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O CAFÉ NOSSO DE CADA DIA...

Talvez não haja hábito mais brasileiro que o nosso famoso e doméstico cafézinho. Seja ele feito como o tradicional em coador de pano, em cafeteiras elétricas ou em modernas máquinas de "espresso", lá está o santo café nos acompanhando ao longo dos dias e noites.


Doce ou amargo, puro ou com leite, curto ou à carioca, com erva doce, combinado com chantilly, uísque ou conhaque, ou outras misturas mais exóticas, existe café para todo gosto. Mas o hábito de arrematar uma boa refeição com um cafezinho de boa procedência, sem dúvida é um hábito brasileiro.

"A história documentada do café teve início no século XIV. Porém, há lendas e suposições sobre a utilização do café muito mais antigas. É o caso da lenda de Kaffa, uma província no sudoeste da Etiópia. Esta lenda conta que por volta do século III d.C., certo pastor de cabras percebeu que os animais estavam mais despertos e agitados que de costume.

O pastor pediu a ajuda de monges de um mosteiro vizinho para saber o que estava acontecendo. Os monges, então, descobriram um arbusto, de cujas bagas os animais se alimentavam.Pensaram que eram “frutos do demônio” e os jogaram na fogueira.

O cheiro agradável chamou a atenção dos monges que passaram a ferver os frutos na água e a beber a poção, a qual fazia com que ficassem por mais tempo acordados para suas orações. Ainda há dúvidas se o nome “café” é originário da Kaffa, local de origem da planta, ou da palavra árabe qahwa, que significa vinho.

Acredita-se que, no ano de 525, invasores etíopes cruzaram o mar Vermelho levando com eles o café, dali levado por mercadores e viajantes à Arábia do Sul (atual Iêmen). Também são muitas as lendas árabes envolvendo o café, mas o fato é que os árabes realmente dominavam o cultivo e o preparo do café.

Em 1000 d.C., os árabes começaram a preparar uma infusão com as cerejas, fervendo-as em água. Somente no século XIV, na Pérsia, o processo de torrefação foi desenvolvido, e finalmente a bebida adquiriu um aspecto mais parecido com o dos dias de hoje.

Durante muito tempo o consumo de café ficou restrito a região árabe. No final do século XV, surgiram as primeiras casas de café em Meca de onde o café se expandiu para o mundo islâmico e depois para o restante do Oriente Médio.

Por volta de 1600, o café foi objeto de inúmeras discussões doutrinárias entre líderes católicos europeus, pelo fato desta bebida ser consumida pelos “infiéis mulçumanos”, povo considerado pagão para os cristãos. Para decidir a questão - se a população cristã poderia ou não beber café - o Papa Clemente VIII experimentou a bebida e, ao invés de condenar, abençoou o café.

A partir de 1706 as colônias holandesas, que haviam começado suas plantações em 1658, passaram a abastecer toda a Europa, tornando-se o primeiro grande produtor e exportador mundial de café. Lojas para servir café foram abertas nas grandes cidades européias ao longo do século XVII e algumas se tornaram famosas graças à clientela que reuniam.

Da França o café foi para a Martinica, nas Antilhas, e para a América Central, Guiana Francesa e Ilhas Maurício. Foram os franceses que também plantaram café em Tonquim, hoje Vietnã.
O café chegou aos Estados Unidos por volta de 1668. Porém, as primeiras cafeterias surgiram mais de vinte anos depois, em 1691, em Boston. Com o tempo esse país passou a ser o maior consumidor mundial de café.

A planta só chegou à Colômbia, atualmente um dos maiores produtores de café, no final do século XVIII, por padres espanhóis.

Em 1727, a Coroa Portuguesa enviou à Guiana Francesa uma expedição liderada por Francisco Palheta, cujo principal motivo era tentar trazer sementes de café, extra-oficialmente, já que na época não era permitida a comercialização dos mesmos. Assim foi feito e as plantas foram cultivadas no Pará e no Maranhão, dando início à cafeicultura no Brasil.

No Rio de Janeiro também vieram plantas da Índia e, a partir de então, a cultura expandiu-se de maneira rápida. Incentivados pelo Vice-Rei Marquês do Lavradio, e pelas condições climáticas favoráveis, o café passou a ser cultivado por fazendeiros do sul e sudeste.

As plantações de café foram fundadas em grandes propriedades monocultoras trabalhadas por escravos. E, antes mesmo das primeiras discussões sobre a abolição, cafeicultores iniciaram o assentamento de imigrantes nas fazendas de café, com o intuito de prover seus empreendimentos de mão-de-obra.

Constituiu-se, assim, um dos ciclos econômicos mais importantes do Brasil. Desde então, a produção de café no país apresentou tempos de expansão e de crise de acordo com as variações na economia mundial. Hoje os principais estados produtores de café são Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Existem inúmeras espécies de café cultivadas no mundo, mas no Brasil conhecemos apenas duas: o café Arábica (Coffea Arábica) e Café Robusto (Conillon). Cada espécie, por sua vez, tem um grande número de variedades e linhagens.

O Arábica produz cafés de melhor qualidade, mais finos e requintados. Tem grãos de cor esverdeada, é cultivado em regiões com altitude acima de 800m e é originário do Oriente, de onde resulta seu nome (Etiópia, Yemem).

O robusta é originário da África, tem um trato mais rude e pode ser cultivado ao nível do mar (altitudes mais baixas). Não possui sabores variados e refinados como o arábica, dizendo-se que tem um “sabor típico e único”. Sua acidez é mais baixa e, por ter mais sólidos solúveis, é utilizado intensamente nos cafés solúveis. Seu teor de cafeína é maior do que nos arábicas.

Grãos de diferentes variedades, origens e tipos de preparo geralmente são combinados para formar diferentes blends do produto final. O blend, ou liga, é o grande segredo da qualidade da bebida, já que é o responsável pela característica e qualidade de determinada marca de café, e pela fidelidade do consumidor a esta marca.

A bebida pode ser caracterizada por vários fatores como a doçura, o amargor, acidez, corpo e aroma.

- Doçura: são cafés mais finos, mais adocicados e permitem a degustação sem adição de açúcar. O excesso de grãos verdes, pretos ou ardidos, não apresenta doçura perceptível;
- Amargor: é o gosto produzido pela cafeína, que é mais equilibrado nos cafés de melhor qualidade. O café com amargor muito forte, que incomoda a garganta, é proveniente de café de baixa qualidade ou de uma torra muito acentuada .
- Acidez: é a sensação obtida na parte lateral da língua mais desejável pelo consumidor europeu.
- Corpo: é uma sensação na boca causada por uma persistência no paladar, o que enriquece a bebida.
- Aroma: os bons cafés têm um aroma bem pronunciando. A maior acidez do café permite maior percepção ao aroma, que pode ser – frutado, florado, achocolatado ou outros. "

(pesquisa de texto Café damasco/Fotos reprodução)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

ESTATUTO DA GAFIEIRA...

Poucos da minha geração ainda se lembram do velho samba "Piston de Gafieira", criação imortal do grande Billy Blanco e celebrizado nas vozes de Jorge Veiga e Moreira da Silva:

"Na gafieira/Segue o baile calmamente/Com muita gente dando volta no salão/Tudo vai bem/Mas, eis, porém que de repente/Um pé subiu/E alguém de cara foi ao chão/Não é que o Doca/Um crioulo comportado/Ficou tarado quando viu a Dagmar/Toda soltinha/Dentro de um vestido-saco/Tendo ao lado um cara fraco/E foi tira-la pra dançar?/O moço era faixa preta, simplesmente/E fez o Doca rebolar sem bambolê/A porta fecha enquanto dura o vai-não-vai/Quem está fora não entra/Quem está dentro não sai/Mas a orquestra sempre toma providência/Tocando alto pra polícia não manjar/E nessa altura como parte da rotina/O piston tira a surdina/E põe as coisas no lugar."



Hoje em dia a simples menção do nome gafieira já assusta, substituído que foi pela tal "dança de salão", invenção de uma classe média enfastiada e obedecendo aos mandamentos do chatésimo "politicamente correto".

Muito novo ainda cheguei a freqüentar gafieiras, daquelas das antigas, local onde se ia predominantemente para ver, aprender e, naturalmente, dançar. E toda gafieira que prezasse o nome obedecia a regras não escritas mas fielmente cumpridas pelos freqüentadores, sob pena de expulsão a peso de porrada pelos "leões-de-chácara" de plantão.

Antes de mais nada, gafieiras nada tinham a ver com "inferninhos" ou "bailes do risca-faca" e sim um local em que os bons dançarinos procuravam os bailes com um único objetivo: dançar, de preferência com uma boa parceira.

E se dançava de tudo, tango, bolero, samba-canção, fox-trote, rumba, suíngue, chorinho e o que mais aprouvesse ao maestro da banda ou regional, pois música eletrônica, nem em sonhos. Gafieira de verdade era com música ao vivo e ainda com direito a naipe de metais.

Havia então todo um jogo de etiqueta e cortesia. O cavalheirismo, antes de mais nada, era obrigatório. Os parceiros tratavam-se por dama e cavalheiro e este pedia a dança e estendia a mão para que a dama fosse conduzida até o salão.

Aceitava-se a dança não pela beleza física ou porte atlético do cavalheiro e sim por suas boas maneiras ou habilidade de dançarino. Mas esta podia ainda ser recusada, desde que feita dentro dos estritos limites da educação e que não causasse nenhum constrangimento ao cavalheiro.

Mandamento básico: a dama devia ser conduzida, aceitar a mão firme em sua cintura, enquanto o cavalheiro se utilizava de um lenço pouco perfumado pousado na palma da mão esquerda, a fim de evitaro desagradável suadouro na mão da dama.

Na dança, nada de acelerar ou retardar o passo. O cavalheiro conduzia o passo e o corpo dela se deixava levar, entendendo as intenções do parceiro. Se há uma perfeita sintonia, o resultado é uma dança harmônica, bonita de ser apreciada. Há fluidez nos movimentos e a perfeita entrega da dama à condução firme do cavalheiro.

Conversa durante a dança é proibida e desnecessária. Orientações do tipo "giro para a direita" ou "agora rodopio à esquerda", eram consideradas ofensivas á performance da parceira. A condução se fazia no corpo, num perfeito entendimento de pernas, passos, mãos, respiração, ritmo e, por que não dizer, pele.

As boas dançarinas eram aquelas dotadas de um timing perfeito. Sabiam que os cavalheiros adoravam a entrega mas não suportavam as damas pesadonas, aquelas que pareciam não sustentar nem o peso do próprio corpo, se tornando um fardo na condução, prejudicando a leveza da dança.

Por outro lado, damas gostavam e exigiam respeito na dança. Dança é dança, paquera é paquera, esfregação é bandalheira. Claro que tudo isso era válido, mas lá fora do salão. Ali, mãos nos lugares certos e distância adequada, regra de ouro que deveria ser seguida à risca.

Aceitar a condução do cavalheiro não se traduzia em submissão, mas sim a extrema habilidade como quem toca um instrumento apenas de ouvido. O grande lance era a liberdade de sentir o próprio corpo e o do parceiro, se divertir e brincar com os compassos.

Uma regra importante era não tentar adivinhar o passo seguinte. Havia milhares de combinações possíveis. O segredo era se preparar para ser surpreendida, o talento para se adaptar imediatamente a uma combinação e passos imprevista e improvável.

Não havia combinações previsíveis. Se assim o fosse, a dama seria a primeira a bocejar no salão, a dança perderia toda a magia. Finda a primeira dança, a boa regra recomendava que o cavalheiro deveria conduzir a dama ao seu local de origem. Afinal de contas, noblesse oblige. E o ciclo se reiniciava com uma nova música...

Nada a ver com a atual insossa e previsível dança de salão...

(foto reprodução/ PDH)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

ENCONTROS IMPROVÁVEIS...

Nunca fui grande fã de Elvis Presley. Quando passei realmente a me interessar por música, Elvis já era um grande ícone do passado, muito embora tenha ouvido a maioria de suas gravações e assistido a quase todos seus insossos filminhos Classe B. De Elvis, admirava seu registro e extensão vocais, raríssimos num cantor de música popular que viera principalmente do country. E era ali quando The King revisitava suas origens do blues e country, que eu o achava insuperável.


Making Of da gravação e montagem de "Blue Christmas", 2008.


E o incrível resultado final....

Nos vídeos acima, um encontro pra lá de improvável, mas possível graças à tecnologia atual. De um lado, Elvis Presley e seus trejeitos de caras e bocas que morreu em 1977; do outro, Martina McBride, a "Celine Dion" do country-pop (é, agora tem dessas coisas...), nascida em 1966 e uma das deusas do segmento na música americana.

Observem a perfeição de direção e montagem da dupla interpretando "Blue Christmas", canção que Elvis gravara em 1968. A dica foi do antenado brasiliense Jovino Benevenutto.

(vídeo youtube)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

DIÁRIO DE UM CUCARACHA...

Por sugestão do nosso amigo Pé de Chumbo, ia colocar um post sobre o livro "Diário de Um Cucaracha", escrito em 1973 pelo cartunista Henfil. Mas pesquisando na internet, achei o texto abaixo de autoria de Danilo Nuha e publicado originalmente no Recanto das Letras. Como é bem completo, resolvi apenas reproduzi-lo, muito embora não concorde com algumas colocações do autor do texto, as quais prefiro enumerá-las nos comentários:

"Não foi nenhuma ficção hollywoodiana. E nem mais um desses finais debilóides de novelas da Globo. Havia simplesmente chegado a tão esperada hora do troco. Era a vez do garoto pobre da periferia de Belo Horizonte colocar seu nome ao lado daqueles que nunca se entregaram por nenhum “ouro de tolo”.

O menino magro, hemofílico e estudante de escola pública que passava todo seu tempo desenhando enquanto seus amigos se divertiam em festas, estava finalmente acertando suas contas com a história.
Henrique Souza Filho só foi mesmo virar Henfil ao cruzar seu caminho com o jornalista Roberto Drumond, que ainda estava muito longe do sucesso alcançado atualmente pelo livro “Hilda Furacão”.

Os dois trabalhavam no mesmo jornal em Minas Gerais, quando Roberto teve a idéia de juntar o primeiro e o último nome do amigo, resultando no Henfil que conhecemos hoje.
Com pouco mais de vinte anos, Henfil havia escrito seu primeiro livro, “Hiroshima Meu Humor”, e teve a idéia de ir ao Rio de Janeiro, tentar falar com seu ídolo Millôr Fernandes para que ele escrevesse o prefácio.

Para essa viagem, ele pediu dinheiro até na porta da igreja São José em BH, sem falar na colaboração que teve dos amigos, que estavam muito orgulhosos com o contato que Henfil estava prestes a fazer com o “grande” Millôr. Nessa época, eles até lançaram a campanha “Ajude Henfil a ir pegar o prefácio do Millôr”.
Assim que chegou ao Rio, Henfil foi à casa de Ziraldo, que garantiu ao jovem cartunista: “deixe que eu vou lá”. E foi mesmo, só que ele não esperava a esculhambação que acabou recebendo de Millôr.

Sem dinheiro e com vergonha de voltar para Minas sem o prefácio, Henfil acabou dormindo na praia e teve uma insolação.
Salvo por um guarda-vidas, ele foi levado para o hospital Souza Aguiar. Depois de dormir em vários bancos de praça, Henfil copiou um prefácio que Millôr havia escrito em um outro livro e voltou para BH. “Hiroshima Meu Humor” só foi ser lançado muito tempo depois, quando todo mundo já tinha se esquecido do tal prefácio.

Passados alguns anos, Henfil leu uma entrevista de Ziraldo. E depois de sentir uma decepção inicial com o conteúdo da reportagem, ironicamente ela acabou se transformando em um impulso para sua carreira. Quando perguntado sobre quem seriam os novos cartunistas brasileiros Ziraldo respondeu: "Não vou dizer seus nomes. Sua história, se eles quiserem, que o façam".



Esse foi o estopim que levou Henfil a produzir cada vez mais para alcançar a chamada “história”. O acerto de contas veio em junho de 1973, quando ninguém menos do que Jaguar, Millôr e Ziraldo, fizeram uma entrevista com Henfil pelo lendário Pasquim, não esse jornal puxa-saco do PT que foi reeditado há alguns anos atrás, mas aquele combativo “Pasca” velho de guerra.

E como cantava o sambista Cartola, “o mundo é um moinho” e o garoto da periferia de Belo Horizonte estava aos poucos, com aquele jeitinho mineiro de ser, entrando para a história como um dos mais revolucionários e criativos artistas brasileiros.


Depois dessa histórica entrevista, Henfil foi tentar a sorte nos EUA. Sua intenção, além de fugir da censura e da repressão da ditadura militar, era fazer com que sua mensagem chegasse a um maior número possível de pessoas no mundo inteiro.

E em se tratando de charges e quadrinhos, só a partir de New York isso era possível. As aventuras desse período em que Henfil passou no coração do capitalismo internacional (e por ele tanto combatido), foram publicadas no livro “Diário de um Cucaracha”.


Através de suas palavras sempre mordazes, mais uma pequena dose de sua já conhecida melancolia humorística, Henfil descreve em detalhes desde o forte racismo imposto pelos norte-americanos aos imigrantes latinos, até a sua peregrinação pelos hospitais dos EUA em busca de tratamento para sua doença.

Tudo isso sem saber uma única frase inteira em inglês.
Em relação a discriminação aos latinos, Henfil diz que nos ônibus “os negros têm o maior desprezo por esses brancos encardidos” e se sentam sempre nos fundos.

E esse é o mesmo sentimento que o branco tem pelos negros e também (é obvio) pelos latinos. Assim, o único lugar que restava para os cucarachas seria nas rodas, pois os brancos ocupavam os lugares da frente.

Os estadunidenses chamam os imigrantes latinos de cucarachas, porque dizem que eles “procriam feito baratas”, daí veio o apelido.
Quando estava trabalhando no Brasil, a forte censura dos militares dificultava a publicação dos trabalhos do cartunista em jornais e revistas, e, os leitores lhe escreviam diversas cartas se mostrando decepcionados.

“Gostava de você no inicio do Pasquim. Agora nem leio mais”, lhe escreveu um leitor. Por causa do corte dos censores, suas charges políticas antes muito agressivas, ficavam apenas com o teor humorístico, o que frustrava seus leitores. Esses fatores impulsionaram mais ainda seu embarque para os EUA.


Depois de passar um tempo como desenhista de maçãs, bananas, cadeiras, mesas e, centenas de outros objetos para facilitar o aprendizado dos alunos em uma escola de inglês, Henfil finalmente conseguiu um contrato com a Universal Syndicate. Essa entidade era responsável pela publicação dos quadrinhos mais famosos do mundo, como Garfield e Snoopy, e que jamais tinha contratado um brasileiro.

Através desse sindicato, os desenhos de Henfil começaram a ser publicados em diversos jornais americanos e canadenses.
Mas isso durou pouco, pois o cartunista não quis se render ao mundo capitalista e transformar seus cartuns no formato adequado aos leitores de primeiro-mundo. Ele relutou também em colocar seus personagens em camisetas e propagandas publicitárias, e isso fez com que aos poucos, seus contratos fossem sendo cancelados.

Antes de cancelar os contratos, seu editor lhe falou indignado: “Porra Henfil! Você é o primeiro cara na vida que eu vejo que não quer ficar rico!”.
E não queria mesmo, “me deu porrada, eu dou mil porradas de volta. Quero lutar por uma coisa chamada babacamente de redenção dos povos. Vivo e respiro a luta de classes. Meu trabalho gira em torno dessa realidade. Tenho um instrumento universal na mãos que é o humor e que é muito eficaz. Nasci no berço da luta de classes. Eu quero ser famoso como um cara que é mais um espinho contra o estado das coisas. Essa fama eu quero para mim”, dizia Henfil.



Herbert de Souza, o sociólogo que ficou conhecido como Betinho, e que era irmão de Henfil, estava preso nessa mesma época na embaixada do Panamá no Chile, país que tinha acabado de sofrer um golpe militar arquitetado pelos agentes da CIA e pelo general Pinochet. O cartunista recebia diversas cartas de seu irmão que dizia estar com trezentas pessoas em duas salas sem nem poder chegar perto da janela que a polícia chilena atirava.


Para dormir tinham quatro cadeiras e a cada hora quatro podiam dormir e dar uma cochilada. Ficaram dois meses nessa situação sem tomar banho. Betinho que também era hemofílico estava pesando quarenta quilos e relatava diversos casos de pessoas que estavam sendo tiradas à força das embaixadas e sendo executadas no Estádio Nacional.


Victor Jara, uma espécie de Chico Buarque do Chile, foi preso no dia do golpe (11 de setembro de 1973), levado para o estádio, cortaram-lhe os dedos, entregaram-lhe um violão e disseram: “agora, canta”. Jara esfregou o violão e cantou. A música tocada por ele foi transcrita no livro de Henfil.

“Diário de um Cucaracha” é recomendado para as pessoas que ainda acreditam que é possível combater os causadores da aguda situação de miséria vivida pelo povo brasileiro sem precisar se render as facilidades da “sociedade dinheirista”.

E como diz uma frase de Millôr que foi adaptada por Henfil, “desconfie daqueles que não têm ideal, e mais ainda daqueles que não têm ideal nenhum”.

E para os bundões, uma mensagem de Henfil: “o que eu acho calhorda é o que não tenta ser herói”, portanto, siga os conselhos do também revoltado e tropicalista Hélio Oiticica, “seja marginal, seja herói”.


(fotos reprodução)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O PASSAGEIRO DA CHUVA (1970)


"O Passageiro da Chuva" (Le Passager de La Pluie) França, 1970, direção de Renè Clement, foi um dos maiores sucessos de Charles Bronson na sua fase francesa de cinema, sendo o filme que alavancou a sua carreira internacional.

Filho de um mineiro lituano de ascendência tártara lipka, Bronson cresceu na Pensilvânia sem falar uma palavra de inglês. Apesar de ter completado o segundo grau, era esperado que se juntasse ao pai e seus irmãos no trabalho em minas de carvão.

Mas foi no cinema que ele se projetou com uma longa carreira, que teve início nos anos 50. Bronson ganhou mais popularidade na década de 70. Nessa fase, ficou conhecido como "o homem de poucas palavras e muita ação", pelas características de seus personagens.

Bronson começou no cinema nos anos 50, com filmes como "Agora Estamos na Marinha" (You're in the Navy Now, 1951) e "A Um Passo do Fim" (The People Against O'Hara, 1951), sem ter seu nome creditado nos filmes. Quando começou a aparecer nos créditos usava ainda o nome de nascimento, Buchinsky. Começou a assinar Bronson em 1954, a partir do filme "Rajadas de Ódio" (Drum Beat).

Iniciou a fase de sucesso na década de 60. Apesar da pequena participação no filme "Sete Homens e Um Destino"(The Magnificent Seven, 1960), ficou conhecido quando esse western passou a ser considerado um dos melhores da década. Depois de atuar em filmes de aventura como "Robur, O Conquistador" (Master of the World), de 1961, "Fugindo do Inferno" (The Great Escape, 1963) e "Os Doze Condenados" (The Dirty Dozen), de 1967, Bronson foi para a Europa em 1968, onde atores de filmes de ação estavam obtendo melhores oportunidades.



O roteiro de "Passageiro da Chuva" gira em torno de uma jovem mulher brutalmente estuprada e implicada num assassinato sem qualquer relação com seu cotidiano, e que é perseguida por um americano misterioso, ao mesmo tempo temível e fascinante, que a atormenta para confessar o crime do qual ela não é inteiramente responsável.

Nessa luta à procura da verdade todas as armas são permitidas aos dois adversários que se envolvem numa atmosfera de suspense minuciosamente elaborada. Além de Charles Bronson, outro grande destaque é a atriz Marlene Jobert, que dá um show de performance. Na época do lançamento do filme (1971), Charles Bronson era conhecido como “o homem do sorriso de gato”.

A direção de Renè Clement é impecável, tendo se tornado famoso por dirigir filmes notáveis como "O Sol Por Testemunha" (1960) ou Brinquedo Proibido (1952). Até hoje existe uma unanimidade em se afirmar que a melhor coisa que aconteceu na temporada de 1969/1970 foi a parceria entre o diretor Renè Clèment, o compositor Francis Lai (autor da belíssima trilha sonora de Love Story, em 1970), o escritor Sebastien Japrisot e as estrelas Charles Bronson e Marlene Jobert. Entre tantas qualidades, o filme tem ainda uma trilha sonora inspiradíssima do celebrado Francis Lai.

(fotos reprodução/edição de texto)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

O LENDÁRIO DRY MARTINI...

Uma dose de gim e cinco gotas de vermute ou duas doses de gim e uma de vermute? Limão ou azeitona? A discussão sobre a receita original do Dry Martini – o drinque mais clássico e pedido do mundo – tem a idade do próprio. Teria sido inventado em 1910, no Hotel Knickerbocker, em Nova York, pelo barman John Martini, para atender a um pedido do magnata americano John D. Rockefeller, que desejava algo simples mas diferente. A partir daí, a mistura ganhou o mundo como um coquetel excitante, com sabor de viagem.

A polêmica sobre a sua receita original é tão grande que, em uma de suas passagens pelo célebre Harry’s Bar, de Veneza, o escritor americano Ernest Hemingway se saiu com a seguinte tirada: “Se algum dia você vier a se perder na selva africana, nada de desespero. Sente-se sobre uma pedra e comece a preparar um Dry Martini. Eu garanto: em menos de 5 minutos vai aparecer alguém dizendo que a dosagem de gim e vermute está errada”.

E a questão não chega a ser resolvida nem no livro – isso mesmo, o drinque já mereceu um livro – do expert americano John Doxat, "Stirred, Not Shaken"(algo como mexido, nunca agitado). Doxat sugere que a proporção ideal do vermute, para uma dose de gim, é apenas a da sombra da garrafa sobre o copo – ou seja, nada de vermute.

Outro apaixonado pelo drinque, o cineasta espanhol Luis Buñuel, registrou em seu livro de memórias, Meu Último Suspiro, sua receita favorita, que exigia poucas gotas de vermute Noilly Pratt sobre pedras de gelo, adicionando-se em seguida uma dose de gim. James Bond, o agente 007, degustava nos filmes uma variante da bebida, com vodca e vermute.

De todo modo, algumas regras são universalmente reconhecidas. “O vermute tem de ser bem seco”, explica o expert Derivan Ferreira de Souza e autor do livro "Drinques de Mestre" (Editora Ática). “E nunca se deve pôr a casca do limão dentro da taça.” Discussões e fórmulas à parte, a preparação do coquetel, mesmo simples, é um verdadeiro ritual.

Tin, tin...

(texto e foto reprodução)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

MUDANÇAS NO BLOG...

O Pasquineiras aproveita o feriadão do carnaval e muda de cara.
Se para melhor ou pior, julgam vocês. O caso é que o blog mantinha o mesmo lay-out do Mestre Joca, mais por comodidade e preguiça do autor. Mas como são duas propostas completamente diferentes, resolvi que deveriam ter identidades visuais distintas.

Mesmo por que o Pasquineiras, pela sua própria natureza, se dedica a textos mais longos, mais vídeos e fotos que necessitavam de maior espaço para melhor visualização e apoio ao material publicado. Bem, se não gostarem a gente muda de novo, afinal é "di grátis".

Mas espero ser do agrado da maioria.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

AMORES JUVENIS...

O ano era 1968, lá fora o mundo explodia em guerras e escaramuças aqui e ali- Vietnã, Camboja - e a juventude botava prá quebrar no maio de 68 nas ruas de Paris. Houve a Primavera de Praga, logo solapada por botas militares russas. Vivia-se os estertores da Guerra Fria, acirrava-se a corrida espacial rumo à Lua. Na ruas, o Flower Power e sua filosofia do Paz & Amor tinha ido para o saco, cedendo lugar para um mundo mais consciente e politizado que parecia explodir a qualquer momento.

Por aqui, o pau comia solto (literalmente) nas passeatas estudantis ou nos porões da ditadura. Caetano Veloso e sua trupe ainda se davam ares de tropicalistas revolucionários e cantava que "É Proibido Proibir", enquanto Gal Costa nos deleitava com "Baby" e "Não Identificado". Os "Novos Baianos" já profetizavam que era "Ferro na Boneca", o mundo dos caretas partia-se em mil pedaços.

Cabelos longos e idéias curtas preconizava a contrafação francesa Johnny Halliday, ser de esquerda era a ordem do dia e a gente se perdia em discussões intermináveis através dos sérios artigos dos semanários "Movimento", "Opinião" ou desbundava geral no escracho do "Pasquim".

Só não podia "ser alienado", ou "revisionista", duas atitudes altamente condenáveis pelos notáveis da nossa esquerda festiva, que emitiam seus éditos para salvar o mundo ocidental do "capitalismo selvagem" ou "imperialismo ianque", diretamente das mesas dos botecos chiques cariocas, como o "Garota de Ipanema" ou "Antonio´s", redutos tradicionais da nossa intelligentsia tupiniquim, onde consumiam quantidades industriais de Chivas Regal, às custas de nossa ignorância e boa fé juvenis.

Da minha pequena cidade encravada no Planalto Central, embora tentando me manter antenado ao mundo que me cercava, vivia meio alheio às grandes questões do momento. Meu interesse imediato era outro e atendia pelo nome de Malu. Tinha quinze anos, corpo esguio e atlético, cabelos lisos e longos, bonita e de traços bem delineados, corpo e rosto remetendo à lembrança da cantora francesa Françoise Hardy, um grande ícone da época.

Havíamos nos conhecido no colégio, quarta série ginasial e dali nasceu uma grande amizade. Ela me ajudava em Física e Matemática, eu dava uma mãozinha no Inglês e Literatura Portuguesa.

Ela jogava voleibol, eu enganava no futsal. Ela dominava perfeitamente o francês e tocava piano clássico, eu soprava pífaros na banda marcial do colégio. Casal mais sem futuro...

Da amizade a coisa evoluiu para algo mais sério, porém platônico. Aos poucos eu me perdia de amores pela Malu, mas ela parecia cada dia mais distante.

Juntos vimos "A Primeira Noite de Um Homem", "Un Homme Et Une Femme", "Easy Rider" e todos os filmes que fizeram a cabeça de uma geração. Descobrimos também juntos os grandes autores da época, ela de Erich Fromm e Herbert Marcuse em punho e eu defendendo Teilhard de Chardin, ex-padre e pensador francês de direita, o que soava como um crime naqueles tempos.

Apesar da aparente doçura, Malu padecia de uma certa tristeza trágica que assustava ao mesmo tempo que atraía pelo mistério, como se vivesse à beira de uma fatalidade iminente, o que também mantinha eventuais garotos interessados à distância. Tivemos grandes dias de debates filosóficos, naquela fase incerta que pontua a terrível transição do princípio da adolescência.

Um dia, perdido de amores e confiante no taco, avancei o sinal. Nada demais, um beijinho roubado enquanto dançava cheek-to-cheek, numa festinha Hi-Fi. Jamais esquecerei o olhar de desaprovação e a indignação da Malu. Por conta disso levei semanas de gelo total, ela ignorando meus recados e telefonemas, me evitando a todo custo no colégio. Sofria feito um desesperado, escrevia bilhetes e cartões apaixonados, pedi milhões de desculpas pelo ato impensado. Silêncio total.

Mas aí vieram as férias de fim de ano e curtindo uma dor de cotovelo descomunal, me enfurnei três meses na fazenda da família. Ali, em meio à paisagem pastoril, fui lambendo e curando as feridas. Quando voltaram as aulas, eu iria para o primeiro Científico e Malu para o Clássico em outro colégio, nossos caminhos se dividiram. Com o passar dos meses e sem sua incômoda presença, a paixão arrefeceu, vieram novos interesses e a vida seguiu seu curso natural.

Dois anos depois, mudamos de cidade e achei que nunca mais iria saber dela. Ledo engano. Muitos anos se passaram, quarenta precisamente. Na época, morava nos EUA e soube por uma amiga comum que Malu morava em Nova Iorque. Consegui telefone e endereço e na primeira oportunidade, liguei e marquei de visitá-la (episódio que deixei deliberadamente de fora nos "Diários do Auto Exílio").

Sou meio avesso a esses reencontros sentimentais com antigos amores ou velhos amigos; raramente acabam bem. É inevitável uma discreta e mútua avaliação do que somos atualmente, o que éramos e o que fizemos em todos esses anos de separação, o que acho desagradável na maioria das vezes. Com Malu não foi diferente.

Longe iam os dias que sua beleza sofisticada, seu talento, inteligência e espirituosidade tanto me encantaram e fizeram chorar tantas as noites, corroído de paixão não correspondida. Naquele momento, nada mais era que uma senhora de meia idade, um tanto acima do peso, rosto bastante marcado pelas vicissitudes da vida, sem sombra do antigo viço e vigor. Infelizmente, os anos não foram benéficos para ela.

Sentados numa pequena trattoria em Midtown, traçando uma porção generosa de fettuccine al Alfredo e meia garrafa de vinho tinto, fomos desfiando nossas melhores lembranças juvenis. Por educação e - ó, horror! - piedade, me escusei de relembrar meus dias de amor incontido. Foi um encontro formal e gentil, até certo ponto interessante, ambos tendo o cuidado de não reabrir velhas feridas.

Nos despedimos na Grand Central Station, onde Malu pegaria o trem para algum subúrbio onde vivia. Por algum tempo fiquei ali parado na noite fria, enquanto sua triste figura arrastava os pés e se perdia em meio aos anônimos circundantes. Nada mais deprimente do que encontrar seu grande amor da juventude, quarenta anos depois, limpando quartos para viver...

(foto reprodução)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

ZEPPELINS NAS RUAS DE BELÉM...

O assunto, a priori, nada tem a ver com o Pasquineiras mas, pelo ineditismo das imagens, não posso me furtar a postá-las. Para quem não sabe, vivi 25 anos em Belém do Pará, entre o final da adolescência e a idade madura. E, mesmo tendo tentado participar e compreender o máximo que podia sobre a história daquela cidade, jamais havia ouvido falar nos ônibus Zeppelin que circularam pela cidade, de 1957 a 1962.

Pois bem, o assunto veio à baila algum tempo atrás quando conversava com meus sogros, paraenses de oito décadas vividas e vasculhando na internet me deparei com essas três imagens, capturadas dos arquivos da antiga revista LIFE.

A primeira delas, em cores, registra um dos Zeppelin da Viação Triunfo sob um dos "clippers" da Av. 16 de Novembro, em frente ao cais do Ver-o-Peso.

Construído sobre o chassi de um caminhão White, sua carroceria era feita de perfis de madeira e "folha de flandres" (zinco) e era chamado na época de "dirigível". Na foto, credita-se erroneamente tratar-se de um posto de gasolina mas qualquer belenense (ou belemense...) da época sabe que os "clippers" eram os antigos pontos de bonde (depois ônibus) que se espalhavam ao longo do Boulevard Castilhos França e a já citada 16 de Novembro.

Eu mesmo, ainda ali por 1971, peguei muito ônibus num desses Clippers, exatamente o que ficava em frente à Rua João Alfredo, a maior do comércio do centro da cidade e um dos últimos a serem demolidos.

A outra em preto e branco é um registro bucólico da famosa "chuva das duas da tarde" (aposto!), que fazia parte do folclore da cidade até meados da década de 70. Hoje, com as alterações climáticas em curso, até isso desapareceu....

Detalhe interessante, a carrocinha do padeiro (normalmente portugueses) que faziam seus périplos pelas ruas da cidade, transportando o "pão de massa grossa" (baguettes), o de "massa fina" (pão de banha...) ou os inevitáveis pães doces e roscas de coco. Salvo engano, na confluência da atual Av. Governador José Malcher (antiga São Jerônimo) e a Alcindo Cacela (ex- 22 de junho). O casarão à esquerda não me deixa dúvidas, pertencia aos tios da...Fafá de Belém !

Mais uma, desta vez em frente ao mercado de São Brás, sentido Av. Almirante Barroso (na época Tito Franco), a chuva sempre presente...

Outro dado interessante registrado na foto, são as enormes mangueiras que ainda perfilam muitas avenidas centrais da cidade, solução natural para combate ao forte calor amazônico, que acabou rendendo a Belém do Pará o epíteto de "Cidade das Mangueiras".

Pois é, vivendo, aprendendo e recordando...

(foto reprodução LIFE)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

ESTRELAS DECADENTES...(1)

Não é de espantar que todas as semanas sejamos tomados de sobressalto pelas notícias que alguns de nossos ídolos de juventude estão partindo desta para melhor - ou pior, dependendo do ponto de vista.

Desta vez é Etta James, internada em um hospital agora em janeiro, com sérios problemas devido a uma infeccção bacteriana e sintomas do Mal de Alzheimer.

Aos 72 anos, Etta contraiu a infecção ao se tratar do vício em analgésicos. Aliás, vício em drogas (principalmente heroína) é o que não falta na biografia da cantora.

Nascida Jamesetta Hawkins em Los Angeles, California, em janeiro de 1938, Etta é filha de uma garota negra de 14 anos e o jogador profissional de sinuca Rudolf "Minnesota Fats" Wanderone de relativa fama nos anos trinta. Cedo porém, aos cinco anos, começou seu treinamento musical no coro da Igreja Batista de Saint Paul.

Quando a família mudou-se para San Francisco, Etta formou com duas outras garotas um grupo de doo-woop, estilo de canto oriundo das comunidades negras de Nova Iorque, Philadelphia, Chicago e Baltimore, que influenciaria definitivamente o Rhytm and Blues dos anos 50 e 60, e que nos seus primórdios era muito comumente referenciado como rock´n roll.

E foi nesta formação e aos 14 anos que foi descoberta pelo pianista, arranjador e empresário Johnny Otis que a levou a gravar o sucesso "The Wallflower", que alcançou o #2 na parada do R&B de 1955.

Entre 1955 e 1959, Etta James alcançou razoável sucesso, variando do gospel, R&B, Blues, rock e até uma pitada de jazz. Em 1960, já na Chess Records gravou aquele que seria seu maior sucesso e canção de marca pessoal, "At Last", catapultando-a ao panteão das grandes cantoras americanas.



Apesar do sucesso, a vida pessoal de Etta James sempre foi conturbada, principalmente com relação ao uso de heroína. Isto a levou ao longo do final dos anos 60 e início dos 70, a diversas internações para reabilitação. Uma vez, flagrada pela polícia com um grande quantidade da drogas, teve seu marido, Artis Mills, condenado a dez anos de prisão.

Neste período, foi várias vezes presa por estelionato, fraude e vício em drogas. Em 1974 foi sentenciada mas, ao invés de ir para a prisão, foi condenada a freqüentar um programa de reabilitação.

Aos 35 anos passou 17 meses num hospital psiquiátrico, período que segundo Etta mudou sua vida, sem conseguir livrar-se do vício da heroína. Somente em 1988, aos 50 anos, depois de severo tratamento no Betty Ford Center, em Palm Springs na Califórnia é que venceu o vício, por final.

Uma vida bem movimentada, sem dúvida...

(foto reprodução)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

QUEM SE LEMBRA DE...

...Íris Lettieri ?

Carioca, filha única de um ex-locutor da antiga Rádio Cruzeiro do Sul e de uma professora de piano, harmonia, canto e dicção, começou sua carreira como locutora de rádio no final dos anos 50, tendo posteriormente trabalhado também como locutora de telejornais em várias emissoras de televisão.

Fez parte do primeiro time do Jornal da Manchete em 1983, que em seus primeiros meses tinha a duração de três horas . Íris apresentava, junto com Jacyra Lucas, as notícias de cultura e entretenimento.

Em 1984 passou a entrar no ar como apresentadora do Manchete Panorama, quando o Jornal da Manchete se desmembrou em programas temáticos. No ano seguinte, seu programa foi extinguido. Íris ainda participou do Programa de Domingo , da mesma Rede Manchete.

Atualmente, é mais conhecida como "a voz do aeroporto", pois desde a década de 1970 é a locutora oficial do Aeroporto do Galeão, no RJ, e de Congonhas em SP, além de outros. Seu timbre aveludado é inconfundível, passando uma sensação de tranquilidade e até mesmo sensualidade.

Íris afirma ter criado essa entonação de voz para a locução feita nos aeroportos propositalmente, visando a acalmar os passageiros que têm medo de voar.


Sua voz, por ser tão peculiar, já foi assunto de várias reportagens na imprensa internacional.


Em 1992, o conjunto musical americano Faith No More incluiu, sem a permissão de Íris, a gravação de sua voz na faixa "Crack Hitler", do CD Angel Dust, tendo Íris Lettieri processado o grupo.

(foto/texto e vídeo/reprodução)