quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

"RECLAMES" CLÁSSICOS DA TV...

Alguém já disse que se quisermos conhecer a história de um povo é só acompanhar a produção de comerciais, sejam de TV, rádio ou impressos. Bem, não chegarei a tanto, mas é verdade que para se compreender uma determinada época, os comerciais, principalmente os de TV, são um guia seguro de hábitos e costumes dos consumidores e retrato da indústria nacional neste período. Alguns se tornaram verdadeiros clássicos pela criatividade ou mesmo pela simplicidade ou aspecto lúdico, quando no caso daqueles voltados ao universo infantil.


Comercial da Varig para o vôo Rio-Lisboa, anos 60.


Cobertores Parahyba, mandou muita gente pra caminha...


Quem não quis ser parte de um comercial da Hollywood, o sucesso...?


Comerciais da Brastemp que marcaram época e criaram o conceito.

Mas todos de uma tal força e eficácia que ficaram indelevelmente marcados em nossas lembranças. Acima, alguns deles, dicas do Roberto Costa.

(vídeos reprodução)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

'UM POUCO DE TERNURA"....

Foi lá por volta de 1967 - curiosamente o ano de sua morte - que descobri Otis Redding, cantor americano de soul music, através da gostosa balada "Sittin´On The Dock Of Bay", de relativo sucesso no Brasil.



Daí passei a colecionar alguns discos de Otis, elegendo como uma de minhas favoritas "Try a Little Tenderness", canção normalmente considerada um dos grandes hits do R&B ou da Soul Music dos anos 60, mas na verdade escrita em 1932 pela dupla James Campbell e Reginald Connelly.

Consagrada em versões de Frank Siantra, Mel Thormé, Rod Stewart, Al Jarreau, Nina Simone ou Three Dog Night, a canção atravessou décadas como um dos mais tocados standards da música americana. Em 1991, Try a Little Tenderness é um dos grandes momentos do filme de Alan Parker "The Commitments" (aqui conhecido como "Loucos pela Fama"), que versa sobre uma banda de música formada por músicos inexperientes, três vocalistas improvisadas e um temperamental e egocêntrico cantor, a maioria sobrevivendo como desempregados em Dublin.

A grande ironia do filme é que após tocar sucessos das grandes estrelas da R&B e soul music, apresentando-se nos bares da cidade conseguem alguma fama. Mas os desentendimentos também não tardam a aparecer. Principalmente quando o veterano trompetista Joey (Johnny Murphy), que vive numa ilusão e lançando charme para todo lado, arranja para que Wilson Pickett se apresente com a banda, mas ele não aparece.



Enquanto o criador/produtor/empresário Jimmy Rabbit (vivido pelo ator Robert Atkins) aguarda desesperadamente a improvável chegada de Wilson Pickett, a banda vive ironicamente seu melhor momento, com o cantor Deco Cuffe (interpretado pelo estreante Andrew Strong) e o trio de belas backing vocals botando pra quebrar numa bela versão de Try a Little Tenderness, levando a platéia à loucura.

Tanto o filme como a música serviram como trampolim para as carreiras de Andrew Strong e de Maria Doyle Kennedy (a bela morena de cabelos longos e lábios cor de rubi...), que desfrutam hoje de razoável sucesso como cantores e atores de cinema no panorama britânico

Ladies and gentlemen, "The Commitments"...

(foto reprodução)

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

"OS MEUS ANOS SESSENTA...".

Já há algum tempo vinha rabiscando algo sobre os famosos "anos 60". Daí que uma amiga me manda o texto abaixo que, de tão perfeito, não me furtei em replicar aqui com os devidos créditos, é claro. Embora o autor, Frederico Mendes, reporte-se a um ambiente obviamente carioca, muitas das suas observações podem ser consideradas como aspirações e vivências de toda uma geração:

"Conheço muitos jovens com saudades dos anos 60, anos só imaginados através do cinema, livros ou relatos dos pais. Para eles seria uma época mítica e lendária, os anos rebeldes. Também tenho saudades, mas não era bem assim...

Não havia internet, Google, fax, celular e muito menos TV a cabo. E os quatro canais existentes começavam a funcionar ao meio-dia e encerravam a programação lá pela uma da manhã. E depois só ficava na tela um desenho estranho e estático nos dando boa noite até o final da manhã.
Tínhamos que ir à biblioteca para fazermos pesquisas de colégio. Os discos, que eram chamados de "long-plays", de no máximo 32 minutos tinham que ser virados para tocar o lado B. Não havia controle remoto e nem telefone sem fio.



Os telefones, assim como os táxis, eram sempre negros e muito pesados.
E não tinham teclas, mas discos rotatórios com números encaixados dentro de buracos circulares onde enfiávamos os dedos. Daí a origem do verbo discar como sinônimo de telefonar. E não tinha "redial", o que nos obrigava a enfiar o dedo e discar de novo e de novo. E como dava engano!
A onda do telefone era dar trotes. Crianças e adultos passavam trotes bobinhos tipo : "pinico de barro enferruja?" ou "A senhora pode esperar um minutinho?". Depois de 60 segundos de silêncio, o trotista dizia obrigado e desligava com uma risadinha audível...

Telefone no Brasil sempre foi um problema.
Para fazer uma ligação telefônica tinhamos que esperar o telefone "dar linha".
Não havia DDI e uma ligação internacional demorava mais de quatro horas para ser feita pela telefonista. Quando a ligação se completava, nem sempre sabíamos mais do que queríamos falar ou então aquela paixão monumental já tinha virado um simples "flêrte".

Computadores, só os bancos tinham. Gigantescos, ocupavam andares inteiros e só eram compreendidos por especialistas que possuíam curso universitário sobre o assunto.
Dentista doía, e doía muito...

Em compensação a música era muito melhor! John Lennon, Jim Morrison, Janis Joplin e Jimi Hendrix, todos os jotas ainda estavam ativos. Muito doidos, mais pra lá do que pra cá, mas vivos. Bob Dylan não era o fanático religioso de hoje e influenciava toda uma geração de "quero-ser-poeta". E o Zé Bonitinho, Golias e o Zé Trindade apareciam na "Praça é Nossa" e até achávamos meio divertido, apesar de bastante kitsch.

Dava para praticar namoros nas areias da praia de Ipanema de noite sem sermos assaltados por pivetes e nem achacados por PMs. Ou vice-versa. PMs que aliás eram chamados de Cosme e Damião, porque andavam sempre em duplas. E usavam gravatas negras e uniforme cáqui.

Uma calça Levis 501 custava o equivalente a US$ 3,00 no Mercadinho Azul de Copacabana, paraíso dos importados contrabandeados por aeromoças da finada Panair do Brasil. O perfume Lancaster vinha da Argentina e todos nós, rapazes da Zona Sul usávamos.O cheiro deste perfume nas festas concorridas era massacrante para as narinas mais sensíveis.

Do Paraguai só chegava uísque falsificado, isto é, nacional legítimo Made in Assuncion. As camisas eram de Ban-lon, ou de malha com psicodélicos jacarezinhos verdes. E não é que a Lacoste voltou à moda? Aliás, muitos de nós víamos jacarés e macacos verdes e alucinados por aí.

As calças eram de Tergal, isto é, não amassavam e nem perdiam o vinco e quem comprasse um terno na Ducal ganhava duas calças iguais. O que sempre me fez perguntar o porquê: calças sujavam mais do que paletós ou eram menos duráveis?

As moças, depois de virarem mocinhas, ainda ficavam incomodadas, até que um gênio da publicidade escreveu: " Incomodada ficava a sua avó!", em anúncio de absorvente. E só havia Modess no mercado. E o que seria do amarelo se todos gostassem do vermelho? Ou vice-versa? Esta publicidade de tintas marcou. Se alguém lhe citar esta frase, ou é o seu pai, ou um estudante de publicidade ou algum novo velho nostálgico que aprendeu a dizer isto com o pai.

Perto da minha casa em Copacabana haviam 18 cinemas, distante no máximo uns 15 minutos a pé. Ou sete de bonde. "Bonde? O que é isso?" A Brigitte Bardot e a Sophia Loren ainda eram umas gatas, e contávamos pin-ups pulando a cerca até cairmos no sono, nossos "wet dreams" noturnos.

A Sonia Braga, linda aos 18 anos, tirava a roupa (nuínha em pelo!) todas a noites na peça Hair. Meninos, eu vi! Aliás, eu ia em quase todas as noites. E o Wilker era só um ótimo ator meio estranho e ruivo.

As meninas nos dividiam entre os pães e os muquiranas, ou bonitos e feiosos.
Pão era o Alain Delon. O Paul McCartney também, apesar de que as meninas mais "cabeça" já preferiam o Lennon, que usava óculos, era míope e tinha jeito e cara de intelectual. Sorte minha que já era um "quatro olhos", apelido políticamente incorreto de quem os usavam .

Mas quem realmente salvou a minha vida afetiva e amorosa foi o ator francês Jean Paul Belmondo. Calma , gente! Belmondo era um feio com nariz estranho que as mulheres achavam "charmoso". E acabou com a tirania da beleza roliúdica dos galãs pasteurizados para sempre e graças a Deus!

Os litros de leite eram vendidos em garrafas de vidro. Mas só dava para beber leite pasteurizado, isto é, que recebia um tratamento especial. Mas todos tinham que ser fervidos antes de serem bebidos. E não havia esse tal de desnatado: havia o adulterado com muita água e o adulterado com menos água. Leite em pó tinha que ser batido durante minutos com uma colher para dissolver no copo. Era um bom exercício para o muque. Até que surgiu o leite Glória que "dissolvia sem bater".

E o carro Gordini, um francês fabricado em São Paulo, que todo jovem queria ter, recebeu o apelido de Leite Glória porque também se dissolvia sem bater. Era muito frágil. Os carros só possuíam rádios AM (!) e eram Fuscas, Dauphines, o já citado Gordinis, DKWs (Decavê) e Aero Willis.

E o elegante Simca Chambord, com mini rabo de peixe e pneu de banda branca como um Cadillac chinfrim e tudo. Mas todos sem ar-condicionado e vidros elétricos. Mais um motivo para exercitarmos o muque que exibíamos por baixo das camisas de manga durta arregaçadas ao estilo James Dean, ou nas praias mais ou menos limpas, mas com valas negras quase do tamanho do Rio Negro.

Sol naqueles anos dourados não causava câncer, mas mesmo assim nos protegíamos com Rayto de Sol, o único argentino que chegava até nossas praias. Bons tempos. Camisinhas só eram usadas nas incursões à zonas mui perigosas, nas casas coloridas perto do Canal do Mangue, hoje Cidade Nova.

As torcidas de futebol só gozavam com as caras dos outros nas derrotas, sem brigas e sem violências, numa época onde porra e pentelho eram palavrões e não ficavam bem na boca de ninguém. Aliás, até hoje porra e pentelho não ficam bem na boca de ninguém...

Os discos dos Beatles (e filmes) demoravam meses para serem lançados aqui. Mas quando chegavam eram uma festa, festa mesmo com todo mundo dançando twist e yê-yê-yê. As meninas alisavam o cabelo com ferro de passar roupa e só gostavam de garotos de cabelos lisos. Os meninos de cabelos mais rebeldes dormiam com ridículas toucas na cabeça feitas com meias de seda surrupiadas da mãe ou da irmã. E sempre acordávamos com uma marca na testa que só saía da cara da gente lá pela hora do recreio.

Isto até 1966, quando surgiram os primeiros hippies e seus longos cabelos encaracolados. E foi aí, com os meus rebeldes cachos que arrumei a minha primeira namorada. As câmeras eram analógicas, manuais e muito mocorongas. Photoshop era apenas uma tradução para loja de fotografias, para quem estudava no IBEU ou para quem tinha feito American Fields, isto é, cursado a high school nos cafundós do centro-oeste americano.

Outra coisa interessante era que dávamos festas onde a grande atração era um imenso gravador de rolo onde brincávamos de gravar as nossas vozes dizendo bobagens, poesias e outras bobagens. "Poxa, minha voz é assim mesmo?" É verdade, a gente ainda não se conhecia tanto.

E psicanálise ainda era considerada coisa de maluco. Só em 1968 que a análise entrou na moda. E também surgiram as primeiras fitas cassete. Lembro de ouvir o Album Branco dos Beatles em uma dessas estranhas novidades. E de achar inovador e genial uma capa toda branca e branca ainda por cima e por baixo.

Aliás, genial era o adjetivo da moda. Tudo era geniaaaal! Menos os filmes do Julio Bressane que passavam no Cine Payssandú. Eram loooongos e chaaaatos... Havia festivais de bossa nova nos ginásios e auditórios onde cantavam jovens promissores, tipo um garoto tímido chamado Francisco Buarque de Holanda, e mais Eduardo Lobo, Nara Leão, ou uns coroas metidos a garotões como Antonio Carlos Jobim, Carlos Lyra, Roberto Menescal e Vinícius de Morais. Todos geniaaais!

Jorge Benjor ainda se chamava Jorge Ben e era só um dos maiores craques do futebol de areia, em Copacabana. Bairro onde também Vinicius morou. E logo no meu prédio! Ele me dava bom dia no elevador (eu indo para o colégio, ele voltando da noite) e me gozava quando o seu Garrincha fazia gols no meu Mengão. E o que é pior: nunca conversamos sobre poesia, amor ou literatura. Só sobre bola e os grandes peitos sem silicone(!) da vizinha do 302.

Açúcar não fazia mal. Engordava e causava cáries, mas não era o veneno de hoje. Não havia refrigerantes Diet ou Light. E Light era só um clube do qual minha mãe não era sócia, pois me dizia isso sempre que eu deixava a luz do quarto acesa atrás de mim.

Havia um tal refrigerante Grapette, que "quem bebe, repete" cuja principal característica era a de deixar a língua roxa. Roxa como a luz negra que dava ares de Londres ou San Francisco nas nossas festas e nos deixava com uns dentes cor de dente de vampiro. Nas festas, brincava-se de pêra, uva ou maçã. Pêra era aperto de mão, uva, abraço, maçã, beijo. As mais afoitas escolhiam logo salada mista de frutas. Mas nunca dei a sorte de escolher tamanha iguaria...

Legal foi quando o Bob´s de Copacabana inventou o queijo quente, e ia bem com a novidade do suco de uva. Pouco depois lançaram a salada de atum e a de ovos, mas essa não era muito popular, porque dava gases e tínhamos que mostrar que a mão não estava amarela. Confesso que até hoje nunca entendi qual era a relação entre a flatulência e a cor da palma da mão.

Trocava-se de mal apertando os dedos mindinhos, fazia-se as pazes com os polegares. Em uma era pré-Aids fazíamos pactos de sangue. Éramos dramáticos até a morte extrema. E tudo era prenúncio de uma tragédia grega ou de fotonovela italiana da finada revista Grande Hotel. Os atores tinham até fã-clube no país. E causavam suicídios entre as mal-amadas.

Brigávamos na rua por bobagens tipo "não mete minha mãe no meio, senão eu meto no meio da tua”. E quando alguém do prédio acima jogava água (ou outros) para acabar com a balbúrdia, gritávamos: "Joga a mãe junto, amarrada a um piano!”. Imagino que era para ela cair mais rápido. Ou talvez um certo preconceito contra os "pequenos burgueses" que tinham piano em casa. O quente era tocar violão! Eramos meio edipianos...

Alguns começavam a fumar bem cedo para se sentirem mais velhos como o Sean Connery, charmosos que nem o Paul Newman, gostosas como a Kim Novak ou Marilyn Monroe. E macho mesmo fumava só cigarro sem filtro, tipo Continental. Vários já viraram saudade nesta onda.
Eu experimentei um tal de "Cigarros Cônsul" porque era mentolado, mas ainda bem que tossi tudo o que não tinha direito na frente da guria que queria impressionar.
Salvo do câncer, do enfisema e da impotência (ufa!) pelo engasgo e pelo mico.

Nos cinemas era proibido comer, fumar e beber. E alguns beijos mais afoitos eram devidamente iluminados pelo lanterninha. Se o casal reincidisse no delito era colocado para fora, como Adão e Eva do Cine Paraíso. Muitas boas reputações foram destruídas em matinês...
Menina que ia à Barra da Tijuca de noite ficava falada para o resto dos dias.
Se fosse de lambreta então, já estava no inferno. E não casava mais. Apesar de que alguns cirurgiões plásticos apregoavam que sabiam como restaurar virgindades. Literalmente.

Para nós, garotos com espinhas ou sem espinhas, sexo só com as revistinhas de sacanagem do Carlos Zéfiro, que ainda não era cult e não posava em capa de disco da Marisa Monte. Ou então, com revistas de fotografias que mostravam fotos de mulheres nuas retocadas "lá em baixo" em uma era pré-Photoshop. Vai ver que foi por isto que virei fotógrafo depois.

Revista Playboy só as importadas. E alguns pais as mantinham guardadas em cofres, junto com os bônus do Tesouro Nacional. E mesmo assim nelas não podiam aparecer pêlos e nem a perereca. Que, aliás, a Dercy Gonçalves, que já era velha na época, tão bem popularizou na música " A Perereca da Vizinha Está Presa na Gaiola". Um clássico do cancioneiro carnavalesco, como veremos depois.

As meninas eram muito "difíceis" e, zelosas da reputação ou com, medo de ficar para "titia" só começavam a atuar bem depois dos vinte. A solução era recorrer às profissionais, que estavam mais para amadoras, com trocadilho mesmo. Ou visitar o quarto daquela empregada mais afoita na calada da noite.

Naquele tempo não haviam diaristas e quase todas dormiam nas casas onde trabalhavam. E tinham que subir pelo elevador dos fundos junto com os "pretos" ou "os de pele moreninha", eufemismo então corrente no país que mal sabia disfarçar um racismo secular.
O Brasil era uma grande senzala. Era?

Não havia esse negócio de viajar para Búzios com o namorado.
Búzios era uma vila de pescadores, quase nos cafundós, e só ficou famosa depois que o namorado brasileiro de Brigitte Bardot (que, aliás, era marroquino, mas os jornais entusiamados logo o "naturalizaram") levou-a para fugir dos paparazzis que tanto a perseguiam pelo Rio.

Brigitte depois voltou para cá e dava tanto mole pela cidade que já a chamavam de "arroz de festa". "Ih... lá vem aquela chata da BB...". E estas duas letras em maiúsculas viraram para todo o sempre abreviatura de "boa e burra". Isto é, até o Big Brother surgir.

Algumas reputações de Hollywood foram destruídas nos bailes de Carnaval. Todos se lembram do galã másculo Rock Hudson agarrado aos beijos e barrancos com um fuzileiro naval na piscina do Copa, enquanto a orquestra atacava de Cidade Maravilhosa. Música que encerrava os bailes, de clubes ou das ruas cercadas por cordas, onde ficávamos dando voltas abraçados nas meninas, vestidos de tirolês, caubóis ou havaianas.

E pulando ao som de uma bandinha xexelenta(?) tocando músicas de duplo sentido, ou até meio explicitas, tipo: "olha a cabeleira do Zezé, será que ele é...", ou" foi ele que botou o pó em mim". Pó de mico... É claro que as meninas avançadas trocavam o "ó" por "au"... E sempre ajeitando os sarongues.

Aliás, as sandálias havaianas eram chamadas de japonesas e homem só podia usar as de cores escuras. E mesmo assim só para ir à praia. Camisa vermelha era "coisa de viado", diziam. Ou pederasta, como as famílias diziam dos filhos dos outros. Mas havia muito pai que era cego e não via que seu filho dava umas boas "desmunhecadas" ou jogava "água fora da bacia";.
A juventude era uma doença que se curava com o tempo.

Até que, no começo de 1964, a Beatlemania explodiu no mundo e tudo começou a mudar. Pela primeira vez na história, jovens começavam a formar opiniões e a mudar o comportamento vigente da sociedade careta de então. Descobríamos a liberdade. Que não era só um jeans azul e desbotado do anúncio da US Top. Liberdade,liberdade que abria suas asas sobre nós!
Ela era real e para sempre. Assim, pelo menos pensávamos.

Mal sabíamos que em 1º de Abril de 1964, o dia da mentira, um golpe militar de direita iria mergulhar o país na mais longa noite, na pior escuridão, no caos e no medo.
Uma noite que durou 21 anos. Nesta longa e vazia noite, amigos desapareciam, como que encantados por um bruxo mau, para sempre. No que parecia ser uma escuridão eterna, havia uma tênue esperança de luz no fim do túnel. Alguns, mais pessimistas, diziam que era um trem na contramão...

Pichávamos paredes com palavras de ordem contra os militares. Passeávamos em passeatas, no centro da cidade, que sempre acabavam, em grossa pancadaria, repressão das "otoridades" e muitas prisões. E beijos entre os sobreviventes, livres, leves e até então soltos. Mas a gente era feliz. E sabia disso, mesmo quando vivíamos na fossa. Que, aliás, eram volúveis e voláteis e sujeitas a dias de praia e sol e noites de chuva ou lua cheia.

Acreditávamos no amor eterno, mas não achávamos que veríamos o século XXI. E 2001, além de ser um grande enigmático filme (para os reles mortais e burgueses que não entendiam bulhufas), era uma data abstrata e distante. Nos saudávamos uns aos outros com um simples "paz e amor".

Acreditávamos nisso. E continuo acreditando...

(Texto Frederico Mendes/fotos reprodução)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

NAS ASAS DA PANAIR....

Comecei a voar cedo, e uma das minhas primeiras lembranças foi o vôo da minha cidade natal até o interior de Goiás, onde fui criado. Lembro-me bem, apesar de ter apenas quatro anos: era um Douglas DC-3 da Real Aerovias, um dos desbravadores do sertão brasileiro e apto a pousar em quase todas as pistas de terra. Deste vôo, ficou na memória olfativa o cheiro de maçãs.

Quando de férias, a escolha de eleição era o barulhento, lento e trepidante Douglas DC3 Dakota (também conhecido pela sua sigla militar, C-47) nas viagens de negócios que fazia junto com meu pai, rumo a Salvador, Recife, Fortaleza, São Luís e Belém do Pará. Eram horas dentro daquele casulo quente e barulhento, ao sabor de indesejáveis turbulências ou perdas momentâneas de sustentação, que nós leigos chamávamos de "vácuo".


Mas houve também um agradabilíssimo périplo Brasilia-São Luis-Belém a bordo de um C-46 Curtiss Commando do Lóide Aéreo Brasileiro. Inesquecível também foi um vôo de retorno a Brasilia num dos meus ícones da aviação, o quadrimotor Lockheed Constellation, o velho e bom "Connie".

Nas andanças pelo interior do país, emoção garantida era o pouso do PBY-Catalina nas águas dos Rios Tapajós,Tocantins, Araguaia e Xingu, em aeronaves da pan Air do Brasil ou nas caronas do Esquadrão de Transporte Aéreo da FAB.

Mas aí veio a era do jato e a grande descoberta foi o Caravelle, veloz e silencioso. Daí em diante vieram vários, como o YS-11 Samurai da Cruzeiro do Sul, num vôo Belém-Manaus. Ou o raro British Aerospace BAE-146 num vôo demonstração pela Amazônia. Depois uma infinidade de Boeings, 737, 727, Fokker 100, Airbus, etc.

Curioso que jamais voei o lendário Lockheed Electra II no Brasil, mas sim num vôo de seis horas entre Los Angeles e Anchorage, no Alaska. E isto sem contar a infinidade de Piper, Cessnas e Beechcrafts de pequeno porte.

Voar hoje, apesar da maior velocidade e relativo conforto, é apenas mais uma necessidade do mundo pós-moderno, banalizada pela impessoalidade dos serviços das companhias de tarifas econômicas e sem nenhuma personalidade.

Gostaria muito de fazer um charme e dizer que a primeira coca-cola foi a bordo de um avião da Pan Air, como na canção famosa de Milton Nascimento. Mas seria uma mentira deslavada: foi em 1961, num clipper da avenida Boulevard Castilhos França, em Belém do Pará. Nunca esqueci...

(fotos reprodução)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

PAIXÕES AUTOMOTIVAS....

Em termos de carros, minha mais remota lembrança é um corso carnavalesco a bordo de um jipe Land Rover ano 1949, lá pelos idos de 1956. Curiosamente, vem daí também minha primeira memória musical, o samba "Fala, Mangueira !" na voz de Ângela Maria.

Depois vem a lembrança de um Belair 1956, azul e branco (saia e blusa), duas portas, sem a coluna central. Então vieram os Impalas e Cadillacs rabos de peixe do início dos anos 60, que meu pai insistia em comprar, já que era fã inveterado de motores V8 ou seis-em-linha. É talvez dessa época uma de suas poucas "escorregadelas", uma Kombi de seis portas que fazia a alegria da meninada naqueles passeios dominicais.

Como comerciante atacadista de café em grão, não raro entrava um carro nos negócios e na nossa garagem vez por outra apareciam DKW-Vemag (que meu pai não suportava...), Fuscas 1200 (tolerados pela resistência e economia), alguns Simca (cujo raquítico motor V8 perdia de longe em comparação com os originais americanos...), um ou outro FNM-JK , charmosíssimo com as cinco marchas na coluna, mas de suspensões duras e uma terrível tendência ao superaquecimento.

Curioso como meu pai desenvolveu uma estranha atração por carros franceses e isto se notava pela demora em se livrar de um Citröen Traction Avant e mais tarde de um de meus favoritos, o DS "Cara-de-Sapo", que várias vezes me levou à escola. À medida que aumentava a produção automobilística nacional, a preferência recaiu então nas enormes Chevrolet Veraneio ou numa eventual Simca Jangada.

Já quase adolescente, caí de amores por um MG TD 1954 de um vizinho, cujo irmão estudava comigo e por tantas vezes me deu carona até o colégio. Também uma berlineta Interlagos do playboy oficial da cidade por muito tempo povoou meus sonhos. Ou um solitário e misterioso Brasinca verde que aparecia na minha rua a horas mortas, em visitas suspeitas a uma balzaquiana solteirona...

Tive um tio que ganhava a vida em mesas de pôquer e foi ele quem me apresentou o primeiro Puma-DKW, ganho num full hand devastador. Belíssimo, todo prata e interior em couro vermelho, ficou uma semana na nossa garagem, tempo suficiente para uns dois passeios com o belo GT. Mas foi se embora tão rápido como veio para destino ignorado. Coisas de jogador inveterado...

Mas o tempo não pára. Vem a adolescência e o sonho da molecada não era só uma calça velha, azul e desbotada. E também um fusca 1300 cc, rodas de magnésio "bolo de noiva", volante Fórmula Um e, se possível, uma carburação dupla Solex 32 e descarga lateral Kadron. Não escapei a isso, embora só fosse ter um fusca depois dos trinta anos. E isso para não falar nos esportivos nacionais da época: o desejado e quase inacessível Puma Gt1600 e o Lorena GT.

Enfim, depois veio o período das realizações que, embora seja muito gratificante, põe por terra alhuns de nossos sonhos inalcançáveis. Meu primeiro carro, ao contrário da tendência da época, não foi um fusca e sim um Opala 2500 cc, quatro portas, standard, travestido de modelo SS. Depois veio o meu favorito de todos os tempos, o Opala SS4, no qual grande parte da minha vida foi escrita dentro dele. Mas aí é outra história....

(fotos reprodução)

sábado, 9 de janeiro de 2010

'UM HOMEM, UMA MULHER..."

O filme "Um homem, uma mulher" (Un homme et une femme, direção Claude Lelouch,1966) aborda o relacionamento tumultuado entre Jean Louis Duroc (Jean Louis Trintignant) e Anne Gauthier (Anouk Aimée), dois viúvos recentes que não conseguem libertar-se de seu passado.

Tendo como plano de fundo as corridas de automóveis - Trintignant interpreta um piloto profissional de corridas, ligado à Ford France - e o cinema, papel de Anouk Aimée que encarna uma assistente de direção.

O filme marca também como uma ruptura definitiva aos ditames da nouvelle vague francesa, pontuando os diversos estados de espírito dos personagens através da exuberante fotografia, especilidade de Lelouch, que vinha da publicidade.



Embora criticado como um grande merchandising da Ford, haja vista as cenas do Rallye de Monte Carlo onde supostamente Duroc teria vencido com um Mustang branco usado ao longo de todo o filme, a película ganhou os principais prêmios da época, como o Leão de Ouro de Cannes e o Globo de Ouro americano.



Acima minha seqüencia predileta, os 9m 11s em que Duroc (Trintignant) testa um GT-40, um F-3 e o já citado Mustang no lendário circuito de Montlhéry, perto de Paris, pontuado pela bela trilha sonora de Francis Lai.

( vídeo reprodução)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

'O LONGO ADEUS..."

Desde pequeno sempre fui um leitor voraz. Devorava de tudo: livros, revistas, gibis, jornais, até bula de remédio. Ao longo do tempo, fui ficando um pouco mais seletivo e uma das minhas preferências recaiu sobre o romance policial.

Mas a fissura veio mesmo com Raymond Chandler e Dashiell Hammett, os grandes mestres do "policial noir". Meu favorito é de longe Raymond Chandler, um dos maiores escritores norte-americanos de todos os tempos e um dos inventores do gênero que a partir dos anos 40 estabeleceria um marco de qualidade e originalidade na literatura de língua inglesa: o policial noir.

"Considerado inicialmente como autor de pulp fiction (literaturatura policial barata), aos poucos elevou-se do gênero policial para fundar com Dashiell Hammett, David Goodis e Chester Himes, o novo estilo menos popular, mas mais refinado. Ao contrário do policial tradicional, criado por Edgar Allan Poe (inspetor Dupin), Arthur Conan Doyle (Sherlock Holmes), Agatha Christie (inspetor Poirot e Miss Marple), Chester Himes (Padre Brown), entre outros, que privilegiavam o mistério e a solução de crimes complicadíssimo através da argúcia e do raciocínio lógico, Hammett e Chandler fizeram literatura no mais alto nível.

Seus detetives, muito menos do que geniais descobridores de criminosos, eram personagens contraditórios, cínicos, que transitavam pelas mansões de Bervelly Hills e por sórdidos bares da periferia de Los Angels tentando ganhar a vida, trabalhando em casos geralmente banais, seguindo algum marido traído, ou um perigoso gangster por 25 dólares por dia, mais despesas.

Sam Spade e Philipe Marlowe, respectivamente os personagens da maioria dos romances de Dashiell Hammet e Raymond Chandler, fascinam o leitor pelo ceticismo e o cinismo diante da vida numa época em que os Estados Unidos tentava penosamente levantar-se da queda provocada pela profunda recessão dos anos 30.

Estes detetives são frutos deste país em crise, onde a construção da futura maior nação capitalista do mundo convivia com hordas de desempregados e aventureiros lutando pela vida. São homens da cidade, habituados as tensões e à violência. A expressão "looser" (perdedor) é recorrente nestes autores e, se por um lado eram homens "durões", que agüentavam porrada, toda a sorte de enrascadas, no fundo, eram uns sentimentais.


Elliot Gould interpreta Philip Marlowe em "Um Perigoso Adeus", 1973.

E, além disso, conviviam mal com os tiras que estavam sempre no seu pé. Aliás o magnífico "O Longo Adeus" de Chandler – sua obra-prima –, finaliza dizendo que "só os tiras não dizem adeus". Eles estão sempre lá, raramente a favor, mas quase sempre prontos para impedir ou prejudicar as investigações privadas. Tiras não gostam de detetives particulares.

Este fascinante Philip Marlowe figurou em oito romances como protagonista de tramas complicadas. Parafraseando Nelson Rodrigues, pode-se dizer que nestes romances está "a vida como ela é". Os crimes, quando existem, são tão factíveis que nos dão a impressão de que são tirados dos tablóides populares.

Ou seja, são fruto do lado obscuro do cotidiano em que vivemos. E os personagens andam no limiar daquilo que é legalmente aceitável. No caso de Chandler, temos um interessante retrato da Califórnia em meados do século XX. Los Angeles já é a meca do cinema, e freqüentemente atores de segunda categoria, produtores fracassados, convivem com gângsters, prostitutas de luxo, tiras corruptos, atrizes decadentes e figurões em busca de uma oportunidade para ganhar um bom dinheiro, seja limpo ou não.

Humphrey Bogart como Marlowe em "The Big Sleep", 1946.

Se em "O Longo Adeus" temos um inesquecível livro sobre a amizade e a lealdade, em "Adeus Minha Adorada", "A Dama do Lago" e "A Irmãzinha" temos mulheres que acenam com histórias impossíveis, mas que geralmente balançam o melancólico Marlowe, homem de coração endurecido e esperanças roubadas pelas vicissitudes da vida.

Sempre há uma mansão em Palm Beach, ou Malibu. Sempre há um cliente recusado que volta uma, duas vezes, até que convence o sentimental Marlowe a aceitar o caso. E ele sempre pensa "eu não devia fazer isso". E sempre acaba se arrependendo. Irônico, homem de poucas palavras, como convém a um tough guy, o cínico Marlowe vai recolhendo material para desacreditar o gênero humano.

E o fascinante é que ele sempre tem uma recaída. Chandler consegue deixar uma fresta de humanismo que faz com que seu detetive cure a ressaca de gimlet ou bourbon e a contra gosto faça a barba e volte para seu poeirento e antiquado escritório onde o telefone toca muito raramente".

(Fotos e texto L&PM)

sábado, 2 de janeiro de 2010

SÍMBOLO DE PODER MASCULINO...

Acessório tido como indispensável do vestuário masculino, a gravata - em que pese a resistência de alguns - representa um dos mais sérios símbolos de poder, prestígio e bom gosto no guarda roupa do homem modermo.

Embora seja conhecido o uso de lenços nos pescoço por soldados chineses no século III A.C., a gravata como a conhecemos no mundo ocidental teve seus primórdios no ano de 1618 quando um exército croata passou por Paris durante a Guerra dos Trinta Anos, trajando um lenço ao redor do pescoço.

A novidade logo virou moda em Paris, evoluindo para adereços de seda e renda adotados pela realeza e nobreza francesas - chamados de cravate, como um derivado da palavra "croata".

Luis XIV foi um dos mais entusiasmados adeptos do novo estilo etoda a corte do Rei Sol usava a peça, feita de tiras de tecido (geralmente linho branco muito bem engomado) enroladas no pescoço formando uma cascata na frente.

A extremidade era enfeitada com rendas e pregas. Após a Revolução Francesa, a moda masculina ficou mais sóbria e vários elementos caíram. Mas a gravata continuou forte. Na começo do século XIX, o inglês Bryan Brummel ( conhecido como "o Belo Brummel') criou um novo estilo que reforçou o símbolo de poder das 'cravates': o dândi.

Marcadas pela sobriedade, as roupas dândis não levavam acessórios, jóias ou bordados. Além de calça comprida, colete e casaco, os dândis usavam uma gola alta com um lenço com nós sofisticados. Segundo a lenda, o Belo Brummel fazia vários tipos de nós elaborados e até o rei da Inglaterra na época visitava sua casa para aprender os tipos de amarrações.

Nos anos 1800, se um homem tocasse o lenço no pescoço de outro a ofensa era tanta que poderia acabar em duelo. Ainda de acordo com alguns estudiosos do tema, a gravata moderna surgiu em 1860, quando se começou a amarrar o lenço como os nós das rédeas de carruagens de quatro cavalos - o hoje chamado 'nó simples'.

O poder masculino

Na Inglaterra do século XIX, as 'cravates' já eram usadas por universitários e em regimentos militares, escolas e clubes. Nessa época eram do tipo borboleta e só no final do século, se começou a usar uma fita mais fina com um anel, que deu origem ao formato atual.

Embora as variações no estilo tenham mudado ao longo do tempo, a gravata sempre foi símbolo de poder e de respeito. s Os Exércitos do século XVII eram compostos de nobres. O lenço no pescoço sempre simbolizou status e formalidade. Até hoje ela é usada em ocasiões formais.

Representante da masculinidade, a gravata mudou de formas algumas vezes durante o século XX. Na década de 1930, na época de recessão econômica, as gravatas ficaram largas, os ombros cresceram, e as lapelas também.

É talvez dessa época a criação dos mais famosos nós de gravata já criados: o nó simples, o nó duplo, o four-in-hand, o semi-Windsor, o Windsor e o inconfundível nó borboleta.

Atribui-se erroneamente ao Duque de Windsor - um dos parâmetros e árbitros da elegância masculina do início do século passado - a criação do nó que leva seu nome.

Na realidade o Duque usava o clássico four-in-hand mas como suas gravatas eram feitas sob encomenda especial, usava um tipo de tecido com o forro mais espesso, o que ajudava a dar uma forma mais volumosa ao nó. A gravata era diferente, não o nó. Mas ficou o mito e a fama do nó Windsor.

Hoje, no mundo moderno com novos tecidos, padronagens e tecnologia - além da falta de tempo - o nó de gravata mais consagrado é o Semi-Windsor, mais apropriado à variedade de tecidos e que cai bem na maioria das reuniões de negócios ou em eventos sociais.

(fotos reprodução/pesquisa de texto Gênesis)