segunda-feira, 30 de novembro de 2009

PERFUME DE GARDÊNIA...

Além dos desafios naturais proporcionados pela adolescência, quem foi jovem ali pelo final dos sixties enfrentava mais um problema, este de natureza mais prosaica. E a tarefa era mais inglória para quem queria marcar presença e criar identidade junto ao público feminino.

No tocante à perfumaria masculina as poucas opções eram de uma pobreza total, ao contrário do que ocorreria de meados dos anos 70 em diante. É, no entanto, importante lembrar que para os homens daquela época, cuidados pessoais se restringiam ao obrigatório trio espuma/loção após-barba/lavanda e quando muito um creme para cabelo (ei, quem se lembra de Biorene?). Creminhos hidratantes, shampoos especiais, sabonetes masculinos, loções após-banho, nem em sonhos ou no melhor dos devaneios.

Pessoalmente, ali pelos quinze/dezesseis anos, tinha que me virar com o estoque de meu pai que às vezes variava do English Lavender da Atkinsons inglesa (sua linha favorita) ou um eventual Bond Street (Yardley); e isto para me livrar do quase onipresente e nauseabundo Lancaster argentino que tresandava a quilômetros de distância, presença obrigatória em qualquer festinha hi-fi que se prezasse.

Creio que foi ali por 1970 que minha irmã me presenteou com um kit que eu usaria por muitos anos: o lendário conjunto de desodorante, sabonete e loção Rastro, criação de Aparício Basilio da Silva e o primeiro perfume nacional realmente voltado para o universo masculino, em que pese a embalagem cor de rosa e o inconfundível aroma cítrico. Um clássico, sem dúvida.

Creio que também é da mesma época o Trés Brütt de Fabergé - o legítimo, convenhamos - a linha da Yardley ou o Pour Homme de Paco Rabanne. Havia outros é claro, dependendo do bolso e coragem de cada um, mas desses principalmente é que a memória olfativa me permite recordar.

(fotos reprodução)

sábado, 28 de novembro de 2009

A DIVINA ELIZETH CARDOSO....

Elizete Moreira Cardoso nasceu em São Francisco Xavier, perto do morro de Mangueira, no Rio de Janeiro, em 16 de Julho de 1920. o pai, seresteiro, tocava violão e a mãe gostava de cantar. Pouco antes de completar seis anos estreou cantando no rancho "Kananga do Japão"; aos oito já cobrava ingresso (10 tostões) da garotada da vizinhança para ouvi-la cantar os sucessos de Vicente Celestino.

Cedo precisou trabalhar e, entre 1930 e 1935, foi balconista, peleteira, funcionária de uma fabrica de saponáceos e cabeleireira, ate ser descoberta, na festa de seu 16º aniversÁrio, por Jacob do Bandolim, que a convidou para fazer um teste na Rádio Guanabara. Apesar da oposição inicial do pai, apresentou-se em 18 de agosto de 1936 no "Programa Suburbano", ao lado de Vicente Celestino, Araci de Almeida, Moreira da Silva, Noel Rosa e Marília Batista. Na semana seguinte foi contratada para um programa semanal da mesma rádio.

Passou depois pela Rádio Educadora, programa "Samba e Outras Coisas", e por outras emissoras do Rio de Janeiro. Mas, como os salários eram baixos, começou a fazer shows em circos, clubes e cinemas, apresentando um quadro com Grande Otelo, que se repetiria por quase dez anos: "Boneca de piche" (Ari Barroso e Luís Iglesias). O sucesso das apresentações e seu talento de passista lhe valeram o convite para ingressar como sambista em uma companhia de revista, onde conheceu Ari Valdez, com quem se casou no final de 1939.

O casamento durou pouco, resolveu então trabalhar em boates como taxi-girl, atividade que exerceria por muito tempo. Em 1941, tornou-se crooner de orquestras, chegando a ser uma das atrações do dancing Avenida, que deixou em 1945, quando se mudou para São Paulo para cantar no Salão Verde e para apresentar-se na Rádio Cruzeiro do Sul, no programa "Pescando Humoristas".

Regressou ao Rio de Janeiro em meados de 1946 e voltou a atuar como crooner no Avenida eem outros dancings até ser contratada pela Rádio Mauá para o programa "Alvorada da Alegria", em 1948, mas logo a seguir transferiu-se para a Rádio Guanabara. Em 1950, graças a Ataulfo Alves, gravou pela primeira vez na Star, cantando Braços vazios (Acir Alves e Edgard G. Alves) e Mensageiro da saudade (Ataulfo Alves e José Batista), mas não chegou a ter êxito: o disco foi logo tirado de circulação por defeitos técnicos. O sucesso veio na segunda gravação, realizada na Todamérica em 1950, com a música Canção de amor (Chocolate e Elano de Paula), tendo no outro lado do disco o samba Complexo (Wilson Batista).

O grande êxito de Canção de amor levou-a a Rádio Tupi e, em 1951, a uma participação no primeiro programa de televisão no Rio de Janeiro (TV Tupi) e nos filmes Coração materno, de Gilda de Abreu, e É fogo na roupa, de Watson Macedo. Ainda em 1951, foi contratada pela Rádio Mayrink Veiga e pela boate Vogue, e gravou um dos seus maiores sucessos, Barracão (Luís Antônio e Oldemar Magalhães).

Em 1952, além de atuar no filme O rei do samba, de Luís de Barros, gravou Maus tratos (Bororó e Dino Ferreira) e Nosso amor, nossa comédia (Erasmo Silva e Adolar Costa). Em 1953 participou do show Feitiço da Vila, na boate Casablanca, no Rio, estreando-o em São Paulo no ano seguinte, quando foi contratada pela Rádio e TV Record. Ainda em 1954, deixou a Rádio Tupi e foi para a TV Rio; logo depois gravou seu primeiro LP pela Todamerica e apresentou-se no Uruguai.

No ano seguinte, trabalhou em outro filme, Carnaval em lá maior, de Ademar Gonzaga, e lançou seu primeiro LP, Canções a meia-luz com Elizeth Cardoso (Continental). Passou, em 1956, para a gravadora Copacabana, onde lançou a maior parte de seus grandes sucessos, Fim de noite e Noturno. Em 1958, trabalhou nos filmes Na corda bamba, de Eurides Ramos, Com a mão na massa, de Luís de Barros, e Pista de grama, de Haroldo Costa. Nesse mesmo ano, lançou na etiqueta Festa o LP Canção do amor demais, disco considerado inaugural da bossa nova, pois era todo dedicado as musicas de Tom Jobim e Vinícius de Morais, alem do acompanhamento ao violão de João Gilberto em Chega de saudade e Outra vez.

Em 1959, gravou para o filme Orfeu do Carnaval, de Marcel Camus, as canções Manha de Carnaval e Samba de Orfeu. No inicio da década de 1960, estreou o programa Nossa Elizeth, na TV Continental, do Rio de Janeiro. Em fevereiro de 1960, após o lançar o disco Magnifica, foi contratada pela Rádio Nacional, no programa Cantando pelos Caminhos. Em seguida, lançou o disco Sax voz e apresentou-se em Buenos Aires e em Portugal; na volta lançou um dos LPs mais vendidos em toda sua carreira, Meiga Elizete.

Em 1961, aproveitando o sucesso dos discos anteriores, lançou Meiga Elizeth n.º 2, e Sax voz n.º 2, sem muita repercussão se comparados ao LP Elizeth interpreta Vinícius (1963). A 16 de novembro de 1964, após lançar o quinto disco da serie Meiga Elizeth, deu um importante recital no Teatro Municipal, de São Paulo, interpretando as Bachianas brasileiras n.º 5 (Villa-Lobos), e, em março do ano seguinte, participou do espetáculo Rosa de ouro, que deu origem ao LP Elizeth sobe o morro, um marco da discografia brasileira.

Ainda em 1965, em agosto, iniciou na TV Record, de São Paulo, o programa Bossaudade, que teve grande êxito por quase dois anos. Terminou o ano de 1965 participando do espetáculo Vinícius, poesia e canção, no Teatro Municipal de São Paulo. Em 1966, participou da delegação brasileira ao Festival de Arte Negra, em Dacar, Senegal, e no ano seguinte lançou pela Copacabana o LP A enluarada, com participação especial de Pixinguinha, Cartola, Clementina de Jesus e Codo.


Em fevereiro de 1968 realizou no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, um espetáculo com o Zimbo Trio, Jacó do Bandolim e seu conjunto Época de Ouro; o show, produzido por Hermínio Bello de Carvalho para o Museu da Imagem e do Som, do Rio de Janeiro, foi gravado ao vivo em 2 LPs. Ainda em 1968, realizou com o Zimbo Trio uma longa excursão pela América Latina para divulgar a MPB.

Um ano depois gravou Sei lá, Mangueira (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho), foi convidada pela OEA para participar, com o Zimbo Trio, do Festival Interamericano de Musica Popular, em Buenos Aires, realizou shows nas boates Blow-Up, em São Paulo, e Sucata, no Rio de Janeiro, lançando o LP Elizeth e Zimbo Trio balançam na Sucata, e, por fim, já no final do ano, estreou novo show no Sucata, com mais um disco gravado ao vivo: É de manhã.

Participou de uma tourneé pelos EUA, em abril de 1970, junto com o Zimbo Trio e, no ano seguinte, lançou dois LPs com Silvio Caldas, onde cada um canta alguns dos sucessos do outro. Em 1973, apresentou o programa Sambão, pela TV Record, de São Paulo, que ficou cerca de um ano e meio no ar.

Em 1974 foi homenageada pela Escola de Samba Unidos de Lucas, que obteve o segundo lugar no desfile com o tema Mulata maior, a Divina, e teve sua interpretação de Carolina (Chico Buarque) incluída no filme francês "O jogo com o fogo", de Alain Robbe-Grillet. No inicio de 1975 apresentou-se com imenso sucesso em Paris, no Festival do Mercado Internacional de Discos e Editoras Musicais (MIDEM). No ano seguinte, passou a apresentar o programa Brasil Som 7, na TV Tupi de São Paulo, e lançou Elizeth Cardoso, ainda pela Copacabana.

Em setembro de 1977 fez uma tourneé pelo Japão, onde gravou o LP Live in Japan (Global Records). Em 1978, realizou sua segunda excursão pelo Japão, gravando um LP duplo ao vivo, lançado apenas em 1982 pela Victor. De volta ao Brasil, lançou o álbum duplo A cantadeira do amor, o ultimo pela Copacabana, gravadora na qual lançou 31 LPs e 25 discos 78 rpm. Em 1979, na Som Livre, lançou O inverno de meu tempo. Ainda em 1979, em uma produção de Hermínio Bello de Carvalho, apresentou-se com a Camerata Carioca, dirigida por Radamés Gnattali; inaugurando uma parceria que se estenderia ate suas ultimas gravações.

Em 1980, após excursionar pela Argentina, percorreu o Brasil com o Projeto Pixinguinha da Funarte, e em dezembro estreou, no Teatro João Caetano, o espetáculo Vida de artista, que deu origem ao LP Elizethissima (Som Livre). Em 1981 participou do Projeto Seis e Meia e do Projeto Pixinguinha. No inicio de 1982 estreou no Rio de Janeiro o espetáculo Reencontro e lançou seu terceiro LP pela Som Livre: Outra vez.

Em 1983 apresentou-se com a Orquestra de Câmara do Recife e, depois, com a Camerata Carioca, no show Uma rosa para Pixinguinha, na Funarte do Rio de Janeiro, o que lhe rendeu um LP, lançado poucos meses depois. No ano seguinte estreou no Rio de Janeiro o espetáculo Leva meu samba, promovido pela Funarte, em homenagem aos 15 anos da morte de Ataulfo Alves, levou o espetáculo para o Nordeste e, depois, para São Paulo, onde o show foi gravado pelo selo Eldorado, mas lançado apenas em maio de 1985.

Em 1986, em comemoração aos seus 50 anos de carreira, estreou no Scala do Rio de Janeiro o espetáculo Luz e esplendor e lançou um disco de mesmo nome, pela Arca Som. Em agosto de 1987, com o Zimbo Trio, o Choro Carioca e Altamiro Carrilho, realizou sua terceira e mais longa excursão pelo Japão, quando descobriu que estava com câncer.

Durante quase sete décadas de vida artística, interpretou quase todos os gêneros, tendo-se fixado no samba, que cantava com extraordinária personalidade, o que lhe valeu vários apelidos como A Noiva do Samba-Canção, Lady do Samba (pelo seu donaire ao cantar) e outros como Machado de Assis da Seresta, Mulata Maior, A Magnifica (apelido dado por Mister Eco), a Enluarada (por Hermínio Bello de Carvalho). Nenhum desses títulos, porem, se iguala ao criado por Haroldo Costa e que permaneceu para sempre ligado ao seu nome – A Divina. Faleceu em 07 de Maio de 1990.

(Texto Enciclopédia da Música Brasileira/Foto reprodução)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O VELHO E BOM "MANHATTAN"...

Por muitos anos e quando era frequentador de bons bares, o Manhattan foi meu drinque preferido. Até hoje por sinal, mas atualmente bebo bem menos do que mereço. Conta a história que foi inventado por um certo Dr. Ian Marshall no início da década de 1870 no Clube Manhattan em Nova Iorque, num banquete em honra do presidenciável americano Samuel J. Tilden e promovido por Jennie Jerome, Lady Randolph Churchill e mãe do famoso premier inglês, Winston Churchill.

Com o sucesso do banquete, o drinque logo se tornou obrigatório no mundo dos colunáveis americanos que se referiam a ele como "o coquetel do Manhattan". Como história, ótima, mas como na maioria dos mitos não resistem a observações mais acuradas: na época do tal banquete, Lady Churchill estava na França e grávida; portanto soa mais como ficção mas que valoriza tremendamente a lenda da criação do coquetel.

Basicamente, o Manhattan é uma combinação de uísque americano (rye, bourbon ou Tennessee), vermute italiano e angustura bitter, encimado por cerejas.

Para alguns especialistas é um dos seis drinques clássicos do homem moderno: forte, urbano e simples.

É também conhecido como "o rei dos coquetéis". Mas produzir um bom Manhattan não é tarefa para amadores e as receitas dos grandes barmen variam ao longo do tempo.

As divergências vão da proporção do uísque, vermouth (doce ou seco?) e a quantidade exata de gotas de angustura, o uso ou não de cerejas ao maraschino ao debate se batido em coqueteleira ou servido simplesmente mexido e on the rocks?

Mas num ponto quase todos concordam: Manhattan só em copos old fashioned, nunca em taça, muito embora tenham aparecido tantas variações que até um drinque feminino foi criado baseado na receita original, o cosmopolitan, ( uma dose de brandy substituindo o uísque e outra de vermouth doce) celebrizado na série televisiva Sex and The City.

Dentre todas as variações - Rob Roy, Dry Manhattan, Perfect Manhattan, Brandy Manhattan, Ruby Manhattan, Metropolitan, Cuban e Latin Manhattan - vai abaixo minha receita pessoal:

- Uma dose generosa de Jack Daniels
- Uma dose normal de vermute seco
- Duas gotas (não mais...) de Angustura Bitter
- Uma rodela de casca de laranja amarela
- Duas azeitonas

Numa coqueteleira com três pedras de gelo, mistura-se gentilmente as doses de bourbon e do vermute. Deita-se o conteúdo num copo para drinks old fashioned. Espreme-se o sumo da casca de laranja por cima e completa-se com as duas gotas de angustura e as azeitonas. É também conhecido como Dry Manhattan.

Sugiro beber ao som de qualquer coisa de Frank Sinatra ou Diana Krall, mas Tony Bennett ou Madeleine Peyroux são também toleráveis. Bem, a companhia aí é por sua conta...

(foto reprodução)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

SAUDOSOS DOCKSIDES...

"O estilo é o homem", já proclamava o naturalista Lord Buffon, 350 anos atrás. E em termos de estilo nada se compara aos anos 60, quando algumas marcas de roupas, calçados e perfumes estabeleceram um novo patamar para o mundo masculino, rompendo de vez com a caretice e o formalismo dos anos 40 e 50, privilegiando antes de mais nada conforto, praticidade e resistencia.

Entre esses, pouca coisa se compara com a criação dos famosos calçados docksides. Lançado em 1947 para uso náutico, o calçado basicamente partia do corte largo de uma só peça de couro amarrada com rústicos cadarços que trespassavam ilhoses de latão, sobre um solado de borracha branca anti-derrapante.

Dois mandamentos básicos orientaram sua criação: ser ultra confortável e resistente à agua do mar. Reza ainda a lenda - e todo bom produto que se preze tem direito a uma lenda ou mito - que seu famoso solado deve seu design às linhas copiadas da sola das patas do cachorro do criador do calçado.

Por mais de duas décadas os docksides frequentaram os conveses dos grandes veleiros e iates, calçando pés de cabeças iluminadas do mundo empresarial, político, artístico, milionários e playboys famosos, fazendo parte da imagem edulcorada do homem de sucesso dos anos 50 e 60. A partir de 1970 o fabricante americano Sebago resolveu popularizar a marca, lançando o produto para os simples mortais.

No Brasil o modelo só veio a ser largamente consumido nos anos 80, quando a Samello adquiriu os direitos de fabricação do docksides no país. Junto com a camisa polo e a calça de sarja, o docksides fazia o trio perfeito do estilo casual que vigorou naquela década. Com o passar dos anos e mesmo no vai e vem da indústria da moda, o velho e bom dockside resiste bravamente aos modismos passageiros. Um clássico do vestuário masculino, sem dúvida.

(foto reprodução)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

WALTER, O IDOSO...(*)



Provavelmente todos nós temos um na família. E um alerta para que nós, quase sessentões, não nos tornemos um deles...

* (Colaboração NirLandk)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

AFINAL,O QUE ELAS QUEREM DE NÓS...?

Assunto recorrente em qualquer rodinha masculina: afinal, o que as mulheres querem de nós?
O problema é que sempre perguntamos ou nos queixamos aos homens, que, como sempre, nada sabem o que rola na cabeça e no universo das mulheres. Portanto, aqui vai uma lista pescada de um fórum de assuntos femininos. Leiam e aprendam...

Eu quero um homem que... – Lista original, aos 22 anos:

1. Seja lindo,
2. Encantador,
3. Financeiramente estável,
4. Um bom ouvinte,
5. Divertido,
6. Em boa forma física,
7. Se vista bem,
8. Aprecie as coisas mais finas,
9. Faça muitas surpresas agradáveis,
10. Seja um amante criativo e romântico.
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Eu quero um homem que... – Lista Revisada (aos 32 anos)

1. Seja bonitinho,
2. Abra a porta do carro e afaste a cadeira pra eu me sentar,
3 Tenha dinheiro o suficiente para um jantar agradável
4. Ouça mais do que fale,
5. Ria das minhas piadas,
6. Carregue as sacolas do mercado com facilidade,
7. Tenha no mínimo uma gravata,
8. Aprecie comida caseira,
9. Lembre de aniversários e datas especiais,
10. Procure romance pelo menos uma vez por semana.
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Eu quero um homem que... – Lista Revisada (aos 52 anos)

1. Não seja muito feio,
2. Espere eu me sentar no carro antes de começar a acelerar,
3. Tenha um emprego fixo - goste de jantar fora ocasionalmente,
4. Balance a cabeça enquanto eu falo,
5. Geralmente se lembre das frases mais engraçadas de algumas piadas,
6. Esteja em boa forma pelo menos para mudar a mobília de lugar,
7. Use camisetas que cubram sua barriga,
8. Não compre cidra achando que é champagne,
9. Se lembre de abaixar a tampa da privada,
10. Faça a barba quase todos os finais de semana;
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Eu quero um homem que... – Lista Revisada (aos 62 anos)

1. Corte os pelos do nariz e das orelhas,
2. Não coce nem cuspa em público,
3. Não pegue dinheiro emprestado o tempo todo,
4. Não balance a cabeça até dormir enquanto eu estou reclamando,
5. Não conte a mesma piada o tempo todo,
6. Esteja em boa forma para conseguir levantar da poltrona nos finais de semana,
7. Normalmente use uma meia combinando com a outra e cuecas limpas,
8. Aprecie um bom jantar a frente da TV,
9. Lembre do meu nome de vez em quando,
10. Faça a barba em alguns finais de semana.
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Eu quero um homem que... – Lista revisada (aos 72 anos)

1. Não assuste as crianças pequenas,
2. Lembre onde fica o banheiro,
3. Não peça muito dinheiro,
4 Ronque bem baixinho quando dorme,
5. Lembre o porquê de estar rindo,
6. Esteja em boa forma para ficar de pé sozinho,
7. Normalmente use um pouco de roupa,
8. Goste de comida macia,
9. Lembre onde deixou seus dentes,
10. Saiba quando é fim de semana.
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Eu quero um homem que... – Lista Revisada (aos 82 anos)

1. Quero um homem que Respire...

(fotos reprodução)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

POR "LA CUBA LIBRE"...!

Um dos drinques de eleição da moçada jovem do final dos anos 50 e início dos 60, o Cuba Libre tem sua origem numa história muito interessante.

Consta que o coquetel foi criado em torno de 1901/1902 durante a guerra Americana-Espanhola, quando soldados do US Signal Corps estavam reunidos num bar da Velha Havana e um capitão pediu ao garçom uma mistura então inusitada: um copo alto cheio de gelo, uma dose de rum Bacardi Oro, uma fatia de limão, complementado com coca-cola.

Reza a história que o tal capitão bebeu o drinque com tal deleite que impressionou a seus soldados que não demoraram a querer provar a tal mistura. Em meio a seguidas rodadas, um deles mais animado resolveu fazer um brinde "Por Cuba Libre", celebrando a então recente liberação da ilha da Espanha.

Como charme e mitologia, muito interessante. Mas não resiste à menor investigação histórica: a guerra Americana-Espanhola foi travada em 1898 assim como é o ano da independência cubana. Os Rough Riders - regimento de Cavalaria de Voluntários, criado para lutar em Cuba - deixaram a ilha em setembro de 1898. E o mais importante, a coca-cola só foi aparecer em Cuba em torno de 1900.

Teddy Roosevelt e os Rough Riders, Cuba, 1898.

Histórias e mitos à parte, tecnicamente o Cuba Libre é considerado por especialistas como um "highball drink", isto é, um coquetel constituido de rum, limão, pedras de gelo e coca-cola devidamente misturado e servido em copos altos. Alguns puristas consideram conveniente somente o rum carta oro; outros toleram a muito custo o carta blanca.

As divergências começam quando o drinque deve ser misturado em coqueteleira ou servido diretamente no copo. Aqui, outra discussão: para experimentados barmen Cuba Libre em copo baixo é inaceitável.

Por ironia, o coquetel é conhecido atualmente em Cuba como "la mentirita" pois a ilha nunca foi realmente livre. Mas preferencias, purismos e discussões de lado, o que interessa é que ainda hoje, vez por outra numa tarde de verão escaldante o velho e bom Cuba Libre ainda cai muitíssimo bem.



Se possível ao lado de excelente companhia. Como música de fundo e para quem gosta do gênero, sugiro Eydie Gourmé e Trio Los Panchos, apenas para compor a cor local. Tin.. tin...

(foto reprodução)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O 'RANGO' DO EDGAR VASQUES....

Um dos efeitos colaterais dos chamados "anos de chumbo" - ou os anos do governo militar (1964-1985) foi o aparecimento de uma legião de bons cartunistas bem engajados politicamente. E um dos melhores deles foi o gaúcho Edgar Vasques.

Formado em Arquitetura, Edgar começou ainda estudante a trabalhar como chargista de esporte do jornal Correio da Manhã, ainda em 1968. Por volta de 1970 criou para a revista Grillus, órgão da Faculdade de Arquitetura o personagem de um esfomeado de barriga inchada que vivia no meio de um lixão e que tinha por hábito fazer observações ácidas e irônicas sobre a desigualdade social brasileira.

"Rango", este o nome do personagem, logo transpôs o limite do círculo universitário indo parar nas páginas de vários jornais da imprensa alternativa, e em 1973 apareceu nas páginas da Folha da Manhã ao substituir o cronista Luis Fernando Veríssimo, então em férias.

Com o sucesso das tiras, passou a ter lugar próprio na página de quadrinhos do jornal, sempre ironizando a miséria crescente, a propaganda oficial e a alienação do grande público para os grandes temas de debates nacionais. E isto em plena vigência da ditadura militar...

Em 1974, uma tentativa mal sucedida de fundar uma agência de publicidade com dois amigos - Paulo de Almeida Lima e Ivan Pinheiro Machado - deu ensejo à publicação do primeiro volume do "Rango" reunindo o material já publicado, criando daí a L&PM Editores, hoje uma das maiores editoras brasileiras e responsável pela edição de quase toda obra de Edgar Vasques.

O primeiro livro do Rango teve prefácio de Érico Veríssimo e foi um dos livros mais vendidos da Feira do LIvro de Porto Alegre, algo inédito para uma publicação de quadrinhos, abrindo espaço para outros humoristas gaúchos como o próprio Luis Fernando Veríssimo, Santiago, Renato Canini, e Guaracy Fraga em termos nacionais.

Até 1981 foram publicados sete livros do Rango, sempre em formato horizontal, celebrizando figuras como o filho do Rango (menino de rua sem nome), Boca 3 (um cachorrinho falante), Chaco (um índio latino-americano), Baba (um bêbado que vive numa lata de lixo) e Cândido, o perguntador contumaz.

Mas Edgar Vasques tornou-se mesmo conhecido nacionalmente com a produção das tiras do Analista de Bagé, de autoria de Luis Fernando veríssimo e publicados na revista Playboy, onde ele inovava ao usar técnicas de aquarela nos quadrinhos.

Edgar Vasques continua na ativa como participante de vários livros de humor e quadrinhos, além de se destacar como ilustrador e artista plástico.

(fotos reprodução)

domingo, 15 de novembro de 2009

QUEM SE LEMBRA DE....

...Adriana Prieto?

Adriana Prieto nasceu em Buenos Aires em 1950, filha de pai chileno e mãe brasileira, e veio para o Brasil aos quatro anos de idade.

Menina reservada, apenas revelava que era filha de um pai ausente, um irmão homossexual e uma mãe a quem rejeitava, mas com a qual se preocupava, apesar de a terem mandado para um internato de freiras. Num dos raros desabafos, com a amiga Márcia Rodrigues, contou que essas mesmas freiras a molestaram, o que teria reforçado sua fragilidade, abreviado sua infância e, talvez a tenha impedido de desenvolver a sexualidade de maneira livre e boa.

Adriana não se despia na frente das amigas, todas adolescentes desinibidas criadas à beira da praia do Rio de Janeiro; curiosamente, deixou para fazê-lo mais tarde nas telas. Nem tampouco falava de sexo, assunto quase que predominante naquele mundinho feminino cheio de fogo e de curiosidade em relação aos homens.

Seu irmão Carlos, segundo conta a amiga e atriz Márcia Rodrigues, tomou Adriana como "projeto de vida". Era evidente o esforço excessivo que Adriana fazia para caber naquele personagem anacrônico, híbrido, que o irmão escrevera para ela: ele a maquilava, escolhia suas roupas, a ensaiava e ensinava a imitar atitudes, gestos, olhares de Marlene Dietrich. E Adriana se deixava guiar pelo sonho do irmão, que nascera desejando ter sua beleza, seu talento e seu sexo. E lá ia ela, atuando, até certo ponto, como uma Greta Garbo de subúrbio, como diria, talvez, Nelson Rodrigues.

Na tela, o que predominava era seu frescor, seu talento. Quando ela ganhou seu primeiro dinheiro de verdade, investiu em um apartamento em Copacabana, onde instalou mãe e irmão.

Sua estréia no cinema já foi com destaque, no filme cult de Nelson Pereira dos Santos, `El Justiceiro`, em 1967. A atriz tem apenas pequenas passagens pela TV, sendo o cinema o seu veículo escolhido. E foi nele que construiu uma carreira de 18 filmes e trabalhou, entre outros, com nomes fundamentais do Cinema Novo como o citado Nelson, David Neves, Roberto Santos e Arnaldo Jabor.



A atriz, que ao estrear em "El Justiceiro" ganhou o prêmio Governador do Estado, recebeu o prêmio `Air France` em 1971 por "Lúcia McCartney - Uma Garota de Programa". Adriana Prieto tem momentos marcantes também em "Os Paqueras"; "Memórias de Helena"; "O Palácio dos Anjos"; "Um Anjo Mau", "A Viúva Virgem" e "O Casamento", seu impactante último trabalho.

Adriana participou dos filmes:

- El Justiceiro (1967), de Nelson Pereira dos Santos;
- A Lei do Cão (1967), de Jece Valadão;
- As Sete Faces de Um Cafajeste (1968), de Jece Valadão;
- Os Paqueras (1969), de Reginaldo Farias;
- As Duas Faces da Moeda (1969), de Domingos de Oliveira;
- A Penúltima Donzela (1969), de Fernando Amaral
- Balada da Página Três (1968), de Luiz Rosemberg;
- Memórias de Helena(1969), de David Neves;
- Uma Mulher Para Sábado (1971), de Maurício Rittner;
- O Palácio dos Anjos (1970), de Walter Hugo Khouri;
- As Gatinhas (1970), de Astolfo Araújo;
- Ipanema Toda Nua (1971), de Líbero Miguel;
- Lúcia McCartney - Uma Garota de Programa (1971), de David Neves;
- Soninha Toda Pura (1971), de Aurélio Teixeira;
- Um Anjo Mau (1972), de Roberto Santos;
- A Viúva Virgem (1972), de Pedro Carlos Róvai;
- Ainda Agarro essa Vizinha (1974), de Pedro Carlos Róvai;
- O Casamento (1975), de Arnaldo Jabor.

Adriana Prieto teve morte trágica, na véspera de Natal de 1975, vítima de um acidente de automóvel.

Fonte: site Mulheres do Cinema Brasileiro.

sábado, 14 de novembro de 2009

A CHAMA QUE NUNCA APAGA...

Na minha geração e nas outras que a antecederam o hábito de fumar não era uma agressão social, como querem alguns chatos "politicamente corretos", e sim algo perfeitamente natural, tanto para homens como para as mulheres.

Astros do cinema, políticos, cantores e outras celebridades da época transmitiam o hábito (fumantes ainda não eram segregados socialmente) até como um certo charme, um componente visual obrigatório da imagem que repassavam ao mundo. Impossível imaginar Clark Gable, Humphrey Bogart, Frank Sinatra, James Dean sem um cigarro nos lábios ou Sir Winston Churchill sem seus famosos charutos, para ficarmos somente em alguns ícones masculinos.

Fumar, para a molecada, representava um rito de passagem, algo que se fazia ali entre os 13 e quinze anos, via de regra, e junto com o hábito vinha também a quase obrigatoriedade do uso de alguns componentes que identificavam e davam uma marca pessoal. E, entre esses objetos de desejo, nada se comparava para o jovem fumante do que a aquisição de um isqueiro Zippo.

A Zippo foi fundada em 1932, em Bradford, Pennsylvania, quando George G. Blaisdell decidiu criar um isqueiro que seria bonito e fácil de usar. Blaisdell obteu os direitos de um isqueiro à prova de vento austríaco com topo removível e o reprojetou de acordo com suas próprias especificações.

Fez o corpo retangular, prendeu a tampa ao corpo com uma dobradiça soldada, e colocou uma proteção ao redor do pavio, o que lhe produziu os dois sons característicos ao abrir e fechar o "case" e que lhe valeria também a fama. Fascinado por uma outra invenção recente, o zipper, Blaisdell chamou seu isqueiro de "Zippo" e o lançou com uma garantia por toda a vida.


A primeira patente para o Zippo à prova de vento foi obtida no dia 3 de março de 1936 e o preço original de um isqueiro era de U$1.95 e desde 1935 a fábrica já gravava iniciais e fixava insígnias de metal em seus isqueiros. O primeiro logo corporativo em um Zippo foi colocado em 500 isqueiros em 1936 para a empresa vizinha em Bradford, a refinaria Kendall.



De 1943 até o final da Segunda Guerra Mundial, toda a produção da Zippo era mandada para os soldados em combate ao redor do mundo. Muitos soldados personalizavam seus isqueiros, riscando seus nomes, lugares, imagens e mensagens de todos os tipos para sinalizar seus sonhos, esperanças, medos e saudades.

Esse tipo de alteração é considerada "Arte de Trincheira", um termo da Primeira Guerra Mundial que refere-se especificamente a itens criados com as sobras de guerra nos campos de batalha. Durante a Segunda Guerra, o Zippo se tornou conhecido como o "amigo do soldado" e era valorizado por sua confiabilidade e também por ser uma lembrança de casa.

O design básico do isqueiro Zippo tem permanecido inalterado por mais de 70 anos. Existem 15 clubes de colecionadores de Zippo ao redor do mundo: 5 nos EUA, 2 na Inglaterra e um na Áustria, Canadá, Dinamarca, Itália, Japão, África do Sul, Suíça e Holanda.

Com o terrorismo social que se tem feito ultimamente à caça dos fumantes, o uso do isqueiro Zippo caiu meio em desuso e com ele o charme e a imagem que fixaram uma época.

(Fotos reprodução)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A VOZ DE UMA DEUSA....

Há algum tempo atrás postei esse material lá no Mestre Joca. Mas como diz o Flavinho Gomes, a audiência (espero...) sempre se renova e o espaço aqui me parece mais adequado ao tema. Portanto, vamos lá:

"Quando tinha lá meus 15 anos, enquanto a turma se amarrava em rock, pop, jovem guarda e guitarrinhas "chang-a-lang", eu me deliciava com os volteios harmônicos do blues e do jazz. Não que eu fosse um especialista na matéria, apenas um ouvinte dedicado: Carmen McRae, Nina Simone, John Coltrane, Oscar Peterson, Dave Brubeck, Stan Getz, Otis Redding, Miles Davis, Gerry Mulligan, Ella Ftizgerald, Sarah Vaughan e Ray Charles foram alguns que pontuaram e fizeram a trilha musical de minha adolescência...

Mas, acima de tudo e todos, ela, a rainha: Billie Holiday !
Não sei como expressar em palavras minha adoração por Lady Blues (que na verdade cantava jazz), portanto reproduzo texto de Ruy Castro sobre a deusa. Abre aspas:

"Billie Holiday cantava como uma deusa e sabia disso. Uma deusa não arranha sua divindade com movimentos prosaicos diante dos mortais. Sua voz deve bastar. Por isso Billie cantava imóvel, quase como uma estátua.

Não deixava que seu corpo se entregasse à canção. Com os braços retos em direção ao chão, dava, no máximo, tapinhas de leve na coxa com a mão direita, estalava silenciosamente os dedos da mão esquerda e marcava o ritmo quase imperceptivelmente com o pé. À luz azulada da boate, era como se estivesse plantada sobre um pedestal. Às vezes inclinava suavemente a cabeça - não para dirigir-se à platéia, mas para comunicar-se com seus músicos pelo olhar.

Eles entendiam esse olhar: podia ser de aprovação, de prazer, até de gozo supremo. Ela era um deles e falavam uma linguagem de adoração mútua. Se uma mesa de estranhos, não iniciados no culto, conversasse ou perturbasse a música com seus drinques e talheres, o garçom se aproximava e sussurrava ao ouvido do que parecesse o maioral: "Lady lamenta que os senhores não estejam gostando. Por favor, paguem e saiam..."

Lady era Billie Holiday. Lady Day.

Lady cantava devagar, arrastando a voz em relação ao andamento do piano, sem pressa de acompanhá-lo. Quando cantava "Strange Fruit", a canção que falava de negros pendurados nas árvores como frutos para os corvos - tema de encerramento de seus shows desde 1939 - o silêncio esmagava a sala. O serviço era interrompido, os garçons postavam-se nos cantos, o barman pousava a coqueteleira. As luzes se apagavam, exceto por um spot sobre sua cabeça e as lágrimas que ela invariavelmente produzia escorriam-lhe como prata sobre o rosto. Sua platéia também chorava, mas engolia o choro.

As palmas explodiam, mas Lady ignorava os gritos de bis e não se curvava para agradecer. Virava-se e saía devagar em direção ao camarim, tão devagar quanto cantava, caminhando com imperial dignidade. As luzes se acendiam aos poucos, mas o ambiente ficava impregnado de de "Strange Fruit" - e de Lady Day.

Lady mesmo, da cabeça aos pés."

(Ruy Castro, excertos)



Billie Holiday não se traduz em palavras, por mais que se tente. E sim por música.
Neste vídeo, uma gravação antológica de "Fine and Mellow", de 1944, acompanhada por um sexteto fantástico, formado pelos músicos Coleman Hawkins, Lester Young, Ben Webster, Gerry Mulligan, Vic Dickenson, Roy Eldridge, a fina flor só reunida em torno mesmo de uma rainha.
Ouçam pois, com silêncio e reverência. Uma deusa está cantando.

Eu, por exemplo, vou às lágrimas...

(foto reprodução)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

KEN PARKER, O RIFLE COMPRIDO...

Ken Parker, ou Rifle Comprido para os índios Sioux ou Cheyennes, é um personagem de histórias em quadrinhos criado em 1974, pelos desenhistas italianos Giancarlo Berardi e Ivo Milazzo. Fortemente inspirado no filme "Jeremiah Johnson" (direção Sidney Pollack, 1972) e na figura de Robert Redford, a historieta é considerada uma das melhores de Western e se tornou um cult para amantes do gênero.

"Ken Parker" se diferencia das HQ habituais pelo excelente projeto gráfico - mesmo para uma historieta pulp-fiction - o roteiro elaborado, os diálógos primorosos, a criatividade do argumento que fugia das previsibilidades e redundâncias das histórias de faroeste como um Tex e outros assemelhados.

A arquitetura da construção do personagem beira a perfeição: Ken parker é um montanhês natural do Wyoming que após sair de casa se emprega como boy-scout no Exército. Ainda semi alfabetizado, sua missão é caçar animais e eliminar índios, sempre acompanhado de um velho arcabuz Kentucky ainda do tempo da revolução Francesa herdado de seu avô, que lhe valeria a alcunha dem Rifle Comprido pelos índios.

Ainda na primeira edição, a morte do irmão mais novo o leva a sair em busca dos seus assassinos e aí começa a mudança e aprendizado do personagem que se alongarão por 53 edições, originalmente publicadas aqui a partir de 1978 pela finada Editora Vecchi até agosto de 1983, com algumas interrupções. Em 1990 Ken Parker voltou às bancas e livrarias em duas edições bancadas pela Best News.

Retomando a publicação regular da série, a Editora Mythos brindou os milhares de fãs de Ken Parker com mais 18 edições e por fim a Ed. Tapejara deu continuidade republicando toda série em edições de luxo com capa brochura e papel couché, na mesma ordem cronológica de acordo o lançamento na Itália.

Alguns personagens se tornaram famosos na série: os índios Kamoose e Mandan, o esquimó Oakpeha, a espevitada garota Pat O´Shane, Teddy, seu único filho que vive em Boston, Belle (um batedor do Exército), o grande amigo Dashiell Fox, a cachorrinha Lily e sua paixão Adah. Ao correr das histórias, Ken Parker passa por situações e aventura onde vão desfiando à frente do leitor vultos e lugares históricos, canções e personagens da época; enfim, um banho sobre o estilo de vida do Velho Oeste.

Mesmo vítima de interrupções, marchas e contra marchas, é uma alegria saber que o velho e bom Ken Parker cavalga novamente...

(fotos reprodução)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

JEREMIAH JOHNSON...

O filme é de 1972 e aqui levou o nome de "Mais Forte Que a Vingança", passando quase em brancas nuvens não fosse a presença de Robert Redford, então um astro em plena ascensão. Sob a direção segura de Sydney Pollack, o roteiro de "Jeremiah Johnson" é baseado em dois célebres livros sobre um dos mitos americanos, os homens da montanha que ajudaram a expandir os limites da grande nação: Mountain Man, de Vardis Fisher e The Crow Killer:The Saga of Liver-Eating Johnson, de Raymond Thorp e Robert Bunker.

O filme, como o próprio nome diz, versa sobre a saga de Jeremiah Johnson um desiludido ex-soldado veterano da Guerra do México, que resolve abandonar tudo e se tornar um homem da montanha. Sem nenhuma experiência e mal equipado quase não sobrevive ao seu primeiro inverno nas Montanhas Rochosas até conhecer acidentalmente Chris Lapp, um excêntrico montanhês interpretado pelo veteraníssimo ator teatral Will Geer. Este lhe ensina os rudimentos da sobrevivência nas altas latitudes e aí começa realmente a história de Johnson.

Após um brevíssimo contato com um chefe Crow (Camisa Vermelha, vivido na tela por Joaquín Martínez), Johnson estabelece-se por fim na montanha vivendo em paz com os índios, caçando e negociando peles, até dar de encontro com uma família de colonos quase totalmente dizimada por um grupo de índios Pés-Pretos, da qual sobrara somente uma mulher louca e um garoto mudo.



Instado pela mulher, Johnson a contragosto adota o garoto e após travar conhecimento com outro montanhês amalucado, Del Gue (papel de Stefan Gierach), é obrigado a eliminar os Pés-Pretos, conquistando o respeito e admiração da tribo rival, os Flathead (cabeças-chatas). Um equívoco de comunicação leva Johnson a aceitar a bela Swan (Delle Bolton), filha do cacique dos Flathead como esposa. Sem querer, Johnson é obrigado a se estabelecer com mulher e filho. Inicia-se ali uma nova vida, mais sedentária e feliz, longe dos problemas e turbulências do mundo lá embaixo.

A calma aparente é perturbada com a chegada de uma unidade da Cavalaria e um capelão que o força a guiar os soldados pela terra proibida dos índios, em auxílio de uma caravana atolada na neve e em plena terra dos Crow, motivo de grave ofensa e que lhe cobrará um preço caro. É quando Johnson também se dá conta que o processo de colonização é irreversível e já alcança as terras altas das Montanhas Rochosas.

Johnson passa então a ser alvo da vingança dos Crow, que envia um a um seus melhores guerreiros, sendo esses abatidos pelo caçador branco, até o momento que o chefe Crow pede arrego e fazem finalmente as pazes.

"Mais Forte Que a Vingança", além do relato minucioso da vida dos montanheses é também uma crônica do processo de ocupação dos espaços vazios da grande América e dos homens que propiciaram essa conquista. Uma saga de aprendizado, sujeição e adaptação do homem ao meio inóspito que rendeu uma indicação à Palma de Ouro em Cannes.

Robert Redford apaixonou-se pelas locações das Montanhas Rochosas em Utah, tendo adotado o estado como residencia permanente, chegando depois instituir ali o hoje prestigiado Sundance Film Festival, meca do cinema independente na América. O filme gerou também um ícone cult das histórias em quadrinhos, Ken Parker, largamente inspirado na figura e no personagem de Robert Redford.

Afinal, um filme imperdível para quem gosta das boas histórias do Velho Oeste.

(foto reprodução)

MAIS UMA AVENTURA....

E lá vou eu para o terceiro blog. Pelo jeito, tomei gosto pela coisa. Mas, ao contrário do "Mestre Joca" e dos "Diários do Auto Exílio", este aqui não se dedica a um tema específico ou a impressões pessoais sobre um determinado período. O "Pasquineiras" pretende tratar daquelas pequenas coisas que fizeram - e fazem ainda - parte do universo de cinquentões e sessentões de boa extração: cinema, música, artes & espetáculos, carros, hobbies, bebidas, gadgets, humor, viagens, memórias, causos. E, claro, mulheres, as deusas e ninfas que habitaram nosso inconsciente, sonhos e ilusões adolescentes.

Enfim, a proposta aqui é ambiciosa: tornar-se lugar e ponto de encontro onde falaremos daqueles assuntos dos quais nossas esposas, amigos, filhos e até mesmo netos não tem mais saco - e por que não dizer - alcance para nos ouvir.

Apesar da proposta descompromissada do blog o fazemos com seriedade, o que não quer dizer sisudez. Portanto, não aceitaremos aqui a figura do "Anônimo" nos "Comentários". Aqueles que se dispuserem a nos seguir, peço a gentileza de criar uma conta ou uma identificação compatível, mesmo que usando pseudônimo.

Grato pela compreensão e bem vindos a bordo...!

(foto reprodução)