Um dos meus cantores favoritos, PeryRibeiro se foi no último dia 24 em plena ressaca de carnaval, aos 74 anos de um enfarto fulminante, em Niterói. Filho de dois grandes nomes da MPB dos anos 40 e 50, a eterna diva Dalva de Oliveira e do compositor Herivelto Martins.
Pery Oliveira Martins, seu nome de batismo, nasceu no Rio de Janeiro em outubro de 1937 e iniciou sua carreira artística aos três anos de idade, participando da dublagem de filmes de Walt Disney, ao lado de sua mãe Dalva de Oliveira, que interpretava Branca de Neve, o pequeno Pery dava a voz ao anão Dengoso.
Em 1941, com quatro anos de idade, apresentou-se no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Aos 5 anos, em 1942, participou de “It’s All True”, o filme inacabado de Orson Welles, escrito e dirigido por Orson e filmado no Brasil, durante o período da Campanha de Boa Vizinhança dos EUA com os países aliados na 2a. Guerra. Atuou, em 1944, no filme "Berlim na batucada", de Luís de Barros.
Mais tarde nos anos 50, passou a adotar o nome artístico de Pery Ribeiro, por sugestão do radialista César de Alencar. O primeiro disco foi gravado em 1960 mesmo ano em que estreou como compositor com a música "Não Devo Insistir", com Dora Lopes. Em 1961, foi o intérprete de "Manhã de Carnaval" e "Samba de Orfeu", ambas de Luis Bonfá e Antono Maria.
Pery gravou a primeira versão comercial da canção "Garota de Ipanema" sucesso em todo o mundo, além de 12 discos dedicados à Bossa Nova. A partir da década de 70, desenvolveu trabalhos mais jazzísticos, ao lado de Leny Andrade viajando pelo México e Estados unidos, onde atuou também ao lado do conjunto de Sérgio Mendes
Entre os 50 troféus e 12 prêmios que ganhou, estão o troféu Roquette Pinto, o Troféu Chico Viola e o troféu Impeensa. Foi apresentador de programas de televisão e participou de alguns filmes no cinema nacional. Tinha seis irmãos (quatro por parte de pai, um de pai e mãe, e uma irmã adotiva, por parte de mãe). Foi um grande admirador da obra artística de seus pais, e através deles conseguiu se decidir e apreciar a música, seguindo a carreira de cantor.
Por muitos anos alternou residência engtre sua casa em Miami e um apartamento no Rio de Janeiro, retornando em 2011 definitivamente para o Brasil. Em 2006, Pery Ribeiro lançou o livro “Minhas duas Estrelas”, pela editora Globo, escrito com a colaboração da sua esposa, onde conta como foi sua vida em meio ao conturbado relacionamento dos pais Dalva de Oliveira e Herivelto Martins. Com o prefácio de Ruy Castro, o livro vem sendo aclamado como um dos marcos da literatura sobre a vida de artistas brasileiros.
Desde o início do ano, Pery Ribeiro encontrava-se internado num hospital em Niterói para tratamento de uma endocardite. Faleceu aos 74 anos de idade.
O Chitlin´circuit era o nome de um circuito onde se apresentavam artistas negros para um público também de negros na sua maioria pobres, criado quando a segregação racial atingia seu auge, por obra e graça da lei Jim Crow nos anos 30 e 40, que proibia o acesso e convívio entre brancos e negros em locais públicos, principalmente no Sul dos EUA.
Na realidade, o tal circuito teve origem ainda no final do século 19 e durou até meados dos anos 60 do século 20, como uma alternativa viável de sobrevivência para músicos, comediantes, atores e performers negros.
Incluiam night clubs, bares, cafés, restaurantes e espeluncas de beira de estrada, os honky tonk. O termo chitlin´ deriva de chitterlings (ou intestinos de porco fervidos), comida dos negros escravos americanos e que depois se tornou a base alimentar da população negra pobre do sul dos EUA.
Historicamente, Baltimore foi a primeira cidade do chitlin´circuit que depois espalhou-se por todo o sul, derivando para o leste do Texas, daí subindo para Chicago e Detroit através do Deep South (Alabama, Mississippi, Missouri), até atingir Nova Iorque. Teatros famosos dessa época são o Royal Peacock in Atlanta; o Carver Theatre em Birmingham, Alabama; o Cotton Club,o Small´s Paradise e o Apollo Theatre em Nova Iorque.
Outros eram o Robert´s Show Lounge, o Club DeLisa e o Regal Theatre em Chicago. O Howard Theatre em Washington, D.C., o Uptown Theatre na Philadelphia, o Royal Theatre em Baltimore, o Fox Theatre em Detroit, o Victory Grill em Austin, Texas, o Hippodrome Theatre em Richmond, Virginia e o Ritz Theatre em Jacksonville, Florida, eram casas bem concorridas no circuito.
O vibrafonista Lionel Hampton no Memphis´Hippodrome, 1955.
O chitlin´circuit foi de fundamental importância para a divulgação do blues, jazz, do R&B e qualuer manifestação da arte negra americana. Artistas do porte de Count Basie, George Benson, Cab Calloway, Ray Charles , Dorothy Dandridge, Sammy Davis Jr., Duke Ellington, Ella Fitzgerald, Jackson 5, Aretha Franklin, Jimi Hendrix, Billie Holyday, John Lee Hooker, Lena Horne, Etta James, B. B. King, Gladys Knight & The Pips, Wilson Pickett, Otis Redding, Little Richard, Smokey Robinson, Ike & Tina Turner, The Four Tops, The Supremes, The Temptations, Tammi Terrell, Muddy Waters e tantos outros fizeram seus nomes no chitlin´circuit.
Com a campanha pelos direitos dos negros americanos no meio da década de 60, e consequentemente o acesso a áreas públicas comuns, o chitlin´circuit foi caindo em desuso, mas ainda chegou a ser usado por algumas estrelas do rock em ascensão. Hoje é apenas uma vaga lembrança de um tempo de resistência da raça negra.
"Steely Dan é uma banda americana de jazz fusion centrada na dupla Walter Becker e Donald Fagen. O grupo ganhou popularidade nos anos 70, quando fez sete álbuns juntando elementos do jazz, rock, funk, R&B e pop. Inicialmente no rock, suas canções absorviam complexas estruturas e harmonias com influências do jazz.
O nome da banda se refere a um livro de William Burroughs. Além de Fagen (piano, teclados e vocal) e Becker (baixo e guitarra), a banda original tinha Denny Dias (guitarra), Jeff ¨Skunk" Baxter (guitarra e percussão), Jim Hodder (bateria) e David Palmer (vocal). O grupo fez turnês de 1972 a 1974, mas de 1975 a 1980 se retirou dos palcos para trabalhar unicamente em estúdio. Depois de uma pausa que durou até 1993, e atendendo a pedidos, Fagen e Becker voltaram a se reunir e a se apresentar nos EUA, lançando um disco Alive In America em 1994. Em 2000, a dupla lançou Two Against Nature, primeiro disco com inéditas em 20 anos, ganhando quatro Grammys em 2001.
Can´t Buy a Thrill (1972)
Produzido por Gary Katz nos estúdios da ABC, o álbum de estréia, Can't Buy A Thrill, foi lançado em 1972, causando uma imediata impressão com os hits "Do It Again" e "Dirty Work", cantados por Palmer, e "Reeling In The Years", que apresenta um aclamado solo de guitarra de Elliott Randall.
Devido à relutância de Donald Fagen em cantar, David Palmer assumiu a maioria dos vocais no palco. O baterista Jim Hodder também cantou em uma faixa: "MidnightCruiser". Palmer, irritado com o perfeccionismo de Fagen e Becker, deixou a banda durante a gravação do segundo álbum e foi trabalhar com Carole King, com quem escreveu o hit Jazzman.
Countdown to Ecstasy (1973)
O segundo álbum foi Countdown to Ecstasy (1973). Seguindo a mesma linha de Can't Buy A Thrill, foi gravado em meio a turnês, trazendo clássicos como "Show-Biz Kids", "My Old School" e "Bodhisattva".
Pretzel Logic (1974)
O Steely Dan manteve-se em evidência com seu terceiro LP, Pretzel Logic, no início de 1974, produzindo um outro grande hit, "Rikki Don't Lose That Number" - que foi direto para o Top Ten dos EUA.
Pretzel Logic também tem a única canção de um outro compositor - uma canção de Duke Ellington: "East St Louis Toodle-oo". A faixa título e "Any Major Dude Will Tell You" também se tornaram favoritas dos fans. Durante a turnê de lançamento do álbum, a banda passou a contar com um jovem baterista, Jeff Porcaro (mais tarde membro do Toto), que na época trabalhava com a dupla Sonny e Cher. Outro que chegou foi o cantor e tecladista Michael McDonald.
O álbum também marca a primeira vez que Walter Becker faz algumas inserções de guitarras nas canções do Steely Dan. A decisão de Fagen e Becker de deixar de lado as turnês para se concentrarem em trabalhos em estúdio gerou um racha na banda. Descontentes, Baxter (cada vez mais envolvido com os Doobie Brothers e Hooder caíram fora. Michael McDonald (que também foi para os Doobie Brothers posteriormente) e Denny Dias ainda iriam continuar nas sessões de estúdio dos álbuns seguintes.(1975)
Katy Lied (1975)
No LP de 1975, Katy Lied, o duo usou um grupo diversificado de músicos, incluindo Porcaro e McDonald, bem como o Elliott Randall, os saxofonistas Phil Woods Wilton Felder, o vibrafonista Victor Feldman, o tecladista Michael Omartiam e o guitarrista Larry Carlton Os destaques são "Black Friday", "Bad Sneakers", "Rose Darling", "Dr. Wu" e "Chain Lightning".
The Royal Scam (1976)
The Royal Scam foi realizado em 1976 e é considerado o disco mais dirigido à guitarra que o grupo produziu, em parte pela colaboração do guitarrista Larry Carlton. Outra presença importante é o lendário baterista Bernard "Pretty" Purdie. Destacam-se no álbum "Kid Charlemagne", "The Fez" (na qual o tecladista e jornalista Paul Griffin tem uma rara co-autoria). Também populares são "Don't Take Me Alive", "Sign in Stranger", "Haitian Divorce", "Caves of Altamira" e a suingadíssima "Green Earrings". Este também foi um disco no qual Fagen (que cantou) e Becker pouco tocaram seus instrumentos, dedicando-se à produção, composições e arranjos.
Aja (1977)
O sexto LP, Aja (1977), teve Becker e Fagen usando os serviços de músicos top de linha do jazz, jazz-rock e da soul music, incluindo Larry Carlton, o saxofonista Wayne Shorter, os bateristas Steve Gadd, Rick Marota e Bernard "Pretty" Purdie e o baixista Chuck Rayney além de Denny Dias. Aja é considerado o mais requintado álbum da banda e, de fato, um dos melhores discos de todos os tempos. Ironicamente, um disco recheado de jazz tornou-se um clássico do rock.
O premiadíssimo Aja atingiu o Top Five dos EUA, e vendeu 1 milhão de cópias graças a canções como "Peg" (com o proeminente backing vocal de Michael McDonald), "Josie" e "Deacon Blues". O LP consolidou a reputação da dupla Becker e Fagen como compositores e reafirmou o seu perfeccionismo dentro do estúdio. A história de Aja foi documentada em um episódio de TV e lançada em DVD pela série Classic Albums. Depois do sucesso do disco, o duo contribuiu com a canção "FM" para a trilha do filme de mesmo nome. O filme foi um fracasso, mas a canção foi um grande sucesso.
Gaucho (1980)
Becker e Fagen passaram 1978 fora de cena, antes começaram a escrever canções para o novo trabalho, que seria marcado por problemas técnicos, legais, pessoais e que culminariam na interrupção de uma parceira de muitos anos. Em março de 1979, a ABC (gravadora do Steely Dan) foi vendida para a MCA e pelos próximos dois anos a dupla teve problemas contratuais que dificultaram a gravação do álbum.
Becker e Fagen planejaram deixar a ABC pela Warner Brothers, onde queriam realizar o trabalho, mas a MCA declarou-se proprietária do material já gravado e impediu-os de levá-lo para outro estúdio. A primeira faixa gravada foi The Second Arrangement, da qual Becker e Fagen ficaram muito orgulhosos. Mas numa noite, um engenheiro de som apagou acidentalmente uma fração da faixa gravada e os produtores do disco nada puderam fazer. No outro dia, ao ser notificado, Fagen simplesmente saiu caminhando do estúdio sem dizer uma palavra. As tentativas de regravar o som foram frustrantes e a canção foi abandonada.
Mais problemas não faltaram. A namorada de Becker na época, Karen Stanley, foi encontrada morta no apartamento que dividiam. Becker sofreu acusações mas foi absolvido. Também teve problemas com álcool e drogas e, pouco tempo depois, ao atravessar uma rua em Manhattan, foi atropelado por um táxi, quebrando a perna direita em várias partes, sendo obrigado a usar muletas por um tempo.
Na mesma época, O compositor de jazz Keith Jarret recorreu a justiça dizendo que faixa título do novo disco era baseada em uma de suas composições, intitulada "Long As You Know You're Living Yours". Fagen admitiu que havia se apaixonado pela canção e ela o teria influenciado fortemente. Jarret acabou ganhando a co-autoria, assim como os direitos comerciais da canção. Gaucho foi finalmente concluído e lançado em novembro de 1980. Apesar dos problemas, o disco foi o maior sucesso e "Hey Nineteen" chegou ao topo das paradas. Em 1981, Becker e fagenanunciaram a suspensão de sua parceria.
E segue a história
Em 1982, Fagen lançou seu disco solo The Nightfly, juntando material não-utilizado nos dois álbuns anteriores do Steely Dan e um cover de Leiber e Stoller, "Ruby Baby". Depois ficou sem gravar por vários anos. Ocasionalmente, assim como Becker, produziu trabalhos de outros artistas.
Dois eventos contribuíram para uma possível volta do Steely Dan. O primeiro foi em 1991, quando Becker participou do concerto com a então banda New York Rock and Soul Revue fundada por Fagen e pela produtora e cantora Libby Titus (mais tarde esposa de Fagen). O segundo evento foi a a presença de Becker como produtor segundo ábum solo de Fagen, Kamakiriad, em 1993. Fagen nominou-o como a mais sofisticada experiência em sua carreira. Retornando o favor, Fagen co-produziu o único disco solo de Becker, 11 Tracks of Whack(1994).
Em 1993, a MCA lançou Citizen Steely Dan uma caixa que reúne os 7 álbuns da banda, o single FM (1978), mais as faixas Here at the Western World (lançada em uma coletânea em 1978), e as inéditas "Bodhisattva" (ao vivo, 1974) e uma versão de "Everyone's Gone to the Movies" (1971).
Alive In America (1994)
Estes eventos conduziram finalmente à reativação da banda. A excursão norte-americana em 1993 para apoiar o álbum de Fagen (que vendeu pouco, embora os concertos tivessem bom público). Com Becker na guitarra, eles reuniram uma banda que incluiu um tecladista, um baterista, um baixista, três vocalistas e uma seção de sopro. Viajaram com grande aclamação de 1993 a 1996 executando canções antigas da banda e canções de álbuns solo. Alive in America registra gravações de vários concertos.(2000)
Two Against Nature (2000)
Em 2000, eles lançaram o primeiro álbum de estúdio em vinte anos, Two Against Nature. Mais do que um rotorno, o CD foi um dos sucessos e a surpresa do ano. No verão de 2000, eles caíram na estrada para outra excursão nos EUA seguida por uma excursão internacional. Em 2001 de fevereiro, o CD ganhou quatro Prêmios Grammy.(2003)
Everything Must Go (2003)
Em 2003, o Steely Dan lançou um novo álbum, Everything Must Go, e fez nova turnê pela América. Depois de anos, Walter Becker assumiu todos os baixos do disco e algumas guitarras. Em 2006, a banda promoveu a turnê Steelyard "Sugartooth" McDan and The Fab-Originees.com Tour, com a participação de Michael McDonald. Os shows ajudaram a divulgar o ótimo álbum solo de Fagen, Morph the Cat, lançado em 2006. A turnê de 2007 se chamava Heavy Roller Tour, nome inspirado em um trecho da canção Gaucho".
Há algum tempo tenho o costume de degustar um charuto ao menos uma vez por semana. Muito embora tenha feito a escalada tabagística ao contrário - isto é, iniciei nos charutos ainda bem moço, passei para o cachimbo e terminei no cigarro, mau hábito que deixei há 14 anos. Mas, talvez por causa disso, alguns parentes e amigos mais próximos me considerem um expert na matéria. Nada mais falso, apenas aprecio ocasionalmente um bom charuto e o faço normalmente sozinho, nao gosto de ostentação.
Já tive os meus dias de Cohibas, Romeos y Julietas, Montecristos ou Partagas, muito antes de se tornar moda e aparecerem "especialistas" cheios de normas e regras, que tiram toda a graça e a espontaneidade do simples ato de se fumar um bom charuto. Ok, reconheço que o modismo e o aumento da renda da classe média brasileira na última década disponibilizou marcas de preços até então proibitivos - caso dos "puros cubanos" - ao mesmo tempo que melhorou substancialmente a qualidade dos produtos nacionais. Também o aparecimento de tabacarias com pessoal especializado ajudou a popularizar o hábito de fumar charutos, coisa que felizmente parece ser irreversível.
Deixando de lado os modismos e os tiques dos deslumbrados, degustar um bom charuto é de uma simplicidade franciscana. Mas que exige um mínimo de conhecimento, como tudo no mundo. Portanto, para quem se inicia na "nobre arte" o mínimo que se necessita saber para aproveitar bem um bom charuto é o seguinte:
Capa: fundamental na escolha de um charuto. Feita de uma ou mais folhas de tabaco, deve ter uma aparência lisa, viçosa, levemente brilhante. Atenção para rachaduras e fissuras na capa, indica charuto já velho ou de qualidade inferior. Se tiver alguns buraquinhos, dispense imediatamente: o "impuro" está contaminado pela lasioderma serricone, mal que pode ser detectado por um pequeno pó que sai da cabeça do charuto (a parte arredondada). Enchimento (filler): charutos, em última análise, nada mais são que folhas de tabaco previamente tratadas, fermentadas e enroladas à mão (de preferência) ou industrialmente. O que interessa saber é se são long fillers (enchimento feito com folhas inteiras de tabaco) ou short fillers, estes últimos preenchidos com sobras picotadas ou não dos charutos long fillers. É o que vai dar sabor e "alma" ao seu charuto.
Bitolas: é o comprimento versus diâmetro do charuto. Hoje existem um sem número de bitolas que atendem a todos os gostos, felizmente. Mas basicamente o que o iniciante deve conhecer são as tradicionais:
Churchill- com o o nome indica é uma homenagem ao ex-primeiro ministro inglês, fã incondicional do charuto. É uma peça grande, tem em média de 18 a 20 cm de comprimento por cerca de 2 cm de diâmetro. Leva em média uma hora ou pouco mais para ser consumido com calma. Preferido de muitos antigos charuteiros.
Double Corona - Quase do mesmo tamanho do Churhill, varia de 16 a 18 cm, com 1,9 cm em média de diãmetro. Normalmente de sabor suave.
Corona- Minha bitola de preferência. Mede em média de 13 a 16 cm, com diâmetro variando em torno de 1,8 cm. Leva uns bons 40 minutos de puro prazer.
Robusto- Variam entre 12 e 14 cm por 2 cm de diâmetro. Normalmente são de sabor mais encorpado, mas há exceções. Excelente para após as refeições, duram em média de 45 a 50 minutos.
Graduado: - Bitola bem próxima do Corona, diferencia-se pelo diâmetro em torno de 2 cm.
Claro está que as dicas acima são mais do que básicas e, por charutos serem feitos à mão - pelo menos as marcas melhores - os tamanhos e diâmetros podem variar. Existem outras denominações: panatelas, belicosos, compactos, pirâmides ou torpedos, e por aí vai. Mas isso é coisa que o iniciante vai descobrindo aos poucos, à medida que vai conhecendo melhor o fascinante mundo dos charutos.
Pois bem, você escolheu seu charuto e chegou a hora de acender o bicho. O que fazer ? Esqueça as firulas a vamos para o básico, novamente. Primeiro o corte: mantenha a guilhotina firme (cortador) e corte a uns 3 mm da cabeça do charuto (a ponta arredondada, lembre-se...)- normalmente no limite do acabamento da folha e da cabeça. Mas cuidado ! Se cortar demais a capa começará a se soltar. Se de menos, a "puxada" não será boa. Com o tempo, pega-se a manha com facilidade.
Para acender use um palito de fósforos longo, ou melhor, um corriqueiro isqueiro a gás (JAMAIS um desses a fluido como o laureado Zippo ou assemelhados). Mantenha a ponta do charuto a uns 5 a 7 cm de distância da chama. Gire seu charuto lentamente próximo à chama, sem sugá-lo, até que ele queime uma parte. Leve-o à boca e puxe suavemente até formar a primeira parte da brasa. Daí em diante o charuto queima fácil, se for um de boa procedência.
Deixe-o queimar bem, dando "puxadas" de 20 em 20 segundos em média. Verifique sempre a brasa até ela queimar por inteiro na ponta. Lembre-se que em charutos, assim como nos cachimbos, não se traga. Charutos pedem introspecção e desfrute bem devagar. Normalmente um charuto "fala" ao que veio a partir do segundo terço do seu comprimento, mas isso não é regra absoluta. Aliás, se falando em charutos nada é...
Um dos segredos do bom charuto é sua queima e isso se vê pela cinza. O bom charuto tem uma cinza clara, regular e de aparência estriada, ao contrário dos inferiores que são mais escuras e em flocos. Ao contrário da crença popular, charutos de alta qualidade (premium) seguram pouco as cinzas, em média coisa de 3 a 5 cm antes de cair. Mas há quem se habitue a segurar ao máximo a cinza do charuto (eu, por exemplo)...
Charutos são diferentes de cigarros, não se traga em absoluto. Existem os que apreciam inalá-lo e soltar pelo nariz, e isso não se traduz em falta de etiqueta, apenas é questão de hábito. Nisso, a "puxada" é fundamental. Normalmente se puxa a cada 25 ou 30 segundos, mas aí é questão de costume. A fumaça - de preferencia, densa e de bom fluxo - deve percorrer a boca e ser expelida em pequenos halos. Há quem goste de fazer anéis de fumaça, nada contra. O sabor residual que persiste na boca é que vai determinar seu grau de satisfação.
Há quem tenha paladar treinado (não é o meu caso) para identificar traços de couro, madeira, café, terra úmida, noz moscada, óleos essencias, etc. Honestamente, só consigo sentir se é mais apimentado, suave, encorpado ou não. Isso em charutos normais, não consumo aqueles artificialmente flavorizados, que considero de baixa qualidade.
Enfim, para quem começa desaconselho charutos cubanos ou dominicanos, sem dúvida os melhores. Mas há muitos nacionais que não fazem feio numa faixa de preço que varia de 14 a 20 reais e que atendem à perfeição aos desejos dos iniciantes. Pessoalmente, dos nacionais gosto muito do Dona Flor, Alonso Menendez, Da Matta,Danneman e Diógenes Puentes, sempre nabitola Corona. Muitos deles superam em qualidade de construção e sabor a muitos cubanos que degustei anteriormente. E, além do mais, ninguém vai se dar ao trabalho de falsificá-los, como é comum nos "puros" cubanos.
Mas aí é questão de escolha pessoal. Boas fumaças...!
Há uns bons anos que deixei de ir a restaurantes estrelados, desses que depois de duas horas de congestionamento de trânsito, paga-se uma nota pelo estacionamento, espera-se uma hora em pé ou mais por um lugar numa mesa apertada para comer porções mínimas de uma comida estranha que aparenta ser um monumento ao movimento expressionista e cujas porções são tão pequenas, suficientes somente para alimentar um canário belga.
Muitas vezes saí desses lugares me sentindo depenado no meu rico dinheirinho, com uma vontade enorme de parar numa trattoria ou num rodízio de carnes para matar realmente a fome. Alguns mais deslumbrados com a cultura da haute cuisine (seja lá o que isso signifique) me dirão que, antes de mais nada, isso é o preço (salgado, diga-se) a pagar por uma "experiência gastronômica". Pois bem, que fiquem com ela.
A verdade é que hoje em dia come-se mal. E paga-se muito. Esquecem os senhores restauranteurs que o que interessa, ao fim e ao cabo, é a satisfação do seu cliente e não atender à sua vaidade pessoal ou ao ego inflamado dos "chefs", que é como se chamam hoje os cozinheiros de antigamente. Descontado o trivial variado do dia a dia, comer, antes de mais nada, requer atração pela aventura, requer entrega total, abandono.
Cozinheiros existem em qualquer lugar, variam somente o gosto e a matéria prima. Já vi neguinho metido a gastrônomo recuar horrorizado frente a uma maniçoba paraense, um pato no tucupi, picadinho de muçuã (pequena tartaruga amazônica).
Ou a um barreado paranaense, uma moqueca baiana nadando em azeite de dendê, um sarapatel bem salteado na pimenta, ou até a uma prosaica sopa paraguaia (prato típico do Mato Grosso, que na verdade é uma torta). Ora, ora, dirão alguns, isso aí também já é exagero, comida de degredados ...
Ah, é ? E o que dirão os de estômagos mais sensíveris ao saber que no Japão, por exemplo, se come sashimi feito com o peixe ainda vivo ? Ou no Laos que se serve barata (não batata) frita ? Na Argélia se serve gafanhotos na brasa, um must ao cair da tarde. No Alasca, território americano, remember..., os nativos lambem os beiços com intestinos cru de foca. Na Noruega, língua e bochecha de bacalhau é a pedida. No México, fritada de grilos. Sem falar no Vietnã, onde se come qualquer coisa que ande, nade, voe ou rasteje. E a coisa por aí vai...
Portugal, nosso avôzinho, é um manancial de surpresas quando o assunto é "boa mesa". Dispense as obviedades à base de bacalhau ou as sardinhas na brasa, batatas ao murro e quejandos. Delicie-se com o menos trivial jaquinzinhos e pitingas (pequenos peixes fritos que se comem inteiros, com cabeça e tudo e às bateladas, a exemplo da pratiqueira paraense...), os pipis - nada mais que fígados e moelas de galinha com um molho pra lá de especial -, ou as bifanas, pão com bife de porco.
Segundo o jornalista e escritor Ruy Castro - meu consultor gastronômico ao escrever este post no seu artigo "Viagens ao redor do estômago" - há "algo de transcendental no porco português que não se consegue explicar".
E ele segue sugerindo pezinhos de porco à coentrada (pé de porco cozido ao molho de coentro, incluindo as unhas do bicho, ressalte-se), sandes de coirato (sanduíche de pão com couro de porco grelhado em chapa quente).
Ou os túbaros de porco (testículos do animal guisados e servidos em pires, cortados aos cubos). Ainda segundo Ruy Castro, há outras opções além do porco nas tascas portuguesas. Uma seria as caracoletas, aqueles caracóis comuns de jardim, servidos com palitinhos para cutucar o bicho.
Mas, o autor recomenda cuidado ao pedir um prato em Portugal. Bobó de camarão é um perigo, bobó em terras lusas significa boquete. E moqueca pode ser confundido com queca, isto é, "dar uma rapidinha". Portanto, todo cuidado é pouco devido às dificuldades naturais da língua ( se me permitem o trocadlho infame...).
Hoje em dia prefiro a simplicidade de restaurantes comuns feito para gente comum, como eu e você. Nada de lugares da moda, onde vão para ver e serem vistos, ou tirar uma de descolados. Assim, quando quero massas vou a uma trattoria, pizza a uma pizzaria, carne somente em grills ou churrascarias, peixes e crustáceos em especializados em frutos do mar e por aí vai. Claro, existem os "temáticos", mas desses passo longe. Só não me dou bem com restaurante japonês. Lugar onde a comida vem crua e o guardanapo cozido não é para meu bico....
Conheci a beberagem quando morei nos sul dos EUA, há priscas eras atrás. É uma espécie de licor feito originalmente de uma mistura de bourbon, baunilha, limão, canela, alho, cerejas, suco de laranja e mel.
Um coquetel infernal, servido aos incautos numa graduação alcoólica de 50 % em volume.
Reza a lenda que foi criado por um barman chamado Martin Wilkes Heron, em 1874 numa tal McCauley´s Tavern localizada no French Quartier, New Orleans. Com o passar dos anos e caindo no gosto popular, a bebida hoje é apresentada em várias versões mais palatáveis e com menos graduação alcoólica.
Serve como base para alguns coquetéis americanos populares como o Alabama Slammer, ou o Scarlett O´Hara, este último uma clara alusão ao lançamento do filme E o Vento Levou (Gone WithWind), em 1939.
Dizem que era o drink favorito de Janis Joplin, pelo menos nos seus primeiros anos de bebedeira. Tomava hectolitros, antes, durante e após suas apresentações. Talvez por ser um grande fã de Janis Joplin isso tenha me chamado a atenção.
Mas não me caiu muito bem ao gosto. Talvez por que não seja muito chegado a licores ou o tal Conforto Sulista tenha um sabor muito exótico para o meu paladar, não me "confortando" tanto assim.
Nascida com o nome de Maïténa Marie Brigitte Doumenach, em 05 de outubro de 1939 em Soulac-sur-Mer, Maïténa ingressou no mundo artístico em 1959, quando foi levada às pressas para uma rádio para substituir a irmã num concurso de novos talentos chamado "Naissance d'une étoile" e ganhou.
No mesmo ano o diretor Louis Malle estava procurando uma jovem para atuar no seu novo projeto, "Liberté". E como Marie se enquadrava perfeitamente no perfil da personagem que estava procurando, ele a escalou para o papel, mas complicações nos bastidores fizeram com que ela desistisse do filme por outro chamado "O Sol Por Testemunha" (Plein Soleil). A película foi a primeira adaptação do livro "O Talentoso Ripley", da escritora Patricia Highsmith e ainda hoje é considerada a melhor versão da obra.
Como a sua performance anterior havia sido muito elogiada, ela foi convidada para estrelar o filme "Saint Tropez Blues". No longa ela interpretou a canção que deu título ao filme. Logo os produtores perceberam que ela tinha talento também para a música. Seu primeiro hit "LesVendanges de l'Amour", foi um sucesso na época porque suas canções elaboradas por grandes letristas como André Popp e Pierre Cour representavam uma espécie de alternativa ao rock que havia invadido a França desde o final da década de 50.
Suas canções tinham um tom intimista e arranjos sofisticados que criavam uma variedade de sons ora medievais e barrocos, ora modernos, mas sua gravadora queria que suas canções fossem mais simples e alegres para torná-la uma artista pop como seu contemporâneo Johnny Hallyday. Ela tinha potencial para isso e foi assim que Marie Laforet enveredou pelo Folk Rock no final da década de 60.
Para se adaptar as novas tendências,começou interpretando algumas canções do Bob Dylan (aliás foi ela quem o popularizou na França ao cantar Blowin 'in the Wind, em francês) e Simon e Garfunkel. Mas, apesar de ela ter se ajustado ao novo gênero foi com as canções dos compositores Francis Lai, Michel Jourdan e André Popp que ela entrou para a história, dando um tom próprio para cada composição. Jourdam disse uma vez que quando Laforet cantava uma de suas músicas parecia que cada palavra tinha sido feita para ela e aquilo a ufanava.
Em 1978, não podendo mais conciliar sua estética pessoal com as exigências da sua gravadora, decidiu se afastar da carreira musical e mudar-se para Genebra, onde vive até hoje. No mesmo ano, ela inaugurou uma Galeria de Arte na mesma cidade. Na vida pessoal Marie Laforet é mãe da também atriz Lisa Azuelos.